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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sete anos de Bola da Foca, 10 anos da minha vida com blogs

Por Pedro Zambarda

Bola da Foca completa sete anos nesta quarta-feira (8) com 2,010 milhões de acessos, de acordo com o Google Analytics.


Neste ano, completo 10 anos da minha vida profissional escrevendo blogs. Escrevo em livros desde meus oito anos, ou seja, há 18 anos. O inglês Neil Gaiman, o roteirista dos quadrinhos Sandman, dá a dica na foto acima do que devo continuar fazendo.

Comecei fazendo fotologs e sites pessoais, como diários. Cheguei a ter um template do BRUNOMAXIMUS em 2005. Depois tive um DeviantART com poesias e um blog voltado pra artes, o Blue Writers. O Bola da Foca surgiu em 2008 como um laboratório de jornalismo durante minha primeira graduação, na Faculdade Cásper Líbero. Na mesma época, me tornei colaborador da Whiplash.net, o maior site de rock e heavy metal do Brasil até hoje.

Colaborei em novos projetos, como o extinto site Ponto Mac, voltado para fãs da Apple, e como revisor do site e da revista Nintendo Blast, focadas no público fã de Mario e que existe até hoje. Comecei a estagiar no site da revista Sorria. Depois me tornei repórter e redator por mais de dois anos no site EXAME.com, da editora Abril. Também colaborei no blog Wii Are Nerds.

Nesse meio tempo, ajudei, junto com o blogueiro Nick Ellis do Meio Bit, a fundar o TechTudo, o maior site de tecnologia da Globo.com. Quando sai da Abril, em 2013, me tornei colunista deles por mais de um ano e, com Geração Gamer, passei a mapear a cena brasileira de games no Brasil.

Passei a blogar no site Brasil Post, de volta à Abril, e me tornei repórter de política no Diário do Centro do Mundo, o DCM, em 2014. Escrevo também sobre a empresa do maior buscador do mundo no Google Discovery. Também dou mais pitacos de games internacionais no Bonus Stage e num novo projeto chamado Drops de Jogos, site parceiro do Catraca Livre.

Colaborei esporadicamente em mais sites com apenas alguns poucos textos, fiz amigos e me diverti nesta jornada.

Foi uma década movimentada, escrevendo sobre tecnologia, economia, negócios e muitos assuntos para descobrir o que é o Brasil. Meus textos foram de algo muito pessoal e particular até a poesia, a arte e a prosa, para no fim desembocar no jornalismo.

Espero que eu tenha mais uma década de movimentos deste naipe.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Lição de ouro para quem quer escrever bons textos jornalísticos

"Toda matéria tem lead (Quem?/Quando?/Onde?/Como?/Por quê?) e todo lead tem título. Se o lead não tem título, não tem lead. E se a matéria não tem lead, não existe matéria".
Elio Gaspari, colunista dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Por que eu acabei entrando no jornalismo de games?

Por Pedro Zambarda
Via Geração Gamer

Esta é uma pergunta que eu me pego fazendo diariamente, porque eu às vezes não lembro direito como começou. Só sei de uma coisa concretamente: Não era um sonho de infância. Mas acabei entrando na área e acho que estou pegando gosto em fazer jornalismo de videogame, especialmente aqui no Geração Gamer e nos demais sites em que eu colaboro.


Minha trajetória no jornalismo de games não começou na imprensa, mas sim num fórum online. Em 2004, há quase 11 anos, eu era um dos integrantes do fórum do site da Pokémon LAND, a maior comunidade do nicho no Brasil e uma das maiores do mundo. Não sabia na época, mas eu produzia depoimentos e, de uma certa forma, reportagens através de meus comentários na comunidade. Participava de torneios oficiais promovidos pela revista Pokémon Club no Brasil todo. Jogávamos Game Boy via cabo link e relatávamos as experiências.

Antes desta fase, eu tinha sido assinante da Ação Games nos anos 90 e comprador compulsivo da Nintendo World, a revista oficial da Big N no Brasil. Depois veio a minha fase de leitor da EGM Brasil. Resolvi conhecer melhor os PCs e me tornei comprador da revista INFO da editora Abril. Cogitei, quando tinha 16 anos, fazer um curso de engenharia na faculdade, por adorar computação. Em pouco tempo, descobri que tinha mais talento para escrever do que fazer cálculo.

Graça ao gosto por videogames, e por internet, recebi uma recomendação de meu pai para fazer jornalismo e fui estudar na Faculdade Cásper Líbero.

No primeiro ano do ensino superior, fiz reportagens para o site de Cultura Geral e para as revistas internas. Fui selecionado para fazer Iniciação Científica no segundo ano. Pensei, naquela época, que me tornaria ou um acadêmico ou um jornalista cultural. Abri um blog coletivo sobre comunicação chamado Bola da Foca, que edito até hoje. Chegamos a ter cerca de 30 pessoas colaborando com textos e aprendendo a fazer jornalismo online na faculdade.

Tudo mudou no final de 2008, quando fui selecionado para fazer assessoria de imprensa para uma pequena empresa chamada EDGY. Depois ela se tornaria TAXI.Labs e, por fim, Agência TAXI. Era um grupo digital focado em propaganda, mas especializado em desenvolver games. Pude trabalhar de perto com clientes grandes como Fiat, Agência Click e até o BBB da TV Globo, quando fizemos um jogo de corrida para o reality show da televisão chamado T-Race.

Sai de lá no fim de 2009. Procurei trampos até na Editora Europa focado em games, mas sem sucesso. Mas encontrei outra coisa. Trabalhei com sites e revistas da Editora MOL, especialmente uma publicação que é vendida nas drogarias Raia e se chama Sorria. Toda grana dela é revertida para atender crianças com câncer pelo GRAAC. Foram poucos meses, mas foi minha primeira experiência com redação.

Mais ou menos na mesma época, eu ouvia Nerdcast, podcast do Jovem Nerd. Conheci através deles, e de amigos em comum, o extinto NowLoading. Quando eles abriram espaço para que leitores escrevessem notícias, eu fiz o NowLoading News. Também editei e revisei as primeiras edições da revista digital da Nintendo Blast. Nessa época, sai da redação para assessorar outra empresa, a Livetouch, que é focada no desenvolvimento de aplicativos móveis. Lá eu tive a oportunidade de mexer no primeiro iPad poucos dias depois de seu lançamento, em 2010. Na mesma época, infelizmente, o NowLoading acabou - o que gerou outros excelentes sites como o Fênix Down. Também fui chamado para colaborar num site chamado Wii Are Nerds e fiz bons podcasts por lá. Originalmente o WAN abordava tecnologia num geral, mas acabei dando uma puxada maior na área de videogames.

Na mesma época desses trabalhos para sites de games, depois de assessorar empresas, eu resolvi criar junto com meus amigos Rodrigo Pinto Ribeiro, Thiago Dias e Alexandre Facciolla o livro Geração Gamer. Foi nosso TCC, aprovado com 9,5 na banca de avaliação e recomendações para publicação. Entrevistamos 150 gamers e embaralhamos os depoimentos, para contar a história dos jogos digitais no mundo todo e no Brasil. Nunca consegui publicar o livro até agora.

Comecei a fazer freelances para o site de economia e negócios EXAME.com, da Abril. Também ajudei, na mesma época, na fundação do TechTudo da Globo.com. Fui contratado na EXAME, por fim, e trabalhei naquele site com uma grande equipe (30 pessoas) por mais de dois anos. Lá eu também tive chance de escrever sobre games, principalmente sobre a feira E3.

Saído de lá, voltei ao TechTudo e criei a coluna Geração Gamer como textos semanais de entrevistas com integrantes da cena brasileira de games. Fiz assessoria pela S2Publicom e fui convidado para participar do Bonus Stage, me tornando integrante dos vídeos deste site. Hoje me mantenho como jornalista freelancer, colaborando para sites como Diário do Centro do Mundo (DCM), El Hombre e Brasil Post. E transformei Geração Gamer neste site, que quero profissionalizar.

A questão é que o jornalismo de games não surgiu para mim como a realização de um sonho. Não queria desde quando eu era criança, embora já jogasse videogame desde os 2 anos. Já escrevi sobre cultura, literatura, música, cotidiano, economia, negócios e até tecnologia mais corporativa. Esses assuntos foram puxando uns aos outros, até que eu conseguisse oportunidades de aplicar minhas ideias para jogos digitais. Hoje Geração Gamer é um mapa da produção nacional eletrônica, mas ainda não consegui publicá-lo como livro físico, ideia que queria inicialmente.

Antes do Geração Gamer, eu nunca tive um projeto próprio para jogos. No entanto, participei de várias iniciativas interessantes. Há muitos sites originais na área dentro do nosso país, o que aumenta a competitividade.

Para quem quer começar na área, veja minha experiência. Ela revela as razões que me fazem criar jornalismo de jogos digitais hoje. Saiba que você terá sim que trabalhar de graça em alguns momentos, terá que criar portfólio e terá espaço para aplicar ideias originais. O que a imprensa brasileira mais é carente são de projetos inovadores. Em games, pode-se até criar jogos digitais para divulgar melhor sua reportagem.

Espero que este meu texto te ajude a esclarecer sobre como é a situação de um jornalista de games hoje.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Uma entrevista com Luciana Genro sobre o que podemos esperar do segundo governo Dilma

Por Pedro Zambarda


Como você avalia o resultado da disputa presidencial entre Aécio e Dilma?

A oposição de direita não tem autoridade política para criticar o PT. Aécio denunciando a corrupção na Petrobrás é patético. O PSDB dizendo que vai defender os pobres é ridículo. Então venceu o mal menor, na visão da maioria do povo. Não tenho dúvida que os mesmos que comemoraram a vitória de Dilma vão sair às ruas em breve para lutar por mais direitos.

A pouca margem de votos demonstra que ela será uma presidente mais débil, mais refém dos partidos fisiológicos como o PMDB e que o PT está sangrando o seu patrimônio político cada vez mais. É na esteira de uma esquerda que abandonou suas bandeiras que a direita se fortalece. Por isso estamos construindo o PSOL para oferecer ao povo uma alternativa de esquerda coerente.

Foi prudente não manifestar um apoio explícito a Dilma?

Sim, foi muito correto. E o que está ocorrendo agora prova que estávamos certos. Uma semana depois das eleições o Banco Central aumentou a taxa de juros e especula-se que o Ministro da Fazenda virá do sistema financeiro. As posições de esquerda do governo são sazonais, isto é, só duram até o final do segundo turno.

Como você avalia a campanha do PT? 

Durante o primeiro turno, Vladimir Safatle escreveu um texto muito interessante abordando simbolicamente a “estação das cerejas vermelhas”. Ela dura o período da campanha eleitoral. Serve para dar discurso à candidata do PT, para polarizar com o PSDB, animar a militância e termina no dia seguinte ao segundo turno. Foi isso o que ocorreu. Uma campanha que não corresponde à postura do governo ao longo dos 12 anos que o PT governou e que não corresponde ao que vem pela frente.

O primeiro discurso de Dilma reeleita abordou a reforma política. Ela vai seguir a cartilha do que você chamou de “três irmãos siameses”?

Infelizmente não vejo que haverá mudanças de rumo. Ao contrário, a situação econômica é bem complicada e os “mercados” exigem ajuste. Dilma vai fazer exatamente o que ela dizia que Aécio iria fazer. Um ajuste nas costas do povo, para garantir superávit primário e seguir pagando os juros para os credores da dívida pública. Ela não tem disposição de enfrentar os interesses do capital financeiro, dos bancos e dos milionários.

Por isso não tem outra saída a não ser se render a eles. Aécio poderia ser pior, com um ajuste sem anestesia. Mas com Dilma o ajuste virá de qualquer forma. O plebiscito para a reforma política, uma proposta democrática que Dilma defendeu, já está sendo abandonado pelo PT diante da resistência do PMDB. Eles não têm disposição de lutar nem pelo que eles mesmos dizem defender.

A entrevista completa foi publicada no Diário do Centro do Mundo, o DCM.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O fim da revista INFO impressa não deve ser comemorado

Por Pedro Zambarda
Originalmente escrito para o Diário do Centro do Mundo (DCM)

Trabalhei por um pouco mais de dois anos na editora Abril. Entrei lá com 21 anos. Queria trabalhar com tecnologia desde o início. Sonhava em ingressar na revista INFO, mas acabaram me levando ao site da EXAME, emprego no qual aprendi muito sobre economia e negócios.


Tive contato com muitos ex-jornalistas da INFO. Pessoas brilhantes, com enorme capacidade de compreender tecnologia e ciência.

Nunca fui assinante, mas comprei e li freneticamente entre 2006 e 2011. E já era seu leitor antes disso, quando a internet começou a ganhar popularidade em nosso país.

Alguns de meus textos e contribuições foram reproduzidos no site da INFO, e são matérias de que me orgulho. Por este motivo, fiquei triste ao deparar com a notícia do fim da edição impressa.

A revista sai de circulação em fevereiro do ano que vem e passa a existir apenas em sua versão digital e no site. É um fim melancólico.

INFO surgiu em março de 1986, há 28 anos, com o nome de EXAME Informática. Tornou-se INFO EXAME e, depois, apenas INFO. Sempre esteve antenada com a internet.

Com a INFO, aprendi a configurar programas de computador, a desmontar máquinas, a fotografar e a gostar de tecnologia. Houve um tempo em minha vida em que pensei em cursar engenharia ao invés de jornalismo, e a publicação me ajudou muito nessa busca.

Ela reunia tanto jornalistas quanto programadores e designers competentes. Em 1997, foi criado o INFOLab, um espaço para testes de produtos tecnológicos. O primeiro iPhone e o primeiro iPad passaram por ali, além de muitos outros PCs, videogames e diferentes aparelhos.

Os jornalistas da INFO não iam apenas atrás de fatos corriqueiros, mas pesquisavam sobre a qualidade da internet brasileira, apuravam sobre o real funcionamento dos aparelhos e tinham uma equipe de técnicos que ajudava a trazer as informações mais precisas.

Nos últimos anos, houve problemas com o próprio público. A maioria dos leitores consome sites. Desta forma, a INFO tentou diversificar suas pautas, considerando até mesmo a cultura pop e a ciência.

O problema da Abril transformar a INFO em uma “revista digital” é deixá-la como uma mera extensão de sua página na internet, que já dá certo sozinha.

A internet é o futuro e a revista é um produto obsoleto. No entanto, foi a INFO que ajudou inúmeros brasileiros a usarem os recursos do mundo online.

A INFO foi uma escola de jornalismo para quem trabalha seriamente com tecnologia no Brasil, com suas resenhas, análises e entrevistas. Foram eles que entrevistaram Bill Gates e vários nomes do setor que mudaram o mundo da computação, das redes sociais e da internet.

Eu discordo profundamente de alguns jornalistas que acham que não existirá editoria de tecnologia num futuro próximo. Esses assuntos prosseguem como importantes, sobretudo para brasileiros que querem aprender a criar inovações para seu próprio país.

A revista INFO sobreviverá em novos formatos e nas edições velhas que guardo aqui em casa, além da gratidão que tenho com os profissionais de lá nos meus anos de Abril.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ataque de Veja forçará democratização da mídia

Por Mídia NINJA, reproduzindo o jornalista Paulo Moreira Leite do Brasil247
Creative Commons

Uma farsa óbvia e mal ensaida


"O vazamento de trechos dos múltiplos depoimentos do doleiro Alberto Youssef  expressa uma  tradição vergonhosa pela finalidade política, antidemocrática pela substância.  Não, meus amigos. Não se quer informar a população a partir de dados confiáveis. Também não se quer contribuir com um único grama para se avançar no esclarecimento de qualquer fato comprometedor na Petrobrás. Sequer o advogado de Youssef reconhece os termos do depoimento. Tampouco atesta sua veracidade sobre a afirmação de que Lula e Dilma sabiam das 'tenebrosas transações' que ocorriam na empresa, o que está dito na capa da revista.

Para você ter uma ideia do nível da barbaridade, basta saber que, logo no início,  admite-se que só muito mais tarde, através de uma investigação completa,que ninguém sabe quando irá ocorrer, nem quando irá terminar,  'se poderá ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são culpadas'.

Não é só. Também se admite que Youssef 'não apresentou provas do que disse'.

Precisa mais? Tem mais.

Não se ouviu o outro lado com a atenção devida, nem se considerou os argumentos contrários com o cuidado indispensável numa investigação isenta.

O que se quer é corromper a eleição, através de um escândalo sob encomenda, uma farsa óbvia e mal ensaiada. Insinua o que não pode dizer, fala o que não pode demonstrar, afirma o que não conferiu nem pode comprovar".

Detalhe importante: o "depoimento" do doleiro já foi desmentido por seu próprio advogado. Diante do crime eleitoral cometido pela revista Veja, que representa um atentado à própria democracia, o que fazer? O único caminho é discutir, a sério, a regulamentação dos meios de comunicação. Eis mais um trecho do texto de Paulo Moreira Leite:

"Com esse comportamento, a mídia brasileira prepara o caminho de sua destruição na forma que existe hoje.  Como se não bastasse os números vergonhosos do Manchetômetro, que demonstram uma postura parcial e tendenciosa, o golpe da semana só fará aumentar o número de cidadãos e de instituições convencidos de que a sobrevivência da democracia brasileira depende, entre outras coisas, que se cumpra a legislação que regula o funcionamento econômico da mídia. Está claro que este será um debate urgente a partir de 2015".

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Passaralho existe. O Ficaralho é de todos os jornalistas.

Por Pedro Zambarda

Estou neste momento com um texto pra entregar que eu deveria estar escrevendo, mas resolvi interromper tudo e escrever isto aqui.


Li, no ano passado, o texto do Bruno Torturra chamado "O Ficaralho". O conceito por trás dele é interessante. As redações jornalísticas têm promovido demissões sistemáticas por problemas de gerência, o advento da internet e um público que cada vez mais consome informações gratuitamente. Os demitidos sofrem "Passaralhos", um apelido que pegou no meio profissional. Para Bruno, quem fica na redação sofre o "Ficaralho", ou seja, acumula funções do demitido ao mesmo tempo em que a corporação enxuga a folha de pagamento. Nenhum jornal físico escapou disso, nem mesmo as televisões ou rádios. Recentemente tive notícias de demissões em massa até nos sites.

O problema que vi no texto do Bruno, e conclui com o tempo, é que sua conclusão ainda é muito otimista. Ele iria depois montar o Mídia NINJA, que fez história fora das redações cobrindo os protestos, e agora toca o estúdio Fluxo, que faz entrevistas igualmente interessantes. Acredito que ele esteja feliz com suas novas ocupações. Eu também estou com as minhas.

Mas devo dizer, depois de quase cinco anos formado em jornalismo e seis deles atuando no mercado, que jornalismo nunca foi fácil, não é fácil e não será fácil.

As pessoas que são demitidas de redações, sejam grandes ou pequenas, logo buscam empregos como freelancers e podem ter a oportunidade de ganhar melhor, trabalhando para mais veículos. A chance de maiores colaborações tem seu ponto fraco: Você trabalhará tanto quanto um jornalista sobrecarregado na redação. Ou mais.

Outras pensam em empreender e criar um negócio próprio. "Para ganhar tanto quanto meus chefes", dizem eles. Por um acaso você acompanha o balanço das empresas de comunicação? Sabe o quanto elas são problemáticas financeiramente?

O Ficaralho, neste contexto, é totalmente democrático. Atinge todos os jornalistas sem distinção.

Se você ficar na redação, terá que arcar com mudanças que estão enxugando suas estruturas, ao mesmo tempo em que seu público leitor está cada vez mais exigente ou engajado.

Se você vive de freelances (meu caso), terá que aprender a organizar o tempo, seu maior inimigo. Também terá que lidar com a demanda de não ter seguros trabalhistas. Esquece férias por um tempo, a menos que você tenha um "pé-de-meia". Esqueça aqueles benefícios bacanas de qualquer CLT.

Se você quer empreender (coisa que pretendo), você deve pensar como um freelancer e ainda como um administrador de empresas. Dá nó na cabeça quando você quer monetizar um trabalho que quase sempre começa de graça.

Não é fácil. Nunca foi.

O jornalismo teve avanços, retrocessos e mudanças. Agora enfrenta a barreira da transformação do mundo digital. Mas ele carece de empresas e de um mercado sólido que dê segurança para quem se aventura por esta carreira.

Enquanto o meio não der subsídios mais humanitários para seus profissionais, o jornalismo consistirá de Ficaralhos. De pessoas que acumularam funções que não gostariam, ou que estão sobrecarregadas contra a vontade delas.

O sindicato tem mais é que brigar por aumentos salariais. Os profissionais, se não estivessem tão desgastados, deveriam fazer greves se isso fosse necessário. O problema é que, mesmo com tantos problemas visíveis e necessidades de mudanças, ainda somos desunidos como classe. Cada um pensa no seu contracheque no fim do mês e poucos são instigados a pensar criticamente a profissão, isso quando não são mal-vistos pelos outros colegas.

Temos a escolha de pedir demissão, jogar tudo pro alto e mudar de carreira? Temos, claro. Ninguém é obrigado a estar neste meio, reclamando o tempo inteiro.

Mas é dolorido ver que o mercado age desta forma, de uma maneira quase desumana. A comunicação tem um papel de mudança com a sociedade.

Um país que não forma e não mantém bons comunicadores carece de boa cultura, de informações precisas e de qualidade. A consequência direta do Ficaralho no Brasil é esta.

Não gostaria de entregar um texto mais pessimista, mas sinto a necessidade de concluir isso. Gosto de ser jornalista e de acordar todos os dias para escrever e criar conteúdo.

Gostaria, apenas, que o Ficaralho não existisse.

domingo, 12 de outubro de 2014

Como foi participar do Roda Viva de Lira Neto, biógrafo de Getúlio Vargas

Por Pedro Zambarda

Há mais de um mês, no dia 25 de agosto, participei como tuiteiro do Roda Viva na TV Cultura com Lira Neto, o novo biógrafo de Getúlio Vargas, que lançou sua obra em três volumes generosos da República Velha ao suicídio do estadista. Com presença do mediador Augusto Nunes (revista Veja), o debate foi acompanhado pelos jornalistas Alberto Dines (Observatório da Imprensa), Eleonora de Lucena (Folha de S.Paulo), Ana Weiss (ISTOÉ) e Oscar Pilagallo, além da professora de história da USP Maria Aparecida de Aquino.


O programa foi interessante em abordar a relação de afinidade entre Vargas e o fascismo italiano, além da simpatia entre os militares que apoiavam o jornalista Carlos Lacerda da UDN e os Estados Unidos. O debate falou abertamente sobre a influência externa que criou regimes totalitários no Brasil.


Augusto Nunes escreveu uma resenha muito favorável a Lira Neto na revista Veja. Crítico dos governos do PT, o jornalista demonstrou uma grande simpatia pelo biógrafo, tanto ao vivo quanto nos bastidores. No entanto, quando foi perguntando em quem Lira votaria nas eleições de 2014, veio a resposta desconfortável com um silêncio: "Entre os candidatos postos, votarei na presidenta Dilma Rousseff". Para o intelectual, o Partido dos Trabalhadores representa a social-democracia hoje.

Certamente Nunes discorda do escritor, mas ficou nítido que o entrevistado enxerga o petismo como um movimento político singular no combate às desigualdades sociais, mesmo com todos os defeitos de seus governos. Entre os jornalistas, Alberto Dines e Ana Weiss foram precisos ao questionar Lira Neto se ele apoia ou não Getúlio Vargas, além de traçar paralelos com a política atual nas eleições presidenciais.

Confira o programa.




domingo, 17 de agosto de 2014

Elio Gaspari, que não aparece muito em público, fala no 9º Congresso da Abraji

Por Pedro Zambarda

Colunista da Folha de S.Paulo e de O Globo, Elio Gaspari falou no 9º Congresso da Abraji sobre sua carreira como repórter do PCB, sobre sua atuação com o Ibrahim Sued no Rio de Janeiro e sobre "o dever de ter uma curiosidade quase irresponsável" dos jornalistas.



"Nossa única obrigação é saber quando nosso interlocutor está nos fazendo de bobo. Ai cada um decide o que fazer melhor. A gente pode continuar fingindo que é bobo, pode dizer que não é bobo, mas essa é a nossa vida que lida com pessoas que, por alguma razão, acham que podem nos fazer de bobo", explicou Elio, ao falar tanto para o foca de redação quanto para o profissional experiente.

Confira o vídeo abaixo.

sábado, 16 de agosto de 2014

Jorge Furtado discute a importância da imprensa em novo documentário

Por Pedro Zambarda

O cineasta brasileiro Jorge Furtado lançou o documentário Mercado de Notícias, baseado em uma peça de teatro The Staple of News, de 1625, do dramaturgo inglês Ben Jonson. A obra aborda o nascimento do jornalismo impresso. O gaúcho Jorge Furtado montou a peça em português e traçou relações com a imprensa brasileira.



Furtado entrevistou 13 jornalistas: Bob Fernandes, Cristiana Lôbo, Fernando Rodrigues, Geneton Moraes Neto, Janio de Freitas, José Roberto de Toledo, Leandro Fortes, Luis Nassif, Mauricio Dias, Mino Carta, Paulo Moreira Leite, Raimundo Pereira e Renata Lo Prete. O filme intercala depoimentos, trechos da peça que ele montou e momentos do jornalismo brasileiro. Furtado depois publicou um texto no jornal Zero Hora, chamado "O produto do jornalismo não é a informação, é a credibilidade".

O Mercado de Notícias está em cartaz na semana de 14 a 20 de agosto. Confira os locais e horários:

Belo Horizonte
Cine Belas Artes - Sala 03 - 21h40

Curitiba
Espaço Itaú de Cinema - Crystal - Sala 01 - 21h40

Florianópolis
Cinespaço Beiramar - Sala 05 - 20h

Fortaleza
Cinema Dragão do Mar
Sábado (16/08): 14h30 e 16h20
Domingo (17/08): 14h30 e 16h20
Terça (19/08): 14h30 e 20h10
Quarta (20/08): 14h30 e 20h10

João Pessoa
Cinespaço Mag Shopping - Sala 01 - 19h30

Porto Alegre
Cinebancários - 15h / 17h / 19h (não haverá sessões segunda)
Terça terá sessão extra as 19h30
Espaço Itaú de Cinema - Bourbon Country - Sala 08
14h / 16h / 20h - (não haverá a sessão das 20h no sábado)

Recife
Fundação Joaquim Nabuco
Sábado (16/08) - 18h20
Domingo (17/08) - 18h50 / 20h50
Terça (19/08) - 18h20
Quarta (20/08) - 15h40 / 20h50

Rio de Janeiro
Espaço Itaú de Cinema - Botafogo - Sala 05 - 14h / 16h / 20h

Salvador
Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha - Sala 04 - 13h10 / 19h10

Santos
Espaço de Cinema - Sala 02 - 19h10

São Paulo
Cine Livraria Cultura - Sala 02 - 14h / 19h50 / 22h
Espaço Itaú de Cinema - Augusta - Sala 04 - 13h50 / 21h50
(não haverá a sessão das 21h50 na segunda)
Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca - Sala 05 - 16h
Espaço Itaú de Cinema - Pompeia - Sala 10 - 20h

Confira os depoimentos de alguns jornalistas presentes no documentário:

Luis Nassif - atualmente no site GGN



Paulo Moreira Leite - atualmente no site Brasil247



Fernando Rodrigues - atualmente na Folha de S.Paulo



José Roberto de Toledo - atualmente no Estado de S.Paulo



Jânio de Freitas - atualmente na Folha de S.Paulo



Renata Lo Prete - atualmente na Globonews


Geneton Moraes Neto - atualmente no G1 e na TV Globo

domingo, 10 de agosto de 2014

Jovem Nerd e a cobertura patrocinada da Comic-Con 2014

Por Pedro Zambarda


As questões de publicidade com jornalismo ou produção de conteúdo sempre rendem algumas considerações. No mês de julho, entre os dias 24 e 27, o site de notícias, humor e conteúdo geek Jovem Nerd enviou o participante Sr. K para a Comic-Con 2014. A viagem foi patrocinada pela loja online Submarino, que publicou a maior parte do conteúdo no blog Sonar.


Sr. K não fez textos pontuais sobre as novidades de filmes e quadrinhos da Comic-Con, mas sim um overview (apanhado) do evento, com um diário de bordo repleto de fotos da feira, dos cosplayers e dos atores envolvidos. O site também separou um post com um "presente" do Submarino e espaços publicitários para que a marca fizesse a divulgação de seus planos de viagem.


O site não teve a pretensão de tornar o conteúdo jornalístico em primeiro lugar, mas acerta quando faz críticas às filas do evento para conferir as conferências de artistas, aborda a atitude insensível do ator Lou Ferrigno (o Hulk dos seriados dos anos 70) com os fãs - cobrando por fotos e sem conversar com eles -, além de dar detalhes da dinâmica de quem for frequentar a Comic-Con nos Estados Unidos, em San Diego.

O resultado do trabalho patrocinado deles foi um podcast e o vídeo abaixo, além dos posts no Sonar da Submarino.


Os dez mandamentos do crowdfunding, segundo a Agência Pública

Estratégias e ensinamentos de um projeto de financiamento coletivo para jornalismo

Por Natalia Viana, da Agência Pública
Creative Commons

No 9º Congresso da Abraji, eu tive a oportunidade de trocar algumas experiências sobre como organizar uma campanha de crowdfunding para jornalismo. Estava muito bem acompanhada: na mesa, Natalia Garcia, a primeira jornalista no Brasil a financiar um projeto por crowdfunding – o Cidades para Pessoas – e a Sabrina Duran, que toca o projeto Arquitetura da Gentrificação. As duas campanhas de crowdfunding aconteceram antes do Reportagem Pública e nos ensinaram muito. A Natalia, em especial, foi nossa “guru” desde o começo e nos deu dicas valiosas para o primeiro financiamento coletivo da Agência Pública.O papo foi tão bom que achamos bacana compartilhar aqui, com os nossos leitores.



Vamos começar pelo começo. O projeto Reportagem Pública durou 45 dias em agosto e setembro de 2013 e arrecadou R$ 58.935 de 808 apoiadores, distribuindo 12 bolsas de R$ 6 mil. A Pública recebeu 125 propostas de reportagem e selecionou 48 delas, votadas pelos doadores através de um hotsite especial, no qual também podiam comentar as propostas e se voluntariar para ajudar os repórteres.
A ideia do projeto era testar as possibilidades de colaboração em jornalismo investigativo, engajando público e repórteres na realização de pautas de interesse mútuo, eliminando os intermediários.

Durante os meses que antecederam a campanha, as diretoras da Pública trabalharam na estratégia. A campanha teve slogans como “Queremos mais repórteres nas ruas”, “Queremos mais investigações que importam”. Estabelecemos uma rede de apoio com aliados próximos, como as organizações Escola de Ativismo, Barão de Itararé, Rosental Calmon Alves, Intervozes e Midia Ninja. Obtivemos também o apoio da fundação Omidyar Network , que proveu “Matching Funds” para o projeto: a cada real arrecadado, a fundação deu mais 1 real dobrando o valor final e possibilitando a doação de mais bolsas para jornalistas.

Uma lição importante foi a necessidade de engajar todos os que querem participar do projeto. Por isso, os doadores puderam não só votar nas pautas, mas também trocar mensagens com os repórteres, através do hotsite  do projeto e do grupo de email criado para todos os que participaram: público, repórteres e Pública. O grupo segue ativo até hoje e tem sido fonte de informações para trabalhos acadêmicos sobre o Reportagem Pública.

Outro aprendizado importante foi olhar para a campanha como uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Não vale “queimar a largada”, como fez o Brasil diante do time da Alemanha na Copa… É preciso fazer uma estratégia para cada semana, buscando grupos diferentes que podem se interessar pelo projeto, com uma tática diferente para cada uma das semanas, ângulos diferentes do projeto, e usando diferentes materiais de campanha (imagens/videos). Afinal, ninguém quem ficar tempo todo te ouvindo só pedir dinheiro, né?

Esse vídeo aqui é um exemplo. Com ele, mostramos que a Pública precisava da ajuda dos seus leitores e simpatizantes, sem ficar reforçando o pedido por dinheiro. E com Frida Kahlo sobreposta ao Tio Sam, de brinde:


Logo depois do final do projeto, fizemos uma lista com os “Dez Mandamentos do Crowdfunding”, segundo tudo o que aprendemos por aqui. A lista está abaixo, item por item, mas quiçá o maior e mais interessante de todos os aprendizados diz respeito à natureza da campanha que fizemos.

A campanha inspirou jornalistas em todo o Brasil a apostar em grandes investigações e no financiamento coletivo. Conseguimos financiar e produzir – com muito trabalho! – 12 séries de reportagens muito bacanas, que podem ser vistas aqui.

Muitos outros grupos se seguiram, e temos tentado ajudar no que podemos – claro, nem sempre temos tempo! Mas o essencial é o seguinte: o crowdfunding não é apenas uma maneira de levantar dinheiro; é uma maneira espalhar novas ideais e convidar pessoas para fazerem parte da sua construção.

Dez mandamentos do crowdfunding


1) O projeto tem que existir: seja honesto com você mesmo e acredite

2) Convide as pessoas a participar

3) Ouça o que os mais experientes e mais velhos têm a dizer

4) Seja organizado, desenvolva uma boa estratégia e a leve a sério

5) Seja transparente em relação a metas, intenções e uso do dinheiro

6) Encontre bons parceiros de caminhada, que sejam comprometidos com a causa

Conselho de Comunicação do Congresso aprova exigência do diploma de jornalista

Por Agência Senado
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O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (CCS) aprovou, nesta quarta-feira (6), parecer favorável apresentado pelo conselheiro Celso Augusto Schröder às Propostas de Emenda à Constituição 33/2009 e 386/2009, que determinam a exigência de diploma para exercício da profissão de jornalista.



Item mais polêmico da pauta, o parecer recebeu seis votos favoráveis e quatro contrários. O assunto já havia sido debatido na Comissão Temática da Liberdade de Expressão do Conselho de Comunicação Social, que se manifestou contra a obrigatoriedade do diploma, baseando-se em argumentação apresentada pelos conselheiros Alexandre Jobim e Ronaldo Lemos.

O exercício profissional do jornalismo é regulamentado pelo Decreto-Lei 972/69, por sua vez regulamentado pelo Decreto 83.284/79. A regulamentação da profissão previa a formação de nível superior específica em Jornalismo como requisito para o exercício profissional, mas foi modificada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a exigência inconstitucional.

Segundo Schröder, que preside a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), enquanto foi norma no Brasil, a exigência da formação nunca impediu o direito à opinião e à livre manifestação do pensamento, nem a colaboração, especializada ou não, nos meios de comunicação social.

- Vale ressaltar, ainda, que os parlamentares estão exercendo a função para a qual foram eleitos: legislar, inclusive modificando a Constituição Federal, naquilo que for necessário para o ordenamento constitucional e infraconstitucional, com vistas ao aperfeiçoamento da democracia brasileira – afirma.

Favorável à exigência do diploma, o vice-presidente do conselho, Fernando César Mesquita, atua no jornalismo desde os 15 anos de idade, antes mesmo da regulamentação da profissão. Ele argumentou que a formação é um instrumento importante, inclusive para ampliar os horizontes do profissional.

- Até porque as novas mídias precisam de muita atenção e cuidado – ponderou.

As Propostas de Emenda à Constituição 33 e 386/2009 ainda aguardam aprovação na Câmara dos Deputados.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Jornalista Paulo Moreira Leite sai da IstoÉ em Brasília e vai para o site Brasil247

Por Pedro Zambarda

Paulo Moreira Leite deixa a sucursal de Brasília da revista IstoÉ e assumirá a diretoria na cidade do site Brasil247. O jornalista terá também um site próprio para suas reportagens, o www.paulomoreiraleite.com.


Na estreia do novo cargo, PML fez um texto sobre a relação delicada e conflituosa da presidente Dilma Rousseff e o empresariado brasileiro neste período de eleições em 2014. O jornalista comentou a mudança: "O bom jornalismo não escolhe época nem veículo; o que importa é aliar a velocidade da internet com o bom jornalismo".

Paulo Moreira Leite já foi redator-chefe e correspondente em Paris da revista Veja, além de editor nas revistas Época e IstoÉ. Atualmente ele também apresenta o programa Espaço Público, na TV Brasil, do governo federal.

Via Brasil247 e Imprensa

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Assista o documentário sobre a carreira do jornalista Elio Gaspari

Por Pedro Zambarda

Ex-Veja e autor de livros, o jornalista e colunista Elio Gaspari é personagem central de um documentário feito pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) em parceria com a João e Maria Doc. Repórter, Elio atualmente assina coluna nos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.

Elio Gaspari é avesso às apresentações em público e foi homenageado na Universidade Anhembi Morumbi, na Vila Olímpia, durante o Congresso da Abraji na semana passada. Ele também cobriu presencialmente nas Jornadas de Junho, em 2013.

Assista o filme de quase 25 minutos logo abaixo.




Via Comunique-se

sábado, 26 de julho de 2014

Biblioteca virtual oferece 10 milhões de páginas de jornais e revistas do Brasil

Por Portal Brasil
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São jornais, revistas, anuários, boletins e outras publicações brasileiras desde 1808 até os dias atuais



A historiografia brasileira, de 1808 até os dias atuais, pode ser consultada na Hemeroteca Digital Brasileira (que pode ser acessada aqui), que leva ao público uma coleção de jornais, revistas, anuários, boletins e outras publicações seriadas da coleção da Biblioteca Nacional. Por meio da Lei do Depósito Legal - obrigatoriedade do depósito na Biblioteca Nacional de um exemplar de tudo o que se publica no país –, a instituição se beneficiou com a aquisição de milhões de páginas de nossa memória impressa.

Considerada a mais antiga e completa do país, a Hemeroteca Digital Brasileira, a partir de 2011, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), começou a digitalizar e disponibilizar dez milhões de páginas de periódicos brasileiros, que estão em domínio público. E, por meio do Plano Nacional de Microfilmagem de Periódicos Brasileiros (Plano), iniciou a localização, reunião, organização, recuperação e preservação do acervo de outras instituições brasileiras.

Fazem parte da coleção jornais raros, extintos e correntes como o Correio da Manhã (1901) - um dos mais importantes da história da imprensa brasileira e o jornal extinto mais consultado na Biblioteca Nacional -, O Paiz (1860), Gazeta de Notícias (1875), Gazeta do Rio de Janeiro (1808) e Correio Braziliense (1808).

O acervo inclui, ainda, uma coleção, de 1907 a 1945, da revista Fon-Fon, "um semanário alegre, político, crítico e esfusiante" (com grafia da época), segundo a própria publicação.

Do século XX, há revistas como Careta, O Malho, Revista da Semana, Klaxon (revista sobre arte, criada depois da Semana de Arte Moderna, realizada em 1922, pelos participantes do Movimento Modernista), entre outras. Jornais que marcaram a história da imprensa no Brasil, como A Noite, Correio Paulistano, A Manhã e Última Hora, também podem ser consultados.

domingo, 6 de julho de 2014

Meu blog chegou em 1,1 milhão de visualizações. E agora?

O Bola da Foca chegou em mais 1 milhão de pageviews neste mês de julho de 2014. O que faço agora?


De todos os blogs que criei sozinho com amigos, este foi o que deu maior sucesso. Discutimos aqui imprensa e mídia através de notícias, resenhas culturais, opiniões e conteúdos jornalísticos. É o blog dos focas de redação, dos eternos novatos, apesar de ter algum tempo de estrada. É um site que defende o jornalismo coletivo e a mídia que fala sobre si mesma.

Estamos no ar desde abril de 2008, há seis anos. Foram 1300 postagens de lá pra cá. Começamos com cerca de 10 colaboradores e chegamos a ter 30 pessoas escrevendo ou dando ideias pra pautas. Foi o período de ouro do blog, entre 2008 e 2010, em que ele se tornou um laboratório de atividades extra-curriculares dos meus colegas jornalistas na Cásper Líbero.

Há dois anos, praticamente, mantenho o blog sozinho após a colaboração de amigos.

Nunca ganhei nenhum tostão pelos trabalhos aqui. O que entrou em publicidade foi reinvestido 100% para pagar os domínios. O servidor é gratuito. Já fizemos podcasts e vídeos no passado, o que demanda tempo de edição de materiais.

Desde 2010, penso sinceramente em profissionalizar o blog, o que requer investimento em dinheiro e uma aposta de que o negócio vai dar certo, além de tempo disponível. A ideia nunca foi levada tão a sério e o blog serviu mais como currículo para meus trabalhos remunerados do que outra coisa.

Eu sempre quis ter um site de sucesso próprio. O Bola da Foca conquistou, sozinho e sem um investimento, cinco certificados do concurso TOP BLOG, promovido pela rádio Mix.FM e outras entidades. Ficou entre os 100 maiores sites de comunicação e marketing em um concurso com 7 mil sites inscritos.

No entanto, sempre fui jornalista. Nunca tive tanto interesse em administrar uma página online e temo que, ao tomar as rédeas de um negócio, eu acabe deixando de escrever.

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Isso sempre levantou dúvidas sobre o que eu deveria fazer - até fevereiro deste ano.

O Bola da Foca tinha audiência consolidada entre 5 mil e 10 mil pageviews/mês, uma audiência modesta. Subitamente, e devido aos links bem indexados no Google, as visitações aumentaram para 45 mil/mês em fevereiro de 2014, 140 mil/mês em março e 160 mil/mês em junho.

Reproduzi aqui alguns conteúdos via licença Creative Commons, que permite cópia de conteúdo com autoria do material, para manter o site atualizado e compartilhar dados ligados à imprensa no Brasil e no mundo. Agência USP de Notícias, Agência Brasil, Agência Pública, Mídia NINJA e outros conteúdos dividiram espaço com textos meus e dos autores.

E a iniciativa, depois de seis anos, parece estar dando resultados. Pelo menos segundo os dados de visitação do Google Analytics.

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Pensei em desistir do blog em inúmeros momentos, mas ele sempre serviu como uma forma de refletir sobre a minha própria profissão e como exigir um jornalismo de qualidade. O site em si não faz notícias de ponta, mas tudo o que está nele trata-se de uma defesa sincera da coletividade voluntária de apuração e reportagem. Tenho orgulho de saber que, quem escreveu aqui, fez isso porque acreditou na iniciativa, aproveitou para praticar e tirou algo de positivo nesta experiência.

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Por estes motivos, lançamos neste ano o Mídia Kit do blog, para captar possíveis anunciantes e quem esteja interessado em investir em jornalismo e crítica de mídia. Acreditamos que a publicidade pode ser associada com este conteúdo, desde que as informações estejam claras ao leitor.

E abro este post para discutir: Como monetizar blogs hoje? Quais conteúdos interessam aos anunciantes atualmente? Vale a pena pensar no site como um administrador de negócios ou como um escritor?

Comente, se achar o assunto relevante.

Foto: Creative Commons/Flickr/wiredforlego

domingo, 22 de junho de 2014

O jornalista, o sósia e os jornais

Por Sylvia Moretzsohn, do Observatório da Imprensa
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Vamos discutir isso a sério: um jornalista experiente como o Mario Sergio Conti, colunista da Folha de S.Paulo e do Globo, realiza uma entrevista com o Luiz Felipe Scolari. Os dois jornais publicam na quarta-feira (18/6) a entrevista em seus sites. Só que o Felipão não é o Felipão, é um sósia dele. 

Aí os jornais publicam um desmentido (ou um “erramos”) e tiram o texto original do ar.

A história cai na rede e provoca uma série de comentários contraditórios e especulações.

Uma jornalista recupera o texto no cache do Google e sugere que pode ter havido um erro de quem fez o título, considerando o final da entrevista, em que Conti convida o suposto Felipão para o seu programa na GloboNews e o sósia lhe entrega um cartão, identificando-se como “Vladimir Palomo – sósia de Felipão – eventos”. 

Em suma, os redatores (da Folha e do Globo) teriam se empolgado e tomado por verdade o que era fake.

Outra jornalista diz que o texto era claramente uma ironia. Faz sentido?

1. O texto inteiro é redigido como se fosse verdade. No final, o sósia se revela. Seria então uma autoironia: o jornalista entrevista um sósia achando que é o Felipão e no final revela que foi enganado. Mesmo? E qual a graça disso?

Muito mais provável seria considerar que o jornalista pensava estar entrevistando de fato o técnico da seleção e, finalmente, recebendo o cartão, teria verificado o engano. Mas isso simplesmente derrubaria a matéria.

Ou então – como sugeriram alguns, antes de saber do desfecho da história – que o jornalista tivesse pensado que o (supostamente verdadeiro) Felipão lhe entregara um cartão com o nome do sósia para fazer uma brincadeira, como a de sugerir que convidasse um sósia a seu programa de entrevistas, já que no momento estava muito ocupado com a Copa.

2. Se era uma ironia, por que Conti pediria desculpas, através da nota que tanto O Globo quanto a Folha publicaram?

E o leitor?

O caso acabou esclarecido no fim da tarde de quinta-feira, quando a Zero Hora, de Porto Alegre, publicou entrevista com o jornalista e o sósia entrevistado por ele (ver “Mario Sergio Conti: ‘Pensei realmente que era o Scolari’”). Logo depois, apareceria matéria no site da Folha e, pouco mais tarde, também no do Globo, nas quais o jornalista reconhecia o erro.

O mais relevante, entretanto, é a maneira como os jornais trataram o episódio: inicialmente, com um sucinto pedido de desculpas e a eliminação do link para o texto original, só ressuscitado depois da repercussão que o caso ganhou nas redes sociais.

Não vivem dizendo que o leitor deve tirar suas próprias conclusões? A que conclusões o leitor pode chegar (mesmo a essa de que teria sido uma ironia mal compreendida), se não tem acesso ao texto?

***

Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A barrigada de Mario Sergio Conti e a importância do jornalismo de esportes

Mario Sergio Conti dirigiu a revista Veja, trabalhou no Jornal do Brasil, no programa da TV Cultura Roda Viva e na revista Piauí. Atualmente, tem duas colunas, uma no jornal O Globo e outra na Folha de S.Paulo. Além dos dois espaços, tem um programa de entrevistas na Globonews, o Diálogos. Tem 60 anos, não é foca de redação e nem jornalista jovem. Tem uma carreira marcada por brigas profissionais, boas reportagens, principalmente em seu livro Notícias do Planalto: A imprensa e Fernando Collor, e influência no noticiário político do Brasil.

Este mesmo Mario Sergio cometeu um erro básico de checagem de informações em sua coluna ontem (19), publicada simultaneamente em O Globo e na Folha.


Conti embarcou num voo Rio-São Paulo e acreditou, segundo o jornal Zero Hora, ter entrevistado o técnico Felipão, Luiz Felipe Scolari, durante o trajeto. O problema é que não era o técnico brasileiro, mas sim um sósia chamado Vladimir Palomo, que entregou um cartão ao colunista se identificando e dizendo que estava indo gravar o programa Zorra Total, na TV Globo. O colunista ainda assim acreditou e colocou no título:  "Felipão sobre Neymar: ‘Se tivéssemos três como ele, a Copa seria uma tranquilidade'".

O texto foi tirado do ar e duas erratas foram publicadas nos veículos. Como a informação de Vladimir Palomo estava no texto, no qual Conti menciona seu cartão de visitas, acreditou-se por algum tempo que o erro tivesse sido de edição da Folha ou de O Globo, e que a coluna seria, na verdade, uma ironia.

Mario Sergio Conti desmentiu e disse que achava que Vladimir era de fato o Felipão.

Disse que sabia, pela mídia impressa, que aquele era o dia de folga da seleção. E que achou factível que o técnico estivesse viajando naquela quarta-feira (18). A questão é que o último jogo da seleção foi em Fortaleza e o próximo seria em Brasília. Havia uma baixa possibilidade do técnico de fato estar naquele voo.

Conti não é um jornalista de esportes, provavelmente não consultou editores e goza de uma independência editorial para publicar suas próprias entrevistas, que quase sempre envolvem personalidades e figuras políticas importantes. Jornalisticamente, Conti foi formado por Elio Gaspari, um mito da imprensa na Veja e na Folha de S.Paulo. Não se esperava que ele cometesse a falha de entrevistar um sósia, provando não ter muito conhecimento sobre futebol.

Mas a derrapada do colunista levanta uma questão importante: A importância do jornalismo de esportes. Frequentemente os repórteres deste segmento são tratados como se fossem torcedores ou como se o trabalho deles não fosse sério.

Não é verdade. A Copa do Mundo do Brasil está acontecendo, chamando atenção para o nosso país. E a barrigada de Mario Sergio Conti também ocorreu. Estes fatos atestam que esporte é uma pauta importante, e que você está suscetível aos maiores erros se não der a devida importância.

Todo o jornalismo, na realidade, é importante. Mas ainda se conserva a mentalidade de que política, economia e algumas determinadas pautas são mais fundamentais do que outras. E não parece ser a verdade.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

NA ÍNTEGRA: Palestra "Quem Mexeu no Meu Jornalismo?"

Pra quem não viu ontem, quarta-feira (7), confira o vídeo na íntegra das palestras do evento "Quem Mexeu no Meu Jornalismo?", organizado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero com ECA-USP, Metodista, Mackenzie, PUC-SP, ESPM-SP, Anhembi Morumbi e por mestres como Carlos Costa, Daniela Osvald Ramos e outros. Teve palestras com Leonardo Sakamoto, Andre Deak e Bob Fernandes. Confiram o vídeo abaixo:


Para rastrear as discussões, procure, no Facebook e no Twitter, a hashtag #jornalismo5. O evento ocorreu entre 19h e 21h30.

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