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segunda-feira, 2 de março de 2015

O que Laerte Coutinho pensa sobre regulação da mídia?

Por Pedro Zambarda


Laerte, em uma charge publicada na Folha, você defendeu abertamente a regulação dos meios de comunicação. Por quê?

Acho que há uma ação unificada da mídia com um propósito político claro ao recusar a discussão sobre regulação de meios de comunicação. É o que penso. Acho que nossos meios precisam se submeter a interesses da sociedade. Até em nome da liberdade de expressão dela. É um debate que precisa começar agora. Não tenho uma resposta clara e abrangente, infelizmente. É preciso buscar modos democráticos de limitar o monopólio dos meios de informação, bem como garantir e estimular o uso desses meios por parte da população. Isso deveria ser feito para diversificar as abordagens e opiniões que existem hoje e ficam concentradas nas mãos de poucos detentores da audiência.

Você acredita que uma mídia regulada conviveria bem com o deboche?

Acho que conviveria muito melhor com o humor de deboche ou de debate. Não vejo o humor sendo censurado com mais veículos de mídia criados. Ele apenas seria, talvez, mais debatido.

O Charlie Hebdo está levando a culpa pela tragédia em Paris?

Cartunistas fazem parte do universo de jornalistas de opinião, especialmente aqueles que se dedicam à charge e à sátira política. Não acho que vá acontecer uma pressão inédita sobre os autores e autoras de sátiras. Nem acho que uma possível pressão desse tipo conseguiria obter mudanças sensíveis no grau de liberdade com que esse trabalho é feito hoje.

Sua pergunta usa o termo “culpa”. É uma palavra de alta complexidade neste momento. Charlie Hebdo é uma das revistas mais importantes do mundo em sua área e influenciou milhares de pessoas em sua história. Inclusive eu. Acho que a linguagem do humor, necessariamente agressiva, de nenhum modo é neutra, porque sempre há um conteúdo ideológico pelo qual o discurso humorístico deve responder.

“Foi só uma piada” é uma defesa geralmente idiota. No entanto, por suas características especiais, sua subjetividade, é difícil avaliar de longe como se realiza este discurso, que tipo de leitura se faz no contexto da realidade francesa. Para nossos olhos, pode se tratar de islamofobia pura.

A experiência que temos no Brasil em relação a populações islâmicas é bem diferente porque há muitos imigrantes de origem árabe, boa parte cristã. Tenho a impressão, e posso estar muito errada, de que a islamofobia no Brasil procura obter resultados em relação a apoios e condenações de políticas no exterior, especialmente no caso da Palestina.

Você acha que existe preconceito por trás da crítica especificamente voltada para as religiões muçulmanas?

O tráfego dos preconceitos é intenso e multidirecionado. Racismo, machismo, fobias de todos os sabores e qualidades se combinam em desenhos elaborados e complexos. Sim, o islamismo é hostilizado, assim como o judaísmo e o cristianismo. Esses ataques ocorrem em várias medidas. As religiosidades são hostilizadas e manipuladas de muitas formas.

A entrevista completa foi publicada no Diário do Centro do Mundo, o DCM.

domingo, 6 de julho de 2014

Meu blog chegou em 1,1 milhão de visualizações. E agora?

O Bola da Foca chegou em mais 1 milhão de pageviews neste mês de julho de 2014. O que faço agora?


De todos os blogs que criei sozinho com amigos, este foi o que deu maior sucesso. Discutimos aqui imprensa e mídia através de notícias, resenhas culturais, opiniões e conteúdos jornalísticos. É o blog dos focas de redação, dos eternos novatos, apesar de ter algum tempo de estrada. É um site que defende o jornalismo coletivo e a mídia que fala sobre si mesma.

Estamos no ar desde abril de 2008, há seis anos. Foram 1300 postagens de lá pra cá. Começamos com cerca de 10 colaboradores e chegamos a ter 30 pessoas escrevendo ou dando ideias pra pautas. Foi o período de ouro do blog, entre 2008 e 2010, em que ele se tornou um laboratório de atividades extra-curriculares dos meus colegas jornalistas na Cásper Líbero.

Há dois anos, praticamente, mantenho o blog sozinho após a colaboração de amigos.

Nunca ganhei nenhum tostão pelos trabalhos aqui. O que entrou em publicidade foi reinvestido 100% para pagar os domínios. O servidor é gratuito. Já fizemos podcasts e vídeos no passado, o que demanda tempo de edição de materiais.

Desde 2010, penso sinceramente em profissionalizar o blog, o que requer investimento em dinheiro e uma aposta de que o negócio vai dar certo, além de tempo disponível. A ideia nunca foi levada tão a sério e o blog serviu mais como currículo para meus trabalhos remunerados do que outra coisa.

Eu sempre quis ter um site de sucesso próprio. O Bola da Foca conquistou, sozinho e sem um investimento, cinco certificados do concurso TOP BLOG, promovido pela rádio Mix.FM e outras entidades. Ficou entre os 100 maiores sites de comunicação e marketing em um concurso com 7 mil sites inscritos.

No entanto, sempre fui jornalista. Nunca tive tanto interesse em administrar uma página online e temo que, ao tomar as rédeas de um negócio, eu acabe deixando de escrever.

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Isso sempre levantou dúvidas sobre o que eu deveria fazer - até fevereiro deste ano.

O Bola da Foca tinha audiência consolidada entre 5 mil e 10 mil pageviews/mês, uma audiência modesta. Subitamente, e devido aos links bem indexados no Google, as visitações aumentaram para 45 mil/mês em fevereiro de 2014, 140 mil/mês em março e 160 mil/mês em junho.

Reproduzi aqui alguns conteúdos via licença Creative Commons, que permite cópia de conteúdo com autoria do material, para manter o site atualizado e compartilhar dados ligados à imprensa no Brasil e no mundo. Agência USP de Notícias, Agência Brasil, Agência Pública, Mídia NINJA e outros conteúdos dividiram espaço com textos meus e dos autores.

E a iniciativa, depois de seis anos, parece estar dando resultados. Pelo menos segundo os dados de visitação do Google Analytics.

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Pensei em desistir do blog em inúmeros momentos, mas ele sempre serviu como uma forma de refletir sobre a minha própria profissão e como exigir um jornalismo de qualidade. O site em si não faz notícias de ponta, mas tudo o que está nele trata-se de uma defesa sincera da coletividade voluntária de apuração e reportagem. Tenho orgulho de saber que, quem escreveu aqui, fez isso porque acreditou na iniciativa, aproveitou para praticar e tirou algo de positivo nesta experiência.

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Por estes motivos, lançamos neste ano o Mídia Kit do blog, para captar possíveis anunciantes e quem esteja interessado em investir em jornalismo e crítica de mídia. Acreditamos que a publicidade pode ser associada com este conteúdo, desde que as informações estejam claras ao leitor.

E abro este post para discutir: Como monetizar blogs hoje? Quais conteúdos interessam aos anunciantes atualmente? Vale a pena pensar no site como um administrador de negócios ou como um escritor?

Comente, se achar o assunto relevante.

Foto: Creative Commons/Flickr/wiredforlego

domingo, 22 de junho de 2014

O Grande Fracasso da Copa: A Publicidade?

Por Vladimir Cunha, do Mídia Ninja
Creative Commons

A publicidade fracassou nessa Copa porque fala com um Brasil que não existe mais. Ela ignora todas as conquistas sociais, a mudança de mentalidade de certos setores da sociedade, a nova cara da classe C, o empoderamento estético e simbólico da mulher brasileira que agora tem dinheiro para malhar e cuidar de si e a falência de determinados meios de produção e difusão cultural.


Nessa Copa fizemos comerciais e campanhas como se ainda estívessemos nos anos 90 e com os mesmos temas batidos de sempre: a "rivalidade" com os argentinos, coxinhas fazendo graça em mesa de bar, mulheres a serem "conquistadas", a "emoção do futebol" e as bobagens de sempre.

O período era propício a uma quebra de paradigmas - como a dos comerciais da Nike e Adidas do final dos anos 90, que falavam diretamente aos screenagers da época e usavam música eletrônica e aspectos dos videogames, dos vídeos de skate e snowboard e dos filmes de ação produzidos por Jerry Bruckenheimer.

Pelo contrário. Fizemos peças e campanhas pouco inspiradas, disfarçando a falta de criatividade com o uso excessivo de hashtags que não deram em muita coisa.

Caxirola não colou, Fuleco não colou e nenhuma música "da Copa" entrou na cabeça das pessoas da maneira como "Festa", da Ivete Sangalo, ou "Canarinho", do Luis Ayrão, fizeram de maneira orgânica no passado.

Se a publicidade brasileira tivesse realmente a cara do Brasil teríamos um comercial com Valesca Popozuda, de boné John John e calça La Bella Mafia, e não Fernanda Takai e Paulo Miklos cantando sobre as mesmas imagens estilizadas de sempre. De um Brasil que só existe na cabeça dos publicitários, diga-se de passagem.

O jornalista, o sósia e os jornais

Por Sylvia Moretzsohn, do Observatório da Imprensa
Creative Commons


Vamos discutir isso a sério: um jornalista experiente como o Mario Sergio Conti, colunista da Folha de S.Paulo e do Globo, realiza uma entrevista com o Luiz Felipe Scolari. Os dois jornais publicam na quarta-feira (18/6) a entrevista em seus sites. Só que o Felipão não é o Felipão, é um sósia dele. 

Aí os jornais publicam um desmentido (ou um “erramos”) e tiram o texto original do ar.

A história cai na rede e provoca uma série de comentários contraditórios e especulações.

Uma jornalista recupera o texto no cache do Google e sugere que pode ter havido um erro de quem fez o título, considerando o final da entrevista, em que Conti convida o suposto Felipão para o seu programa na GloboNews e o sósia lhe entrega um cartão, identificando-se como “Vladimir Palomo – sósia de Felipão – eventos”. 

Em suma, os redatores (da Folha e do Globo) teriam se empolgado e tomado por verdade o que era fake.

Outra jornalista diz que o texto era claramente uma ironia. Faz sentido?

1. O texto inteiro é redigido como se fosse verdade. No final, o sósia se revela. Seria então uma autoironia: o jornalista entrevista um sósia achando que é o Felipão e no final revela que foi enganado. Mesmo? E qual a graça disso?

Muito mais provável seria considerar que o jornalista pensava estar entrevistando de fato o técnico da seleção e, finalmente, recebendo o cartão, teria verificado o engano. Mas isso simplesmente derrubaria a matéria.

Ou então – como sugeriram alguns, antes de saber do desfecho da história – que o jornalista tivesse pensado que o (supostamente verdadeiro) Felipão lhe entregara um cartão com o nome do sósia para fazer uma brincadeira, como a de sugerir que convidasse um sósia a seu programa de entrevistas, já que no momento estava muito ocupado com a Copa.

2. Se era uma ironia, por que Conti pediria desculpas, através da nota que tanto O Globo quanto a Folha publicaram?

E o leitor?

O caso acabou esclarecido no fim da tarde de quinta-feira, quando a Zero Hora, de Porto Alegre, publicou entrevista com o jornalista e o sósia entrevistado por ele (ver “Mario Sergio Conti: ‘Pensei realmente que era o Scolari’”). Logo depois, apareceria matéria no site da Folha e, pouco mais tarde, também no do Globo, nas quais o jornalista reconhecia o erro.

O mais relevante, entretanto, é a maneira como os jornais trataram o episódio: inicialmente, com um sucinto pedido de desculpas e a eliminação do link para o texto original, só ressuscitado depois da repercussão que o caso ganhou nas redes sociais.

Não vivem dizendo que o leitor deve tirar suas próprias conclusões? A que conclusões o leitor pode chegar (mesmo a essa de que teria sido uma ironia mal compreendida), se não tem acesso ao texto?

***

Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

sábado, 17 de maio de 2014

Pesquisa: Jornalismo impresso ganha novos significados com a internet

Por Ana Paula Souza, da Agência USP de Notícias
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O estudo Para além dos links: diálogos entre o meio digital e o impresso, elaborado por Douglas Galan, revela que os jornais dão demonstrações de mudanças em suas linguagens. Segundo a pesquisa, desenvolvida na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, orientada pela professora Irene de Araújo Machado, o jornalismo impresso não está morrendo, como muitas pessoas têm imaginado. Na verdade, a mídia tradicional vem ganhando um novo significado.


A pesquisa aborda a relação entre as linguagens do meio impresso e aquelas do mundo digital, partindo do pressuposto de que os textos de jornais estão sofrendo modificações de conteúdo e formato baseadas no modelo veiculado no meio virtual. A partir dessa influência sobre a imprensa tradicional, o meio digital se revela como um elemento de grande significado na mente das pessoas. “O principal objetivo foi analisar as modelizações ocorridas no meio impresso, a partir do advento das mídias digitais. Por modelizações, pode-se entender a capacidade que as linguagens e os textos da cultura possuem em se reestruturar e adquirir novos contornos”.

Uma relação entre mídias

Galan constatou a presença do hiperlink em caráter simbólico dentro do jornais. Um hiperlink pode ser compreendido como o estabelecimento de relações de intertextualidade, de ligações com outros canais. Assim, segundo o pesquisador, é como se o meio impresso estivesse querendo propor uma relação hipermidiática com a internet. “Mesmo não podendo realizar efetivas interligações, percebe-se a criação de relações hipertextuais em caráter simbólico”. afirma Galan. “Também é curioso notar a naturalidade com que os textos culturais se recodificam no espaço semiótico”.

Ainda segundo o autor do estudo, do ponto de vista cultural, não existem precipitações ou emergências na promoção dessas mudanças no meio impresso a partir do digital. Como é apresentado no estudo, tudo acontece em uma dinâmica de estruturação, mobilidade e modelização que estão em harmonia com a situação instaurada na própria cultura, de modo que se considera que essas transformações vêm ocorrendo em um “processo gradual”.

Um futuro menos pessimista

Depois de elaborar o estudo, Galan mudou de opinião em relação ao futuro do jornalismo. “Dispenso as teorias catastróficas, a futurologia, as especulações perniciosas, que antes soavam a mim como ameaças ao jornalismo. Também adquiri mais confiança sobre a importância e a contribuição do jornalismo para com a cultura, e acredito que a atividade jornalística, tal como se desenvolveu, tem o seu lugar, de modo que não será descartado de maneira tão simples”.

Foram mais de quatro anos dedicados ao assunto, os quais envolveram a análise de veículos como Folha de S. Paulo, O Globo e O Dia, além da leitura de obras de teóricos da semiótica, campo do conhecimento linguístico que estuda os signos e as diversas formas de comunicação. Entre os autores, estão estudiosos como Marshall McLuhan, autor da obra “Os meios de comunicação como extensões do homem”, que serviu como ponto de partida para o estudo de Galan.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Porque devemos, sim, tirar Marco Feliciano da Comissão de Direitos Humanos

Em um vídeo postado no dia 7 de abril de 2013, o pastor de deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, disse que "Deus matou John Lennon", o ex-integrante da banda de rock Beatles. Para o religioso, os três tiros que mataram Lennon representam o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Dogmas cristãos em um assassinato. Marco Feliciano também disse que homens de descendência negra são uma linhagem amaldiçoada de Noé, o que justificaria atrocidades cometidas contra o continente.


As declarações de Feliciano fizeram diversas pessoas no Brasil todo se manifestarem para a sua retirada da Comissão dos Direitos Humanos. Outros indivíduos, no entanto, alegam que as manifestações são infudadas. Marco Feliciano foi eleito 212 mil votos em seu mandato como deputado. Dessa maneira, ele representaria uma boa parcela da população evangélica e cristã no Brasil. E esses religiosos estariam defendendo-o porque ele estaria sendo cerceado em seu direito de liberdade de expressão, mesmo dizendo que um beatle deveria morrer e pregando preconceito contra homossexuais e negros.

Convido-os a uma reflexão sobre o tema.

Como jornalista, eu tive privilégio de ter pelo menos uma dúzia de professores que contribuíram para minha parcela de formação intelectual. Um desses mestres é Luís Mauro Sá Martino, autor do livro Mídia e Poder Simbólico (2003). Esse trabalho de Luís nasceu em novembro de 1998 como um TCC na Cásper Líbero com o nome Mídia e Religião, escrito em dupla com o jornalista Mário Ciccone. Luís Mauro, que foi meu orientador de TCC em 2010, fez um trabalho aprofundado sobre a formação de símbolos que as novas igrejas cristãs fazem através da mídia televisiva e moderna através mensagens que não necessariamente se adequam ao público que existem em outras esferas culturais. Dessa maneira, a tendência é que essas instituições religiosas, de alguma forma, criam nichos que podem eventualmente se expandir, de acordo com o crescimento dessas televisões.

Marco Feliciano pertence a esses grupos, na Igreja Assembleia de Deus Catedral do Avivamento.

Diz Luís Mauro: "A Igreja Católica criou a Rede Vida. A Universal, já proprietária da Record, comprou a TV Mulher. A Igreja Renascer em Cristo tentou comprar a extinta TV Manchete, e por pouco não conseguiu. Outras denominações menos poderosas continuaram sua expansão, conseguindo mais tempo nos canais de TV comerciais, além de serem uma presença fixa entre as estações de rádio. A escolha desse campo não é por acaso. O que se tem, enfim, é a busca, por parte das instituições, de legitimação perante a sociedade, a fim de divulgar suas ideologias".

Ou seja, a eleição de Marco Feliciano na política não está relacionada a um nicho religioso. Esse nicho religioso midiático foi criado como instrumento ideológico, para transmitir ideias que estavam presas em outros formatos de mídia, e para legitimar um discurso em forma de negócio. Os 212 mil votos de Marco Feliciano fazem parte da expansão de um discurso que é uma adaptação, e não necessariamente uma representação fixa de um movimento que existe e é legítimo em si.

Luís Mauro continua o texto, aprofundando a análise: "A luta pelo domínio do campo religioso é uma realidade. Os meios de comunicação oferecem diversos exemplos de como as diversas ideias religiosas digladiam-se na conquista de novos adeptos. Essa violência, ainda que não beire os excessos fundamentalistas, está sempre presente, principalmente no campo simbólico cujo espaço de combate é representado pela mídia".

Dessa forma, se as igrejas cristãs utilizam de mídia e, agora, de política para se representarem, o campo de simbolização é o de um enfrentamento. Mesmo que todos os manifestantes não sejam abertamente ateus, a entrada de um deputado declaradamente preconceituoso cria um precedente para protestos populares. Se Marco Feliciano representa uma ameaça simbólica dentro da política brasileira, que ainda se vale por representações, é democrático e ético, da parte de quem discorda, pedir pela sua renúncia na presidência do Comitê de Direitos Humanos.

Quem acha que esses protestos são ilegítimos de alguma forma, não considera, provavelmente de forma ingênua, a capacidade representativa da religião na sociedade, principalmente como mídia. Não se trata de protestar exatamente contra a igreja, mas sim contra o que sociedade considera errado em suas representações. E parte dessa igreja é sim representada por Marco Feliciano. Se Feliciano adota uma postura combativa, a crítica final não pode ser branda.

EDIT: Vejam abaixo o vídeo que Feliciano comenta sobre John Lennon.

domingo, 10 de março de 2013

Um texto para pensar a profissão: A crise é do jornalismo

Li um texto muito bom sobre a função do jornalista e como ela está em cheque nos atuais veículos de comunicação. O material é original do Observatório da Imprensa. Aproveite a leitura para refletir sobre os jornalistas e o jornalismo.




A crise é do jornalismo

Por Luciano Martins Costa

O declínio da imprensa tradicional não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Mesmo que seus resultados não sejam desastrosos em uns poucos países onde algumas mudanças econômicas colocam na cena social novos protagonistas, ampliando o mercado, a imprensa é decadente por toda parte, e mais evidentemente onde ela contribuiu para construir sociedades mais democráticas.

Embora os analistas e observadores sejam levados a abordar essa questão a partir de pontos específicos, como a dificuldade dos meios tradicionais em se adaptar às novas tecnologias de informação e comunicação, há indícios para se afirmar que a crise da imprensa vai muito além do modelo de negócio.

Trata-se de uma crise do jornalismo, e basta uma pergunta básica: se o jornalismo é parte essencial da vida democrática, provendo a sociedade de informações que ajudam a formar a consciência da cidadania, pode-se dizer que a imprensa está cumprindo bem esse papel em algum lugar do mundo?

Antes que se diga que é impossível responder, de imediato, essa questão, podemos reduzi-la ao contexto mais próximo: a imprensa ajuda os brasileiros a construir um Brasil melhor?

Uma resposta, longa ou sucinta, exige algum paradigma: por exemplo, um país melhor teria uma população mais educada e menores índices de violência, para ficar em dois aspectos básicos das sociedades mais desenvolvidas. Um jornalismo de qualidade poderia contribuir para isso oferecendo conteúdos que convidassem – o ideal seria o verbo compelir – à reflexão. Para tanto, a imprensa precisaria se colocar como uma instituição aberta ao contraditório, o que justificaria seu papel de mediadora entre visões de mundo diversas ou divergentes.

O aprendizado da convivência democrática não se faz exclusivamente pela leitura de jornais ou pela audiência passiva de noticiários da televisão: ele se consolida nos relacionamentos sociais, onde são testadas as convicções e a capacidade de cada um de lidar com a diversidade de opiniões e interesses.

Nas sociedades arcaicas, onde as necessidades básicas de sobreviver e criar a prole limitavam ambições individuais, as opiniões eram harmonizadas pela figura do sacerdote. Na sociedade moderna, o sacerdote foi substituído pelos agentes da indústria cultural, que se movem basicamente pelo interesse econômico.

Alimentando radicais

Essa é uma das origens da submissão de todas as relações à questão econômica: embora pareça que a imprensa discute política, religião, futebol ou a moralidade pública, o que define cada opinião é a visão particular sobre como deve ser organizada a economia. Toda pauta jornalística é submetida a esse crivo central, e quanto mais urgente é a decisão editorial, mais reta essa linha entre o fato e a matriz ideológica que condiciona a interpretação.

Como a sociedade contemporânea projeta uma realidade mais complexa, essa visão condicionada a um eixo central se torna imprecisa e tende a distorcer a visão de mundo. Vejamos, por exemplo, como a imprensa viu o caso em que o disparo – eventualmente acidental – de um artefato naval de sinalização provocou a morte de um adolescente na cidade de Oruro, na Bolívia, durante uma partida de futebol.

Claramente, não apenas as reações dos analistas esportivos, mas os comentários de leitores e protagonistas das redes sociais formaram um conjunto assombroso de irracionalidades e radicalismos.

"Um jornalismo de qualidade poderia contribuir para isso oferecendo conteúdos que convidassem – o ideal seria o verbo compelir – à reflexão"

A imprensa em peso considerou que o ato foi premeditado. E ponto final. O fato em si ficou nas sombras – as opiniões se impuseram, impedindo qualquer reflexão mais elaborada e resultando numa condenação generalizada a todo torcedor de futebol – essa gentinha diferenciada que ulula nos estádios, diria uma senhora paulistana de Higienópolis.

O mesmo se pode observar sobre a morte do presidente venezuelano Hugo Chávez: parte da imprensa e muitos leitores descambaram para o achincalhe, esquecendo as mais básicas regras da convivência social. Até mesmo a morte do cantor Alexandre Abrão, conhecido como “Chorão” – ao que tudo indica provocada pelo abuso de drogas –, acaba sendo usada nesse contexto, no blog de um jornalista, que escreveu: “Chávez vai tarde, Chorão vai cedo”.

A imprensa estimula a radicalização na sociedade brasileira, simplesmente porque não consegue lidar com as sutilezas da realidade contemporânea. O resultado é mais irracionalidade.

Quando o jornalismo resvala para o aviltamento, não há mais jornalismo.

(O Observatório da Imprensa permite a reprodução de textos segundo a legislação Creative Commons 2.5)

domingo, 8 de maio de 2011

Melhores veículos segundo executivos brasileiros - Folha, CBN, G1, Exame e Jornal Nacional

Em matéria divulgada semana passada no Comunique-se, pesquisa feita pela Instituto Máquina de Pesquisa, da Máquina PR, colocou cinco veículos entre os mais confiáveis para o público corporativo. Folha, CBN, G1, Exame e Jornal Nacional foram eleitos por 262 porta-vozes de 94 empresas. O mesmo levantamento colocou os colunistas e os blogs de Mônica Bergamo, Miriam Leitão e Ricardo Noblat como destaques.

Empresários ainda valorizam mais os jornais e ainda colocam os sites e as mídias sociais como os formatos de mídia menos confiáveis. No entanto, os portais online se aproximam da televisão em credibilidade, veja o gráfico abaixo.



E ai, você concorda com esse levantamento?

domingo, 30 de janeiro de 2011

Julian Assange antes do maior assédio da mídia

Antes da imprensa internacional noticiar dados minunciosos sobre o processo judicial que Julian Assange, o líder do site WikiLeaks, sobre crimes sexuais, já se falava sobre a importância de sua empreitada na internet. Há seis meses atrás, foi ao ar um vídeo de sua entrevista no TED sobre a importância do site e do vazamento de informações. O material é uma boa introdução sobre o que realmente significa mostrar informações polêmicas sobre governos e empresas para a sociedade.

Independente do nível de aceitação às iniciativas de Assange, é impossível não reconhecer a importância de divulgação de informação que não estava ao acesso do público, ao mesmo tempo que o site se reserva a proteger suas fontes. Não creio que posso considerar todo o vazamento um autêntico jornalismo, mas seu tratamento com os dados é um cuidado muito maior do que a maioria das organizações de mídia.

Confira a entrevista, na íntegra, abaixo:

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

TV Avesso é parceira do Bola da Foca


Televisão 2.0 trazendo vídeos sobre comunicação há dois anos, a TV Avesso resolveu fazer uma parceria de links e banners com o Bola da Foca. Você pode conferir o banner da TV no lado direito deste blog, na parte de baixo, em "Parceiro".

O intuito de realizar uma parceria entre sites é compartilhar conteúdo e também trabalho em equipe entre os comunicadores envolvidos. Avesso traz entrevistas interessantes com gerentes de marketing, diretores de grandes empresas e eventos de comunicação.

Integração é fundamental para a maturidade do conteúdo na internet. Essa é uma prática que continuaremos a fazer.

domingo, 14 de novembro de 2010

As forças da boataria e da informação privilegiada


Autor: Thiago Dias
Revisão: Lívia Hayama e Pedro Zambarda

É difícil prever a força que um rumor pode ter, e não apenas nos dias de hoje, com a comunicação que alcançou as massas, basicamente, gerando e formando opinião. O que se sabe é que o potencial destrutivo, ou até mesmo construtivo, de um rumor ou de uma informação privilegiada, chamada de Insider Trading, aumentam consideravelmente quando parte de uma fonte confiável. Essa ação é repassada por um meio de comunicação e chega ao público com uma extensão maior do que a original.

O que se vê a partir daí é um perfeito cenário para uma profecia autorrealizável na economia, no mercado de ações em empresas privadas, quando um simples rumor passa a ter conseqüências reais em seu objeto.

De certa forma, uma profecia autorrealizável pode ocorrer em qualquer meio, mas em raros momentos ela tem um impacto tão significativo na economia. O termo inclusive foi cunhado em razão da corrida de clientes a bancos para retirar seu dinheiro, após rumores que falência ou quebra da instituição. Ou seja, mesmo que o banco esteja em ótimas condições financeiras, a retirada maciça de dinheiro o colocará em apuros, além dos danos consideráveis, e por vezes irremediáveis à sua reputação. Afinal de contas, ninguém se lembrará de que o rumor inicial foi falso, mas sim que o resultado final foi aquele predito.

Essa é a teoria. Na prática, especialmente nos últimos tempos, é extremamente difícil imaginar um cenário onde um rumor ou um boato surja absolutamente do nada e cause sérios danos a instituições financeiras. Embora freqüentemente apareçam boatos exagerados, eles apenas refletem uma situação que já vinha longe da perfeição, causando insegurança tanto em investidores quanto em clientes de forma geral.

Um exemplo que pode ser interpretado como um caso de profecia autorrealizável aconteceu no Brasil, no fim de 2002. O presidente Lula acabara de ser eleito e investidores, tanto internos quanto de fora, sentiam-se inseguros em relação aos rumos da economia. Digamos que, apesar de ter declarado em carta aberta que prosseguiria com a política econômica do governo FHC, o passado sindicalista de Lula não passava confiança. O que houve então foi uma crescente desconfiança em relação ao futuro econômico do Brasil, que estava apenas se recuperando dos difíceis anos de 1999 e 2000.

Um dos grandes medos que Lula inspirava, entre muitos, era sua política cambial. Investidores desconfiavam que o presidente pudesse alterar significativamente a política imposta por FHC, ou até mesmo abandonar o câmbio flutuante. Resultado disso? O câmbio se desequilibrou completamente.

A desvalorização do Real, que durante todo o ano variou entre R$2,80 e R$3,00 para cada dólar, subiu absurdamente, atingindo os R$4,00 reais no fim do ano. Obviamente, para a maior parte dos analistas, essa desvalorização se provou irreal, tendo sido motivada muito mais pelo medo de que algo pudesse acontecer do que por previsões factíveis e análises sérias.

Após Lula assumir a presidência, no início de 2003, ele pôs em prática tudo àquilo que havia deixado claro na Carta aberta ao povo brasileiro. Ou seja, com uma equipe econômica liderada por Antônio Palloci no Ministério da Fazenda e Henrique Meirelles no Banco Central, o governo brasileiro aos poucos controlou o câmbio e em relativamente pouco tempo ele estava de volta a patamares considerados bons para o país na época, em torno de R$2,30.

Portanto, em suma, todo o medo maior dos investidores foi uma conseqüência de suas próprias ações.

Existe, porém o outro lado da moeda. Quando pensamos estar diante de uma profecia autorrealizável, na verdade o que temos é uma tendência capitaneada por uma pessoa ou grupo especifico que possuía uma informação privilegiada. Isso é um caso de Insider trading que, por conta de boa colocação no mercado ou na empresa, consegue lucrar mais ou, em alguns casos, evitar um grande prejuízo. Esse movimento econômico, naquele momento, pode até ser visto como um palpite ou um rumor, mas só depois que percebemos que existe algo além.

Um caso no mínimo curioso aconteceu no Brasil no ano passado, durante a fusão das Casas Bahia com o Grupo Pão de Açucar. “Lembro de um caso recente, porém, não quer dizer que trata-se especificamente de um caso de Insider trading. No dia que antecedeu o anúncio da fusão entre Pão de Açúcar e Casas Bahia houve um movimento busco de alta nas ações do Pão de Açúcar, o que chamou bastante a atenção do mercado. Obviamente, a maioria esmagadora do mercado não sabia que este acordo esta à luz de acontecer” conta Marcelo Rossi Poli, jornalista do site EXAME.com, ligado à revista Exame da editora Abril.

O acordo entre as Casas Bahia e o Pão de Açucar foi anunciado em abril de 2009, mas só finalmente fechado em julho deste ano. Não foram poucos os desafios que a fusão enfrentou, a começar pela data do anúncio, que foi adiantada pela justiça justamente para evitar um caso de informação privilegiada, como se já não fosse tarde demais. “A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se manifestou e entrou em contato com a alta cúpula do Pão de Açúcar. Ao confirmar que seria anunciada a fusão entre as companhias, a CVM interveio na data do anúncio, fazendo com que o mesmo fosse antecipado para a data mais breve possível” completa Marcelo.

As questões legais em torno do Insider trading são claras. Informações privilegiadas desequilibram as forças do mercado financeiro. Nesse ponto, a legislação brasileira se destaca, segundo Marcelo. “A regulação do mercado de capitais brasileiro é bastante rígida e cerca muito bem esse tipo de especulação. Porém, informação privilegiada sempre existirá, principalmente num ambiente onde se movimenta bilhões de reais.”

Contudo, se houve um evento que poucos, ou mesmo nenhum, Insider trading conseguiu prever e passou longe de ser uma profecia autorrealizável, levando-se em conta suas conseqüências, foi a crise econômica de 2008. Como a crise estourou com um fato que poucos acreditavam possível - o pedido de falência do Lehman Brothers - poucos conseguiram prever o que vinha acontecendo. O mais famoso destes “profetas do apocalipse”, como foram chamados, foi o economista Nouriel Roubini, que de fato ganhou dinheiro com a crise. “Tanto o Roubini quanto o Marcio Noronha, um analista técnico brasileiro que previu a queda da Bovespa para 30 mil pontos, não tinham informações privilegiadas. Tinham apenas um alto nível de conhecimento e a capacidade de enxergar além da manada” finaliza Marcelo Poli.

No dia 9 de novembro de 2010, foi detectado um rombo no Banco PanAmericano na casa dos 900 milhões de reais. Sustentado pela Caixa Econômica Federal e pelo Grupo Silvio Santos, o desequilíbrio nas contas da instituição bancária gerou um aporte de 2,5 bilhões de reais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) feito pelo próprio Silvio Santos.

Ele, dono da emissora SBT, entregará seus 44 empreendimentos como garantia de pagamento caso não ocorra a quitação. O empresário fará o pagamento dessa dívida em 10 anos, para equilibrar novamente as finanças. As ações do PanAmericano tiveram reduções de 28%.

Caso a informação vazasse antes, em um caso típico de Insider trading, investidores derrubariam o valor de mercado do banco antes mesmo de tornar a informação pública.

Como não houve informação privilegiada, Silvio Santos garantiu a sobrevivência da instituição bancária, que sustenta seus múltiplos empreendimentos. Um vazamento e uma ação precipitada de investidores poderia gerar um efeito de manada, que poderia, injustamente, sepultar a recuperação da empresa. Por esse, e por inúmeros motivos, o tráfego de informações fechadas ao público constitui um crime para a CVM no mercado de ações.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quando o circo se faz necessário


O que está ocorrendo na mina San José, em pleno deserto do Atacama, no Chile, é um acontecimento que entrará para a história do Século XXI.

Da mesma forma que os ataques de 11/9, o Furacão Katrina, o tsunami no Oceano Índico ou os terremotos no Haiti e no Chile, a história dos 33 mineiros presos por mais de 2 meses há mais de 600 metros de profundidade são daquelas que atraem atenção do mundo, que criam histórias e imagens que nunca serão esquecidas.

E de todos os acontecimentos citadas, essa situação é a mais peculiar, única em todos os aspectos. Única pois nunca se viu nada em igual na tragédia com um resgate,elaborado e executado em proporções épicas. Única pois é a única história que se desenrolou lentamente, através de dois meses e com acontecimentos diários. Por fim, única pois seu final foi completamente feliz.

O mundo acompanhou por revistas, jornais, sites, blogs, perfis de Facebook e Twitter. Não faltou gente cobrindo e comentando a saga dos 33 mineiros chilenos, considerados heróis desde o principio. Segundo a última contagem são 1500 jornalistas, de quase 100 países cobrindo in loco o resgate, alguns de forma mais ativa, outros menos. É impossível prever quantos livros sairão dessa cobertura, a maior do século até aqui.

Um filme chileno, intitulado Os 33 já foi anunciado, e ninguém dúvida que a versão hollywoodiana sairá em breve. Enfim, um verdadeiro circo foi montado para os derradeiros dois dias de suspense. Mas como em poucas vezes, o circo foi necessário.

Na internet, e apenas na internet diga-se, não faltam críticas ao circo jornalístico e político que se fez em torno do resgate dos mineiros. Nâo faltam criticas à cobertura 24 horas, aos termos usados por jornalistas, comentaristas e, principalmente, à presença constante do presidente chileno Sebastian Piñera na mina, abraçando cada um dos resgatados. Críticas que soam, na melhor das hipóteses, a uma vontade intrinseca que jornalistas sentem impelidos a criticar fatos alheios que não estão acompanhando.

É uma aversão natural ao papel espectador onde a natural necessidade de comentar e relatar se tranforma em uma necessidade de criticar. Embora isto seja compreensivel, não deixa de ser uma atitude antipática e, até, antiética. O fato é que qualquer jornalista que se preze gostaria de estar acampado ao lado da mina de San José. Um bom exemplo é o contado pela ótima reporter Patrícia Campos Mello, em seu blog no Estado: Uma equipe de um pequeno jornal chileno foi dirigindo por mais de 3000 km de Buenos Aires até ao local.

A história foi escrita como poucas vezes vimos, de forma bonita, sem sangue e com lágrimas de alegria. Um país sul-americano deu um espetáculo de organização, eficiência e rapidez ao lidar com uma tragédia que se tornou nacional. Um presidente agiu de forma exemplar, cuidando pessoalmente de todos os aspectos ao redor do resgate e quando necessário, delegando tarefas que não lhe cabiam.

Com todo o respeito ao criticos, mas todo o capital politico Piñera acumulou neste episódio foi merecido. Se ele não é um herói, porque este título apenas pode ser dado aos mineiros, o presidente do Chile teve participação crucial no grande desfecho. Ocorreu tudo perfeitamente no deserto do Atacama nos últimos dois meses. Não há nada a criticar. Talvez seja isto que incomode tantos jornalistas de Twitter por aí.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Brasil: Produzindo bons vídeos na internet


Ok. Vou escrever sobre um assunto tão batido que até o Fantástico da Rede Globo já comentou sobre. Vídeos no Youtube e o crescimento dos vlogers no Brasil.

Plataforma audiovisual não é novidade por aqui. Todo mundo vê e reparte vídeos engraçados no trabalho, entre parentes e amigos, além de comentar e retransmitir notícias importantes nesse formato digital. No entanto, o que está surgindo como novidade agora é a alta de desenvolvimento de produtos nesse segmento, e são produções com qualidade dessa vez.

Um exemplo deles é o trabalho de um jovem chamado Gustavo Horn. Vlogueiro diferente, o rapaz faz vídeos que parecem documentários, com alguns elementos de experimentalismo. Abaixo, você pode conferir um que ele fez sobre o tema "O que você faz da sua vida". São produções que poderiam ser comerciais, curta-metragens e não apenas "eu e minha câmera", com notícias. Vale a pena:



Claro, comentando sobre o trabalho de Horn, eu não estou menosprezando o sucesso de caras como PC Siqueira e Felipe Neto, explodindo desde abril deste ano. Esses dois outros exemplos são pessoas que simplesmente pegaram câmeras e começaram a fazer programas com confissões pessoais e opiniões que cativam as pessoas. Todos os vídeos atuais estão recebendo um up com programas de edição como Sony Vegas (PC) e Final Cut (para Macs). Os "vlogueiros" estão também atraindo a atenção de emissoras grandes como a MTV, como no caso de Ronald Rios, já estrevistado aqui no Bola.

Independente dos vídeos serem um modismo atual dos usuários brasileiros, sua expansão é um benefício para todos. No jornalismo, estudantes podem experimentar se lançar nesse formato, atingindo um público diferenciado na internet, atento aos aspectos diferentes de coisas muito comentadas, como Copa do Mundo, política e outros assuntos.

sábado, 6 de março de 2010

Você-mídia

Em abril de 2008 eu criei um microblog para escrever mensagens de celular. Em formato de celular, em pílula, em resumo. Naquela ocasião, criei apenas porque outros criaram. Vi piadas alheias, não as frases de humor apenas, mas piadas de pássaros, que são as mensagens resumidas em microblog. Interagindo com aquelas mini-mensagens, criei o eu-mídia em piados. O eu-mídia que se alimenta de pílulas e oferece pílulas.

Nesses pedaços minúsculos de informação, eu posso me enxergar como provedor e alimentador desse meio. Quando crio algo maior, me dissolvo na minha própria criação, dentro ou fora de internet, em qualquer suporte, em qualquer parte. Na verdade, posso tornar minha pessoa uma mídia em toda a situação, mas optei pelas informações pequenas.

E é isso o twitter: atualmente, é minha presença comunicativa, pelo menos em suporte. É o formato que eu me adaptei para transmitir o que posso pessoalmente. A questão que resta é se a minha pessoa como mídia vai migrar. Vai? E por qual motivo? Sempre existe um espaço de manifestação mais pessoal.

No entanto, mesmo com todas essas implicações, escrever menos não é escrever mais. Escrever é escrever, seja qual for o tamanho. No fim, restam as significações, os significados, as significâncias.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sobre textos e comentários

Pra quem escreve, essa não é novidade nenhuma. Divulgados hoje via twitter, instantaneamente para seguidores de um autor ou amigos seus, partes de blogs menores ganham popularidade. Sites e blogs com mais nome na internet conseguem essa frequência de visitação mais facilmente, mas o que interessa é que determinadas curiosidades do cotidiano, textos com humor e mensagens simples costumam atrair discussões e muitos leitores para sua página, elevando sua audiência.

Toda a platéia tem seu bônus e ônus.

Existem comentadores de diversos tipos. Há aqueles que comentam por inércia, sem realmente opinar no texto e buscando, talvez, sua própria audiência nos comentários. Há provocadores com várias especialidades: os que buscam equilíbrio e construtividade, os que criticam mas não chegam a firmar seu ponto de vista e aqueles que apenas querem destruir o texto. Há pessoas que só comentam pelo alto número de comentários. Há outros que preferem comentar onde não há ninguém prestando atenção. Audiência, mesmo massificada e classificada por oradores que falam e não ouvem muito, guarda uma diversidade tão grande e intensa que merece uma atenção especial.

O problema, para nós escritores, é que precisamos não abaixar diante de uma crítica que destrói nosso texto, e não se gabar tanto de elogios. Com esses dados, e muitos outros que este texto não conseguiu abordar, falhando miseravelmente, é possível ter uma visão equilibrada de manifestações tão humanas sobre seu texto, seu conteúdo em qualquer suporte ou mídia?

A pergunta fica no ar para quem tem 200 ou mesmo 0 comentários.

quinta-feira, 19 de março de 2009

"Você está demitido!"


Com a tão famosa crise mundial, o já tão mal-fadado mercado da comunicação está entre um dos mais atingidos. Pensando nisso e tentando mostrar como anda a situação, uma conta do twitter chamada “The Media is Dying” lista, como se fizesse uma cobertura ao vivo, as demissões de diversos grupos do ramo. O trabalho, ou a falta dele, do assinante (na verdade, um grupo de profissionais da comunicação que “tentam ajudar nessa situação tão complicada”) ganhou muita visibilidade. São mais de 14.000 pessoas seguindo o site e recebendo avisos diários de quem teve que limpar a mesa e/ou tomar uma portada na cara.

Como nem todo mundo vê a mesma coisa de uma mesma forma, outra conta foi lançada para “brigar” com a TMID. A conta “Media is Thriving” foi criada para mostrar que a área da comunicação vai “muito bem, obrigado” e que tem área em uma situação muito pior que da “galerinha que fala, escreve e desenha”. Bem, como falar bem de algo nunca faz sucesso, MIT tem um pouco mais de 1.800 seguidores. E como era de se esperar, bem menos recados de “olha como estamos bem”. Um ponto muito bom da MIT é o seu BIO, onde se lê uma frase um tanto “dorme com essa, fired-people”: Não culpe a indústria. Culpe o seu chefe.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Será este o novo destino da indústria fonográfica?

É inevitável falar de indústria fonográfica sem citar Madonna. Ela é detentora de um dos álbuns mais vendidos em 2008, ao lado de artistas como Coldplay e Duffy que, mesmo em tempos difíceis quando falamos em vendagens de CD’s, ainda conseguem se sobressair (vendendo algo em torno de 6 milhões de cópias). É um número muito baixo para 12 ou 13 anos atrás, mas que hoje é significado de um bom negócio.

Madonna é contratada da Warner desde o início de sua carreira, quando lançou o single Everybody, em 1983, e, de lá pra cá, são 25 anos de contrato de sucesso.

O comentário que corre entre fãs da cantora é que, desde o álbum Confessions On a Dancefloor, de 2005, a Warner tem deixado a desejar. Com o lançamento de seu mais recente álbum, Hard Candy, o que vimos foi uma divulgação zero por parte da Warner Music para a maior estrela da casa, que é um nome forte, sinônimo de vendas. Cogita-se até mesmo boicote da grande gravadora a sua contratada.

Eis que no final de 2007 é anunciado: Madonna assina contrato com a empresa Live Nation, gigante do mundo do entretenimento, porém sem experiência nenhuma com o lançamento de álbuns. A empresa, que já administrava suas duas últimas turnês, agora também terá controle total sobre sua música, desde a divulgação e lançamento de singles, CD’s e DVD’s até a administração de seus fã-clubes, site pessoal e exploração da marca Madonna.

Estima-se um contrato em torno de US$ 120 milhões, com vigência de 10 anos a partir de 2009, prevendo o lançamento de três álbuns inéditos e três turnês mundiais. Além disso, Madonna também torna-se acionista da empresa.

Ambos os lados prometem inovação nunca vista anteriormente no modo como sua música chegará aos fãs, de forma ilimitada.

E o negócio mostra-se arriscado, uma vez que a Live Nation decidiu por distribuir o material fonográfico por outro selo que não o seu. Exemplo: a gravação oficial em DVD da turnê Stick & Sweet é de propriedade da Live Nation, porém até segunda ordem, a idéia é lançá-lo pela Universal Music.

Como se não bastasse tamanho passo, a empresa também contratou outros artistas de peso para seu casting, além de Madonna: U2, Shakira, Jay-Z e Nickelback, afirmando que pretende ter os artistas mais famosos do mundo, com apelo nos 5 continentes e foco em grandes turnês mundiais, que como sabemos, é o que realmente rende financeiramente de uns tempos para cá.

Muitas são as dúvidas a respeito dos próximos lançamentos dos cinco artistas em questão. Mas uma que não quer calar: será este o novo modelo para salvar a indústria fonográfica de um colapso? Artistas como o Radiohead tentam nos mostrar alternativas há um certo tempo. Façam suas apostas na que parecer mais promissora.

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