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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

VGA - um grande "bem vindo" ao novo


Game of the Year. De uns anos pra cá, esse título passou a ser cada vez mais lembrado por jogadores e, principalmente, produtoras de games. Afinal, receber o prêmio, seja lá de quem for, se torna apenas mais um pretexto para relançar o jogo com uma nova caixa mais bonita, repleto de extras que já foram lançados anteriormente e com um lindo selo escrito “GOTY”. E dentre estas premiações, a maior delas é o Video Game Awards (VGA), que chegou a sua décima edição na sexta passada.

Melhor jogo do ano?

O VGA, prêmio organizado pela Spike TV, nunca foi dos prêmios que os jogadores levaram mais consideração, pelo fato de muitos simplesmente não prestarem atenção. Contudo, desta vez a premiação chamou a atenção. Os dois games vencedores da noite, que arrecadaram mais prêmios, foram os independentes, pequenos e disponíveis apenas para download The Walking Dead e Journey. O primeiro, adaptação dos quadrinhos e da série de TV, recebeu o famigerado “Game of the Year” e mais três reconhecimentos, enquanto o segundo foi o melhor jogo de PS3, com mais dois prêmios. A questão é: por que isso importa?

Ok, vamos listar alguns dos jogos que estavam indicados para os dois prêmios. Mass Effect 3, Assassin’s Creed III, Call of Duty: Black Ops 2, Boderlands 2. O que existe em comum entre eles? Todos são sequências de franquias consagradas, custaram milhões de dólares para serem produzidos e mais alguns milhões em suas campanhas de marketing. E, sem exceção, faturaram mais alguns milhões (Black Ops 2 caminha a passos largos para se tornar o game mais vendido da atual geração).

A premiação foi tão polêmica, que não foram poucos os fãs e até mesmo produtores e analistas da indústria que se revoltaram, ou seja, pessoas que de fato trabalham para saber o que é bom, acusaram o VGA de leviandade. E todos eles tem seus pontos. The Walking Dead e Journey vão na contra mão do que a indústria de games se tornou nos últimos 10 anos.  São experimentos, frutos de uma mistura de ousadia, baixo orçamento e um sentimento de “foda-se, vou fazer o jogo que eu quero”. E, por mais que ame blockbusters e mega-lançamentos, uma parte de mim está bem feliz por este reconhecimento.

Sério...jogue isso
Não posso falar por The Walking Dead, já que ainda não joguei, mas posso falar por Journey. Quando o ano começou, eu tinha 3 jogos em mente, Mass Effect 3, Max Payne 3 e Assassin’s Creed III. Contudo, entre um período e outro, depois de ler alguns reviews e saber que custava apenas R$25, joguei Journey. Duas horas e meia depois de começar, o jogo já estava finalizado. Simples e curto assim. Mas posso dizer com certeza que foram as duas horas e meia mais revigorantes que tive em um jogo em anos. Foi como sair de uma sala de cinema sabendo que eu tinha acabado de ver um filme que ficará para sempre na minha memória, mesmo se nunca mais vê-lo. Journey era, além de ser absurdamente bom, diferente de tudo. Se quiser saber mais, pode ler minha análise aqui.

O grande mérito do VGA deste ano, e este provavelmente é o primeiro mérito que este prêmio conseguiu ter em sua história, é premiar o diferente. A indústria de games se tornou absurdamente homogênea, igual. Ela criou as próprias regras e as segue ano após ano, com êxitos e fracassos, é verdade. Apenas dê uma olhada na quantidade de sequências que foram listadas neste texto, e na quantidade de sequências que você vem jogando nos últimos anos.

 De certa forma, é até um caminho natural para um mercado que faz rodar tanto dinheiro investir em apostas seguras, não é necessariamente um pecado (e se tem alguém que gosta de jogar estas “apostas seguras” sou eu). Contudo, reconhecer e premiar a inovação é uma mensagem clara para todos que fazem e jogam videogames hoje em dia: o novo é bem vindo. Mesmo que sejam com gráficos ultrapassados, mesmo que seja com uma jogabilidade simplista, mesmo que custe apenas U$10 em uma loja virtual, o novo vale a pena. Afinal de contas, Final Fantasy, The Legend of Zelda e um certo encanador saltitante já foram apostas um dia.  

terça-feira, 24 de abril de 2012

Journey: Apenas...jogue!


Apenas...jogue!


Existem alguns momentos na vida, que você não segue um caminho, mas apenas é levado por ele. Sim, a frase é clichê, parece coisa de filme motivacional ou orelha de livro de auto-ajuda, mas é verdade. Seja por qual for o motivo, você simplesmente acredita que aquele caminho é o certo, e você tenta, contra tudo e contra todos, chegar lá. E, talvez, esta seja uma das mais básicas da essência humana: Ter fé em algo. Seja isso religioso ou não.
Não é fácil de descrever esse sentimento, e talvez seja mais difícil ainda evocá-lo através de uma obra. Pois bem, uma obra conseguiu fazer isso comigo. E não foi um filme ou um livro. Foi um game. Journey, da thatgamecompany, é diferente de tudo que já foi feito na história dos games – e sim, tenho noção do que envolve afirmar algo desse tipo. O jogador controla um personagem sem nome e sem feições, que por algum motivo, inicia sua jornada em direção ao pico luminoso de uma montanha no horizonte. Em nenhum momento descobrimos o que motiva o personagem. Como se isso fosse necessário.
Os comandos são os mais simples possíveis. Tudo que o jogador pode fazer é andar e ocasionalmente pular/voar, se for possível graças a alguns elementos no jogo. Mas... Journey não é do tipo de game que se perde tempo falando de jogabilidade. Perde-se tempo falando, sim, de sua beleza. Em uma época que se fala cada vez mais de gráficos e do potencial de consoles e PCs, este simples game para download, feito por uma empresa independente, talvez seja a obra mais bonita já produzida recentemente. Não estou falando apenas de gráficos, que são de fato maravilhosos. Mas de fotografia, de composição da imagem, de luz, de sombras...de tudo. Uma sequência em particular, que coloca o personagem em alta velocidade pela areia desértica contra o por-do-sol foi capaz de me deixar sem qualquer tipo de reação, tamanha sua beleza.
Journey ganha ainda mais quando se fala de seu multiplayer, que provavelmente é o mais criativo dos games. Enquanto você progride com seu personagem, ao longe vê um movimento, uma sombra, que aos poucos ganha contornos de um outro ser como o seu. Não é um NPC, mas sim um outro jogador. Não há comunicação via texto, não há indicação do nome do jogador na PSN, não há nada. Apenas ele e você, que podem se comunicar apenas pelo único som que os personagens produzem. É simples, é básico, é genial.
Sinceramente, não há como transpor o que é Journey através de um texto. Pode-se falar que é único, que é lindo, que é diferente, mas apenas o jogador pode ter noção do que ele irá encontrar. Pois o game é simplesmente uma obra de arte em sua concepção mais básica: Ele é extremamente pessoal. Não existem respostas fáceis, não existe uma conclusão óbvia, se é que existe uma conclusão. Journey é sobre o que é de mais misterioso na condição humana, a fé, e não se busca respostas para isso. Portanto, compre, baixe, reserve duas e quinze de seu dia, apague as luzes e deixe-se envolver pela que talvez seja uma das mais prazerosas experiências que os games podem proporcionar hoje em dia.

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