quinta-feira, 17 de abril de 2008

Diferentes faces de um mesmo personagem: as Lolitas de Stanley Kubrick e Vladimir Nabokov

Por Laís Clemente



Lolita, não importa em qual versão, é sempre uma história polêmica. Seja no original de Vladimir Nabokov ou nas adaptações cinematográficas de Kubrick e Adrian Lyne, o enredo sempre leva a diferentes interpretações, tudo é questionável, principalmente no tocante a real inocência de Dolores Haze, a Lolita. Se pegarmos como base de análise o filme do renomado diretor Stanley Kubrick e o romance de Vladimir Nabokov, perceberemos uma predileção por parte do diretor em enfatizar que o sedutor da trama é a menina Dolores, cuja idade não é mencionada em nenhum momento. Durante 153 minutos, Kubrick mostra e esconde fatos, demonstrando sua visão da história. O passado europeu de Humbert Humbert, por exemplo, que é quando o leitor tem a oportunidade de vislumbrar a obsessão do narrador por meninas de 9 à 13 anos é totalmente ignorado pelo diretor. Na película, Humbert, mesmo nos momentos em que vê outras meninas (como na cena do baile) só tem olhos para Lolita, o que reforça a idéia na mente do espectador de que ele era apaixonado não por ninfetas, mas por aquela em especial.


Já Nabokov, toma um partido diferente. Apesar de utilizar como narrador-personagem o próprio Humbert Humbert, que tenta a todo momento justificar seus atos, o autor expõe momentos em que argumentos de H.H. caem em contradição. Ao final do livro, por exemplo, ele reencontra uma Lolita no auge de sua adolescência e, ainda por cima, grávida. A imagem lhe gera certa repulsa, o que desmente a alegação de que ele amava Lolita independente de sua idade. Em Nabokov, o que H.H. ama mesmo são os traços infantis da menina.


Outro personagem que não pode passar despercebido é Clare Quilty. Personagem-chave na trama original, ele ganha especial destaque na telona. Ele aparece logo na primeira cena e não sai do filme desde então. Seja em uma convenção de policiais ou disfarçado de psicólogo – algo que, é importante frisar, sequer aparece no livro – ele parece fazer troça de H.H. durante toda a película. Além de estar sempre presente, devido ao salto no tempo que inicia o filme, o espectador sabe quem ele é e qual o seu papel na trama, algo que Nabokov optou por deixar para o suspense das páginas finais.


Desde o início deste texto tenho me referido a Dolores Haze como "menina". Corrijo-me, pois até isso é questionável em Lolita. Depende muito da interpretação que se dá a história. Para Kubrick, Lolita é uma adolescente provocante que encanta um viúvo de meia idade. Para Nabokov, ela é uma criança que teve sua vida destruída por um pedófilo de mente suja.

12 comentários:

Gabriel Carneiro disse...

Discordo da sua interpretação sobre a Lolita de Nabokov.

E a Sue Lyon é maravilhosa.

Gabriel Carneiro disse...

Aliás, que fique claro que o roteirista do filme é o próprio Nabokov.

Thiago Dias disse...

Bom, mesmo com a afirmação da nossa Barsa de que o próprio Nabokov é o roteirista do filme, é inquestionável a diferença de interpretações. Kubrick pega muito mais leve com H.H. do que Nabokov, fazendo dele a pessoa seduzida, e não Lolita.
Concordo em grande parte com o que você disse Laís, Kubrick, como faz em quase todas suas adaptações, altera a hístoria de acordo com o que quer dizer. Genio

Gabriel Carneiro disse...

A fonte é o imdb.com, Thiago. Recomendo a visita ao site. Claro que há diferença em interpretações. Falei que não havia? Para mim, tanto no livro quanto no filme quem seduz é Lolita. Mas há diferenças. Só Selznick sabia fazer adaptações fidelíssimas. Boas adaptações são as que se propõe a fazer algo novo, a alterar a obra original, criar a própria linguagem.

Pedro disse...

Haja briga, hahahahahaha.

Eu gostei muito da crítica da Laís e recomendei. Recomendo mesmo. Acho simples e direta. Abraços!

Thiago Dias disse...

eu não desconfiei..eu sei que ele foi roteirista, ta no filme horas, vo discuti com a ficha técnica?

mas eu já disse e repito, ótima crítica da Lais, melhor que muitas que vemos em jornai por aí.

Marília Passos disse...

Isso é coisa de gente pevertida!

Anônimo disse...

Descordando das pessoas acima, Nabokov escreveu sim um roteiro, mas Kubrick não gostou e adaptou o roteiro criando um novo.
Apesar de Nabokov primeiramente ficar desapontado com a adaptação depois ele inclusive se emocionou com o filme e quem, por maia de perfeição ficou insatisfeito, foi Kubrick.

Anônimo disse...

Mania*
To com fome,comi uma letra. rsrsrrsrs

Anônimo disse...

Eu concordo com a opinião que, Lolita não era a devassa a sedutora da trama. Claro,uma pré-adolescente sabe que pode chamar a atenção mas, se p/ uma homem normal uma garota pode estar se insinuando, imagina p/ uma doente?
Farias citações no livro demontram isso.Para um pedófilo, um simples ato de mascar e estourar bolas de chicletes é uma ato sedutor e insinuante.

Anônimo disse...

Várias*

Isabela Baú disse...

Na minha opinião HH se deixa seduzir, Lolita tem sua culpa nisso também mas no começo isso poderia ter sido evitado e cada atitude da garota é encorajado por HH.

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