segunda-feira, 14 de abril de 2008

Um pouquinho de futebol...


Existem jogos e jogos. Eles nunca são todos iguais, e nunca se repetem, e é por motivos assim que o futebol é o esporte mais popular que existe. Por mais que um time seja favorito, por mais que sua equipe seja melhor e seu treinador superior, sempre existe algo a mais. Pode ser um jogador, uma jogada, um juiz, um lance e, em alguns casos, uma camisa e um estádio. Foi isso que aconteceu ontem no Morumbi.

O Palmeiras talvez seja hoje o time que está jogando o melhor futebol no país. Tem um grupo equilibrado e de qualidade, que alterna experiencia e vigor em doses exatas, e tem no seu banco o melhor treinador do país, um dos melhores do mundo. Do outro lado o São Paulo enfrenta um início de temporada complicado. Apontado seguidamente nos últimos três anos como o melhor clube do país, o time sofreu com uma grande esvaziada em seu elenco e uma troca no estilo de jogo. No primeiro jogo entre os dois times, na primeira fase do campeonato paulista, foi um massacre tanto no placar quanto do ponto de vista tático: 4 a 1 para o Palmeiras. Não houve, e não há ainda, um comentarista que não aponte o Palmeiras como favorito.


Mas o que houve ontem no Morumbi mostra que nunca se deve subestimar um grande clube em uma partida decisiva. Ao contrário do que faz o Corinthians nos últimos anos, o São Paulo não acreditou que apenas sua tradição lhe daria a vitória, e entrou em campo com a consciência que tinha um time pior, que precisava trabalhar para superar o adversário. Muricy Ramalho voltou ao esquema de três zagueiros, aproveitando a volta de Alex Silva, e ajeitou a marcação para anular Valdívia e Diego Souza, principais articuladores do Palmeiras. Zé Luiz foi o responsável de grudar no meia chileno. No ataque a estratégia era simples: Hernanes articulando as jogadas pelo meio, possibilitando que Jorge Vagner tenha espaço para alçar bolas na área e Adriano definir. E a partida se definiu desta forma, em uma bola cruzada na área para Adriano, de mão, marcar. Sim, de mão, assim como Maradona em 1986. Um lance impossível de ser visto pelo juiz, impossível de ser marcado pela zaga, e que com certeza será discutido por tempos. Pois assim é o futebol, feito de pequenos lances que por um acaso do destino ocorreram. O segundo gol do São Paulo saiu de um falha de um zagueiro, e o gol do Palmeiras de um pênalti. Mas isso não será lembrado, e pouco importa.


O que importa, é que ontem o São Paulo, de uma forma ilegal, mas emblemática, ressurgiu das cinzas. Não é o favorito ainda, o Palmeiras precisa só vencer, mas com certeza é outro time. Não porquê jogou melhor, mas por quê ele tirou tudo o que pôde de si mesmo, de sua tradição – e não apenas dela- e de seus estádio, e fez valer sua camisa de uma forma que muitos julgaram que não existia no clube do Morumbi: humildade. Só restam 90 minutos para sabermos quem vence: A tática sempre presente de Luxemburgo, ou coração nunca dantes visto de Muricy.

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