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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Por que eu acabei entrando no jornalismo de games?

Por Pedro Zambarda
Via Geração Gamer

Esta é uma pergunta que eu me pego fazendo diariamente, porque eu às vezes não lembro direito como começou. Só sei de uma coisa concretamente: Não era um sonho de infância. Mas acabei entrando na área e acho que estou pegando gosto em fazer jornalismo de videogame, especialmente aqui no Geração Gamer e nos demais sites em que eu colaboro.


Minha trajetória no jornalismo de games não começou na imprensa, mas sim num fórum online. Em 2004, há quase 11 anos, eu era um dos integrantes do fórum do site da Pokémon LAND, a maior comunidade do nicho no Brasil e uma das maiores do mundo. Não sabia na época, mas eu produzia depoimentos e, de uma certa forma, reportagens através de meus comentários na comunidade. Participava de torneios oficiais promovidos pela revista Pokémon Club no Brasil todo. Jogávamos Game Boy via cabo link e relatávamos as experiências.

Antes desta fase, eu tinha sido assinante da Ação Games nos anos 90 e comprador compulsivo da Nintendo World, a revista oficial da Big N no Brasil. Depois veio a minha fase de leitor da EGM Brasil. Resolvi conhecer melhor os PCs e me tornei comprador da revista INFO da editora Abril. Cogitei, quando tinha 16 anos, fazer um curso de engenharia na faculdade, por adorar computação. Em pouco tempo, descobri que tinha mais talento para escrever do que fazer cálculo.

Graça ao gosto por videogames, e por internet, recebi uma recomendação de meu pai para fazer jornalismo e fui estudar na Faculdade Cásper Líbero.

No primeiro ano do ensino superior, fiz reportagens para o site de Cultura Geral e para as revistas internas. Fui selecionado para fazer Iniciação Científica no segundo ano. Pensei, naquela época, que me tornaria ou um acadêmico ou um jornalista cultural. Abri um blog coletivo sobre comunicação chamado Bola da Foca, que edito até hoje. Chegamos a ter cerca de 30 pessoas colaborando com textos e aprendendo a fazer jornalismo online na faculdade.

Tudo mudou no final de 2008, quando fui selecionado para fazer assessoria de imprensa para uma pequena empresa chamada EDGY. Depois ela se tornaria TAXI.Labs e, por fim, Agência TAXI. Era um grupo digital focado em propaganda, mas especializado em desenvolver games. Pude trabalhar de perto com clientes grandes como Fiat, Agência Click e até o BBB da TV Globo, quando fizemos um jogo de corrida para o reality show da televisão chamado T-Race.

Sai de lá no fim de 2009. Procurei trampos até na Editora Europa focado em games, mas sem sucesso. Mas encontrei outra coisa. Trabalhei com sites e revistas da Editora MOL, especialmente uma publicação que é vendida nas drogarias Raia e se chama Sorria. Toda grana dela é revertida para atender crianças com câncer pelo GRAAC. Foram poucos meses, mas foi minha primeira experiência com redação.

Mais ou menos na mesma época, eu ouvia Nerdcast, podcast do Jovem Nerd. Conheci através deles, e de amigos em comum, o extinto NowLoading. Quando eles abriram espaço para que leitores escrevessem notícias, eu fiz o NowLoading News. Também editei e revisei as primeiras edições da revista digital da Nintendo Blast. Nessa época, sai da redação para assessorar outra empresa, a Livetouch, que é focada no desenvolvimento de aplicativos móveis. Lá eu tive a oportunidade de mexer no primeiro iPad poucos dias depois de seu lançamento, em 2010. Na mesma época, infelizmente, o NowLoading acabou - o que gerou outros excelentes sites como o Fênix Down. Também fui chamado para colaborar num site chamado Wii Are Nerds e fiz bons podcasts por lá. Originalmente o WAN abordava tecnologia num geral, mas acabei dando uma puxada maior na área de videogames.

Na mesma época desses trabalhos para sites de games, depois de assessorar empresas, eu resolvi criar junto com meus amigos Rodrigo Pinto Ribeiro, Thiago Dias e Alexandre Facciolla o livro Geração Gamer. Foi nosso TCC, aprovado com 9,5 na banca de avaliação e recomendações para publicação. Entrevistamos 150 gamers e embaralhamos os depoimentos, para contar a história dos jogos digitais no mundo todo e no Brasil. Nunca consegui publicar o livro até agora.

Comecei a fazer freelances para o site de economia e negócios EXAME.com, da Abril. Também ajudei, na mesma época, na fundação do TechTudo da Globo.com. Fui contratado na EXAME, por fim, e trabalhei naquele site com uma grande equipe (30 pessoas) por mais de dois anos. Lá eu também tive chance de escrever sobre games, principalmente sobre a feira E3.

Saído de lá, voltei ao TechTudo e criei a coluna Geração Gamer como textos semanais de entrevistas com integrantes da cena brasileira de games. Fiz assessoria pela S2Publicom e fui convidado para participar do Bonus Stage, me tornando integrante dos vídeos deste site. Hoje me mantenho como jornalista freelancer, colaborando para sites como Diário do Centro do Mundo (DCM), El Hombre e Brasil Post. E transformei Geração Gamer neste site, que quero profissionalizar.

A questão é que o jornalismo de games não surgiu para mim como a realização de um sonho. Não queria desde quando eu era criança, embora já jogasse videogame desde os 2 anos. Já escrevi sobre cultura, literatura, música, cotidiano, economia, negócios e até tecnologia mais corporativa. Esses assuntos foram puxando uns aos outros, até que eu conseguisse oportunidades de aplicar minhas ideias para jogos digitais. Hoje Geração Gamer é um mapa da produção nacional eletrônica, mas ainda não consegui publicá-lo como livro físico, ideia que queria inicialmente.

Antes do Geração Gamer, eu nunca tive um projeto próprio para jogos. No entanto, participei de várias iniciativas interessantes. Há muitos sites originais na área dentro do nosso país, o que aumenta a competitividade.

Para quem quer começar na área, veja minha experiência. Ela revela as razões que me fazem criar jornalismo de jogos digitais hoje. Saiba que você terá sim que trabalhar de graça em alguns momentos, terá que criar portfólio e terá espaço para aplicar ideias originais. O que a imprensa brasileira mais é carente são de projetos inovadores. Em games, pode-se até criar jogos digitais para divulgar melhor sua reportagem.

Espero que este meu texto te ajude a esclarecer sobre como é a situação de um jornalista de games hoje.

sábado, 28 de maio de 2011

As 10 informações que você deve saber antes de entrar no jornalismo


Não tenho 20 anos de carreira, não fui editor de nenhum veículo importante e não sou ninguém para dizer o que você deve fazer ou deixar de fazer. Mas, considerando que me formei em jornalismo no ano passado, não custa dar uns toques para quem pensa em entrar na imprensa, para quem cursa comunicação ou para quem tem curiosidade pela área.

Segue abaixo 10 informações importantes para quem quer entrar no jornalismo.

1 - Seu chefe, superior ou editor vai sempre falar que você está errado. Não vai te chamar de equivocado, não vai dizer que você cometeu um deslize, mas vai afirmar que você errou, sem leveza nenhuma. Com todas as letras. Esteja pronto para ouvir isso, ainda mais se você trabalha com texto, com TV ou com rádio, as áreas primordiais do jornalismo.

2 - Você não vai escrever os textos que gostaria. Nem vai estrear nos programas que sonha. No entanto, um alívio: Você vai conhecer coisas que não sabia e vai passar a gostar delas. Especialmente se você for um profissional com perfil aberto a descobrir novos conhecimentos.

3 - Escrever é editar. Mesmo se você for cuidadoso com ortografia, vai errar regras essenciais com uma demanda de trabalho alta. Se você for falar com um microfone de frente para uma câmera, o português oral será mais sensível aos erros. Procure sempre se editar, mesmo quando edita os outros. Procure o erro e não fuja dele.

4 - Seu público vai falar as coisas mais incoerentes a seu respeito. E vai dar dicas úteis. Saiba filtrar o que falam a você e sobre você.

5 - Jornalista imparcial é impossível, disse Heródoto Barbeiro, famoso âncora da Rádio CBN. No entanto, você poderá tomar decisões que não beneficiarão a empresa onde trabalha, mas sim o público. Isso é jornalismo. Um profissional comprometido com seu público é um jornalista. E dar o que o seu público precisa, não o que ele quer, é um esforço que requer tempo de carreira e intuição.Você trabalha para as empresas, mas também para quem consome seu produto. Essa é uma relação delicada para ser esquecida.

6 - Leia. Jornalista também é um leitor. Consuma mídia e verifique sempre seus concorrentes diretos. Se você entrou no jornalismo e tem preguiça de ler conteúdo, terá problemas. Imprensa é o espaço para quem sempre está descobrindo novos veículos.

7 - Não crie rivalidades apenas para ter uma opinião. Não emita opiniões que não são úteis ao público. Quando for parcial em determinado tema, tenha, pelo menos, um propósito claro.

8 - Não há cobertura perfeita, mas existe cobertura que sabe se criticar. Saiba onde parar na hora de apurar uma reportagem. Há informações que a imprensa não tem tanta necessidade de noticiar, como o sofrimento excessivo de algumas pessoas.

9 - Não crie regras definitivas no jornalismo, mas busque sempre uma apuração objetiva. Faça um texto claro para quem aprecia seu tema e para quem desconhece o assunto.

10 - Esteja sempre aberto ao aprendizado. Um jornalista é sempre aluno e professor dos temas que aborda. Explique o máximo que puder, mas tenha cabeça aberta para estar sempre aprendendo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre o dia do jornalista e o destino de alguns focas


"Blogueiro não é jornalista".

Acordo todo dia - de semana - às 4h da manhã. Lavo o rosto. Lavo muito bem o rosto, porque alguns dias é difícil levantar. No entanto, quando estou no ônibus, já perto da editora Abril, me animo bastante. Me tornei jornalista do site da Exame assim que peguei o diploma. Sim, aquele que, segundo o senhor Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, não vale nada.

Consegui isso com estágios e, sobretudo, com os tempos livres que me dediquei a este blog, o Bola da Foca. Amanhã este filhote completa três anos. Hoje é Dia do Jornalista.

Resolvi tirar o dia para escrever um texto não elogiando a profissão. Jornalismo enfrenta problemas de salários, de condições de trabalho, de valorização profissional e de pouco conhecimento do próprio público. Somos obrigados, muitas vezes, a deixar de lado pautas importantes para atender interesses que, quase sempre, não são os necessários para uma sociedade em busca da prosperidade.

Mas resolvi escrever sobre os destinos de alguns dos colaboradores deste blog.

Eu trabalhei com assessorias de tecnologia, sites de tecnologia e hoje estou num espaço de economia e negócios. É um assunto que nunca dominei mas que, confesso, está me ensinando a entender melhor o mundo que me rodeia. Tudo funciona economicamente - inclusive quando a coisa não envolve dinheiro.

O Thiago Dias ficou no "lado negro" da assessoria de imprensa, mas ele é feliz (acho eu) com a FSB Comunicações. A Mariana Bruno está fazendo trabalhos na Casa Cláudia, também na Abril. A Ana Júlia Castilho também está no mundo de assessoria de imprensa, mas continua com o dom dela para filmagens.

A Priscila Jordão deu sorte grande e é estagiária na Reuters. A Larissa Tsuboi teve uma passagem marcante pela revista Veja. O Leonam Bernardo faz matérias bacanas para o site da Veja São Paulo. O José Edgar de Matos foi pro Terra Esportes. O Cauê Fabiano foi para o Macworld e o amigão dele, o Rafael Lacerda, pro Olhar Digital. A Lidia Zuin continua pesquisando na Cásper e editando revistas da faculdade.

Esqueci de alguém? Me lembre nos comentários. Só não me xingue, por favor.

E essa ladainha toda nesse texto tosco serve para dizer uma coisa: Essa capa da revista Imprensa não é de toda verdade. Algumas pessoas deste blog estão começando suas carreiras jornalísticas de uma maneira interessante, em veículos importantes, e escreveram sem pretensões em um blog. Blogueiros podem ser jornalistas, embora nem todos eles sejam.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Informo e me formo


Você normalmente é indicado para a área de jornalismo quando possui aptidão com textos escritos, uma voz similar aos famosos locutores de rádio ou uma desenvoltura diante de uma câmera de vídeo. Superficialmente, a profissão transmite a ideia geral de que o formando faz apenas esses tipos de atividades. Quando ingressei na carreira, sem muitas intenções pré-concebidas, consegui notar que esse conhecimento aparente não se comprova nem na teoria e nem na prática.

Cheguei ao ensino superior com dois anseios, querendo me tornar um escritor de literatura desde muito novo, aos oito anos, e querendo trabalhar com informática, por gostar muito de computadores e da interação da internet com as pessoas. Durante meu percurso na Faculdade Cásper Líbero, descobri que jornalismo consegue englobar meus gostos justamente por lidar com um objeto de estudo complexo: A confecção da informação. Academicamente, pude ter acesso à obras literárias que reformularam minha escrita, além de descobrir excelentes jornalistas em autores consagrados, como Albert Camus. Profissionalmente, o mundo online se mostrou uma possibilidade aberta para que o jornalismo preencha o conteúdo em rede.

Uma grande virtude do curso da Cásper Líbero, e que pude verificar também no curso da Escola de Comunicação e Artes da USP, é as experiências laboratoriais promovidas por professores. No site de jornalismo da Cásper, pude cobrir a vinda do embaixador norte-americano para a instituição, explicando o funcionamento das eleições na época da ascensão de Barack Obama à presidência. Para o site de Cultura Geral, fiz diversas coberturas de shows de rock´n´roll, o que criou um gosto por jornalismo musical. Na revista-laboratorial Esquinas, pude fazer uma reportagem sobre cibercultura e cyberpunks, que ampliou minhas fontes especializadas em tecnologia. Aprender com experiência e teorias necessárias cria um equilíbrio de conhecimentos para o profissional.

O ensino superior em comunicação ainda enfrenta contradições e paradoxos. Há docentes que valorizam o glamour antigo dos jornalistas, tais como os grandes repórteres e as grandes reportagens. Outros professores dão noções panorâmicas de teóricos da profissão, o que enfurece alguns alunos que não conseguem encontrar relação direta com a prática do trabalho. Por fim, o trabalho jornalístico é paradoxal por não ter uma especialização por conhecimento específico, como é a medicina. Ainda falta ao ensino uma diretriz clara do que é fundamental para a profissão, além do aprofundamento no estudo da carreira. Os alunos também não apresentam o mesmo nível de interesse. Resta aos professores, diante de alguns indivíduos desinteressados, buscar apenas alguns estudantes que demonstram sua vocação dentre salas inteiras.

O mercado de trabalho no jornalismo está em crescimento com os investimentos do Brasil na informática, o que melhorou os instrumentos de trabalho da imprensa. Os problemas se centram nas condições salariais, na alta competitividade e na falta de valorização do serviço. Comparado ao começo dos anos 2000, com o estouro da supervalorização dos negócios digitais que gerou um corte expressivo de empregos, ser jornalista hoje é entrar em um mercado com vagas em áreas variadas, como assessoria de imprensa, blogs, jornais, revistas, televisão, sites e até em trabalhos similares com a publicidade e as relações públicas.

Para minha trajetória, os grandes benefícios da faculdade foram estimular o exercício constante do texto, despertar a paixão por outras mídias - como o rádio e a televisão - e, acima de tudo, estar ligado com as tendências da internet e das novas tecnologias. Ainda existem problemas na abordagem do mundo digital feita por professores, mas sou levado a crer que essas disparidades acontecem por um conflito de gerações diferentes, que viveram e vivem contextos distintos.

Hoje digo: Informo digitalmente. Essa capacidade me foi estimulada pela minha formação como jornalista, que também reforçou meu gosto por literatura e arte. Acredito que, das graduações em ciências humanas, o jornalismo é um curso que será mais atraente dentro de alguns anos, principalmente para alunos pró-ativos, criativos e com disposição. E toda essa condição será possível se houver melhorias constantes na formação superior.

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