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quinta-feira, 22 de março de 2012

Por que os estudantes de faculdades privadas também protestam?


Um texto de opinião que eu não podia deixar de escrever, com os recentes acontecimentos.

No começo do mês, dia 5 de março, o professor de Técnicas Jurídicas Edson Flosi foi demitido da Faculdade Cásper Líbero, instituição em que também atuou como advogado. Sensibilizado com a situação de Flosi, Caio Túlio Costa, professor de Ética Jornalística, pediu demissão no dia 15 de março. Em sua carta, Caio Túlio alegou que a faculdade tem infraestrutura precária e ainda cometeu um abuso com a demissão do outro professor, que estava afastado da sala de aula por conta de um câncer, mas ainda exercia as atividades de consultor jurídico.

Resultado: Alunos fizeram protestos na frente da Cásper na sexta-feira, dia 16. Na segunda, 19, uma assembleia promovida pelo Centro Acadêmico Vladimir Herzog lotou o quinto andar, onde fica o curso de jornalismo. Nesse mesmo dia, Flosi deu uma entrevista à rádio CBN alegando que os espaços da faculdade estão sendo removidos para que a Fundação Cásper Líbero construa call centers e instalações para a área da TV e Rádio Gazeta, sucateando o ensino. Na opinião de Edson Flosi, a Cásper está adotando uma postura "mercenária", sem dar transparência sobre os aumentos consecutivos de mensalidade ou mesmo sobre seus investimentos.

A Cásper Líbero se arrependeu da demissão e tentou recontratar Flosi, que recusou o novo convite. O professor ainda redigiu uma carta explicando os motivos de sua recusa. E deixou uma mensagem clara para os estudantes que protestavam:

Tomei conhecimento pela Imprensa do convite da Fundação Cásper Líbero e da Faculdade Cásper Líbero para reeassumir minhas funções naquela instituição de ensino, onde lecionei por 16 anos, até ser demitido em meio a grave doença que me acometeu. Minha resposta: não volto, não posso e não d...evo voltar.

Não volto porque a manifestação estudantil não acontece apenas pela minha volta ou pela volta do Prof. Caio Túlio Costa, que se demitiu solidário à injustiça que sofri. Não volto porque a manifestação estudantil, conduzida pelo Centro Acadêmico Vladimir Herzog, tem o objetivo maior de lutar por melhores condições de ensino na Faculdade Cásper Líbero.

Comigo e o Prof. Caio Túlio dentro ou fora da Faculdade, a luta dos estudantes deve continuar até que a Mantenedora e a Faculdade se dignem a atender suas reivindicações, principalmente a transparência entre a receita das mensalidades pagas pelos alunos e outras taxas, e o valor investido no ensino. Além da solidariedade que me emprestou, a falta de estrutura na Faculdade, que reflete no ensino deficiente, foi a bandeira levantada pelo Prof. Caio Túlio na sua carta de demissão.

Os estudantes devem continuar lutando até conquistarem o que lhes é de direito. Agradeço comovido a manifestação estudantil que também acontece a meu favor e a favor do Prof. Caio Túlio. Mas o objetivo maior dessa juventude que paga mais de mil reais por mês para estudar deve ser perseguido até o fim. Qualquer manobra para esvaziar o movimento dos estudantes deve ser repudiada energicamente. A luta continua. Todo poder aos estudantes.

Poucos dias depois, dia 21 de março, estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie protestaram contra o uso do Enem como vestibular. Por que os estudantes de faculdades privadas se mobilizam contra suas escolas?

Será que é por conta da precariedade do ensino, como acontece no caso da USP e de diversas instituições públicas?

Essas manifestações deveriam ser consideradas. São um sintoma que, seja escola pública ou privada, a educação não está sendo encarada de forma coesa e objetiva. E pouco interessa se os alunos dessas instituições conseguem boas posições no mercado de trabalho, se as técnicas comerciais podem ser aprendidas em uma empresa privada, sem ajuda da educação.

Na escola, a obrigação da faculdade deveria ser alimentar o estudante com conhecimentos que atraiam sua curiosidade, criando uma formação crítica sobre a sociedade em que ele vive. Criando indivíduos que podem e que se sentem capazes de mudarem o mundo em que habitam. Mudar vestibular, cobrar mensalidades caras (acima da inflação) ou oferecer uma infraestrutura precária não parecem bons caminhos nesse sentido.

Flosi parece ter resumido bem a situação da educação com sua carta sensível às mobilizações.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Boemia e libertinagem é comunicação?


No clima frio e parcialmente chuvoso de Santa Rita do Sapucaí, cidade interiorana do sul de Minas Gerais, estudantes universitários de comunicação fizeram a festa entre competições esportivas. O feriado de Corpus Christi, entre os dias 11 e 14 de junho, foi a data dos Jogos Universitários de Comunicação e Artes, evento conhecido como JUCA. Afinal de contas, entre cervejas e as chamadas “baladas”, há realmente comunicadores?

Por Pedro Zambarda

A Cásper Líbero, a Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA-USP), a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Campinas (PUC e PUCCAMP), a Universidade Metodista de São Paulo, a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), o Centro Universitário Belas Artes foram as instituições de ensino superior em comunicação presentes no evento. Nos jogos de inúmeras modalidades esportivas, os times dos mackenzistas se destacaram por consecutivas vitórias, classificações e campeonatos vencidos. Em compensação, a interação social tanto dos atletas quanto de sua torcida era geralmente agressiva com as outras escolas. A imagem do Mackenzie era associada a pessoas arrogantes.

Os rapazes da Metodista, especialmente torcedores, eram um misto de respeito e brincadeiras com os demais estudantes. “JUCA integração” eram as palavras da vez para escolas mais receptivas. Apesar de contar com estudantes de outras universidades em sua torcida, como a Anhembi Morumbi, Uniban, FMU e até da Politécnica da USP, a Cásper teve uma integração maciça de alunos com a ECA. Isso era visível quando estudantes embriagados comemoravam nas ruas do alojamento da Cásper na madrugada do dia 13, festejando em volta de um hidrante e falando impropérios sobre os mackenzistas diante dos semáforos e dos carros.

Mas a grande questão é: há realmente uma integração entre as escolas? Seus gritos de guerra, músicas, xingamentos e esportes são realmente comunicação? As torcidas, caso sirvam como comparação, apareceram com roupas personalizadas e fazem um show a parte, com baterias pesadas e contagiantes. Cásper Líbero foi reforçada pelo Aguante Rojo, uma torcida mais radical, que provoca com gritos constantemente e reforça o lado boêmio dos estudantes. O Mackenzie e a Faap trouxeram cheerleaders, as famosas torcedoras femininas com saias e pompons que instigam os observadores. Toda essa festividade se justificou?

Se nos interarmos sobre o que aconteceu nas festas juvenis, as baladas, talvez uma evidência fica mais clara sobre nossas dúvidas. Não aconteceram realmente muitas conversas lá dentro, mas uma música que absorveu os jovens, além da interação corporal quando eles resolveram “ficar”. Essa palavra curiosa surgiu de uma necessidade de classificar os beijos e carícias dados apenas por uma noite. Em outros casos, o contato se estendeu até a cabana ou dentro dos alojamentos das escolas, em relações sexuais casuais. É um contato intenso, mas não profundo, não pleno segundo os padrões familiares tradicionais.

O JUCA então foi um entorpecimento. Não se trata de classificá-lo como bom ou ruim. Os futuros “comunicadores sociais” não buscaram o mais completo entendimento em uma festança em Santa Rita do Sapucaí, mas apenas uma distração descompromissada, além de piadas e histórias a serem contadas e relembradas. Para alguns, foi um ritual de passagem dentro do meio universitário. Não foram necessárias muitas palavras para abordar uma garota, ou várias, nas confraternizações. Para outros, o evento foi apenas um bom feriado para passar com colegas de estudos, que estavam todo o tempo juntos e não apenas na sala de aula.

Há pessoas que ainda podem deduzir uma comunicação completa nesse tipo de evento: do jovem consigo mesmo. Dentro da sociedade, ele é obrigado a lidar com pessoas e situações pelas quais não está pronto. Uma festa com álcool, amigos e sexo permite que eles se libertem dos problemas cotidianos. Fazem isso entre berros, exageros e muito esporte.

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