Mostrando postagens com marcador Estadão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estadão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Morre João Ubaldo Ribeiro e faltam crônicas de jornal

Por Pedro Zambarda

Faleceu na madrugada de hoje, em sua casa no Rio de Janeiro, o escritor e membro da Academia Brasileira das Letras (ABL) João Ubaldo Ribeiro. Aos 73 anos, era autor de "Viva o Povo Brasileiro", "Sargento Getúlio", "A Casa dos Budas Ditosos" e "O Sorriso do Lagarto". Deixa quatro filhos e ocupava a cadeira 34 da ABL, além de ser colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.


Velório ocorrerá às 10hrs desta sexta-feira. O baiano João Ubaldo morre no mesmo dia de aniversário do líder sul-africano Nelson Mandela, que ganhou um dia internacional hoje. A morte do escritor brasileiro diminui o time de cronistas de alta qualidade da imprensa brasileira.

Via Estadão

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

USP foi fundada por acadêmicos paulistanos e apoiada pelos Mesquitas há 80 anos

No dia 25 de janeiro de 1934, há 80 anos, foi fundada a Universidade de São Paulo (USP). O projeto, que se expandiu com a criação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a Escola Politécnica (Poli) e outras unidades, foi obra de acadêmicos brasileiros, outros advindos de outros países, e do jornalista Julio Mesquita Filho, diretor do jornal O Estado de S. Paulo. Em homenagem às oito décadas da universidade pública mais bem-sucedida da América Latina, o site do Estadão deu destaque em seu site hoje ao assunto em sua homepage e em seu suplemento impresso especial.



Julio Mesquita Filho lançou um livro em 1925 chamado A Crise Nacional, detectando graves problemas na educação da sociedade brasileira. Com apoio do sociólogo Fernando de Azevedo, os ideais de Mesquita foram levados até as pesquisas educacionais. A compra do terreno no bairro do Butantã e a expansão dos cursos superiores públicos em São Paulo ajudaram a formalizar o sonho de uma universidade aberta.

Mesquita apoiou Getúlio Vargas, que perdeu as eleições presidenciais, e depois sua Revolução de 1930, dando início ao Estado Novo. Apesar do apoio recebido do presidente, o jornalista e editor também deu suporte à Revolução Constitucionalista de 32, sendo derrotado pelo governo federal. Foi preso e exilado em Portugal. Mesquita então voltou ao Brasil em 1934 e formou uma comissão com o governo estadual para criar a universidade. O grupo era composto por por ele, Fernando de Azevedo, Raul Briquet e Lúcio Rodrigues.

A comissão entrou em contato com o psicólogo George Dumas, da França. Ele recrutou professores europeus para formar a USP. Foram convocados Fernand Braudel (História), Claude Lévi-Strauss (Antropologia), Roger Bastide (Antropologia), Pierre Monbeig (Geografia), Jean Maugüé (Filosofia), Pierre Houcarde (Literatura) e Paul Hugon (Economia). Entre todos, Jean Maugüé foi um dos poucos conhecidos não por seus livros, mas por suas aulas. O acadêmico de Letras Antonio Cândido afirma que ele não deixou obras, mas palestras memoráveis sobre notícias dos jornais, filmes e romances brasileiros.

Além de incentivar a criação da universidade pública, que hoje conta com 90 mil alunos e orçamento de R$ 4,3 bilhões, Julio Mesquita Filho também foi paraninfo da primeira turma formada no curso de Filosofia, em 1937.

Julio Mesquita Filho, o diretor do Estadão em 1937, como paraninfo dos primeiros formandos em Filosofia na USP

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Ana Carolina Neira, do Bola da Foca, ganha Prêmio Santander Jovem Jornalista

A jornalista Ana Carolina Neira, de 22 anos, ganhou em novembro o 8º Prêmio Santander Jovem Jornalista, em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo. Ana escrevia no Bola da Foca desde 2008 e fez um TCC chamado "Casas da Morte - Um relato sobre os centros clandestinos de tortura no período da Ditadura Militar no eixo Rio - São Paulo". Formou-se neste ano.



Ana fez a reportagem "Um Pedacinho do Paraguai na Zona Oeste de São Paulo" no Estadão e ganhou uma bolsa de estudos de seis meses na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, na Espanha, em 2014.

A reportagem pode ser lida na íntegra no site do jornal, neste link.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Leia a crítica da Ombudsman da Folha sobre a crise do Estadão

Gostou do texto no Bola sobre a crise do Estadão? A ombudsman e jornalista da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, fez uma crítica direta ao jornal concorrente. E conseguiu abordar pontos importantes sobre formato de jornal, advento da internet e os cortes de emprego de diversos jornalistas no Brasil.

Separo alguns trechos, logo abaixo.

"O dilema para os jornais hoje, e não só no Brasil, é encontrar um novo ponto de equilíbrio. Se as pessoas têm pouco tempo para ler, vamos escrever menos, mas, se o jornal ficar fino e superficial demais, para que comprá-lo, já que há informação de graça na rede?"

"Oferecer menos conteúdo precisa ter necessariamente como contrapartida uma melhoria significativa na qualidade do que é publicado. Poucos assuntos, mas apurados com precisão e profundidade e editados com inteligência. Se não for assim, estaremos apenas apressando o passo rumo à irrelevância."

Gostou da discussão? Detalhes, aqui.

sábado, 27 de abril de 2013

A crise do Estadão é a crise dos jornalistas brasileiros

Pesquisa feita pelo Portal Comunique-se apontou que mais de 1.230 jornalistas foram demitidos em 2012. Desses mais de mil, o Grupo Estado (O Estado de S.Paulo, Agência Estado e JT) demitiu 20 em fevereiro. Depois, o Jornal da Tarde fechou as portas no dia 31 de outubro e dispensou mais 20 profissionais no final do ano. Em 2013, também no mês de fevereiro, mais 22 profissionais foram demitidos e uma reforma no impresso foi anunciada. O caderno Link, de tecnologia, foi reduzido significativamente. Economia foi unida com Negócios. Já as seções Metrópole e Internacional ficaram juntas no primeiro caderno, que passou a agregar Esportes também. A reforma, segundo os donos, quer vender um jornal mais sintético, com pacotes também para leituras em tablets e na internet (paywall).


A crise do Estadão é a crise dos jornalistas brasileiros, ou, mais precisamente, do modelo de negócio de imprensa no Brasil.

Os cortes começaram pelo site do Estado. A reforma jornalística na versão impressa, por sua vez, torna o jornal cada vez mais parecido com a leitura dinâmica de uma página na internet. Mas parece que faltam investimentos substanciais de uma empresa acostumada com mídia física em uma mídia virtual significativa.

O Estadão ainda é um veículo de prestígio no Brasil. É um jornal com postura editorial política conservadora, visão das elites, e dono de uma das maiores agências de notícias nacionais: A Agência Estado. Vende conteúdos sob a marca Estadão Conteúdo para diversos veículos e portais, como UOL, Terra, iG e sites da Editora Abril.

Considerando sua relevância em conteúdo, seria importante que um jornal como este se recuperasse da crise que vive hoje, mas os diagnósticos apresentados até agora não parecem satisfatórios. Jornal enxuto vende? E a qualidade das reportagens, como fica? E cadê o investimento no portal na internet? Internet é o futuro como é apresentada hoje?

Façam suas apostas.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Regra do Jogo: A história do jornalista que dirigiu os dois maiores jornais do Brasil

Claudio Abramo era um jornalista que criticava os cursos de jornalismo, mesmo após dar aulas na Cásper Líbero e na ECA, na USP. Achava os cursos ineficientes, pouco práticos e muito generalistas. Mesmo assim, em seu livro de memória, A Regra do Jogo, ele consegue dar uma aula de jornalismo de primeira linha, com relatos de suas experiências, seus artigos opinativos e suas reflexões sobre a profissão, o ofício de noticiar. Abramo foi responsável pela reforma do Estado de S. Paulo nos anos 1950 e dirigiu a Folha de S. Paulo durante a ditadura militar, entre os anos 60 e 70.


Antes dos grandes jornais, Cláudio Abramo trabalhou na Agência Interamericana, com traduções de artigos em inglês, e na Press Praga, que cozinhava material de jornais e publicações, ou seja, aproveitava conteúdo alheio. Socialista de orientação trotskista, Abramo cultivava medo dos chefes capitalistas dos grupos de comunicação, mas era um funcionário eficiente, culto e que aprendeu realmente como fazer jornal e a lógica particular da imprensa de sua época.

"Escrevo de modos diferentes para a Folha e para a Senhor; nesta sinto-me mais livre, porque a revista tem uma circulação pequena. Se amanhã ela estiver numa posição de vender quinhentos mil exemplares, o arco de leitores a atender será muito maior, e naturalmente entenderei isso e eu mesmo limitarei mais minha liberdade. Isso é algo que o jornalista delimita, não é preciso que o patrão diga. É a regra do jogo. Não se podem propor certas coisas numa publicação que vai atender a um número muito grande de leitores", explica Cláudio Abramo. Ele explica, em diversas passagens do livro, que é permitido ao profissional de imprensa ter opiniões políticas próprias. Mas, ao fazer o jogo da imprensa, você responde a uma propriedade privada, que é o jornal. Abramo desmistifica o "bem público" que os jornalistas constroem, afirmando que a ética jornalística não é diferente de outros procedimentos de trabalho.

"No jornalismo, o limite entre o profissional como cidadão e como trabalhador é o mesmo que existe em qualquer outra profissão. É preciso ter opinião para poder fazer opções e olhar o mundo da maneira que escolhemos. Se nos eximimos disso, perdemos o senso crítico para julgar qualquer outra coisa. O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito. A ética do jornalista é a ética do cidadão. O que é ruim para o cidadão é ruim para o jornalista", afirma Abramo no livro. Concordando ou não com esse ponto de vista, as memórias de Cláudio Abramo fornecem uma análise realista da profissão.

Os artigos jornalísticos selecionados dentro do livro abordam uma variedade de assuntos. Claúdio Abramo entrevistou, para o Estadão, o escritor Albert Camus, que é descrito em seus trejeitos e na sua forma peculiar de expressão, tipicamente argelina e diferente dos franceses. Abramo também faz uma série de artigos, que são extensos e densos, sobre a economia espanhola durante a ditadura de Franco, em 1951. O jornalista se aprofunda nas cotações das moedas, no procedimento dos militares espanhóis e nas descrições detalhadas sobre a pobreza local. É um ótimo trabalho de jornalismo econômico, mesmo que Cláudio Abramo diga que o trabalho da imprensa é comum e muito distante do que consideramos intelectual.

A Regra do Jogo vale a leitura, mas não foi concebido para ser um livro. A publicação, na verdade, é uma copilação de artigos e reportagens de Cláudio Abramo misturadas com as memórias pessoais do jornalista. Para quem quer entender o Estadão, a Folha e a natureza de nossa profissão, dê uma conferida. Se você estiver na faculdade, é uma grande oportunidade de ler um pouco sobre a realidade do ofício.

Cláudio Abramo nasceu no dia 6 de abril de 1923 e morreu em 14 de agosto de 1987, no período de redemocratização do Brasil após o golpe militar. Perto dos dias de sua morte, escreveu artigos criticando a ascensão do novo governo civil no país, aos 64 anos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Gaddafi tem investimentos no Brasil, segundo Fernando Gabeira

Em coluna no Estadão, o político Fernando Gabeira que o líder da Líbia Muammar Gaddafi possui 1,2 bilhão de reais investidos no Brasil. A verba está na Odebrecht no Codeverde.

O colunista indaga o que acontecerá com os investimentos com o bloqueio das contas de Gaddafi e a crise líbia, que está se desdobrando para uma Guerra Civil. O ditador também investiu na Venezuela. Gaddafi possui contas na França e nos Estados Unidos. Ele é um dos pilares do subdesenvolvimento, que mantém financeiramente os países onde estão?

A família Gaddafi também investiu no jornal britânico Financial Times e no time Juventus, que não sabe o que fazer com o dinheiro. A sujeira da situação na Líbia vai se alastrar em diversos âmbitos econômicos?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

"Sempre Alerta" para abrir os olhos

O jornalismo de hoje já não possui aquele caráter “romântico” que foi marca no passado, sendo que a lógica empresarial penetrou nos veículos impressos, um dos principais motivos para tal perda. E é exatamente essa profissão, que passou por substanciais modificações nas últimas décadas. O jornalista Jorge Claudio Ribeiro analisa essa situação no livro Sempre Alerta (Olho D’água/ Editora Brasiliense, 224 pág.). Através de seu trabalho nas redações dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, Ribeiro apresenta suas impressões, ou melhor, “condições e contradições”, como ele mesmo coloca, sobre o campo jornalístico.

Tais “condições e contradições” se manifestam, por exemplo, no aliciamento e na coerção, dois mecanismos explorados com afinco pelo autor no livro. Para Ribeiro, os jornalistas que ingressam nas redações são logo tentados a alcançar cargos mais altos, e os próprios jornais geram uma série de “promessas”, de modo a estimular o envolvimento dos profissionais da área. Uma dessas juras seria, para o autor, a assinatura de uma matéria, que é, afinal, uma “forma de acumular capital de prestígio, capaz de elevar o valor do jornalista no ranking profissional e, portanto, conferir-lhe maior poder de negociação quanto a salário ou condições de trabalho”.

Em contrapartida, esses mesmos jornalistas são constantemente bombardeados pelo mecanismo de coerção, que os prendem às regras do veículo de comunicação. E, de fato, é o que acontece: todos devem ser fiéis ao manual de redação, cumprir as exigências e os métodos de produção do jornal (que acaba sendo uma produção industrial, aliás). Além desses fatores, controle exercido sobre os jornalistas vai além disso. Ribeiro demonstra como a própria organização da redação contribui para a coerção, já que a inexistência de divisórias entre as mesas dos repórteres facilita a editores e diretores manterem constante vigilância sobre seus funcionários.

Obviamente, Sempre Alerta ainda analisa o jornalismo sobre outros ângulos. Ribeiro aponta que no campo jornalístico há até uma religião – algo que se destaca por ser, até certo ponto, curioso. O autor desmonta como esse caráter "espiritual" também contribui para a coerção já mencionada.

Ao ingressar na redação, o repórter passa por rituais, executados pelos jornalistas que trabalham lá. É semelhante a um rito de passagem mesmo, já que, a partir daquele momento, o mesmo terá que seguir a lógica empresarial, deixando de realizar tarefas ao seu modo, como realizava anteriormente. Ribeiro mostra como esse caráter religioso ultrapassa as fronteiras físicas da redação – e podemos dizer que psicológicas do jornalistas. De fato, espera-se do repórter uma “missão jornalística”, ou seja, que ele noticie algo de interesse público, mesmo que fora do horário de serviço.

Seguindo linhas fortemente enraizadas nos grandes jornais brasileiros, Jorge Claudio Ribeiro analisa, com maestria, uma profissão repleta de contradições e que se modifica com a penetração da lógica empresarial. São várias as promessas aos jornalistas dentro de uma redação, diversos anseios e muitas regras e até intimidações por parte do veículo comunicacional. Cabe ao repórter transformar seu emprego em uma outra religião a seguir, já que a expectativa do jornal é que o mesmo “esteja sempre alerta, num estado de crispação permanente, que ameaça siderar o conjunto de sua vida e negar-lhe qualquer dimensão de autonomia”.

Para donos de jornais, é desejável que os jornalistas estejam sempre de olhos bem abertos para a notícia. Mas para estudantes de Jornalismo que lêem esse livro, os olhos se abrem para uma profissão que já não é tão “romântica” quanto imaginam.

Posts mais lidos