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sábado, 13 de setembro de 2014

A USP deveria ter uma faculdade de videogames?

Por Pedro Zambarda
Texto original do Brasil Post

A coluna Geração Gamer, do site TechTudo da Globo.com, entrevistou em setembro o professor, economista e jornalista Gilson Schwartz. Blogueiro do site EXAME.com e ex-Folha e UOL, o pesquisador da ECA-USP reclamou da falta de visibilidade das pesquisas em videogames na maior universidade de São Paulo e defendeu a criação de um curso de graduação de jogos na instituição pública.


"Eu diria que se todos os professores e alunos de pós-graduação da USP que já mexem com games se unissem, seria possível criar uma nova faculdade ou curso totalmente interdisciplinar voltado a jogos e entretenimento digital. Quem sabe um dia rola?", disse Schwartz à coluna. O número de mestrandos e doutorandos com foco em games cresceu bastante nos últimos anos, de acordo com o pesquisador. Sabendo disso, por que a USP ainda não tem uma faculdade de videogames? Ou uma pós-graduação interdisciplinar envolvendo a criação de jogos digitais entre vários cursos?

Numa busca rápida pelas principais graduações em jogos digitais no Brasil, encontramos a PUC e a Anhembi Morumbi na cidade de São Paulo; a Unisinos em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul; a UVV em Vila Velha, no Espírito Santo; a Infórium em Belo Horizonte, Minas Gerais; e a Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Além destas, que são referência, destacam-se a FMU, UnicSul e UniPaulistana. O total de faculdades gira em torno de 10 instituições, sendo que muitas ainda apostam mais em pesquisas no assunto, ao invés de formar propriamente profissionais especializados no ramo. Isso talvez explique porque o Brasil ainda tem 133 empresas nacionais empregando somente 1133 pessoas formalmente, segundo a pesquisa GEDIGames conduzida pelo Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da USP, financiado pelo BNDES.

Resumidamente, podemos entender que há pouco investimento em educação nível superior para games, o que resulta em poucas empresas e um mercado que promete muito, mas ainda entrega menos do que poderia, se ele for realmente o quarto maior do mundo.

A USP deveria ter uma faculdade de videogames? Poderia. A USP faria a diferença com um curso de mercado de videogames, sem muita teoria e bastante prática. Possivelmente, porque ainda temos poucas referências do que deveria ser uma "faculdade de jogos digitais".

Um curso acadêmico voltado para os games faria a diferença em nosso mercado? Talvez sim. Embora muitos profissionais não sejam os maiores fãs de uma formação teórica, a maior parte das profissões consolidadas no país contam com uma sólida base de pesquisas, muitas delas focadas apenas em teses e com investimento que enriquece a área de atuação.

O que a USP tem hoje, além de suas pesquisas de pós-graduação, é um curso para que iniciantes aprendam a fazer jogos. É ministrado pelo próprio Gilson Schwartz no Gelly Jams, uma extensão do programa Game and Entertainment Lab do Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA-USP.

Uma faculdade de videogames resulta em ganhos imediatos para quem desenvolve games por aqui? Não. Mas ajudaria a aumentar áreas interessantes para pesquisa. Um levantamento da Times Higher Education em 2013 revelou que o Brasil está em 23º lugar entre 30 nações no quesito de injeção de verba privada para pesquisas universitárias. É uma posição vergonhosa para um país que tem uma USP entre seus melhores centros de formação.

O brasileiro tende a querer retornos de curto prazo, mas a educação só pode melhorar com investimentos pensando no longo prazo. E a cena nacional de games terá uma tendência de expansão ainda mais expressiva se acreditarmos no trabalho acadêmico, mercadológico e mesclado de maneira enriquecedora e sem preconceitos.

Bons jogos no Brasil não devem ser apenas feitos, mas também analisados e disseminados para formar um público que goste e que tenha orgulho da produção de seu país. Se a USP puder colaborar pra isso, então deve sim ter uma faculdade de games.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Ana Carolina Neira, do Bola da Foca, ganha Prêmio Santander Jovem Jornalista

A jornalista Ana Carolina Neira, de 22 anos, ganhou em novembro o 8º Prêmio Santander Jovem Jornalista, em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo. Ana escrevia no Bola da Foca desde 2008 e fez um TCC chamado "Casas da Morte - Um relato sobre os centros clandestinos de tortura no período da Ditadura Militar no eixo Rio - São Paulo". Formou-se neste ano.



Ana fez a reportagem "Um Pedacinho do Paraguai na Zona Oeste de São Paulo" no Estadão e ganhou uma bolsa de estudos de seis meses na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, na Espanha, em 2014.

A reportagem pode ser lida na íntegra no site do jornal, neste link.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cursos de jornalismo têm desempenho mais satisfatório no Enade

Por Mariana Tokarnia
Da Agência Brasil, por Creative Commons.


Os cursos de jornalismo tiveram a maior porcentagem de desempenho satisfatório no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2012, 83% em todo o país obtiveram conceito acima ou igual a 3. Os cursos são seguidos de perto pelos de psicologia, 82,26% tiveram conceito satisfatório, e relações internacionais, 76,92%. O Enade segue uma escala de 1 a 5, onde 1 e 2 são conceitos insatisfatórios, 3 é satisfatório, 4 é bom e 5, ótimo.

Os resultados foram divulgados ontem (7) pelo Ministério da Educação (MEC). Por outro lado, os cursos com as maiores porcentagens de conceitos insatisfatórios (1 e 2) foram ciências econômicas (39,46%), tecnologia em processos gerenciais (35,96%) e administração (35,84%). Os cursos de direito, alvos de crítica quanto a qualidade, também estão entre os com as maiores porcentagens insatisfatórias: 33,02% obtiveram conceito 1 ou 2. Isso significa que dos 951 cursos avaliados, 635 foram considerados satisfatórios e, desses, 43 foram considerados ótimos (conceito 5).  

O exame avaliou estudantes concluintes de instituições públicas e privadas que cursavam administração, ciências contábeis, ciências econômicas, design, comunicação social, direito, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo e turismo. Os cursos superiores de tecnologia das áreas de gestão comercial, gestão de recursos humanos, gestão financeira, logística, marketing e processos gerenciais também foram avaliados.

Em relação à localização, a maior porcentagem dos cursos satisfatórios está na Região Sul (77,62%). A região concentra também a maior porcentagem dos cursos com conceito 5 (6,27%). Ao todo, 1.372 cursos foram avaliados na região. É no Centro-Oeste que está a maior parte dos cursos insatisfatórios 40,59% dos 611 avaliados.

O Sudeste concentra, em número, a maior quantidade de cursos avaliados, 2.923. Desses, 68,73% são considerados satisfatórios. No Norte está a menor quantidade de cursos, 355, pouco mais da metade (58,87%) com conceito satisfatório. No Nordeste foram avaliados 1.045 cursos, 64,21% foram considerados satisfatórios.

O Conceito Enade é um dos indicadores de qualidade da educação superior brasileira, que também leva em consideração corpo docente e infraestrutura da instituição. Em 2012, foram avaliados 7.228 cursos. Para o conceito, no entanto, foram consideradas 6.306 unidades de cálculo, pois uma mesma instituição pode ter mais de um curso na mesma área.

Veja a lista completa divulgada pelo MEC.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Brasil está em 14º lugar no ranking de pesquisas científicas da Reuters

Por Fernanda Cruz
Da Agência Brasil, por Creative Commons.

Cidade Universitária (Marcos Santos/USP Imagens)
Os cientistas brasileiros publicaram 46,7 mil artigos científicos em periódicos no ano passado, número que coloca o Brasil em 14º lugar como produtor mundial de pesquisas. Segundo o relatório feito pela empresa Thomson Reuters, isso equivale a 2,2% de tudo o que foi publicado no mundo, em 2012. Nos últimos 20 anos, o país subiu dez posições nesse ranking.

A China conquistou o primeiro lugar em pedidos de patentes, seguida por Estados Unidos, Japão e Europa. O trabalho foi feito em parceria com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

No Brasil, o ramo científico que mais produziu artigos foi a medicina clínica. No período de 2008 a 2012, foram produzidos quase 35 mil artigos. Em segundo lugar, ficou a ciência de plantas e animais, com 19,5 mil artigos no mesmo período. Ciências agrárias produziram 13,5 mil artigos entre 2008 e 2012. O maior crescimento foi visto nas ciências sociais e gerais, que saltaram de 1,5 mil entre 2003 e 2007 para 9,8 mil entre 2008 e 2012.

Como consequência do aumento na produção científica, o pedido de patentes no país chegou a 170 mil no período de 2003 a 2012. Segundo o presidente do Inpi, Jorge Ávila, o órgão continua lidando com o forte crescimento do número de pedidos de patentes, que foi 33,5 mil em 2012, com projeção de alcançar 40 mil este ano.

Os maiores detentores de patentes no país, revelou a pesquisa, foram a Petrobras e as universidades públicas. De 2003 a 2012, a Petrobras registrou 450 patentes. Logo atrás, veio a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com 395 patentes. Em terceiro, ficou a Universidade de São Paulo (USP), com 284 patentes. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vem logo em seguida, com 163 patentes.

De acordo com o relatório, a ausência de empresas privadas na lista dos maiores detentores de patentes reflete um aspecto negativo do país. Como a demora na tramitação do processo pode chegar a oito anos, muitas empresas desistem, pois a tecnologia pode acabar se tornando obsoleta antes de a patente sair.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O Discurso sem Método, o jornal da Filosofia da USP, entrega 700 exemplares em uma semana

Na primeira semana de abril, o jornal O Discurso sem Método, do curso de Filosofia da Universidade de São Paulo, conseguiu um feito para uma publicação universitária: Distribuiu 700 exemplares em apenas sete dias. Como um jornal feito inteiramente por estudantes do curso, ele cumpre seu propósito, sendo um espaço aberto de discussão política, de artes e de poesia, além de conter textos com parte dos conteúdos aplicados nas aulas pelos professores.


"Jornal a serviço da dúvida" está no seu terceiro número e reproduz na capa um quadro do artista Francisco Goya, chamado "O Sono da Razão produz monstros". A publicação vale a sua leitura e é disponibilizado de graça no departamento da FFLCH-USP.

Mais informações no site do jornal.

sábado, 14 de abril de 2012

Segunda parte da entrevista de Edson Flosi sobre sua demissão e a crise da Cásper




Entrevista Edson Flosi - Parte 2/2 from matias lovro on Vimeo.


Na última parte da entrevista com o jornalista Edson Flosi, ex-professor da Cásper, ele explica o que precisa ser feito para a faculdade melhorar.

Veja o vídeo e tire suas conclusões.

Material é do estudante Matias Lovro.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Alunos da Cásper Líbero entrevistam Edson Flosi sobre sua demissão e a crise da Cásper




Entrevista Edson Flosi - Parte 1/2 from matias lovro on Vimeo.


Cadastrado na conta do aluno da Cásper Líbero Matias Lovro, o vídeo acima mostra críticas pesadas do professor Edson Flosi sobre a crise que a faculdade privada enfrentou com sua demissão. Flosi estava afastado da função de professor da instituição, mas atuava como advogado da instituição, mesmo com câncer.

Em um dos trechos polêmicos, Flosi diz:

"A Fundação [Cásper Líbero] deve 30 milhões de IPTU".

Veja a entrevista e tire suas conclusões.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Um jornalismo dos Sem-Luz

A colaboradora Lidia Zuin fez um texto opinativo sobre ensino superior, jornalismo e carreira. Para os estudantes de comunicação e curiosos sobre a área, o texto vale por seu teor crítico. Para quem está iludido ou desiludido com sua trajetória em um curso de graduação, a leitura é válida, especialmente num momento de crise pessoal.

O texto está reproduzido na íntegra, logo abaixo.


Um jornalismo dos Sem-Luz
Por Lidia Zuin

Muitos prestam vestibular para a graduação em Jornalismo na fé de que são bons escritores, exímios articulistas e germes da revolução. Outros simplesmente cursam, uns desistem e migram para áreas completamente distintas. Logo no primeiro ano, alguns professores já confidenciavam: “Sei quem será e quem não será jornalista”. E os pupilos passam semestres tentando adivinhar o que é a tal profissão para a qual estão se preparando.

Nos primeiros trabalhos, entrevistam a mãe analfabeta acerca da nova gramática, presenteando-a com o aposto de lingüista. Mais tarde, passam a obedecer às regras do lead e do limite de caracteres, começando a se preocupar com o primeiro estágio. Alguns se tornam Isaías Caminha de assessorias de imprensa, mais tarde passam a revisar textos de uma revista mensal qualquer e aí, de repente, conseguem publicar uma nota sobre celebridades assinando como “A Redação”.

Com o tempo, o equilíbrio faculdade-estágio vai se perdendo e o trabalho passa a se sobressair, tornando as presenças nas aulas cada vez mais raras e o interesse quase extinto. Isso acontece também porque alguns professores, que geralmente também atuam como jornalistas, estimulam precocemente a entrada do aluno no mercado de trabalho, mesmo que isso signifique um pontapé no traseiro daquele que ainda não está necessariamente pronto. Trata-se de um aluno: um alumni, um “sem luz”. Ou seja, o resultado é que o ânimo é podado por cargos que não exploram suas qualidades e as ilusões são perdidas conforme se faz uma autópsia da prática jornalística. Calejados, muitos chegam bufando à faculdade e se perguntam: “Já fiz isso milhares de vezes no trabalho, o que estou fazendo aqui?”

E o ensino segue defasado, enfadonho e desastroso porque, paradoxal e tragicomicamente, muitos educadores não estão preocupados em lecionar, mas em formar operários de redação. Relatos como “Back to School”, publicado no blog da revista Piauí, não são nenhum escândalo ou novidade àqueles alunos que chegam sempre rastejantes e atrasados. Talvez estejam cansados da mesmice das aulas, talvez tenham feito plantão na madrugada anterior. Como disse uma universitária nessa situação: “Tenho que pagar o aluguel”. Trabalhar é preciso, preparar-se não.

Esse desencanto também não é surpresa para os professores que freqüentemente encontram a sala parcial ou completamente vazia. E isso é grave. Porque seus alunos certamente estão interessados em garantir suas presenças, para então possuir um diploma e poder exercer livremente seus cargos de estagiário efetivado. Não é necessário aprender. Isso, aliás, nem é mais interessante. Mesmo oferecendo palestras complementares, as instituições de ensino não estimulam a aquisição de conhecimento, mas a garantia de presenças e de nota. O ensino se torna uma pedra no meio do caminho do foca que quer seguir em paz seu rumo ao topo da carreira. Com a desvalorização do diploma em Jornalismo, o pedregulho se torna uma cordilheira rochosa.

Enquanto o ensino em jornalismo se mantiver como uma tortura, a mídia continuará a ser medíocre, porque os profissionais que a compõem não serão capazes de melhorá-la sem possuir uma base intelectual que fuja da tecnicidade da prática jornalística. Disciplinas como sociologia, antropologia, teoria da comunicação, história, filosofia e tantas outras pertencentes à área das humanidades colaboram não somente com a formação de um melhor profissional como de um homem. Aquele que dominar tais conhecimentos estará preparado para lidar com seus semelhantes, não os subjugando à condição de objetos ou de seres alienígenas com suas visões condicionadas pelo cabresto do dualismo. Não basta ao jornalista encontrar as melhores fontes se ele não estiver pronto para beber delas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Novo blog de estudantes de jornalismo: Paulista 900


Assim como o Bola da Foca, estudantes de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero fizeram um blog orientado por professores e fazendo um trabalho multimídia. O site Paulista 900 aborda os fatos e as notícias que acontecem na avenida mais famosa de São Paulo. O blog é repleto de mapas, reportagens alternativas e matérias inusitadas, que compõem realmente uma revista digital, separada por seções.

Pessoal fez um texto sobre protestos favoráveis ao deputado conservador Jair Bolsonaro, fizeram outra reportagem sobre a Rádio Tupi FM e também abordaram outras manifestações e locais na Paulista. Vale uma olhada, uma leitura profunda e comentários que possam ajudar esses estudantes.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Informo e me formo


Você normalmente é indicado para a área de jornalismo quando possui aptidão com textos escritos, uma voz similar aos famosos locutores de rádio ou uma desenvoltura diante de uma câmera de vídeo. Superficialmente, a profissão transmite a ideia geral de que o formando faz apenas esses tipos de atividades. Quando ingressei na carreira, sem muitas intenções pré-concebidas, consegui notar que esse conhecimento aparente não se comprova nem na teoria e nem na prática.

Cheguei ao ensino superior com dois anseios, querendo me tornar um escritor de literatura desde muito novo, aos oito anos, e querendo trabalhar com informática, por gostar muito de computadores e da interação da internet com as pessoas. Durante meu percurso na Faculdade Cásper Líbero, descobri que jornalismo consegue englobar meus gostos justamente por lidar com um objeto de estudo complexo: A confecção da informação. Academicamente, pude ter acesso à obras literárias que reformularam minha escrita, além de descobrir excelentes jornalistas em autores consagrados, como Albert Camus. Profissionalmente, o mundo online se mostrou uma possibilidade aberta para que o jornalismo preencha o conteúdo em rede.

Uma grande virtude do curso da Cásper Líbero, e que pude verificar também no curso da Escola de Comunicação e Artes da USP, é as experiências laboratoriais promovidas por professores. No site de jornalismo da Cásper, pude cobrir a vinda do embaixador norte-americano para a instituição, explicando o funcionamento das eleições na época da ascensão de Barack Obama à presidência. Para o site de Cultura Geral, fiz diversas coberturas de shows de rock´n´roll, o que criou um gosto por jornalismo musical. Na revista-laboratorial Esquinas, pude fazer uma reportagem sobre cibercultura e cyberpunks, que ampliou minhas fontes especializadas em tecnologia. Aprender com experiência e teorias necessárias cria um equilíbrio de conhecimentos para o profissional.

O ensino superior em comunicação ainda enfrenta contradições e paradoxos. Há docentes que valorizam o glamour antigo dos jornalistas, tais como os grandes repórteres e as grandes reportagens. Outros professores dão noções panorâmicas de teóricos da profissão, o que enfurece alguns alunos que não conseguem encontrar relação direta com a prática do trabalho. Por fim, o trabalho jornalístico é paradoxal por não ter uma especialização por conhecimento específico, como é a medicina. Ainda falta ao ensino uma diretriz clara do que é fundamental para a profissão, além do aprofundamento no estudo da carreira. Os alunos também não apresentam o mesmo nível de interesse. Resta aos professores, diante de alguns indivíduos desinteressados, buscar apenas alguns estudantes que demonstram sua vocação dentre salas inteiras.

O mercado de trabalho no jornalismo está em crescimento com os investimentos do Brasil na informática, o que melhorou os instrumentos de trabalho da imprensa. Os problemas se centram nas condições salariais, na alta competitividade e na falta de valorização do serviço. Comparado ao começo dos anos 2000, com o estouro da supervalorização dos negócios digitais que gerou um corte expressivo de empregos, ser jornalista hoje é entrar em um mercado com vagas em áreas variadas, como assessoria de imprensa, blogs, jornais, revistas, televisão, sites e até em trabalhos similares com a publicidade e as relações públicas.

Para minha trajetória, os grandes benefícios da faculdade foram estimular o exercício constante do texto, despertar a paixão por outras mídias - como o rádio e a televisão - e, acima de tudo, estar ligado com as tendências da internet e das novas tecnologias. Ainda existem problemas na abordagem do mundo digital feita por professores, mas sou levado a crer que essas disparidades acontecem por um conflito de gerações diferentes, que viveram e vivem contextos distintos.

Hoje digo: Informo digitalmente. Essa capacidade me foi estimulada pela minha formação como jornalista, que também reforçou meu gosto por literatura e arte. Acredito que, das graduações em ciências humanas, o jornalismo é um curso que será mais atraente dentro de alguns anos, principalmente para alunos pró-ativos, criativos e com disposição. E toda essa condição será possível se houver melhorias constantes na formação superior.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dificuldade de escrever em final de faculdade

Acumulam os trabalhos. O mercado profissional pensa em te efetivar para, enfim, tratá-lo como um trabalhador qualificado. Quem não está empregado se desespera na busca por um ofício. Acumulam-se todas as expectativas que você tinha antes de entrar em uma carreira. As decepções devem ser ultrapassadas. Os orgulhos devem ser revertidos em alguma motivação prática. É um período de acumulação excessiva.

E você não é duas pessoas, não é capaz de dar conta de tudo. Trabalho de Conclusão de Curso. Não é o terror que muitos dos seus ex-veteranos universitários diziam, mas não é uma criação mole. É uma chance de experimentação que não permite muita preguiça. Requer um apego que nem todas as pessoas estão prontas ou dispostas.

Final de faculdade é tortuoso para escrever, é difícil de descrever. Mal consigo ler poucas folhas de um diário impresso inteiras. Mal consigo prender atenção em páginas que saltam no meu navegador web. Estou focando em tirar notas, em fazer um bom experimento, em responder corretamente no trabalho. E, mesmo assim, não basta.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A Internet limitada da Faculdade Cásper Líbero


Instituição histórica, a Faculdade Cásper Líbero forma jornalistas e profissionais nas mais diversas áreas de comunicação desde 1947. Mesmo com toda essa trajetória, acompanhada pela evolução do mercado profissional, a faculdade não está promovendo uma boa educação tecnologica em seus espaços. Há investimento em aparelhos e estrutura, que a diferencia de outras escolas, mas, ainda assim, existem problemas.

A instituição e seus órgãos mantenedores, como a Fundação Cásper Líbero, estão promovendo problemas constantes na utilização dos recursos fora de sala ao aluno, desde janeiro de 2010. Funcionando sob os limites de filtros, que impedem o acesso de sites com conteúdo de videogames e entretenimento, a internet do estabelecimento não está permitindo acesso à muitos conteúdos necessários para os estudantes. Sites básicos de criação de conteúdo na web, como o Blogger e o Wordpress, estão constantemente bloqueados e/ou limitados. O Flash Player dos computadores, essencial para rodar vídeos de redes gigantescas como o Youtube, estão simplesmente desativados. Há meses, os estudantes reclamam das limitações, que são meramente repassadas às áreas técnicas da fundação, sem nenhum resultado.

Para um ensino dinâmico e avançado de comunicação, a internet limitada só veio criar problemas dentro da Cásper Líbero. Há a desculpa que sites podem distrair os estudantes durante as aulas. Essa argumentação é uma falácia, uma vez que são contratados todos os anos monitores que deveriam assegurar a plena utilização dos laboratórios.

O Bola da Foca, blog-jornal criado por estudantes da Cásper, faz este post com uma opinião claramente definida e uma crítica direta à falta de soluções tomada pela faculdade. Além disso, abrimos nossos comentários para que você, consciente da importância da comunicação, comente sobre o assunto e sugira providências. O ensino do jornalismo hoje sem acesso à rede torna-se um atraso frente às outras faculdades. Nem o autor deste post e nem os estudantes ligados à Cásper desejam esse tipo de problema para seus colegas e companheiros de profissão.

Você concorda com essa situação?

PS: O autor deste post está fazendo um Trabalho de Conclusão de Curso em formato livro-reportagem com o assunto videogames. Graças aos filtros e limitações da internet da faculdade, ele não pode ursufruir dos laboratórios para terminar sua graduação. Legal, né?

domingo, 4 de outubro de 2009

Cásper quatro estrelas em 2009

Depois de conquistar o primeiro lugar no ranking de faculdades de jornalismo do Portal Imprensa, a Faculdade Cásper Líbero conseguiu quatro estrelas no Guia do Estudante da editora Abril nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Rádio e Televisão. Relações Públicas permaneceu com a pontuação do ano passado, três estrelas.

Em um ano de polêmicas sobre a não obrigatoriedade do diploma, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal em junho deste ano, essa talvez seja uma boa notícia para os estudantes dessa instituição paulistana.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Boemia e libertinagem é comunicação?


No clima frio e parcialmente chuvoso de Santa Rita do Sapucaí, cidade interiorana do sul de Minas Gerais, estudantes universitários de comunicação fizeram a festa entre competições esportivas. O feriado de Corpus Christi, entre os dias 11 e 14 de junho, foi a data dos Jogos Universitários de Comunicação e Artes, evento conhecido como JUCA. Afinal de contas, entre cervejas e as chamadas “baladas”, há realmente comunicadores?

Por Pedro Zambarda

A Cásper Líbero, a Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA-USP), a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Campinas (PUC e PUCCAMP), a Universidade Metodista de São Paulo, a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), o Centro Universitário Belas Artes foram as instituições de ensino superior em comunicação presentes no evento. Nos jogos de inúmeras modalidades esportivas, os times dos mackenzistas se destacaram por consecutivas vitórias, classificações e campeonatos vencidos. Em compensação, a interação social tanto dos atletas quanto de sua torcida era geralmente agressiva com as outras escolas. A imagem do Mackenzie era associada a pessoas arrogantes.

Os rapazes da Metodista, especialmente torcedores, eram um misto de respeito e brincadeiras com os demais estudantes. “JUCA integração” eram as palavras da vez para escolas mais receptivas. Apesar de contar com estudantes de outras universidades em sua torcida, como a Anhembi Morumbi, Uniban, FMU e até da Politécnica da USP, a Cásper teve uma integração maciça de alunos com a ECA. Isso era visível quando estudantes embriagados comemoravam nas ruas do alojamento da Cásper na madrugada do dia 13, festejando em volta de um hidrante e falando impropérios sobre os mackenzistas diante dos semáforos e dos carros.

Mas a grande questão é: há realmente uma integração entre as escolas? Seus gritos de guerra, músicas, xingamentos e esportes são realmente comunicação? As torcidas, caso sirvam como comparação, apareceram com roupas personalizadas e fazem um show a parte, com baterias pesadas e contagiantes. Cásper Líbero foi reforçada pelo Aguante Rojo, uma torcida mais radical, que provoca com gritos constantemente e reforça o lado boêmio dos estudantes. O Mackenzie e a Faap trouxeram cheerleaders, as famosas torcedoras femininas com saias e pompons que instigam os observadores. Toda essa festividade se justificou?

Se nos interarmos sobre o que aconteceu nas festas juvenis, as baladas, talvez uma evidência fica mais clara sobre nossas dúvidas. Não aconteceram realmente muitas conversas lá dentro, mas uma música que absorveu os jovens, além da interação corporal quando eles resolveram “ficar”. Essa palavra curiosa surgiu de uma necessidade de classificar os beijos e carícias dados apenas por uma noite. Em outros casos, o contato se estendeu até a cabana ou dentro dos alojamentos das escolas, em relações sexuais casuais. É um contato intenso, mas não profundo, não pleno segundo os padrões familiares tradicionais.

O JUCA então foi um entorpecimento. Não se trata de classificá-lo como bom ou ruim. Os futuros “comunicadores sociais” não buscaram o mais completo entendimento em uma festança em Santa Rita do Sapucaí, mas apenas uma distração descompromissada, além de piadas e histórias a serem contadas e relembradas. Para alguns, foi um ritual de passagem dentro do meio universitário. Não foram necessárias muitas palavras para abordar uma garota, ou várias, nas confraternizações. Para outros, o evento foi apenas um bom feriado para passar com colegas de estudos, que estavam todo o tempo juntos e não apenas na sala de aula.

Há pessoas que ainda podem deduzir uma comunicação completa nesse tipo de evento: do jovem consigo mesmo. Dentro da sociedade, ele é obrigado a lidar com pessoas e situações pelas quais não está pronto. Uma festa com álcool, amigos e sexo permite que eles se libertem dos problemas cotidianos. Fazem isso entre berros, exageros e muito esporte.

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