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segunda-feira, 31 de maio de 2010

A is for absolute

Deathstars esbanja energia em sua primeira vinda ao Brasil

IMG_1888 by Alexandre Cardoso.
Foto de Alexandre Cardoso

Os trinta minutos de atraso foram mal disfarçados por uma tela que projetou o canal Cartoon Network ao som de uma playlist com direito a Rammstein e Zeromancer. Silenciosos, os fãs da banda sueca Deathstars, sem contemplar show de abertura, só reclamaram a demora depois do som parar e dar a entender que os cinco músicos – Whiplasher Bernadotte (vocal), Skinny Disco (baixo e vocal de apoio), Nightmare Industries (guitarra), Cat Casino (guitarra) e Bone W. Machine (bateria) – finalmente subiriam ao palco na noite do dia 30 de maio.

Simples, a montagem do show contou apenas com a iluminação do Carioca Club, uma bandeira com o símbolo da banda, instrumentos de corda e percussão – o teclado, tocado por Nightmare, foi inserido como gravação. Às 20h30, os integrantes mostraram-se uniformizados pela maquiagem branca no rosto e pela roupa preta imitando farda militar. Cada um carregava no braço esquerdo uma faixa com seu nome artístico e Whiplasher, com cap, batom vermelho e glitter prata em volta dos olhos, envolveu a bota esquerda com uma tira de fita isolante prateada.

Na turnê Night Electric Night, que passou pelo México, Argentina e agora Brasil, a música de abertura não deixaria de ser a faixa que dá título ao terceiro álbum e ao ciclo de shows. Logo na primeira execução, o vocalista Whiplasher provou do calor brasileiro e acabou se livrando do casaco. Com a agitação do cantor, o glitter rapidamente se espalhava pela roupa umedecida de suor. Sem temer a euforia dos fãs, o Whiplasher descia à ponta do palco e se permitia ser tocado nas pernas e, inclusive, no fecho da calça. Isso o animou a ponto de passar a rebolar em músicas como Babylon.

Desenvoltura

Para uma boa apresentação, não são necessários grandes investimentos em cenário e efeitos especiais. A simpatia do grupo sueco era demonstrada ao remeter olhares à platéia, ao conversar com o público antes de iniciar uma música e ao pedir palmas – até mesmo o baterista Bone, escondido aos fundos, estendia as baquetas para cima. Os guitarristas e baixista, de cabelos compridos e pretos, “bangueavam” e, juntos, davam ritmo às constantes mãos que subiam aos gritos de “hey”, às vezes confundido com “hail”, enquanto Whiplasher batia continência aos fãs.

As pequenas histórias contadas pelo vocalista ao anunciar a seguinte música variavam. Todos os comentários mencionavam o título, mas mais intrigante foi quando o cantor disse que, no Brasil, a predominância de cor de cabelo era escura. “Na Suécia, a maioria das pessoas é loira. As meninas de lá são muito vaidosas, adoram se mostrar pelas ruas. Às vezes, eu tenho vontade de destruí-las” comentou, sorrindo. E assim, o grupo iniciou Blood Stains Blondes. Não fica atrás, no entanto, o momento em que a banda anunciou Mark of the Gun, convidando a platéia a saber mais sobre “as trevas”.

No fim do show, todos cediam ao calor: Skinny ficou sem camisa, enquanto os demais preferiram só desabotoar. O bis contou com Death Dies Hard – música que mais provocou frenesi entre os paulistanos –, The Revolution Exodus, The Last Ammunition e, enfim, Play God. Como agrado, foi customizada uma bandeira do Brasil com o círculo azul substituído pelo símbolo da banda. Como lembrança, o guitarrista Cat entregou sua palheta logo nas primeiras músicas, Bone arremessou suas baquetas em direção aos camarotes e Whiplasher, para a surpresa de todos, entregou seu cap ao público próximo ao palco. Sem dúvida alguma, o show que durou aproximadamente 1h30 teve seu valor justamente pela energia, sincronia e pela amizade – entre os músicos e os fãs e dentro da própria banda.




Setlist

Night Electric Night
Motherzone
Semi-Automatic
Mark of the Gun
Arclight
New Dead Nation
Babylon
Tongues
The Fuel Ignites
Damn Me
Chertograd
Blitzkrieg!
Blood Stains Blondes
Cyanide
Trinity Fields
Death Dies Hard
The Revolution Exodus
The Last Ammunition
Play God

sábado, 6 de março de 2010

Deathstars: conheça a banda de rock industrial que virá ao Brasil


Depois de trazer Primal Fear, Grave Digger, Moonspell e Tiamat, a casa paulistana Carioca Club anuncia show da banda sueca de industrial rock Deathstars. Nesta única apresentação no Brasil, o grupo promoverá o mais novo álbum Night Electric Night, lançado em janeiro do ano passado, quando completaram 8 anos de carreira.

Produzido em Estocolmo, o CD demonstra bem as diferenças de uma banda que em 1993 tocava death metal, identificando-se como Swordmaster. De lá para cá, a formação manteve-se intacta senão pela saída do guitarrista Erik Halvorsen (aka Beast X Electric). Sendo assim, Deathstars são o vocalista Andreas Bergh (aka Whiplasher Bernadotte), os guitarristas Emil Nödtveidt (aka Nightmare Industries) e Eric Bäckman (aka Cat Casino), o baixista e vocal de apoio Jonas Kangur (aka Skinny Disco) e o baterista Ole Öhman (aka Bone W. Machine).

A banda possui em sua discografia os álbuns de estúdio Synthetic Generation (2002), Termination Bliss (2006) e Night Electric Night (2009). Logo no primeiro trabalho, Deathstars definiu como hit a música Our God The Drugs, em que a voz arranhada e aguda (próxima da proposta de Dani Filth, de Cradle of Filth, banda com qual fizeram tour em 2005) se mistura a um vocal grave parecido com o de Till Lindemann (Rammstein) e ainda põe em conflito temáticas trazidas do metal com a ideologia cyberpunk presente na música industrial:

What do angels dream, do angels sleep, do demons dream of darkness deep?[…] It's our God the Drugs; It's a new world code of bliss dressed in skin.

Daí em diante, os outros dois álbuns não demonstraram o mesmo estilo de guitarra que em Synthetic Generation. Em Night Electric Night, que estava em preparação desde 2007, alguns fãs consideram que se perdeu o peso original que a Deathstars inseria em suas composições no início da carreira. A faixa que dá título ao cd muito se assemelha às músicas do grupo inglês Cradle of Filth, especificamente com a melodia de Her ghost in the fog.

No entanto, Death dies hard, que ganhou videoclipe, possui um refrão cativante por reforçar a base repetida ao longo da música. Repetindo o pessimismo na letra, esta faixa torna-se mais interessante justamente pelo vídeo, preenchido por uma estética típica da cena industrial, seja pelo cenário de uma metrópole preenchida de publicidade luminosa e prédios grandes ou pela estética dos artistas.

O figurino adotado pelos integrantes da Deathstars é típica e vastamente explorado por bandas relacionadas, como a italiana Dope Stars Inc – que até poderia ser considerada a irmã mais nova e mais pop – e Marilyn Manson, o antichrist superstar. O cap, a maquiagem, as lentes e até mesmo a farda demonstrados no clipe já são elementos explorados pelo astro grotesco em clipes como Fight Song e em alguns photoshoots dos anos 1990. Obviamente, esta combinação não é original do artista que regravou sucessos como Sweet Dreams e Tainted Love, sendo que a eslovena Laibach já adotava o estilo em 1980. As roupas e acessórios militares e fetichistas fazem parte da estética da música industrial, gênero de música eletrônica surgido nos anos 1970.

Outro aspecto visível pelo clipe de Death dies hard é o glamour evocado pelas mulheres. Esse costume vem desde o – literalmente – Glam e Hard Rock, gêneros que também abusavam das calças de couro justas, de maquiagens extravagantes e de vozes escandalosas. Afinal, os cabelos e cores vinham do Twisted Sister, a androginia de Axl Rose e de David Bowie, sendo estes dois últimos considerados galãs de uma era. Trazer as figuras femininas para a ostentação do homem recomposto é uma proposta bastante comum ao Manson que, apesar da polêmica aparência, já namorou a dançarina Dita Von Teese e as atrizes Evan Rachel Wood e Stoya.

Afinal de contas, apesar de levantar sobrancelhas e contorcer os lábios de alguns espectadores e ouvintes, bandas como Deathstars acabam por seguir a filosofia de Patricia Morrison, ex-baixista da banda Sisters of Mercy, atualmente casada com Dave Vanian, do The Damned: “Acho que tenho um gosto bastante eclético. Gosto muito da música dos anos 60, da psicodelia. […] O glamour. Isto é o que eu sempre gostei mais. A cena gótica se divide em várias vertentes, algumas parecem mais grotescas, outras mais pesadas, mas eu gosto do glamour” (do The Tiki Nightmare DVD).

Data: 30/05/2010

Local: Carioca Club

Preço: a partir de 30 reais (pista, meia entrada)

Onde comprar: Lady Snake e Ticket Brasil


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