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segunda-feira, 2 de março de 2015

O que Laerte Coutinho pensa sobre regulação da mídia?

Por Pedro Zambarda


Laerte, em uma charge publicada na Folha, você defendeu abertamente a regulação dos meios de comunicação. Por quê?

Acho que há uma ação unificada da mídia com um propósito político claro ao recusar a discussão sobre regulação de meios de comunicação. É o que penso. Acho que nossos meios precisam se submeter a interesses da sociedade. Até em nome da liberdade de expressão dela. É um debate que precisa começar agora. Não tenho uma resposta clara e abrangente, infelizmente. É preciso buscar modos democráticos de limitar o monopólio dos meios de informação, bem como garantir e estimular o uso desses meios por parte da população. Isso deveria ser feito para diversificar as abordagens e opiniões que existem hoje e ficam concentradas nas mãos de poucos detentores da audiência.

Você acredita que uma mídia regulada conviveria bem com o deboche?

Acho que conviveria muito melhor com o humor de deboche ou de debate. Não vejo o humor sendo censurado com mais veículos de mídia criados. Ele apenas seria, talvez, mais debatido.

O Charlie Hebdo está levando a culpa pela tragédia em Paris?

Cartunistas fazem parte do universo de jornalistas de opinião, especialmente aqueles que se dedicam à charge e à sátira política. Não acho que vá acontecer uma pressão inédita sobre os autores e autoras de sátiras. Nem acho que uma possível pressão desse tipo conseguiria obter mudanças sensíveis no grau de liberdade com que esse trabalho é feito hoje.

Sua pergunta usa o termo “culpa”. É uma palavra de alta complexidade neste momento. Charlie Hebdo é uma das revistas mais importantes do mundo em sua área e influenciou milhares de pessoas em sua história. Inclusive eu. Acho que a linguagem do humor, necessariamente agressiva, de nenhum modo é neutra, porque sempre há um conteúdo ideológico pelo qual o discurso humorístico deve responder.

“Foi só uma piada” é uma defesa geralmente idiota. No entanto, por suas características especiais, sua subjetividade, é difícil avaliar de longe como se realiza este discurso, que tipo de leitura se faz no contexto da realidade francesa. Para nossos olhos, pode se tratar de islamofobia pura.

A experiência que temos no Brasil em relação a populações islâmicas é bem diferente porque há muitos imigrantes de origem árabe, boa parte cristã. Tenho a impressão, e posso estar muito errada, de que a islamofobia no Brasil procura obter resultados em relação a apoios e condenações de políticas no exterior, especialmente no caso da Palestina.

Você acha que existe preconceito por trás da crítica especificamente voltada para as religiões muçulmanas?

O tráfego dos preconceitos é intenso e multidirecionado. Racismo, machismo, fobias de todos os sabores e qualidades se combinam em desenhos elaborados e complexos. Sim, o islamismo é hostilizado, assim como o judaísmo e o cristianismo. Esses ataques ocorrem em várias medidas. As religiosidades são hostilizadas e manipuladas de muitas formas.

A entrevista completa foi publicada no Diário do Centro do Mundo, o DCM.

domingo, 17 de novembro de 2013

Amor ao toque - Caso CHARGE

Por Thábata Sabrina, estudante do 4º semestre de Jornalismo na Fiam Faam/FMU


O quão bom pode ser um sentimento ao toque das mãos? Esse é o amor demonstrado por Iago Peromingo Ribeiro de 7 anos. Amante de música, esportes, histórias, gorduras trans e balas, Iago passa seu dia a dia convivendo com uma síndrome que até então a medicina moderna não consegue reverter chamada CHARGE. "É uma síndrome rara que atinge um a cada um milhão de nascimentos. A palavra CHARGE tem como significado: C= Colobama (baixa visão ou a falta dela); H= Heart (Coração, problema na válvula que bombeia o sangue); A= Atresia (atresia de coanas, má formação das narinas); R= Retardamento mental; G= Má formação genitária (Micro-pênis e testículos fora do saco escrotal); E= Eart (deficiência auditiva, baixa audição ou falta dela). No caso do Iago, ele não possui todas essas más formações. É deficiente visual, já que nasceu sem os olhos, porém não tem retardamento mental, seu intelecto é perfeito, e também não é surdo. Possui micro-pênis e já operou os testículos", conta Vanesca Peromingo Ribeiro, 40, psicóloga e mãe do garoto.


Apesar do acompanhamento durante toda a gestação de Vanesca e as ultrassonografias em 3D, a síndrome só foi descoberta alguns dias após o nascimento de Iago, "Como tivemos, eu e o Adenilson (pois homens também ficam grávidos) uma gravidez tranquila, não esperávamos a notícia de que nosso filho havia nascido com alguns problemas que nem os médicos saberiam explicar ou diagnosticar. Então ficamos chocados, tristes e angustiados. É claro que para a mãe é sempre muito mais difícil. Pensava que era culpada pela condição do Iago, que havia feito algo de errado durante a gestação como quem usa drogas, bebe, fuma, sei lá. Me lembro de carregar uma culpa muito grande, mesmo sabendo racionalmente que tinha feito tudo certo", recordam-se Vanesca e Adenilson Valentim de Souza Ribeiro, 43, empresário e pai do Iago.


A síndrome de CHARGE não tem cura, Vanesca e Adenilson acreditam que a medicina em um futuro próximo desenvolverá algo que possa substituir os olhos de Iago, "algo mecânico talvez".

"Iago tem sete anos e ainda depende de nós para ir e vir. A escola onde estuda desde os três anos vem fazendo adaptações para  atendê-lo em sua deficiência visual, como por exemplo adaptar para o Braille todo o material que dispõe para ele, também suas atividades como natação, educação física e outras são adaptadas de forma que ele possa desempenhá-las. Em casa, desde pequeno sempre soube se locomover de forma livre e independente e para facilitar procuramos ter poucos móveis. Consegue reconhecer todos os ambientes de casa com muita facilidade", conta Vanesca. Além do auxilio dos pais, Iago conta com a irmã Nicole de 10 anos. "Adoro ajudar meu irmãozinho, mas nem sempre ele quer o meu auxílio, gosta de mostrar que consegue fazer sozinho" diz Nicole, que ainda revela que eles brigam as vezes. "Quando ele não me deixa ajudá-lo".

Vanesca e Adenilson fazem com que os direitos de Iago sejam aceitos pela sociedade e dizem haver muita dificuldade para isso, tendo em vista que Iago é deficiente visual. "Na escola onde ele estuda por exemplo, temos dificuldade em usar a vaga especial mesmo tendo o cartão que nos dá este direito, as pessoas entendem que somente aquelas que são cadeirantes é que podem usar. Quase todos os dias precisamos conscientizar as pessoas de que as vagas especiais são destinadas a pessoas portadoras de necessidades especiais como: Cadeirantes, deficientes visuais, pessoas obesas, ou seja, pessoas com dificuldade para se locomoverem", explica Adenilson. Os pais acreditam que essa dificuldade seja pelo modo o qual tratam o Iago e sua deficiência, de forma natural, assim a sociedade também o vêem dessa forma, sem nenhum preconceito ou distição, "sempre procuramos frequentar lugares onde as pessoas nos conhecem e sabemos que seremos bem recebidos. Não lembramos de alguma situação de preconceito que tenha nos afetado seriamente, apenas sempre nos defrontamos com pessoas curiosas que não conseguem apenas ver, precisam perguntar o que ele tem" explica Vanesca.

A alfabetização em Braille no Brasil vem a passos preguiçosos até agora. Em São Paulo, na estação Santa Cruz do Metrô, a instituição ADEVA auxilia os deficientes visuais na locomoção independente, na escrita e leitura através do sistema, além de fornecer  cursos de informática e capacitação profissional. Em Jundiaí, interior de São Paulo, local de moradia do Iago e de sua família há o centro de atendimento chamado BRAILLE, com várias terapias que ajudam no desenvolvimento do deficiente visual.  “O Iago, por exemplo, faz terapia ocupacional, fisioterapia e fonoaudiologia. Também frequenta um programa chamado PEAMA que tem por finalidade oferecer a pessoas portadoras de várias deficiências, sejam elas visuais ou não, atividades adaptadas de acordo com a necessidade de cada um. Lá (no PEAMA) no momento o Iago pratica ciclismo", conta Vanesca, "Iago é uma criança muito curiosa, já sabe ligar e desligar o computador, sabe colocar DVD para ouvir suas músicas e histórias preferidas e até joga vídeo game! Mas para que seja mais proveitoso o uso da tecnologia ele precisa de um sistema auditivo que supra a sua visão e o informe do que está fazendo. Quanto a sua alfabetização em Braille, podemos dizer que ele é uma pessoa letrada", conclui.

Os olhos do Iago é o tato, já que usa suas pequenas mãozinhas para identificar pessoas e objetos. "Desde bebê, ele sempre teve o ´hábito`, se é assim que podemos dizer, de enchergar com as mãos, nunca precisamos ensiná-lo! Para ele ficou claro que nós enchergamos com os olhos e ele com as mãos", relembra Vanesca.

Mimado pelos avós maternos e paternos, os pais contam que não existe distinção. "O Iago é uma criança muito doce que é o que faz dele uma pessoa especial verdadeiramente. Nós enquanto pais não fazemos nenhuma distinção, apenas cuidamos para que ele próprio não coloque sua vida em risco".

Iago tem muitos coleguinhas, mas prefere a companhia dos adultos. Como qualquer criança, adora brincar, a única coisa que o diferencia de tantas outras é a falta de visão. Quem sabe possamos ter no futuro mais um talento como Stevie Wonder ou Andrea Bocelli, tendo em conta que seu grande passatempo não é nada mais nada menos que a música, instrumentos musicais como violão, teclado, sanfona, pandeiro, chilofone e flauta estão sempre ao alcance das mãos para que Iago possa fazer sua bagunça, como um bom brasileiro joga futebol, anda de bicicleta, adora balanços dos parquinhos de sua cidade e se diverte na cama elástica, "gosto do teclado e do meu BAT BAG. Tenho dificuldade de brincar com coisas que vão para longe de mim, por exemplo bola ou bolinha de gude, não consigo perceber aonde foram parar".

Amante de bala e, claro, das famosas bombas calóricas, como pizza, coxinha, pastel, pipoca com catchup, lasanha e carne com queijo, ele diz que também curte uma beterraba. Com o paizão, Iago toca teclado, um dos seus passatempos favoritos. Por quê? Claro que por conta da bagunça, "porque tem várias músicas que eu posso tocar e fazer bagunça com meu pai".

Sobre Nicole, irmã mais velha, Iago conta como é o convívio entre irmãos. "Ela é muito legal, me ajuda a fazer o dever, a levantar da cama, me trocar e muitas outras coisas. Brincamos mais ou menos, ela tem muitas coisas para fazer, mas quando quando dá tocamos teclado, vamos a cama elástica, passeamos no parque e inventamos histórias. Adoro histórinhas, a da Chapeuzinho Vermelho, Dos Sete Cabritinhos, Doroti, Peter Pan, Pinóquio...".

E Nicole adora ficar coladinha com o irmão caçula. "Gosto quando ficamos juntinhos na cama da mamãe e do papai para ouvir histórinhas, também gosto quando ficamos falando coisas que não tem nada a ver, inventar trava língua, passear em família... Ele é muito fofo e gosto muito da companhia dele".

Um filho é uma bênção de Deus, dois é uma dádiva divina e, como católicos praticantes, a família Ribeiro segue passando uma estrutura incrível a Iago e mostrando que a vida é muito mais do que pode-se ver... É o que pode-se sentir.

domingo, 14 de março de 2010

Falecimento de Glauco Vilas Boas e repercussão

Quatro tiros dados em cada uma das duas pessoas em Osasco fragilizaram uma família e acabaram com a carreira de um cartunista famoso. Glauco Vilas Boas e seu filho Raoni foram brutalmente assassinados por sequestradores às 0h do dia 12 de março. Na manhã seguinte, o sistema de microblogs Twitter divulgou amplamente a notícia, que foi foco de telejornais como Jornal Hoje, da Globo. No dia seguinte, a Folha de S.Paulo, periódico no qual Glauco publicou muitas de suas charges, incluindo personagens como Geraldão, Geraldinho e Dona Marta, prestou uma homenagem com um especial de seis páginas com a história do desenhista.

Sua carreira foi marcada tanto pela transgressão nos anos 1970 e 80 ao lado de nomes como Angeli e Laerte, que rendeu uma edição especial do quadrinho Chiclete com Banana com a expressão "Los tres amigos". O título faz referência a amizade entre os cartunistas, que floresceu no período da ditadura militar no Brasil. O papel que a arte de Glauco tinha não era apenas de entreter, mas criticar sobriamente nosso país, mesmo através de personagens bizarros e caricatos que marcaram a cultura nacional.

Segundo o texto do jornalista Matias Suzuki Jr, no especial da Folha de S.Paulo, além da ligação de Glauco com o seguidores do Santo Daime, era notória sua anarquia dentro dos jornais, chegando em cima do horário do fechamento e refletindo muitos fatos de seu próprio cotidiano em desenhos simples e extremamente caricatos, em histórias absurdas. Glauco estreou na Folha Ilustrada em 1983. Quase trinta anos totalmente dedicados ao humor na imprensa brasileira.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O influente Papai Noel de Thomas Nast

É verdade que a empresa de refrigerantes Coca-cola divulgou a imagem de Santa Claus, o Papai Noel (Papai Natal, em Portugal)? Sim, a afirmação é verdadeira e marcou o começo do século XX. No entanto, o criador do velhinho Noel nem de longe é de uma marca de bebida. Trata-se do caricaturista e quadrinista alemão Thomas Nast, que desenhava o períodico americano Harper´s Weekly.

Responsável pelas primeiras charges políticas, que surgiram na modernização da imprensa dos Estados Unidos, Nast criou a imagem atual do Papai Noel em 1863: um velhinho gordo, com roupa de cores vermelha, branca e preta. Antes de seus desenhos, a figura natalina era desenhada magra, e se assemelhava a diversas personalidades de diferentes folclores, desde o deus nórdico Odin até santos cristãos.

Thomas Nast criou figuras marcantes na sociedade conservadora americana. Alguns exemplos são o elefante do Partido Republicano, o burro do Partido Democrata e até o Tio Sam, ícone cultural nos EUA.

O Harper´s Weekly: A Journal of Civilization era uma revista novaiorquina que durou entre os anos de 1857 e 1916, trazendo notícias nacionais, internacionais, ficção, humor e ensaios. Thomas Nast ficou famoso nesse periódico por cobrir a Guerra de Secessão fazendo charges e, além de criar os símbolos dos partidos, apoiar candidatos em cada eleição, mudando de lado de acordo com a conveniência do momento.

Papai Noel é um trabalho na imprensa que prova como a cultura norte-americana influi em festividades no mundo todo, mesmo que a origem do ícone seja de inúmeras mitologias. E, definitivamente, o velhinho não é apenas produto da propaganda de refrigerantes.

Pintura Merry Old Santa Claus, um dos desenhos clássicos de Thomas Nast no Harper´s.
Publicado em 1º de janeiro de 1881, com todos os elementos que consagram o Papai Noel hoje.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Gaza


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Messias: Louve-o ou Mate-o

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A bola da foca: uma pequena história


Desenho e Criação: Pedro Zambarda de Araújo



Arte Final: Leonam Bernardo

sábado, 28 de junho de 2008

São tantas emoções


Texto e charge por Leonam Bernardo

Um close na mãe que chora a perda do filho; um acidente grave, de preferência, com vítimas graves; sangue, muito sangue; grandes catástrofes; desastres; violência. O jornalismo na TV tem sempre um quê de emoção. É quase uma pré-condição da noticiabilidade neste meio que a atenção do telespectador esteja sempre voltada ao visual.

Não se trata de sensacionalismo. Pelo menos não em todos os casos. Tem mais a ver com o poder de captação da atenção de quem assiste. Ou seja, a importância de um fato, a ponto de virar noticiável na TV, está diretamente relacionada ao valor-imagem do acontecimento. Claro que não é sempre assim, mas freqüentemente o tempo dispensado no meio televisiviso ao-que-quer-que-seja apóia-se sempre no quanto este o-que-quer-que-seja possa render visualmente.

John Langer, em seu livro Tabloid television, afirma que as notícias na televisão são um “espetáculo gratuito”, e que as imagens filmadas geram, conseqüentemente, um conteúdo superficial. Além disso, o autor defende que elas não passam de um produto mercantil regulado por encargos de marketing, que tentam fazer aumentar a audiência por razões comerciais, não jornalísticas. Para Langer, as notícias na TV tratam de assuntos banais com um suspeito sentimentalismo e são, em sua maioria, exploradoras.

Pode ser que o autor generalize um pouco demais, mesmo porque o tema central de seu livro é o sensacionalismo televisivo. Mas não é exagero afirmar que o telejornalismo seja pautado pelas imagens, e por uma busca contínua pela atenção e emoção dos telespectadores. Na televisão - diferentemente dos meios impressos, em que o leitor seleciona suas editorias de interesse - há uma necessidade maior em segurar o telespectador em frente ao aparelho, garantindo a audiência. Para que isso aconteça, vale até trilha sonora em programas policiais. Tudo emocionalmente calculado.

domingo, 15 de junho de 2008

Sorria, você está sendo controlado

Texto e charge por Leonam Bernardo

Dia desses eu estava caminhando pelo centro de Ourinhos, minha querida cidade natal, no interior de SP, quando reparei - e alguém explicou - que a Prefeitura Municipal, em parceira com a Associação Comercial e a Polícia Militar, instalou dezenas de câmeras de segurança na região central do município. Que eu saiba, criminalidade nunca foi o forte de Ourinhos. Mas alegando prezar pela segurança de seus cerca de 100 mil habitantes, as autoridades implantaram as tais câmeras, constituindo um moderno sistema de vigilância e monitoramento.

A constatação do Grande Irmão ourinhense me fez notar o quanto as profetizações de George Orwell, Michel Foucault e cia. se concretizaram (ou estão se concretizando). Onde quer que se vá hoje em dia, nos mais diversos lugares públicos e privados, elas, as câmeras, nos acompanham. Ruas, avenidas, escolas, shoppings centers, supermercados, elevadores, condomínios. Tudo é monitorado.

Muito além do propósito "segurança", o emaranhado vigilante, presente em praticamente todo o mundo, constitui uma grande ferramenta de poder. A manutenção da ordem pela constante observação, o ser-visto-sem-ver, é inerente à existência humana, hoje, por conta do processo de dissecação implantado em uma sociedade vigilante e impessoal.

O modelo do panóptico* generalizado do século XXI é suplantado pela mais alta tecnologia e abastecido pela vontade/necessidade do domínio sobre as massas pelas classes dominantes. As câmeras são os espelhos da sociedade moderna, e refletem a impessoalidade e o individualismo na qual ela está mergulhada.

Disciplinar a sociedade. Dividí-la e classificá-la. Conhecer cada célula social para liderar e governar. Qual seria o limite?

* O filósofo inglês Jeremy Bentham (1748-1832) idealizou um sistema de prisão com disposição circular das celas individuais, dividas por paredes e com a parte frontal exposta à observação do diretor por uma torre do alto, no centro, de forma que o diretor “veria sem ser visto".

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