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terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Passaralho existe. O Ficaralho é de todos os jornalistas.

Por Pedro Zambarda

Estou neste momento com um texto pra entregar que eu deveria estar escrevendo, mas resolvi interromper tudo e escrever isto aqui.


Li, no ano passado, o texto do Bruno Torturra chamado "O Ficaralho". O conceito por trás dele é interessante. As redações jornalísticas têm promovido demissões sistemáticas por problemas de gerência, o advento da internet e um público que cada vez mais consome informações gratuitamente. Os demitidos sofrem "Passaralhos", um apelido que pegou no meio profissional. Para Bruno, quem fica na redação sofre o "Ficaralho", ou seja, acumula funções do demitido ao mesmo tempo em que a corporação enxuga a folha de pagamento. Nenhum jornal físico escapou disso, nem mesmo as televisões ou rádios. Recentemente tive notícias de demissões em massa até nos sites.

O problema que vi no texto do Bruno, e conclui com o tempo, é que sua conclusão ainda é muito otimista. Ele iria depois montar o Mídia NINJA, que fez história fora das redações cobrindo os protestos, e agora toca o estúdio Fluxo, que faz entrevistas igualmente interessantes. Acredito que ele esteja feliz com suas novas ocupações. Eu também estou com as minhas.

Mas devo dizer, depois de quase cinco anos formado em jornalismo e seis deles atuando no mercado, que jornalismo nunca foi fácil, não é fácil e não será fácil.

As pessoas que são demitidas de redações, sejam grandes ou pequenas, logo buscam empregos como freelancers e podem ter a oportunidade de ganhar melhor, trabalhando para mais veículos. A chance de maiores colaborações tem seu ponto fraco: Você trabalhará tanto quanto um jornalista sobrecarregado na redação. Ou mais.

Outras pensam em empreender e criar um negócio próprio. "Para ganhar tanto quanto meus chefes", dizem eles. Por um acaso você acompanha o balanço das empresas de comunicação? Sabe o quanto elas são problemáticas financeiramente?

O Ficaralho, neste contexto, é totalmente democrático. Atinge todos os jornalistas sem distinção.

Se você ficar na redação, terá que arcar com mudanças que estão enxugando suas estruturas, ao mesmo tempo em que seu público leitor está cada vez mais exigente ou engajado.

Se você vive de freelances (meu caso), terá que aprender a organizar o tempo, seu maior inimigo. Também terá que lidar com a demanda de não ter seguros trabalhistas. Esquece férias por um tempo, a menos que você tenha um "pé-de-meia". Esqueça aqueles benefícios bacanas de qualquer CLT.

Se você quer empreender (coisa que pretendo), você deve pensar como um freelancer e ainda como um administrador de empresas. Dá nó na cabeça quando você quer monetizar um trabalho que quase sempre começa de graça.

Não é fácil. Nunca foi.

O jornalismo teve avanços, retrocessos e mudanças. Agora enfrenta a barreira da transformação do mundo digital. Mas ele carece de empresas e de um mercado sólido que dê segurança para quem se aventura por esta carreira.

Enquanto o meio não der subsídios mais humanitários para seus profissionais, o jornalismo consistirá de Ficaralhos. De pessoas que acumularam funções que não gostariam, ou que estão sobrecarregadas contra a vontade delas.

O sindicato tem mais é que brigar por aumentos salariais. Os profissionais, se não estivessem tão desgastados, deveriam fazer greves se isso fosse necessário. O problema é que, mesmo com tantos problemas visíveis e necessidades de mudanças, ainda somos desunidos como classe. Cada um pensa no seu contracheque no fim do mês e poucos são instigados a pensar criticamente a profissão, isso quando não são mal-vistos pelos outros colegas.

Temos a escolha de pedir demissão, jogar tudo pro alto e mudar de carreira? Temos, claro. Ninguém é obrigado a estar neste meio, reclamando o tempo inteiro.

Mas é dolorido ver que o mercado age desta forma, de uma maneira quase desumana. A comunicação tem um papel de mudança com a sociedade.

Um país que não forma e não mantém bons comunicadores carece de boa cultura, de informações precisas e de qualidade. A consequência direta do Ficaralho no Brasil é esta.

Não gostaria de entregar um texto mais pessimista, mas sinto a necessidade de concluir isso. Gosto de ser jornalista e de acordar todos os dias para escrever e criar conteúdo.

Gostaria, apenas, que o Ficaralho não existisse.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O dia (bizarro) em que vi eu mesmo impresso em 3D

Por Pedro Zambarda

Fui retirar, hoje, um bonequinho de 12 centímetros com as minhas feições faciais e a roupa que eu utilizava no dia 14 de agosto de 2014. O boneco 3D chama-se Avatoy e foi lançado por uma startup em uma coletiva com jornalistas que puderam tirar fotos para gerar o produto. Ele foi impresso baseado em fotografias minhas registradas em 360 graus.


Como o bonequinho foi criado?



A imagem em três dimensões é registrada em um disco com cinco câmeras: uma no alto voltada para baixo, duas na altura da cabeça e do tórax e as duas últimas nas pernas. Esse círculo no chão gira duas vezes e você deve permanecer imóvel, enquanto um computador gera sua fotografia em 3D. Objetos que criam reflexo não geram uma imagem nítida, como metais e lentes de óculos. Mas bolsas e acessórios do corpo podem aparecer na sua foto, bem como a estampa da camiseta.

O Avatoy pode ser comprado em um quiosque no Shopping Morumbi, em São Paulo. A impressão é feita em três horas, em cestas com cerca de 30 a 35 bonecos.

Há três opções básicas de bonequinhos: 10 cm de altura por R$ 150, 12 cm por R$ 200 e 14 cm por R$ 250. Outros modelos são para casais, sendo os de 10 cm por R$ 220, 12 cm por R$ 300 e 14 cm por R$ 350. Infelizmente, crianças abaixo de seis anos e animais não podem ser fotografados, porque tendem a se movimentar no registro das imagens. A tinta do Avatoy é colocada assim que ele é impresso, sem retoques manuais.


Assustador, não é?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Morre João Ubaldo Ribeiro e faltam crônicas de jornal

Por Pedro Zambarda

Faleceu na madrugada de hoje, em sua casa no Rio de Janeiro, o escritor e membro da Academia Brasileira das Letras (ABL) João Ubaldo Ribeiro. Aos 73 anos, era autor de "Viva o Povo Brasileiro", "Sargento Getúlio", "A Casa dos Budas Ditosos" e "O Sorriso do Lagarto". Deixa quatro filhos e ocupava a cadeira 34 da ABL, além de ser colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.


Velório ocorrerá às 10hrs desta sexta-feira. O baiano João Ubaldo morre no mesmo dia de aniversário do líder sul-africano Nelson Mandela, que ganhou um dia internacional hoje. A morte do escritor brasileiro diminui o time de cronistas de alta qualidade da imprensa brasileira.

Via Estadão

sábado, 5 de julho de 2014

R$ 2800 por ingressos falsificados: A saga Argentina para ver a Copa

Por Federico Bianchini, Revista Anfibia traduzido por Mídia NINJA
Creative Commons

Andrés e seus dois amigos chegaram cedo ao estádio Mineirão. Estavam em Belo Horizonte havia dois dias, vinham das praias do Rio, de cerveja e paisagens intensas, adrenalina pela vitória agonizante sobre a Bósnia, euforia e álcool dos festejos, suores agitados.


No sábado, 21, a seleção jogava com Irã e os três, de Federación, Entre Rios, estariam ali, torcendo até perder a voz. Argentina tinha que jogar de outro modo, não tão atrás, Messi teria que aparecer, dar-se conta de quem é e onde está, romper; segurar a onda: fariam valer os mil e oitocentos dólares que pagaram pelos ingressos.

"Brasileiroooooo, diga-me o que se senteeee, terrrr em casa seu papaaaai", cantava Andrés, com a bandeira da Argentina no pescoço, o sol nas costas, a pele emocionada e a convicção de que poderia contar a seu filho, talvez seus netos, o que é viver um mundial. Por que não há forma de explicar o que é sentir-se argentino, não importa o que paguem para poder estar ali. Faltava pouco para o meio-dia, para o poço de nervos, o golaço do Messi. Seus amigos cantavam e aplaudiam.

O sol bem forte sobre a calçada que rodeava o estádio, a revista, a entrada. Quando o homem o olhou nos olhos, Andrés supôs que algo ia mal. Seus amigos tampouco puderam passar. Alguns policiais os disseram que os acompanhassem. Checaram se tinham antecedentes e os convidaram a ir com eles a Fan Fest, onde poderiam ver a partida de uma forma mais legal do que com ingressos roubados.

- Até o outro dia, em nenhum momento pensamos que havíamos sido roubados.

***

O centro de vendas oficial da FIFA em São Paulo está montado nas imediações do ginásio "Geraldo José de Almeida", conhecido também como Do Ibirapuera, o centro desportivo municipal mais importante da cidade. Perto do mini estádio projetado para 15 mil pessoas e da quadra de futebol, a pista de atletismo tem uma espécie de caixa pré-fabricada com ares de aeroporto onde os voluntários da FIFA, de impecáveis uniformes esportivos e enormes credenciais turquesa, sorriem e orientam os turistas. Na sala de vendas, atrás de um vidro, um homem se entedia sozinho. Explica que tem mas não tem mais entradas, que talvez o que se pode fazer é checar no site da organização e ver se alguém devolve um ingresso. Sugere: tem que ser rápido, há muita gente clicando. Na sala de retirada de ingressos, três moças atendem aos que vão buscar suas entradas. Mas pra frente, um Fuleco de pelúcia de dois metros sorri rígido: não deixa de olhar de onde se cobram os ingressos.

Faltam dois dias para o jogo e do lado de fora, vários argentinos tentam conseguir uma entrada. Dois brasileiros se aproximam e os perguntam se já têm, se os interessa, mas quando veem este cronista com seu caderno de notas, um bloco com espiral Dolphin Office de papel extra reforçado, se fazem de desentendidos, dizem que hoje já não tem mais entradas, que está muito complicado conseguir, aparentam azar.

Rodolfo, camisa polo rosa, óculos de aros vermelhos, jeans e tênis, os observa de longe

- Tem que ter cuidado - disse

É de Córdoba e se queixa do negócio que fez com seu primo: por 50 mil pesos conseguiu um pacote que incluía ingressos para os três primeiros jogos, alojamento, jantar, almoço e café da manhã. Ele, que veio com seu filho de 17 anos, independente das agências de viagem, pagou entre 800 e 1000 dólares por cada bilhete nos demais jogos.

- Não são confiáveis. Nas primeiras partidas, o que faziam era vender uma entrada e denunciá-la como roubada. A eles davam uma outra e anulavam a sua: na porta do estádio te diziam que já não poderia mais entrar. Depois, a FIFA se deu conta da trapaça. Agora, se denuncia o roubo, nada acontece.

Rodolfo não gosta de futebol. Tem 43 anos e trabalha em uma empresa importadora. Se emociona com os carros e as motos. Se está vendo a televisão, e encontra um jogo, tac tac, muda de canal.

- Uma amiga da minha mulher disse que sou o marido perfeito. Aos domingos não torço nem nada. Mas o meu guri sim, Tomás, gosta de futebol.

- Seu sobrenome, como é?

- Tenho uma confusão impositiva com a AFIP - Administração Federal de Ingressos Públicos - que nem te conto. Melhor, coloca Rodolfo.

Disse que na Argentina a coisa está parada. Que há oito meses as importações não se movem. Não sabe se poderá ir à Rússia em 2018, mas que o dinheiro que tem gasta agora. Para a partida contra Suíça, não conseguiu entradas: está disposto a pagar mil dólares por cada ingresso.

Marietta Piragine se envergonha de falar castelhano. Em meio a uma frase correta se contém e pergunta se está certo falar "hizo" ou se a palavra é outra, teme errar a conjugação e isso a atrapalha com a língua.

Paulista, cantora lírica, professora de ballet, não gosta de futebol, mesmo não estando na sala olhando a televisão escuta seu namorado gritar: "O azar dos pênaltis", normalmente caminha tranquila até a sala de estar. Olha o nervosismo dos jogadores, a cara de preocupação dos técnicos, escolhe uma das duas equipes e torce para essa.

Dias antes da festa de inauguração, recebi um e-mail onde comentavam que a organização do evento buscava bailarinos para participar do ato.

Ela respondeu curiosa. Pensou, poderia ser interessante. Quanto pagariam?

Não, responderam, não se pagava nada.

Uns dias depois, voltou a escrever. Talvez, se lhe dessem algum ingresso para convidar seu namorado para o jogo de abertura, poderia ficar e ver sua equipe enfrentando a Croácia.

Não, responderam, depois do ato deveria ir embora do estádio.

As mesmas perguntas: Quanto pagam?, Tem entradas?, fizeram os demais bailarinos contratados.

Queriam que eles trabalhassem de graça?

A resposta não variou. E as duas companhias mais importantes de São Paulo disseram então que nenhum dos seus bailarinos iria ao evento.

No ato, participaram alguns alunos, dançarinos amadores.

Aqui as entradas custam muito dinheiro.

***

Javier também não irá dizer seu sobrenome, melhor não.

De pé, junto a entrada deste pré-fabricado da FIFA no "Do Ibirapuera", nega com a cabeça. Tem a camiseta reserva de River Plate, um filho que mede um metro e noventa e uma esposa que diz que esse mundial está bastante desorganizado: eles já foram à Alemanha ("conseguimos os ingressos pela internet antes dos jogos"), e à Africa do Sul ("lá as pessoas têm menos dinheiro e negociar os preços de revenda era mais fácil").

Javier não olha no olho quando fala: está concentrado em outra coisa. Está concentrado na gente que sai com seus ingressos e, no meio de uma frase, da um passo de lado e diz:

- Você tem ingresso?

Durante o breve diálogo, saíram cinco pessoas. Todas lhe disseram que não: dois desviaram. Apesar de Javier ter um aspecto bonachão, de homem tranquilo, guardavam as entradas no bolso. Quem sabe, por via das dúvidas.

- Você tem ingresso?

Na quinta, 19, Javier passou seis horas no Boulevard Shopping de Belo Horizonte. Lá se retiravam as entradas para a segunda partida da Argentina.

- Você tem ingresso?

Cada um que saía ele perguntava a mesma coisa.

Na sexta, 20, outras cinco horas.

- Você tem ingresso?

Para o jogo entre Argentina e Irã, uma entrada categoria quatro, custava para os brasileiros 55 reais. Uma entrada categoria um, 220 dólares.

Depois dessas 11 horas, de vai saber quantos "Você tem ingresso", Javier conseguiu seis. O mais barato pagou 400 dólares, o mais caro: 700.

- O preço dependia da pessoa. A alguns colocava medo, assim que eu os dizia se queriam conversar fora do shopping. Somos um grupo de 10 argentinos. Agora só nos faltam entradas.

- Você tem ingresso?

Da varanda da casa de Miguel Ricci, na Vila Olímpia, se veem as sombras dos edifícios, as luzes das antenas, vermelhas brancas pontuais, que discordantes parecem seguir uma sequência complexa e incompreensível. A essas se somam outras, verdes, distantes e quietas.

Nascido em Paris, de mãe brasileira, argentino por escolha, Ricci viveu em Buenos Aires até um ano e meio atrás, quando se mudou para São Paulo. Trabalha como treinador de basquete e tradutor português-espanhol.

- Às vezes te angustia um pouco - disse na varanda. Olha para lá e vê cimento, olha para o outro lado e tem mais prédios. Parece que estivera preso.

Vila Olímpia é um dos bairros mais caros da cidade. Tem supermercados como o Saint Marché e o Empório, onde se vendem produtos importados, que não estão em outros lugares. Miguel vive com sua namorada, brasileira, em um apartamento dos pais dela. De despesas, pagam 600 reais (uns 200 dólares).

- Aqui tem de tudo. Restaurantes de comida japonesa, peruana, mexicana, tailandesa, o que quiser.

Os bares, os teatros, a oferta cultural. Mas o tamanho também joga contra. Se não tem carro, complica muito. O trânsito te deixa louco: de bicicleta não pode ir porque passam por cima. Tampouco é uma cidade para caminhar, como Buenos Aires. Aqui você vai por 30 quadras e não sabe onde termina: não tem quadras paralelas e tem bairros no alto e outros muito abaixo.

Fanático de Newell's Old Boys, viu todas as partidas do Mundial pela televisão. Acredita que a Argentina não pode depender tanto de Messi. Pensa que o time defende mais ou menos e retrocede, mas a esperança é a última que se perde (os corpos mortos normalmente não conservam a ilusão).

Há alguns dias, fui ao Ibirapuera para averiguar sobre a possibilidade de conseguir um ingresso. Me cobraram mais de 700 dólares, penso que estavam loucos.

- Para ver o Mundial aqui, tem quer ser rico ou Barrabrava (grupo de torcidas organizadas conhecido como os "Hooligans" argentinos)

***

Andrés, o de Entre Rios que ficou para fora da partida de Belo Horizonte, parece nervoso. Me conta que os policiais o trataram bem, mas se preocupa que tenham pegado seus dados. Não sabe se seu nome e sobrenome ficaram com algum registro na polícia brasileira. Usa uma camiseta surrada e o cabelo despenteado, como se tivesse acabado de acordar ou seus costumes não incluíam o uso de um pente.

Um de seus amigos, de camiseta do Arsenal, óculos pretos, na parte de fora do ginásio do Ibirapuera com a mão no bolso. Caminha rígido, como se tratasse de simular tranquilidade.

- Aqui os temos - diz e tira apenas a mão: mostra a pontinha de um ingresso

- E Walter? - pergunta Andrés.

- Fizeram ele de refém, os brasileiros que nos deram os ingressos - disse o outro rindo: não fica claro

se estava se divertindo ou nervoso -. Me disseram para entrar e checar com os da organização que

são boas.

- Quando pedem?

- 5600 reais pelos dois.

5600 reais são 2500 dólares.

- Que foi? Tá desconfiando? - pergunta o outro.

- Vamos lá.

Eles caminham até o pré-fabricado.

A alguns metros, o de Mar del Plata Sergio Ledesma, negocia com um boliviano de camiseta da Holanda, que acaba de comprar uma entrada mas não sabe se fica em São Paulo ou viaja ao Rio. De cabelos grisalhos, Ledesma tem um corpo que oscila entre o imponente e o obeso. Veio ao Brasil com sua mulher e neta. Antes de viajar comprou entradas para o jogo com Nigéria e outras para as quartas de final. Por cada uma pagou mil dólares. Para Brasília, viajará de avião. O boliviano disse que não sabe, mas deu seu número de telefone e assim poderia contatá-lo por whatsapp.

Andrés e o de camiseta vermelha e óculos pretos se aproximaram. Ledesma os perguntou como foi.

- Parece que são tranquilos - disse Andrés.

Disse como se isso significasse um problema.

- Mas não sei. Já nos ferraram uma vez.

- Tem que ter muito cuidado - disse Ledesma e conta de três de Córdoba que compraram entradas idênticas às reais, mas piratas -. É certo que as conseguiram a 400 reais quando todos pediam 1200.

- Vamos buscar Walter - disse o de óculos preto.

Já estão a caminho da saída quando Ledesma grita:

- Sorte com isso!

Como se algo estivesse por acontecer, os brasileiros que ofereciam entradas saíam pela porta.

A polícia estaciona sua moto no meio do espaço. Tira o capacete, e olha os que ficaram. São poucos. Vários vestem a camisa da seleção argentina.

domingo, 30 de setembro de 2012

Fotografia analógica, uma senhora e uma história espontânea


Replico uma história bonita de um amigo meu, Hugo Rosso. Ele tinha postado no Facebook e achei legal guardar aqui. Acredito que é um crônica sobre a sociedade de hoje:

"Hoje, enquanto eu e a Luccianna (namorada dele) tirávamos algumas fotos pela Paulista, uma senhora, a Dona Teresa, veio conversar conosco. Falou que também era uma amante da fotografia, mas que tinha algumas dúvidas sobre lentes.

Conversa vai, conversa vem, ela comentou que tinha uma câmera analógica, que não usava mais e que gostaria de vendê-la. Mas seria para alguém que, assim como ela, realmente gostasse de fotografar e que usasse a câmera de fato. Então falei que sou louco para ter uma câmera dessas parar tirar apenas fotos em preto e branco, e então, surpreendentemente, ela nos convidou para ir até sua casa para ver a câmera e saber se despertaria o meu interesse.

Até agora, não sei como, aceitamos de imediato. Fomos até sua casa, um duplex no meio dos Jardins, e saí de lá com sua câmera, uma Canon EOS 30, com uma lente 28-105mm, para que possa brincar um pouco antes de decidir se vou ou não comprá-la. Sei que fazer isso em dias como hoje talvez soe como inocência, ingenuidade ou, até mesmo, burrice (tanto para nós, quanto para ela). Mas voltei para casa revigorado, pois vi que ainda é possível ter esperança na humanidade. É necessário aprender a confiar".


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Vladimir Safatle e a experiência intelectual na USP

Ele é o colunista da Folha que tocava no assunto delicado da PM na USP nas terças-feiras. É o comentarista da TV Cultura que, diante das câmeras, mantinha a aura de indivíduo crítico na sociedade, mesmo acompanhado por vozes que discordavam de suas ideias.


Vladimir comparecia às aulas das noites de terça-feira sempre com um terno escuro. Em muitas semanas, ele utilizava uma gravata preta, com um visual parecido com os personagens de Quentin Tarantino no filme Cães de Aluguel. Suas aulas, desde março de 2012, eram rigorosamente registradas em texto e distribuída aos alunos. A fala na sala de aula era pausada e preenchida por preposições que remetiam ao rigor dos discursos que o professor ia abordar em sua palestra. Enquanto as palavras ecoavam, a sala com espaço para cerca de 200 alunos estava lotada e silenciosa.

Mesmo pausado em seu discurso, Vladimir Safatle trabalhava para aumentar sua voz nas palavras que marcam as teses de Gilles Deleuze, Félix Gattari e pensadores franceses do século 20. Pós-modernismo, univocidade e crítica eram termos recorrentes. "O que quero ensinar é que não existe pensamento ou pensador irracional. O que vocês vão aprender com Deleuze é que, com as leituras rigorosas, tudo é permitido para ser criado dentro da filosofia. Alguns pensadores tendem a chamar de irracional o que não compreendem".

De março até junho, as aulas de Vladimir Safatle não esvaziaram em quase nenhuma semana. O método de ensino pouco mudou na transição dentro do curso: Eventualmente o professor trouxe slides-shows, mas ele não se manteve nesse artifício. As aulas transcritas, ao invés de se tornarem uma leitura chata ao vivo, viraram um roteiro organizado do professor e dos alunos. As perguntas eram fortemente incentivadas.

Os alunos da USP perseguiam Vladimir pelos corredores, em conversas alongadas sobre as teses de Gilles Deleuze tanto em suas obras originais quanto nas monografias e estudos do autor francês sobre David Hume, Friedrich Nietzsche, Henri Bergson e Baruch Spinoza. Progressivamente, alguns estudantes notaram que Deleuze era uma metáfora sobre a própria condição daqueles que assistiam as aulas de Vladimir Safatle.

"Eu quero oferecer para vocês a experiência de formação intelectual, através das leituras de Deleuze como criação de suas próprias teses", explicou Vladimir, na última aula, justificando o curso e buscando algo além do que está dentro do Departamento de Filosofia da USP hoje. O professor citou um "vício" que existe dentro da universidade: Ler de maneira superficial as obras, sob a justificativa que a investigação das estruturas basta para entender o texto, sem tentar teses mais ousadas sobre a formação histórica e intelectual do pensador. "Filosofar é pensar contra si mesmo", afirmou o professor, mostrando a contradição que é estudar, sem aceitar as estruturas oferecidas pela escola.

Com todas as formalidades e sua organização, Vladimir Safatle deixou uma mensagem final aberta e rica com seus estudos: Ouse conectar as obras que normalmente estudamos para procurar significados novos e formadores de sua própria intelectualidade. Deleuze, segundo Vladimir, pegou emprestado o conceito de hábito em Hume, de intuição em Bergson, de eterno retorno em Nietzsche e de várias outras estruturas para criar uma crítica ordenada no livro O Anti-Édipo, além de conceitos originais em Diferença e Repetição. Vladimir então deixou sua mensagem neste semestre para os alunos da USP: Criar seus próprios Frankensteins, sem se curvar passivamente à análise estrutural imposta pela maioria dos cursos superiores e pela educação em si. Vladimir ia contra a normalidade do Departamento de  Filosofia.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Feliz Dia dos Nerds


Feliz Dia dos Nerds. Foi ontem, mas ainda está valendo (25/05/2011).

E o que é o Dia dos Nerds?

O motivo é esse cara acima. Um tal de Douglas Adams. Falecido em maio de 2001.
Autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias. E de mais quatro sequências.

Nesse dia 25, alguns malucos levam uma toalha para a rua e usam de maneira criativa. A toalha é um item essencial para o mochileiro de Adams. O resto você confere no livro.

E outros malucos, que não leram Adams, dizem que é Dia dos Nerds. Mas os dois grupos são de gente parecida. Gente estranha.

PS: Ah, e confiram o vídeo da INFO. Bem divertido também!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre o dia do jornalista e o destino de alguns focas


"Blogueiro não é jornalista".

Acordo todo dia - de semana - às 4h da manhã. Lavo o rosto. Lavo muito bem o rosto, porque alguns dias é difícil levantar. No entanto, quando estou no ônibus, já perto da editora Abril, me animo bastante. Me tornei jornalista do site da Exame assim que peguei o diploma. Sim, aquele que, segundo o senhor Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, não vale nada.

Consegui isso com estágios e, sobretudo, com os tempos livres que me dediquei a este blog, o Bola da Foca. Amanhã este filhote completa três anos. Hoje é Dia do Jornalista.

Resolvi tirar o dia para escrever um texto não elogiando a profissão. Jornalismo enfrenta problemas de salários, de condições de trabalho, de valorização profissional e de pouco conhecimento do próprio público. Somos obrigados, muitas vezes, a deixar de lado pautas importantes para atender interesses que, quase sempre, não são os necessários para uma sociedade em busca da prosperidade.

Mas resolvi escrever sobre os destinos de alguns dos colaboradores deste blog.

Eu trabalhei com assessorias de tecnologia, sites de tecnologia e hoje estou num espaço de economia e negócios. É um assunto que nunca dominei mas que, confesso, está me ensinando a entender melhor o mundo que me rodeia. Tudo funciona economicamente - inclusive quando a coisa não envolve dinheiro.

O Thiago Dias ficou no "lado negro" da assessoria de imprensa, mas ele é feliz (acho eu) com a FSB Comunicações. A Mariana Bruno está fazendo trabalhos na Casa Cláudia, também na Abril. A Ana Júlia Castilho também está no mundo de assessoria de imprensa, mas continua com o dom dela para filmagens.

A Priscila Jordão deu sorte grande e é estagiária na Reuters. A Larissa Tsuboi teve uma passagem marcante pela revista Veja. O Leonam Bernardo faz matérias bacanas para o site da Veja São Paulo. O José Edgar de Matos foi pro Terra Esportes. O Cauê Fabiano foi para o Macworld e o amigão dele, o Rafael Lacerda, pro Olhar Digital. A Lidia Zuin continua pesquisando na Cásper e editando revistas da faculdade.

Esqueci de alguém? Me lembre nos comentários. Só não me xingue, por favor.

E essa ladainha toda nesse texto tosco serve para dizer uma coisa: Essa capa da revista Imprensa não é de toda verdade. Algumas pessoas deste blog estão começando suas carreiras jornalísticas de uma maneira interessante, em veículos importantes, e escreveram sem pretensões em um blog. Blogueiros podem ser jornalistas, embora nem todos eles sejam.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Ter um blog é como ter uma banda de rock"

Blogs podem começar do nada, do talento de uma única pessoa ou através da reunião de várias com perfis diferentes. Blogs podem unir gostos em comum ou colocar divergências para discutir. Escrevi certa vez, no twitter: "Ter um blog é como ter uma banda de rock".

E não retiro nenhuma letra dessa declaração. É exatamente a mesma coisa, como analogia. Num blog você tem integrantes que se destacam e outros que auxiliam para que o ideal dele se mantenha vivo. Existem blogs que, rapidamente, conseguem se tornar comercialmente rentáveis. Outros serão, para sempre, empreendimentos para os tempos livres ou para quem não se importa em não ganhar dinheiro.

Blogs geram reputação. Blogs arruínam boas reputações. Blogs abordam temas específicos e podem, em nome do dinheiro, abordar assuntos populares que rendem anunciantes ou posts pagos. Blogs podem criar novos estilos de sites.

Comentários de blogs podem dar nos nervos. Comentários também podem esclarecer ideias que não estavam nítidas para o criador do espaço online antes. Comentários numerosos podem atrair ainda mais pessoas, como um show com uma quantidade respeitosa de pessoas.

Há blogs que se sustentam apenas por causa de um leitor. E não deixam de ser geniais, mesmo com um público tão restrito. São cantores de um bar vazio, que também são felizes.

Blogueiros se juntam. Blogueiros brigam. Blogueiros se separam por falta de tempo, por divergências de opiniões e até por motivos que nem eles sabem explicar. Blogueiros criticam a normalidade e são um tipo de criador de conteúdo que continuará na internet, sem uma identidade certa e comum.

Blogueiros atiram regras, como guitarristas virtuosos. Blogueiros escrevem coisas que nem eles conseguem explicar de onde saiu. Blogueiros são viciados. Viciados em falar. Blogueiros são rebeldes. Rebeldes de teclado e de ideias. Eles conseguem protestar, mesmo sem sair de casa. Mudam a imprensa e são mudados. Tem tanto gosto por um bom texto quanto uma música que derruba o público de um bar pulguento.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sobre as chuvas que assolaram a Zona Norte de São Paulo


Entre os dias 21 e 23 de fevereiro, entre segunda e quarta-feira da semana que passou, acabou a luz no bairro Barro Branco, Zona Norte de São Paulo. A queda de energia afetou regiões próximas. Segundo os jornais Folha de S.Paulo e Estadão, as chuvas na cidade toda derrubaram cerca de 70 árvores.

Na Rua Alcindo Bueno de Assis desabou uma árvore de sete metros, que não partiu, mas caiu pelas raízes. Na queda, ela derrubou outra árvore que derrubou a fiação de vários postes. A CET removeu os restos do vegetal fatiando seu tronco.

A falta de luz trouxe problemas de falta de água para condomínios e casas da região. O local não tinha problemas de enchentes e nem qualquer outra complicação grave por conta das chuvas. Esses incidentes eram mais comuns em regiões marginais, próximas dos rios Pinheiros e Tietê.

O incidente das árvores faz pensar: A gestão pública do governo do estado e da prefeitura dá conta dos desastres climáticos? Aparentemente, não. A luz levou três dias para voltar. Regiões de comunidades carentes ficaram sem energia na semana toda.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O adeus de Ronaldo

O ano era 1996. Eu, uma criança que começava a acompanhar futebol pra valer, ouvia falar de um tal de Ronaldo que encantava a torcida do Barcelona. Aos poucos minha memória foi melhorando e percebi que este garoto jogou algum tempo antes no Cruzeiro, e o vi marcar alguns gols. Ele era muito bom, mas ainda não tinha ideia do quanto. Não precisava. Pois, todos os dias desde de 1996, esse garoto Ronaldo, que viria ganhar o apelido de Fenômeno, era lembrado pelos noticiários e pelos torcedores.

Hoje, 14 de fevereiro de 2011, é mais fácil lembrar de Ronaldo por seu sobrepeso nos últimos anos. Pelo fracasso na luta pela Libertadores com o Corinthians, ou até mesmo pelo escândalo com três travestis no Rio de Janeiro em 2009. Mas, daqui há algum tempo, talvez menos do que pensamos, a imagem que ficará de Ronaldo é a do maior artilheiro da história das Copas. Do cara que fazia aquilo que todos achavam impossível. Das seguidas voltas por cima quando todos – todos mesmo – acreditavam que sua carreira estava acabada.

Tendo explodido para o mundo no fim dos anos 90, Ronaldo foi também o primeiro e maior nome do “futebol midiático”. Seu rosto e seu nome extravasaram em muito a fronteira do futebol e dos cadernos de esporte. Cada movimento seu foi perseguido, fotografado e comentado nos últimos 15 anos. Não existe um buraco, um mistério na carreira de Ronaldo como existe na de Pelé ou de Puskas. Quem viu Ronaldo jogar, viu todos os seus gols, todos seus altos e baixos. E graças a isto, poucas vezes Ronaldo teve o direito ao Olimpio no qual os grandes gênios da bola possuem.

Com a vinda ao Brasil, ele se humanizou de uma vez por todas. Jogando pelo Corinthians, deixou de ser inquestionável para todos e muitos torcedores de times rivais esqueceram de tudo que ele fez. Mas agora tudo acabou. Não existe mais rivalidade clubistica. Não existe mais aquela dúvida sobre se ele dará mais uma última volta por cima. Chegou a hora do descanso de um dos maiores jogadores da história. Contudo, uma coisa é certa: Ainda ouviremos falar muito dele. E pessoalmente, só resta uma coisa a dizer depois de todos estes anos amando futebol. Muito obrigado, Ronaldo!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sobre jogadores e videogames

Na foto: Alexandre Facciolla, Pedro Zambarda, Thiago Dias e Rodrigo Ribeiro

Foi-se um ano e oito meses debruçado em um projeto de livro-reportagem na Faculdade Cásper Líbero. Esse foi o trabalho desenvolvido no TCC Geração Gamer, que eu apresentei com Rodrigo Ribeiro, Thiago Dias e Alexandre Facciolla no dia 31 de novembro deste ano. Falamos sobre história dos videogames relacionada com a vida de 100 jogadores, de gamers.

O trabalho foi extenso, custou algumas noites mal-dormidas, algumas noites em branco, algumas confusões (mas nada muito sério), muito empenho, alguns tropeços, trabalho genuíno de jornalismo, trabalho de formiguinha com dados e muita gente interessante. Crescemos fazendo isso. E o bom é que mantivemos o projeto original: Não queríamos fazer um site ou um documentário. O Brasil carece de livros e fizemos um material escrito.

No meus quatro anos de Cásper Líbero, esse foi o terceiro trabalho que bateu um orgulho. O primeiro foi a minha iniciação científica sobre a carreira jornalística do escritor Albert Camus, que me fez conhecer a linguagem acadêmica. Logo depois, foi a criação deste blog, o Bola da Foca, que me fez escrever com muita gente diferente. Por fim, escrevi sobre videogames que é um assunto relacionado com o mercado em que trabalho, além de ser um tema divertido para caramba.

O Thiago exemplificou bem na apresentação que o gamer não é só um cara que pega o controle e fica parado diante de uma tela. Jogando, ele cria um vínculo muito pessoal com os personagens que estão ali. Com inovações como o controle com sensor de movimento do Nintendo Wii e a câmera Microsoft Kinect, a ideia é que a própria forma de jogar mude.

E, investigando a história das pessoas com os videogames, descobrimos em nós mesmos o que há de atraente em uma indústria que vale mais que o cinema, mas que era delegada ao segundo plano dos negócios nos anos 1980.

Recebemos crítica. O trabalho levou 9,5. Pelo rigor da banca, que apontou erros pertinentes, foi a melhor nota que poderíamos receber. Um incentivo para buscar uma publicação comercial.

Veja um excelente texto no site da Cásper da Thamy de Almeida sobre a apresentação no dia 31.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Informo e me formo


Você normalmente é indicado para a área de jornalismo quando possui aptidão com textos escritos, uma voz similar aos famosos locutores de rádio ou uma desenvoltura diante de uma câmera de vídeo. Superficialmente, a profissão transmite a ideia geral de que o formando faz apenas esses tipos de atividades. Quando ingressei na carreira, sem muitas intenções pré-concebidas, consegui notar que esse conhecimento aparente não se comprova nem na teoria e nem na prática.

Cheguei ao ensino superior com dois anseios, querendo me tornar um escritor de literatura desde muito novo, aos oito anos, e querendo trabalhar com informática, por gostar muito de computadores e da interação da internet com as pessoas. Durante meu percurso na Faculdade Cásper Líbero, descobri que jornalismo consegue englobar meus gostos justamente por lidar com um objeto de estudo complexo: A confecção da informação. Academicamente, pude ter acesso à obras literárias que reformularam minha escrita, além de descobrir excelentes jornalistas em autores consagrados, como Albert Camus. Profissionalmente, o mundo online se mostrou uma possibilidade aberta para que o jornalismo preencha o conteúdo em rede.

Uma grande virtude do curso da Cásper Líbero, e que pude verificar também no curso da Escola de Comunicação e Artes da USP, é as experiências laboratoriais promovidas por professores. No site de jornalismo da Cásper, pude cobrir a vinda do embaixador norte-americano para a instituição, explicando o funcionamento das eleições na época da ascensão de Barack Obama à presidência. Para o site de Cultura Geral, fiz diversas coberturas de shows de rock´n´roll, o que criou um gosto por jornalismo musical. Na revista-laboratorial Esquinas, pude fazer uma reportagem sobre cibercultura e cyberpunks, que ampliou minhas fontes especializadas em tecnologia. Aprender com experiência e teorias necessárias cria um equilíbrio de conhecimentos para o profissional.

O ensino superior em comunicação ainda enfrenta contradições e paradoxos. Há docentes que valorizam o glamour antigo dos jornalistas, tais como os grandes repórteres e as grandes reportagens. Outros professores dão noções panorâmicas de teóricos da profissão, o que enfurece alguns alunos que não conseguem encontrar relação direta com a prática do trabalho. Por fim, o trabalho jornalístico é paradoxal por não ter uma especialização por conhecimento específico, como é a medicina. Ainda falta ao ensino uma diretriz clara do que é fundamental para a profissão, além do aprofundamento no estudo da carreira. Os alunos também não apresentam o mesmo nível de interesse. Resta aos professores, diante de alguns indivíduos desinteressados, buscar apenas alguns estudantes que demonstram sua vocação dentre salas inteiras.

O mercado de trabalho no jornalismo está em crescimento com os investimentos do Brasil na informática, o que melhorou os instrumentos de trabalho da imprensa. Os problemas se centram nas condições salariais, na alta competitividade e na falta de valorização do serviço. Comparado ao começo dos anos 2000, com o estouro da supervalorização dos negócios digitais que gerou um corte expressivo de empregos, ser jornalista hoje é entrar em um mercado com vagas em áreas variadas, como assessoria de imprensa, blogs, jornais, revistas, televisão, sites e até em trabalhos similares com a publicidade e as relações públicas.

Para minha trajetória, os grandes benefícios da faculdade foram estimular o exercício constante do texto, despertar a paixão por outras mídias - como o rádio e a televisão - e, acima de tudo, estar ligado com as tendências da internet e das novas tecnologias. Ainda existem problemas na abordagem do mundo digital feita por professores, mas sou levado a crer que essas disparidades acontecem por um conflito de gerações diferentes, que viveram e vivem contextos distintos.

Hoje digo: Informo digitalmente. Essa capacidade me foi estimulada pela minha formação como jornalista, que também reforçou meu gosto por literatura e arte. Acredito que, das graduações em ciências humanas, o jornalismo é um curso que será mais atraente dentro de alguns anos, principalmente para alunos pró-ativos, criativos e com disposição. E toda essa condição será possível se houver melhorias constantes na formação superior.

domingo, 17 de outubro de 2010

O que é crescer


Ainda, aos vinte anos, o questionamento continua. Afinal, o que é crescer? Aceitar que tudo o que compôs seu mundo infantil não tem espaço na vida adulta e seguir em frente? Bem que meu pai gostaria que eu fosse adepta deste pensamento.

É curioso como o cotidiano dá a impressão de amadurecimento. Faculdade, estudo, trabalho, responsabilidades – há semanas em que me pego tentando lembrar o que comi no almoço. Tudo isto faz distanciar da rotina despreocupada dos mais jovens.

Foi a decisão tomada há mais de uma semana que mudou a perspectiva: No sábado, um dos poucos em que não tive que acordar cedo, retirei o livro da pilha bagunçada. Na capa, a letra com o título cintilante, o garoto britânico de olhos verdes e cabelos negros que eu tanto conhecia: um velho companheiro.

Como o fechar de um ciclo, e depois de iniciar e parar a leitura incontáveis vezes, eu finalmente saberia o final da história que acompanhou toda minha vida. E achava estar preparada para isso.

Agora, largada no sofá devorando as páginas, eu volto a ser a garotinha de sete anos que, deitada em sua cama, ouvia atentamente a voz da mãe contar as aventuras mais fantásticas vividas por este menino. E ela tinha pesadelos com o inimigo que, em sua imaginação, era em comum.

Ou a pré-adolescente que tinha o quarto coberto com pôsteres e foi assistir pela primeira vez, e, com uma excitação enorme, o herói de carne e osso. E que no final acabou vendo o seu primeiro filme legendado. O primeiro representa muito para a cinéfila que sou.

Então a jovem estudante vem à mente. Uma que no meio da puberdade encontrava momentos maravilhosos sentada na cama ou no mesmo sofá, curvada diante de sequências cada vez mais grossas. Foi provavelmente um dos primeiros livros a ler sozinha. Foi o primeiro de muitas coisas.

E assim aquele sentimento de preparação, de maturidade, foi dissolvido quando a primeira página foi aberta: “este livro é dedicado a sete pessoas: (...) e a você, que ficou com o Harry até o fim”. Estas palavras me fizeram parar. Até o fim. Durante o crescimento as pessoas precisam de apoios, coisas com as quais, independente do momento da vida em que estão, elas podem contar. Mais uma primeira vez para mim.

O texto na folha seguinte trouxe a emoção – ele diz que os amigos, mesmo depois de mortos, permanecem vivos em seus amigos. Outro choque me atingiu: a vida passa, o tempo chega, também, para Harry Potter. Também para mim.

Agora, separada do fim por apenas 7 capítulos, fui tomada por esta inquietação antes de dormir. Por um lado lembrei dos rostos que me reprimiram quando souberam o que estava lendo, e, por outro, do quão bem me faz sentir.

Eu tinha esquecido, estava perdido em minha rotina o quão incrível é poder sentir-se criança novamente, participar das aventuras, torcer, morder os lábios nas cenas de tensão, e sorrir como se algum segredo me tivesse sido confiado. Enfim, ter um parâmetro, olhar para o primeiro livro e analisar até onde cheguei, tudo o que houve no meio desses 13 anos.

Então eu sei o que é crescer: É buscar o antigo você na memória, plantá-lo ao seu lado e compará-lo com o de hoje. É ser capaz de distinguir onde acertou e onde falhou, é aprender a se desculpar e a não repetir os mesmos erros, é aceitar quem você se tornou e ter coragem para mudar. É conseguir conquistar o mesmo que um de seus heróis: Ter amigos para sempre, porque são eles que vão estar ao seu lado.

Mas o mais importante é manter em mente que eu não seria a mesma pessoa se não tivesse passado por aquela juventude. Não teria tomado as mesmas decisões, não estaria onde estou hoje. O agradecimento então vem - de poder fazer parte de tudo isto, de ter aprendido, me divertido, e crescido ao lado desses livros.

E agora o adeus implicado com o final das páginas me parece fora de lugar, dramático, e não serve. Fica apenas um ‘até logo’, um ‘te vejo depois’, porque ainda há filmes para ver, um parque para visitar, novas experiências a viver, outros pontos de vista para interpretar, e filhos para ouvir.

Porque afinal de contas, o primeiro de tantas coisas e o mesmo de tantos anos é como um amigo: Depois de tanto tempo juntos na jornada, não importa a distância ou a temporada sem contato - um dia eu vou abrir aquele livro e lembrar de tudo, porque ele fez parte da minha infância. E por isso faz parte de mim - até o fim.

sábado, 2 de outubro de 2010

Maranhão. Ferreira Gullar. José Sarney


Maranhão é um Brasil que paulistanos e fluminenses normalmente não reconhecem. Ao folhear a edição 38 da revista Brasileiros, passando os olhos no texto de Alex Solnik, vi algo além de Ferreira Gullar e seu novo livro Em Alguma Parte Alguma. Podia enxergar algo além de enxertos de poesia e trechos sobre a vida pessoal de Gullar.


"Não, Sarney foi meu amigo da juventude. Ele tem a minha idade, com diferença de meses..." afirmou Gullar ao jornalista. Incrível como São Luís deu origem a dois indivíduos completamente diferentes, mas ligado pelas letras: José Sarney e Ferreira Gullar. O velho Gullar ainda se considera amigo do político, especialmente sobre temas abrangentes como a literatura. O velho Gullar chega aos 80 anos com um prêmio Camões neste ano. O velho Sarney continua como líder do Senado nacional.

O histórico de Gullar é intimamente ligado com a esquerda. Suas declarações misturam arrependimento e boas lições desse engajamento, que se iniciou nos anos 50. Sarney representa hoje um "dinossauro do conservadorismo". Gullar alega que a política é a principal diferença entre eles.

Gullar e Sarney são duas caras do Maranhão, duas faces de um nordeste desconhecido para muitos nordestinos e brasileiros. Gullar é uma representação cultural na poesia e na crônica política. Sarney é uma autoridade da Academia Brasileira de Letras. Gullar e Sarney são retratos de um Brasil do século XX que se prolonga, até hoje.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Marginal fede

A Marginal Pinheiros fede. Eu não queria que fedesse, mas fede. O ar nauseabundo entra pelas minhas narinas e impregna.

Passo pela ponte Cidade Universitária. Todo dia eu passo pela ponte Cidade Universitária. Dá pra contar nos dedos os dias que a Marginal não fede. O ambiente fedorento contrasta com as árvores da USP. O ambiente fedorento contrasta com São Paulo, com a modernidade, com a vida. O ambiente fedorento não teve colaboração minha. Não teve colaboração de muita gente que anda por ali. Teve colaboração de muitos dos carros na ponte. Ponte fedorenta.

Passo a ponte e chego no trem. Vou de trem para a Deslu, para a vila, para a olímpica via. Vou trabalhar no fedor. Volto para estação Vila Olímpia, com satisfação de trabalhador. Vejo uma massa uniforme, disforme em vontades. Vejo um centro careca. Penso se não morreu ninguém. Vejo a massa se mover também. Descarto o óbito e me aproximo. Estava vivo, apesar das olheiras.

Era José Serra, quatro em ponto, na tarde ensolarada e fedorenta. Era o candidato à presidência, perto da marginal do lixo. Marginal fede. Não me decido nas urnas. O tempo urge. O trem fechou com a careca. Sociedade carece.

Vi Marina, vi Dilma e vi todos os candidatos naquele senhor baixo, parecido com senhor Burns. Vi a minha indecisão decidida. "Votar no menos pior", como o fedor do rio. Votar para não virar lixo de vez, mas para permanecer água, ainda que suja. Marginal fede.

Baseado em fatos reais, do dia de hoje.

O estranho familiar

Texto original do The Blue Writers.

Sempre gostei de encostar a caneta numa folha em branco, manifestando desejo estéril de registrar coisas que não conseguirei lembrar. Não sei se os escritos fluem bem, mas sempre me lembro de referências quando resolvo me manifestar em palavras. E uma experiência surreal, rica, vasta e aterrorizante que me tocou foi a leitura compulsiva do curto e profundo O Estrangeiro, do franco-argelino Albert Camus. Tudo lido em uma tarde de fim de primavera e começo de verão, com um deus solar tão quente e enlouquecedor quanto o calor da Argélia.

Mersault não chora no enterro de sua própria mãe e provoca a revolta silenciosa das convenções sociais. Eu choraria na morte da minha progenitora, mas entendo o personagem. Muitas vezes, não me sinto livre para manifestar abertamente o que sinto, e o jogo social de convenções é muito cruel. Mersault deseja apenas sexualmente sua parceira. E verbaliza isso. E essa mistura de homem e animal é presente em todas as pessoas, mesmo que essa natureza se esconda em uma suposta racionalidade.

Mersault mata um árabe a tiros. Mata a tiros por causa do Sol. Explica isso ao tribunal, que o reprova e o condena à morte. Mersault aceita a morte como uma vitória, porque a aceita e porque não quer entender seus motivos. Tudo, nesse jogo de ação absurda, é gratuito. O mundo, subitamente, ganha um ar de aleatoriedade que é a verdade absoluta dos fatos, mesmo dentro das crendices mais fanáticas no destino. O curso da vida não é nada mais do que a soma de seus fatos, com ou sem razão. Aquela leitura preencheu meu cérebro por horas, dias, meses, anos. Aquele Mersault era o abandono definitivo do passado e do futuro, além da aceitação da condição humana como animal. Animais dotados de sociedade, tecnologia e todo um sistema próprio de linguagem, mas ainda selvagens.

E aquele assassinato tornou-se a metáfora da escrita para mim, que é o amor da minha vida. Escrever é um absurdo. O documento escrito cria uma segurança para o homem. Preenche-o com um passado e um futuro. Preenche nossos conteúdos. No entanto, as reais motivações para se escrever são tão aleatórias quanto matar uma pessoa. Não precisaria escrever, pois outro o faria para mim. Não preciso correr atrás de uma informação, se existe um jornal que pode ser comprado, ou uma fofoca que pode ser ouvida.

Mesmo assim, eu ouso escrever. Ouso assumir o assassinato como Mersault e aceitar a sentença desse ato. A punição por escrever é saber que o passado e o futuro, um dia, serão varridos do mapa. Não há conforto.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dificuldade de escrever em final de faculdade

Acumulam os trabalhos. O mercado profissional pensa em te efetivar para, enfim, tratá-lo como um trabalhador qualificado. Quem não está empregado se desespera na busca por um ofício. Acumulam-se todas as expectativas que você tinha antes de entrar em uma carreira. As decepções devem ser ultrapassadas. Os orgulhos devem ser revertidos em alguma motivação prática. É um período de acumulação excessiva.

E você não é duas pessoas, não é capaz de dar conta de tudo. Trabalho de Conclusão de Curso. Não é o terror que muitos dos seus ex-veteranos universitários diziam, mas não é uma criação mole. É uma chance de experimentação que não permite muita preguiça. Requer um apego que nem todas as pessoas estão prontas ou dispostas.

Final de faculdade é tortuoso para escrever, é difícil de descrever. Mal consigo ler poucas folhas de um diário impresso inteiras. Mal consigo prender atenção em páginas que saltam no meu navegador web. Estou focando em tirar notas, em fazer um bom experimento, em responder corretamente no trabalho. E, mesmo assim, não basta.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O livro de capa azul, em branco



Dizem que a educação escolar começa, pra valer, entre seis e sete anos, com a alfabetização e a entrada no ensino básico, essencial para qualquer moleque. Logo que a professora começou a aumentar as aulas de caligrafia, ditados verbais e a mostrar sinônimos e antônimos, eu disse para mamãe que queria ser escritor, como aqueles homens famosos dos livros da escola. Nos oito anos de ensino fundamental, a vontade foi incentivada por um companheiro inseparável dos meus momentos mais solitários, quando era menor.

Era um livrinho azul, de aproximadamente 300 páginas, totalmente em branco por dentro e com capa dura. Tinha oito anos, assistia televisão, jogava videogame, ouvia coisas que os adultos diziam e elaborava histórias à partir disso. O livro me acompanhava pelas viagens e me fazia ter gosto por leituras. Era um companheiro que nunca reclamava das minhas frases repetitivas, dos meus verbos pobres ou do meu léxico monótono. As frases simples viravam cenários de batalha medieval, tiroteios entre policiais e até cenas de amor. E aquele livrinho foi testemunha das minhas vergonhas infantis, como, por exemplo, a minha incapacidade de ver e de descrever cenas de beijo, de lábios se encontrando.

Quando não encontrava as palavras certas, arriscava desenhar os personagens e até os cenários baseados no texto. Procurava não deixar a mão parada, nem mesmo relaxar a cabeça. Aquele menino que escrevia no livrinho, quando cresceu, acordou em diversas madrugadas para fazer poesia sobre as mulheres e pessoas que admirava. Tornou poema sua visão de mundo e, ao mesmo tempo, desenvolveu a análise nas dissertações e prosas. Não se prendeu em nenhum formato de texto, em nenhum tema específico, apesar de preferir registrar quase sempre o que o cativava no mundo.

Na escola, mostrava seus pequenos livros para alguns professores, que apenas elogiavam, sem entender, talvez, os anseios do menino. Nas brincadeiras com amigos, começava a elaborar as histórias dos personagens, fazendo teatrinhos. Quando veio a onda do RPG e jogos de interpretação mais elaborados, acabava sendo o mestre do jogo, o roteirista ou alguém que, no mínimo, tentava dar uma orientação para a brincadeira toda.

Rabiscar aquelas páginas, desde menor, significava sair daquele mundo. Não era uma simples fuga, mas um afastamento que sempre permitiu ao garoto dar outro sentido ao que era aprendido. Era um movimento diante das coisas. O menino tinha necessidade de ser um pouco criador, de ser algo além do que um simples estudante de escola primária, um filho ou alguém preocupado com diversão.

Escrever, quando era pequeno, não parou no livro azul. Veio um vermelho e outro verde, depois. Por fim, eu comecei a viciar mesmo em passar minhas ideias para o computador, à medida que me aproximava da adolescência, unindo tecnologia e cultura. Esse hábito de despejar o que me intrigava, ou o que eu achava que poderia ser interessante para as pessoas, virou algo essencial para o meu trabalho como jornalista. Virou motivo para aprender a língua portuguesa na educação primária, e para adquirir inspiração em redações remuneradas. E o segredo disso sempre foi observar as pessoas e os fatos, tentando colocar a minha pessoa nesse cotidiano alheio.

De certa forma, o jornalista Pedro de hoje continua sendo o mesmo moleque querendo colocar suas criações no papel, relembrando sempre a voz da professora em sala de aula. E o livro azul, com folhas em branco, faz convites silenciosos para ser manchado de tinta, grafite e ideias.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Doutor House é um comunicador


Em conversa com meu professor e amigo sociólogo, Liráucio Girardi, concluímos, pensando em séries norte-americanas, que o Dr. House é, de fato, um comunicador.

Gregory House é um diagnoticista, um especialista em formular, desenvolver e empregar fórmulas médicas que curam doenças, muitas vezes fugindo das convenções de outros especialistas. Liderando uma equipe de profissionais específicos, ele soma os conhecimentos de outras pessoas e, através do descarte das contradições, chega em conclusões mais objetivas, mesmo que não estejam claras para todas, necessitando de uma intuição.

Eric Foreman é um médico neurologista, especialista nos transtornos do sistema nervoso. Allison Cameron é uma imunologista, que estuda as doenças de matriz nas defesas do organismo. Robert Chase é cirurgião e especialista em casos intensos. Remy Hardley é clínica geral, enquanto Chris Taub é um cirurgião plástico pretendendo mudar de carreira. Por fim, é importante mencionar James Wilson, que não é da equipe de House, mas é oncologista, especialista em câncer, e amigo do diagnoticista.

Todos os conhecimentos desses personagens são fragmentados e não são eficientes em todos os casos. Assim como um comunicador, House consulta essas fontes e elabora uma solução final, provando que o mundo profissional não é apenas ter e aprofundar um saber particular, mas um aglutinar desses saberes.

Nosso papel, como profissionais, é agir como um diagnoticista e reunir conhecimentos, reconhecer caminhos e apontar soluções. Claro, todo jornalista deve respeitar os dados específicos, informações que não são feitas pela imprensa. No entanto, no exercício profissional, ele deve ser capaz de traduzir esses saberes de uma forma acessível, pública e enriquecida.

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