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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Um debate importante sobre segurança em um possível segundo mandato de Dilma

Por Pedro Zambarda

Estamos chegando ao fim do segundo turno das eleições presidenciais de 2014. O tucano Aécio Neves disputa com a petista Dilma Rousseff o cargo de presidente da República. Dilma destacou-se em seu primeiro mandato com avanços na educação federal, no combate à fome e na política externa menos dócil, principalmente com o escândalo de espionagem digital dos EUA. No entanto, a gestora fraquejou no avanço da economia e foi dona de uma política de segurança dura durante manifestações, que mostraram sua face inflexível durante a Copa.


Em julho deste ano eu pude conversar com Inauê Taiguara para o site Diário do Centro do Mundo (DCM). Inauê foi preso durante a reintegração de posse da reitoria durante a greve da USP em 2013, sem provas de ter depredado o local, e participou de protestos que ocorrem desde junho do ano passado. Comentamos sobre abusos dos governos e até sobre as reações violentas durante a Copa do Mundo de 2014.

Ao contrário do que o título da matéria dá a entender erroneamente, Inauê não é líder do Movimento Passe Livre (MPL), mas apenas teve uma participação junto com vários coletivos que fizeram parte das mobilizações populares.

Para entrar no debate sobre segurança, é fundamental relembrar os abusos policiais contra protestos sem nenhum motivo ou prova, além dos dados de roubos, assaltos e da criminalidade real das grandes cidades.

Recomendo a leitura da entrevista no DCM.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Exposição no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, homenageia as cinco Copas do Brasil

Foto por Pedro Zambarda. As vitórias simbolizam o Brasil pentacampeão.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Felipão recebeu R$ 4,1 milhões de rescisão contratual com a CBF, diz Folha

Por Pedro Zambarda

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) vai gastar R$ 4,1 milhões na rescisão de contrato com o técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, responsável pelo 7x1 que o Brasil sofreu contra a Alemanha na Copa do Mundo 2014 em nosso país. Informação é do jornal Folha de S.Paulo nesta quarta-feira.



O valor total do desligamento da comissão técnica, incluindo o coordenador Carlos Alberto Parreira e o auxiliar Flavio Murtosa, passou R$ 9 milhões, de acordo com a publicação. O presidente José Maria Marin dissolveu a comissão no dia seguinte ao da final da Copa, em 14 de julho.

A seleção brasileira encerrou o torneio em quarto lugar após um final desastroso, com derrotas categóricas contra Alemanha e, depois, ao enfrentar a Holanda. A demissão foi sem justa causa para os três funcionários.

Via DCM e Terra

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Um resumo da Copa do Mundo do Brasil por quem viu todos os jogos


Por Pedro Zambarda

Acompanhei todos os 64 jogos da Copa do Mundo 2014 para fazer mais os posts do blog ao vivo do Diário do Centro do Mundo (DCM). Vi a maioria na televisão, acompanhei streamings na internet e vi até os protestos que acompanharam boa parte do mundial, até as quartas de final, antes das prisões das polícias no Brasil.



Confira um resumo de tudo.

Uma Copa recheada de grandes jogos

As melhores partidas da Copa do Mundo foram um misto de jogos equilibrados com algumas goleadas históricas. A vitória de 5x1 da Holanda sobre a Espanha foi uma humilhação, mas ela marcou pelo gol de cabeçada de Robin Van Persie, voando como um peixinho, no dia 13 de julho. No dia seguinte, a Itália de Mario Balotelli fez uma disputa equilibrada com a Inglaterra de Wayne Rooney, vencendo por 2x1.

Costa Rica foi a grande surpresa da primeira fase, das oitavas e das quartas de final, vencendo o Uruguai por 3x1 e a Itália por 1x0. Empataram com a Inglaterra no 0x0 e com a Grécia, por 1x1. O último jogo deles foi na Arena Fonte Nova, em Salvador, contra  Holanda no dia 5 de julho. Seguiram empatados no 0x0, para sofrer com o goleiro reserva holandês Tim Krul, escolhido a dedo pelo técnico Louis van Gaal nos pênaltis, perdendo por 4x3. Mesmo sem vencer o mundial, está foi a melhor Copa dos costa-riquenhos, conhecidos pelo apelido de “ticos”.


A França e os Estados Unidos foram boas surpresas na Copa. Os americanos tombaram para a Bélgica no dia 1º de julho, não sem antes resistir antes a toda poderosa Alemanha. Os franceses deram uma goleada de 5x2 na Suíça no dia 20 de junho. O muçulmano francês Karim Benzema cativou por seu futebol, apesar de não cantar a Marselhesa, o hino oficial da França, pelo massacre que ela provocou na Argélia, terra de seus pais. A França tombou para a Alemanha, no dia 4 de julho por 1x0.

As oitavas de final foram tomadas por times latino-americanos, sendo sete dos 16 classificados. Destes, só restaram o Brasil e a Argentina nas quartas, embora os esforços do Chile, do Uruguai, do México, da Colômbia e da Costa Rica foram dignos de nota. Se os hermanos argentinos superarem os alemães, será uma vitória inédita desde a Copa de 90, quando eles foram vices.

De longe, o time que mais me deu orgulho nesta Copa do Mundo foi a Argélia, resistindo bravamente aos alemães no dia 30 de junho, mas perdendo por 2x1. O goleiro M’Bolhi fez defesas espetaculares e foi considerado o homem do jogo pela Fifa, mesmo com a derrota argelina. O escritor e intelectual Albert Camus, se estivesse vivo, teria orgulho do time “pied-noir” que jogou nesta Copa brasileira.

As decepções também fizeram parte do mundial

Jogos de times como a Rússia, Coreia do Sul, Bósnia-Herzegovina, Irã, Honduras e Camarões (exceto quando perdeu para o Brasil) deram sono. Eles são países com fraca tradição no futebol, o que se reflete em jogadas monótonas ou imprudentes. Entre si, os jogos eram parados. Contra times estruturados, eles perdiam por muitos gols. A única exceção que abro foi o jogo entre Irã e Argentina, no dia 21 de junho. De tão monótono, quase tivemos a impressão que o gigante Messi ia tombar para os iranianos. Mas o craque mudou o placar no final. 

No entanto, a grande decepção desta Copa do Mundo aconteceu com o próprio Brasil. Os brasileiros começaram bem a campanha derrubando Croácia, Camarões e Chile. No dia 4 de julho começou o primeiro capítulo da tragédia, com a joelhada do colombiano Juan Zúñiga na coluna do jogador Neymar Jr. O jogador teve a vértebra lombar fraturada, ficando fora da Copa. Mesmo assim, o Brasil ganhou por 2x1.


A grande decepção veio no dia 8 de julho de 2014, a partir das 17hrs. O Brasil foi massacrado pela Alemanha por 7x1. Apesar de serem cotados como favoritos, a seleção do técnico Luiz Felipe Scolari chegou na semi-final desgastada, pouco treinada e com poucas substituições. A falha tática de Felipão abriu espaço para que os alemães goleassem. Só no primeiro tempo, foi 5x0. O jogador Oscar fez o único gol brasileiro da partida.

O resultado péssimo levantou o caso de corrupção dos cartolas da CBF, aumentou a pressão para a retirada de Felipão da comissão técnica. Isso ainda deve causar grandes mudanças no futebol brasileiro, endeusado há cerca de 100 anos, mas com problemas muito presentes. Nossos craques não jogam mais pelo país e são constantemente comercializados por clubes europeus. A mídia esportiva, que tratava a seleção como recreação, está se vendo obrigada a adotar uma postura crítica. A reação de tristeza dos brasileiros neste dia ficou bem evidente.

Os protestos e os abusos do Estado continuaram acontecendo no mundial

No dia 12 de junho, na abertura da Copa, os protestos com o mote “se não tiver direitos, não vai ter copa” chamaram atenção. As polícias militares agiram com a truculência desproporcional que já era empregada antes do mundial. Perto do Itaquerão, uma equipe da emissora CNN chegou a ser atingida por bombas da polícia.

O estudante e funcionário da USP, Fábio Hideki Harano, foi preso no dia 23 de junho, acusado de ser líder dos black blocs. Manifestante pacífico, Fábio estava com capacete de motoqueiro, para se proteger de balas de borracha, e portava um vinagre na bolsa. A polícia implantou um coquetel molotov e o caso de falso flagrante ganhou repercussão nas mídias sociais. Enquanto vídeos mostram ilegalidade na prisão policial, o secretário de Segurança Pública do governador tucano Geraldo Alckmin, Fernando Grella, reforçou a acusação sem ter mais provas. Fábio está preso no presídio de Tremembé até agora.


A maioria dos jogos da Copa do Mundo tiveram protestos, em maior ou menor proporção. No Rio de Janeiro, barricadas foram criadas nos arredores do Maracanã para separar o conflito entre as manifestações e a polícia da torcida dos jogos. No entanto, quem invadiu o Maracanã de verdade foram os 200 torcedores chilenos no dia 18 de junho. Enquanto rolava o jogo Espanha contra Chile, a manada de invasores destruiu a sala de imprensa do estádio. O motivo da mobilização foi a falta de ingressos.

Dois repórteres do Mídia NINJA foram presos, um no Rio de Janeiro e outra em Minas Gerais. Mesmo com as detenções, o coletivo de reportagem continuou transmitindo os protestos. 

A polícia também reprimiu as festas no bairro de classe média Vila Madalena, em São Paulo. O motivo das medidas de segurança foi o horário das festividades, que mergulharam na madrugada paulistana. O problema é quando o procedimento incluiu lançar bombas de gás lacrimogêneo contra torcedores argentinos.

E a internet foi palco de memes

Com as coisas boas e ruins, a rede foi responsável por brincadeiras sem fim. O craque holandês Arjen Robben ficou famoso por se jogar no chão para forçar faltas. A internet, sem perdão, fez montagens do jogador com uma bailarina. No dia 24 de junho, o atacante uruguaio Luis Suárez mordeu o zagueiro italiano Giorgio Chiellini e foi banido da Copa do Mundo. O mundo online transformou Suárez em um tubarão, em um cachorro louco e até em um vampiro.

A derrota brasileira humilhante também virou piada. Usuários disseram que “nunca viram a Volkswagen produzir gols tão rápido”. O jogador Fred foi comparado com um cone e com a personagem “Mulher Invisível”, do quadrinho Quarteto Fantástico. A performance pífia de Hulk também foi vítima de brincadeiras, assim como seu nome foi diretamente relacionado ao monstro verde musculoso. A coluna vertebral fraturada de Neymar e a campanha pela sua melhoria também foi debochada por muitos internautas que não são tão ufanistas.

O maior meme de todos sem dúvida foi com o cantor dos Rolling Stones, Mick Jagger. Conhecido por seu pé-frio na Copa de 2010, as apostas do artista também se mostraram furadas neste mundial. Ele apostou que Portugal venceria a Copa antes mesmo do começo. O time de Cristiano Ronaldo foi eliminado na primeira fase. Jagger torceu então pela sua amada rainha Inglaterra, que tombou junto com os portugueses. Ele também apostou na Itália, que caiu na mesma fase. Por fim, o craque estava torcendo pelo Brasil contra a Alemanha, no dia dos 7x1. Ou seja, todos os times que Mick Jagger queria ver como campeã tombaram rapidamente, exceto talvez pela seleção brasileira.



Mick também virou vítimas de montagens dos internautas, especialmente no Twitter. Todos os times odiados pelo Brasil tiveram pelo menos uma imagem envolvendo o artista. Segundo as redes sociais, Mick Jagger já foi colombiano e até argentino, sendo que o astro sequer torceu para essas equipes. A apresentadora Luciana Gimenez, sua ex-mulher, chegou a reclamar dos internautas, pelo “bullying” exercidos contra o cantor e seu filho, Lucas Jagger.

Copa do Mundo foi uma festa

O mundial foi uma diversão para quem o viveu, com estrangeiros elogiando o comportamento de brasileiros. As festas em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo evidenciaram o lado positivo do evento. Durante os jogos, algumas reclamações ocorreram, mas as arenas conseguiram receber grandes quantidades de torcedores, chegando em uma faixa entre 40 mil e 70 mil pessoas.

Reclamações foram registradas na Arena da Baixada, em Curitiba, no Itaquerão, em São Paulo, e no Maracanã, no Rio. Técnicos reclamaram da qualidade dos gramados na semana do dia 20 de junho. Jogadores também sofreram em jogos às 13hrs em Fortaleza, horário de sol intenso. Mesmo com esses problemas pontuais, os eventos esportivos ocorreram com animação e infraestrutura.

E você, o que achou da Copa?

domingo, 6 de julho de 2014

A surpresa de David Luiz na Copa do Mundo

Por Pedro Zambarda

Não foi Neymar e nem Thiago Silva que detonaram a Colômbia, um adversário difícil na Copa do Mundo do Brasil, mas sim o zagueiro cabeludo David Luiz. Com um gol fora da área no dia 5 de julho, em um chute com barreira, ele deixou os colombianos sem defesa. O goleiro David Ospina tentou voar, mas o gol de David foi absurdamente bem colocado na rede. Foi o segundo golaço de um jogo de 2x1 que o Brasil levou com tensão contra a seleção colombiana.


O zagueiro joga atualmente no Paris Saint-Germain e vale 55 milhões de euros. Sem a pressão que Neymar sofre, David Luiz teve a liberdade de fazer dois belos gols de diferença nesta Copa do Mundo. Além do seu brilho em campo, a seleção brasileira hoje também contou com o gol do capitão Thiago Silva, feito em menos de 10 minutos de jogo.

Neymar infelizmente não mandou bem. É constantemente cobrado, é o craque da seleção e é o querido do Felipão. Não é poupado, não é substituído e está na linha de frente. Levou uma joelhada durante o jogo e caiu reclamando de dores. Foi levado para um hospital em Fortaleza, chorando fora do estádio do Castelão.

Fred, Hulk e Oscar saíram devendo. Hulk chutou bolas tortas em direção ao gol. Fred desapareceu e é o atacante ausente da nossa seleção brasileira, vítima de brincadeiras até nas redes sociais. Oscar não fez o suficiente para marcar um gol. Felipão continua errando ao insistir em alguns nomes em seu time, apesar de ter tirado Daniel Alves. O técnico vai ter que se mexer mais em uma semi-final com a Alemanha. Será um jogo difícil pro Brasil com a qualidade do time alemão, pelo que tudo indica.

Mas David Luiz é um suspiro de alívio em nossa seleção. O zagueiro é carismático, tem garra e é perfeccionista. Em suas tentativas de tirar a bola dos adversários, ele não causa faltas graves ou desnecessárias.

Nisso, é diferente do zagueiro Thiago Silva, que conseguiu um cartão amarelo desnecessário contra a Colômbia hoje e está fora da disputa com a Alemanha. David soube se poupar, fez o gol de diferença e pode continuar sendo nossa surpresa nesta Copa.

Ao acabar o jogo, David Luiz foi o primeiro a ir falar com o atacante James Rodríguez, o astro colombiano, responsável por levar sua seleção novata até essas quartas de final. Ele cumprimentou o adversário com muito respeito e sugeriu, de cara, para que trocassem suas camisetas. David não demonstrou egocentrismo e nenhum comportamento de estrela do futebol. Manteve o pé no chão até o fim.

No dia 15 de junho, um fã-mirim chamado Daniel Jr. invadiu um treino da seleção brasileira para ver seu ídolo David Luiz. Ao invés de tirá-lo dali, porque invadir um treino é errado, David preferiu conversar com o menino e autografar sua camiseta. O jovem chorou diante da atitude do jogador.

David Luiz é um cara muito legal.

domingo, 22 de junho de 2014

O Grande Fracasso da Copa: A Publicidade?

Por Vladimir Cunha, do Mídia Ninja
Creative Commons

A publicidade fracassou nessa Copa porque fala com um Brasil que não existe mais. Ela ignora todas as conquistas sociais, a mudança de mentalidade de certos setores da sociedade, a nova cara da classe C, o empoderamento estético e simbólico da mulher brasileira que agora tem dinheiro para malhar e cuidar de si e a falência de determinados meios de produção e difusão cultural.


Nessa Copa fizemos comerciais e campanhas como se ainda estívessemos nos anos 90 e com os mesmos temas batidos de sempre: a "rivalidade" com os argentinos, coxinhas fazendo graça em mesa de bar, mulheres a serem "conquistadas", a "emoção do futebol" e as bobagens de sempre.

O período era propício a uma quebra de paradigmas - como a dos comerciais da Nike e Adidas do final dos anos 90, que falavam diretamente aos screenagers da época e usavam música eletrônica e aspectos dos videogames, dos vídeos de skate e snowboard e dos filmes de ação produzidos por Jerry Bruckenheimer.

Pelo contrário. Fizemos peças e campanhas pouco inspiradas, disfarçando a falta de criatividade com o uso excessivo de hashtags que não deram em muita coisa.

Caxirola não colou, Fuleco não colou e nenhuma música "da Copa" entrou na cabeça das pessoas da maneira como "Festa", da Ivete Sangalo, ou "Canarinho", do Luis Ayrão, fizeram de maneira orgânica no passado.

Se a publicidade brasileira tivesse realmente a cara do Brasil teríamos um comercial com Valesca Popozuda, de boné John John e calça La Bella Mafia, e não Fernanda Takai e Paulo Miklos cantando sobre as mesmas imagens estilizadas de sempre. De um Brasil que só existe na cabeça dos publicitários, diga-se de passagem.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Copa no Brasil: Legado para quem?

Por Jessica Mota, Luiza Bodenmüller e Natalia Viana
Da Agência Pública, por Creative Commons.



Cinco histórias de vitórias populares contra violações aos direitos à cidade, à moradia, ao trabalho, à cultura e ao esporte durante os preparativos da Copa

Não faz muito tempo que a palavra de ordem “Não vai ter Copa” surgiu nas manifestações que denunciam os impactos sobre a população e questionam o legado da Copa do Mundo de 2014. Com outras faixas, como “Copa pra Quem?”, há três anos as organizações populares das 12 cidades-sede vêm denunciando as remoções de comunidades, questionando a construção de obras contrárias ao interesse público e reivindicando o direito da população de trabalhar em áreas sujeitas às exigências da Fifa. Protestos, abaixo-assinados e ações judiciais foram instrumentos capazes de trazer a vitória da população organizada em alguns desses casos – e essas conquistas talvez sejam o principal legado que a Copa deixará para o Brasil.

Recuperamos cinco dessas histórias.

NATAL: UM PROJETO ALTERNATIVO DE TRÁFEGO POUPA A COMUNIDADE DO DESPEJO

“O que eu aprendi? Aprendi que temos direitos”, resume a professora de geografia Eloísa Varela, que morava – e ainda mora – ao longo da Avenida Capitão-Mor Gouveia, no bairro de São Domingo, zona oeste de Natal. Em agosto de 2011, ela recebeu uma notificação da prefeitura avisando que seria removida da casa onde vive há 21 anos.“De início a pessoa se aperreia com a história que vai perder a casa, tem toda a questão do lugar, de se reconhecer nele e perder os laços estabelecidos ali”, lembra. Cerca de 250 famílias residentes ao longo da avenida, que liga o aeroporto ao estádio Arena das Dunas, receberam o mesmo papel com a sentença que abateu Eloísa. “Tinha gente que vivia lá há 40 anos”, ela diz.

Eloísa começou a participar dos encontros do Comitê Popular da Copa, que reuniam moradores, arquitetos, urbanistas, advogados. Juntos, viram a luz no fim do túnel: “Estudando o projeto, começamos a ver que a obra em si estava irregular: não atendia aos parâmetros plano diretor, não houve audiência pública, não havia a licença ambiental… A gestão simplesmente decidiu que ia ser esse o projeto e avisou o povo“. Para entrar na Justiça contra o projeto, formalizaram a criação da Associação Potiguar dos Atingidos pela Copa (APAC). Mas o mandado de segurança impetrado para impedir o início das obras foi negado pelo juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Natal em março de 2012. Resolveram tentar outro caminho. “No começo a gente só estava pensando em ações legais. Até que um morador propôs: por que não montamos um projeto alternativo…?”, lembra Eloísa.

O projeto oficial previa, como principal mudança naquele trecho, o alargamento da avenida – o que provocaria as remoções – para acelerar a ligação entre o aeroporto e o estádio Arena das Dunas, já conectado ao parque hoteleiro na via costeira. “É um percurso turístico, ou um ‘percurso Copa’”, explica Dulce Bentes, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Como se tratava de um projeto viário, passaram a realizar seminários e workshops para propor um traçado alternativo, com a ajuda de Dulce e outros arquitetos e urbanistas. Depois de estudar o tráfego da região, o grupo chegou a um modelo em que vias paralelas à avenida também seriam utilizadas para o deslocamento, sem necessidade de alargá-la.“É uma caixa de ruas bastante largas, então a ideia era fazer fluir o tráfego num sentido em uma avenida, e voltar em outra. Fizemos muito mais um estudo de tráfego do que simplesmente optar por aumentar uma avenida para usar só uma via”, explica.

O projeto foi entregue para representantes da prefeitura em uma audiência pública em maio de 2012 e, mesmo antes disso, o comitê popular já buscava explicar o problema à população, entregando flores e panfletos aos motoristas que passavam no local.

Em agosto, a Secretaria de Planejamento Municipal de Obras Públicas passou a discutir alternativas. Mas, com a prefeita Micarla Araújo de Sousa (PV) em fim de mandato, parecia difícil o projeto sair do papel. Os moradores passaram a pressionar os candidatos em campanha, ávidos por apoio e generosos nas promessas, e conseguiram arrancar de dois deles o compromisso de, se eleitos, rever o projeto.

Ao tomar posse, o novo prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) revogou os decretos de desapropriação e chamou o comitê para uma reunião. Pediu que a proposta fosse reapresentada formalmente. “Nenhuma remoção foi realizada”, comemora Eloísa, ressaltando que há outras bandeiras importantes ainda em disputa em Natal, como a de barrar a redução da área do Parque Areia das Dunas, o segundo maior parque urbano do país.

“Essas gestões foram eleitas, então têm que atender às demandas da sociedade. Então não estou cobrando nada além dos meus direitos, o cidadão tem o direito de discutir a cidade e a construção dela”.

SALVADOR: BAIANAS USAM INTERNET NO “LOBBY” CONTRA A FIFA

No dia 5 de abril de 2013, cerca de cem baianas paramentadas tomaram a entrada do Estádio Fonte Nova, em Salvador, durante a cerimônia de inauguração da arena, com a presença da presidenta Dilma Rousseff, do governador da Bahia, Jaques Wagner, e do prefeito da capital baiana, ACM Neto. “Levamos tabuleiro, distribuímos acarajé de graça, 200 camisas do Vitória e do Bahia, e outras falando ‘A Fifa não quer acarajé na Copa’”, conta Rita Santos, presidente da  Associação das Baianas de Acarajé.

O protesto bem humorado foi motivado pelas normas da FIFA para a venda de alimentos nos estádios durante os jogos da Copa do Mundo que, na prática, impediam que as baianas vendessem o quitute tradicional, considerado patrimônio imaterial do Brasil. Além dos tabuleiros, as baianas traziam um abaixo-assinado com mais de 17 mil nomes. Foi a cartada final de uma campanha  de ‘advocacy’, um lobby do movimento popular, que envolveu contatos com políticos e uma estratégia de apoio da população que atraiu a atenção  – e a simpatia  – da imprensa nacional e internacional.

A carioca Rita Santos, mãe do goleiro Felipe, do Flamengo, gosta de contar a história que terminou com a vitória das baianas. Foi um jornalista que a preveniu de que as regras da FIFA para a venda de produtos nos estádios e em seu entorno exigiam uma licitação, de burocracia inalcançável para essas trabalhadoras autônomas. A resposta da FIFA: todas as lanchonetes poderiam vender acarajé desde que vencessem as licitações.

“A gente disse que não, que a gente não queria ser empregadas da empresa, queria trabalhar por conta própria, como sempre trabalhamos”, diz Rita. “A Dona Norma, a Solange, a Meirejane trabalham em todos os jogos. A Dona Norma trabalha lá há mais de 50 anos”, explica Rita. “Foi por causa dessas três que eu comecei a brigar”.

Rita, figura conhecida da imprensa baiana (afinal, é a associação que cuida de diversos cerimoniais do governo do Estado), passou a dar entrevistas criticando duramente a jogada da FIFA. “Eu já tinha ido conversar com o governador aqui, mandado emails para o ministro dos Esportes e para a FIFA, fui no Ministério Público e abri uma ação contra a FIFA…”

O movimento atraiu a atenção da equipe da Change.org., uma organização que promove petições on line em defesa de direitos que estava chegando ao Brasil. “Entramos em contato para ver se elas se interessavam em fazer um abaixo-assinado. Toparam na hora”, explica Graziela Tanaka, diretora de campanhas da Change. “Elas já são super organizadas politicamente, têm contato direto com as pessoas mais poderosas da Bahia. A gente ajudou na parte estratégica, buscando ver quem era o responsável da secretaria especial para a Copa em Salvador, fazer o contato com o Governo Federal”, Nos seis meses seguintes, a petição recolheu 17.728 assinaturas. “Aí o movimento deixou de ser local, começou a sair matéria em outros estados e outros países”, avalia Rita.

O abaixo-assinado foi entregue a um assessor do gabinete da Presidência da República durante a inauguração, quando as baianas foram convidadas de última hora a entrar no estádio. Pouco depois, Rita foi chamada pelo Secretário Especial para Assuntos da Copa: a FIFA tinha autorizado as baianas a trabalhar na Arena na Copa das Confederações.

Apesar de a vitória ter alcançado notoriedade internacional – afinal, foi uma das poucas vezes em que trabalhadores conseguiram mudar uma determinação direta da FIFA – Graziela lamenta que a entidade jamais tenha declarado publicamente ter mudado sua posição. “Eles não queriam dar a vitória como fruto de pressão popular”, diz Graziela.

BELO HORIZONTE: A PERSISTÊNCIA DOS FEIRANTES DO MINEIRINHO

Os feirantes da tradicional Feira de Artesanato do Mineirinho, o estádio Jornalista Felipe Drumond, em Belo Horizonte, também tiveram que lutar muito – foram seis meses de protesto – para obter um desfecho favorável de sua causa.

Entre 2011 e abril de 2013, a feira que acontecia todas as quintas-feiras e domingos, dentro do estádio, foi fechada para dar lugar às estruturas temporárias da Copa das Confederações. Rumores de que esse fechamento seria permanente ameaçavam 400 expositores e cerca de 4 mil empregos indiretos gerados por esse comércio.

“Nós tentamos diálogo várias vezes antes de fazermos manifestações. Mas o secretário estadual dos esportes, Eros Biondini, falava que não era ele que resolvia, e o Tiago Lacerda, que na época estava à frente da Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo, nunca nos recebeu”, diz Thereza Marques, presidente a AEFEM.

A solução foi ir às ruas – ou melhor, ao estádio. “A AEFEM continuou indo ao Mineirinho todas as quintas e domingos, no horário da feira, pedindo a nossa volta”, lembra. “A gente tinha umas 100 pessoas a cada dia com faixas, cartazes, panfletos. A gente vendia bala no sinal, conversava com o pessoal, contava o que estava acontecendo”. A convite do Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa (COAPC), os feirantes ampliaram sua presença nas ruas, durante as primeiras manifestações massivas na cidade, que recebia a Copa das Confederações em junho. “Fomos pras ruas, mas agora pra uma manifestação maior que a nossa, no tamanho. No dia 17 de junho, seguimos da Praça 7 ao Mineirão, e lá Claudio, nosso colega de feira, levou gás lacrimogêneo da cara, spray de pimenta, quase foi preso… Mas firmes em trazer a feira de volta”, relata Thereza.

Foi quando o governo do Estado procurou o Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa (COAPC) e a AEFEM para conversar. “Fomos chamados para uma reunião com o governador sobre segurança nas manifestações. Foi aí que conseguimos marcar outra reunião para falar das demandas da população, entre elas a da feira do Mineirinho”.

Pouco depois, a sorte virou. “Foi no dia 25 de Julho – não esqueço – que a gente recebeu a resposta do Ronaldo Pedron, assessor do Governador, de que poderia voltar a um espaço provisório, e depois da Copa ganhar um espaço efetivo [no Mineirinho]”, lembra Thereza. Os feirantes retornaram no fim de 2013, e hoje ocupam o primeiro andar do estádio.  “Estamos gostando bastante. A feira fica mais compacta, mais fluida, é mais fácil para as pessoas verem a feira toda”. Agora, eles brigam para que esse acordo seja assinado com a nova empresa concessionária do estádio. “Já avisamos que só vamos sair [para a Copa] quando tivermos em mãos o contrato assinado”. Não há ainda data para a nova licitação.

FORTALEZA: 22 COMUNIDADES AINDA EM LUTA

Em meados de 2010, os moradores da comunidade Caminho das Flores, no bairro de Parangaba, foram visitados pelos técnicos contratados pelo governo estadual para fazer o cadastro das 45 famílias residentes na única rua da comunidade. O motivo? A 18 metros dali, passaria o primeiro trecho do VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) que ligaria o oeste de Fortaleza ao Porto de Mucuripe, a um custo estimado de R$ 265,5 milhões, bancados pela Caixa Econômica Federal e o governo estadual. A notícia veio tão abrupta quanto desencontrada; os moradores não ouviram falar mais da obra até o final de 2012, lembra Thiago de Souza, morador e integrante do Comitê Popular da Copa de Fortaleza:  “Foi aí que o governo fez uma reunião com a gente para explicar o que seria feito”.

A faixa de 7 metros, que teria de ser cedida para o novo VLT, significava que boa parte das casas seria “comida” pelas desapropriações. “No meu caso, por exemplo, meu terreno tem 135 metros. Eles queriam desapropriar 35”. Foi aí que a comunidade resolveu se organizar e se juntar a outras 21 comunidades que passavam por uma situação semelhante. “As 22 comunidades existem há mais de 50, 60 anos. E o governo num passe de mágica quer acabar com elas”, resume Thiago. “A gente foi atrás quando a coisa esquentou para a gente”, lembra ele, apontando por exemplo que o projeto do VLT não havia sido apresentado aos moradores.

Junto com as outras comunidades, eles entraram em contato com o Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar, que contatou a Defensoria Pública. “A gente só conseguiu ver o projeto mesmo depois que a Defensoria entrou com uma ação civil pública exigindo que fossem respeitados os nossos direitos”. Houve três audiências na qual a Defensoria mediou as negociações com o governo estadual. O resultado, no caso da Caminho das Flores, é que o terreno a ser desapropriado foi bastante reduzido, e os moradores conseguiram reconstruir suas casas no próprio terreno, com maior recuo. “Na comunidade Lauro Vieira Chaves iam ser 200 famílias removidas e conseguimos reduzir para 50. Na Alcir Barbosa também, iam ser mais de 200 e conseguimos abaixar para 50 famílias removidas”, comemora Thiago.

Segundo os dados oficiais, cerca de 3 mil famílias seriam inicialmente removidas, mas o número foi reduzido para 2.185 residências que estão atualmente em processo de remoção. Já o Comitê Popular contabiliza 5 mil famílias em risco inicialmente, e diz que ainda há 2.500  famílias que devem ser removidas pelo VLT (em diversas residências há mais de uma família). “O governo diz que foi ele que reduziu esse número, mas isso nada mais é que fruto da luta das comunidades. Se ninguém tivesse resistido, hoje estaria todo mundo na rua…”, diz.

O Comitê segue em negociação, e pretende reverter mais remoções forçadas na área do VLT.

RIO DE JANEIRO: O MARACA É NOSSO, O MARACA É DELES

No dia 29 de julho de 2013, o governador Sérgio Cabral anunciou pelo twitter: “Tenho ouvido muitas manifestações em defesa da permanência do Parque Aquático no complexo do Maracanã. Coaracy [Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos] me disse que o governo com isso estaria atendendo à natação brasileira. Diante disso, o Júlio de Lamare [nome do parque] está mantido”.

Os tweets marcavam uma recuada e tanto do governo Cabral, amplamente comemorada pelos que protestavam contra a destruição do complexo: além do parque aquático, a sede do ex-Museu do Índio, ocupada por representantes de várias nações indígenas, o estádio de atletismo Célio Barros e a Escola Municipal Friedenreich, estavam igualmente condenados à demolição. “O anúncio começou pelo Júlio de Lamare, posteriormente ele falou não ia demolir a pista de atletismo, e quando chegou em 5 de agosto veio a confirmação que a escola não seria mais demolida”, lembra Carlos Ehlers, pai de duas alunas da Friedenreich.

A suspensão das demolições vinha sendo reivindicada pelo Comitê Popular da Copa no Rio de Janeiro – um dos mais ativos do Brasil – desde 2012, mas os tweets do governo vieram em um momento em que o Rio estava sob a intensa agitação das manifestações que começaram em junho e se prolongaram por meses.

A revolta contra a descaracterização do Maracanã pelas obras da Copa era uma das bandeiras que unia os cariocas bem antes dos protestos de junho, como explica Gustavo Mehl, membro do Comitê Popular e apaixonado pelo Maraca. “O Maracanã resumia o que estava acontecendo na cidade: o processo de privatização, autoritarismo, falta de interlocução com a sociedade civil, remoções, expulsão dos pobres, elitização dos espaços. Mas a partir de 2012, o Maracanã vira um símbolo de luta”.

O anúncio oficial dos planos de demolição foi tornado público em 22 de outubro de 2012, com a publicação do edital de licitação da concessão pelo governo do Estado. Aos protestos puxados pelo comitê uniram-se os indígenas, que moravam e expunham objetos artesanais na Aldeia Maracanã, como foi rebatizado por eles o antigo Museu do Índio, fundado por Darcy Ribeiro; os pais dos alunos da escola municipal Friedenreich, décima melhor do país segundo o índice do Ideb; os atletas que treinavam no estádio de atletismo Célio de Barros; e os nadadores do Parque Aquático Julio de Lamare. Juntos, eles passaram a se reunir semanalmente, divulgando suas denúncias principalmente pela internet – um dos vídeos, sobre violações de direitos humanos nos preparativos da Copa chegou a ser apresentado na ONU.

O velocista Nelson Rocha dos Santos , o Nelsinho, ex-campeão estadual, brasileiro, sul-americano e mundial de corrida, que participou da mobilização, comenta hoje: “As redes sociais são importantíssimas para que o restante da população seja informada, e com isso a gente ganha força, ganha uma voz que não tínhamos”.

O movimento também foi atrás do apoio jurídico do Ministério Público, conversou com vereadores, reuniu-se com a secretária municipal de Educação para tentar evitar o fechamento da escola. O principal embate veio em 8 de novembro de 2012, quando os organizadores conseguiram mobilizar a população para comparecer à audiência pública de explicação da licitação – até então as audiências pública haviam sido meramente formais, segundo Gustavo Mehl. “Havia mais de 500 pessoas no lugar e todas estavam revoltadas, aplaudindo e gritando de forma unânime contra o teatro que estava montado para a entrega do Maracanã. A partir daí foram duas horas de protestos, não houve audiência”, relatou à Agência Pública na época. “Se o governo tivesse tido um pouco mais de sensibilidade, teria visto que aquilo era um caldo que estava começando a entornar”, avalia ele hoje.

Embora Sérgio Cabral tivesse anunciado que não iria demolir o prédio do Museu do Índio já em janeiro, o governo insistiu em retirar os indígenas dali, para dar outra finalidade a ele. Por isso, em 22 de março de 2013, policiais militares invadiram a Aldeia Maracanã usando bombas de gás lacrimogêneo contra índios e ativistas para desocupar o espaço. A truculência dos policiais foi denunciada na ONU pela ONG Justiça Global. Segundo Carlos Tukano, um dos representantes indígenas, o prédio está agora em reformas e será transformado em um “Museu Vivo da Cultura Indígena”, a ser concluído em agosto de 2015. Mas eles pretendem a voltar a expor seu artesanato no local a partir de abril e ali permanecer durante a Copa do Mundo.

Hoje, a escola continua funcionando, e uma reforma está prevista; o parque aquático voltou a funcionar em 4 de novembro, depois de seis meses fechado. Mas Nelsinho continua pessimista: o estádio Célio de Barros segue como estava antes do recuo de Cabral. “Eles cimentaram a pista e o campo, destruíram o placar eletrônico, a torre de controle, só está de pé a arquibancada”, lamenta. “Hoje, ali, todos são funcionários da Odebrecht. Quer dizer, aquilo ali na verdade não é público”.

A Pública apurou que, no último dia 20 de janeiro, o Ministério dos Esportes liberou um repasse para a Secretaria Estadual de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro através da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 9,2 milhões para a reforma do estádio. “O governo do estado deve, agora, apresentar o projeto para a Caixa Econômica Federal, órgão responsável por acompanhar a execução do objeto do contrato”, informou a assessoria de imprensa.

“Eles estão empurrando a história” ataca Nelsinho. “O Célio de Barros vai ser usado durante a Copa exatamente como foi usado na Copa das Confederações: para estacionamento VIP.”

Mesmo assim, Nelsinho não se decepcionou com a batalha. “Eu aprendi o seguinte: a gente deve se organizar para se manifestar. E a gente não pode ter medo. Até comprei o disco do Rappa, tem até uma musica que diz assim: qual é a paz que eu quero para mim? Paz sem voz, não é paz, é medo”.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Copa do Mundo faz Brasil se tornar prioridade na vigilância internacional

Por Bruno Fonseca, Jessica Mota, Luiza Bodenmüller e Natalia Viana
Da Agência Pública, por Creative Commons.

Gigantes do setor obtêm contratos em diversas cidades para monitorar brasileiros durante os jogos de 2014 - desde scanners de segurança até softwares de rastreamento remoto


Pouco depois de ser informada sobre a espionagem que sofrera da Agência de Segurança Americana (NSA), a presidenta Dilma Rousseff pediu aos ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e José Eduardo Cardozo (Justiça) para incluir no Marco Civil da Internet um dispositivo que permita suspender a operação de empresas que cooperarem com esquemas de espionagem internacionais. “Pode ser banco, empresa de telefonia”, disse o ministro das Comunicações.

Mas garantir a segurança de dados sensíveis pode passar também pelas empresas multinacionais de vigilância, já que boa parte da crescente demanda por vigilância na Copa do Mundo será suprida por gigantes do setor – as mesmas empresas que provêm equipamentos e softwares para polícias de todo o mundo, incluindo o governo americano e a NSA.

Grande parte delas é mencionada na recente publicação, pelo WikiLeaks, do projeto Spy Files 3, um compilado de 249 documentos de 92 empresas, entre brochuras, contratos e metadados referentes a alguns dos principais empresários do setor. Eles mostram que, com a perspectiva dos megaeventos, o Brasil se tornou prioritário para a indústria de vigilância global.

A Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE) vem adquirindo várias tecnologias para segurança pública. Já foram R$ 200 milhões executados em contratos de âmbito nacional. E a indústria de equipamentos de vigilância tem apostado pesado em aproveitar essa oportunidade. Nos últimos anos, diversas feiras empresariais têm acontecido no país.

Em julho, em Brasília, foi a vez da ISS World, que reúne policiais, agentes de segurança e analistas de inteligência para treinamento em interceptação legal, investigações eletrônicas de alta tecnologia e recolhimento de inteligência de redes. Financiada pela maiores do ramo, como Gamma Group, Hackingteam, Cobhan Surveillance, Hidden Technology, GlimmerGlass e a brasileira Suntech, são os seus diretores que dão os workshops. Alguns cursos ensinavam, por exemplo, a usar as redes sociais para inteligência de fontes abertas em investigações criminais, ou como melhor usar o Facebook: desde segurança no Facebook até retenção de dados e a interação com forças de segurança. Outro treinamento, dado pela empresa Group 2000 Netherlands, abordava o funcionamento da interceptação de dados em nível nacional, combinada com LBS (Location-based service) – um serviço de programação de computador que permite incluir localização e horário no sistema usado. A empresa IPS teve como tema Mídia Social e webmails: arquitetura de Big Data para interceptação massiva, além de um curso sobre “intrusão esperta” de redes sociais e webmails. A empresa brasileira Suntech, que hoje faz parte do grupo americano Verint, financiou um dia todo de treinamento, com foco especial em interceptação de telecomunicações.

Além da ISS, a LAAD, Latin American Aerospace & Defence, a principal feira de empresas de segurança e defesa da América Latina é realizada no Brasil desde 1995, com apoio dos Ministérios da Defesa e da Justiça. Nos últimos anos, os megaeventos têm sido o principal foco dessa feira, base para grandes negócios na área.

Em 2011, por exemplo, o Ministério de Defesa anunciou o projeto para o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), baseado em uma rede de sensores interligada a sistemas de comando e controle. Os militares queriam acelerar a construção dos sistema por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O custo estimado, de R$ 6 a 7 bilhões, animou o mercado internacional. E com razão: apesar da construção do sistema ter sido entregue a uma subsidiária da Embraer, o Grupo Saab, da Suécia, divulgou que sua subsidiária alemã MEDAV vai fornecer, como subcontratada, estações de sensores estacionárias e móveis para o programa, com capacidade de monitorar e identificar a direção nas frequências HF, VHF e UHF.

Este ano mais de 30 mil visitantes compareceram à LAAD, que abrigou 720 expositores de 65 países, entre eles os representantes dos ministérios de defesa da Ucrânia, Reino Unido, Argentina e África do Sul. Em 2014, ano da Copa do Mundo, uma versão menor, apenas sobre segurança, está marcada para os dias 8 e 10 de abril no Riocentro.

IBM E A VIGILÂNCIA NAS RUAS: COMANDO E CONTROLE

Segundo a empresa de pesquisa de mercado IMS Research, o Brasil é o grande mercado para sistemas de vigilância em vídeo na América Latina (concentrando 45% do total até 2014), que está ainda mais aquecido pelos megaeventos. “Equipamentos de vigilância serão usados para os dois maiores eventos de esporte no mundo a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016; em um grande número de projetos de infraestrutura no Brasil; e diversos projetos de vigilância extensiva nas cidades”, declarou na época o autor da pesquisa Oliver Philippou.

Desde 2010, a multinacional americana IBM tenta vender aos governos brasileiros a sua concepção de “cidades mais inteligentes”, com soluções tecnológicas nas áreas de transporte, energia e, cada vez mais, segurança. Naquele ano, a empresa apoiou um “road show” da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas pelas 12 cidades-sedes da Copa do Mundo e escalou seu gerente de novas tecnologias, Cezar Taurion, como articulista do Portal da Copa 2014 para “debater como a tecnologia pode ajudar a desenvolver a infraestrutura das cidades brasileiras e prepará-las para a Copa do Mundo de 2014, ajudando a torná-las mais inteligentes”, segundo o site da empresa.

Os frutos compensaram os esforços: a IBM ficou responsável por projetar os Centros Integrados de Comando e Controle, centros tecnológicos que concentram as decisões referentes a segurança durante os jogos. Nesses centros, telas gigantescas monitoram desde as câmeras de rua ao redor dos estádios até a dados meteorológicos, além de mapas que mostram locais de acidentes de carro, e no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, tiveram um papel crucial na estratégia de repressão policial aos massivos protestos que ocorreram em junho. Ali trabalham em cooperação a Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Guarda Municipal, Defesa Civil e Companhia de Engenharia de Tráfego.

No total, as instalações do Rio custaram cerca de R$ 104,5 milhões – 70% pagos pelo do Estado e 30% pela União, segundo dados divulgados pela prefeitura. A IBM incorporou o hardware, software, parte analítica e pesquisa. A gigante inglesa da vigilância Cisco entrou com a infraestrutura de rede e o sistema de videoconferência que liga o centro de operações diretamente à casa do prefeito.

O Centro foi inaugurado no final de maio deste ano, semanas antes do início das manifestações e da Copa das Confederações. Na ocasião, o ministro da Justiça José Eduardo Cardoso saudou a obra “impactante pela tecnologia e funcionalidade” e disse: “Este centro é exemplo para o mundo. A segurança pública do país ganha em qualidade, é um legado que vai ficar para a sociedade brasileira após os grandes eventos”.

A IBM também ganhou o contrato de implementação de 27 Centros Integrados de Comando e Controle Móvel (CiCCM), projeto da SESGE, junto com as empresas Rontan e Medidata, e a Cisco. São 27 caminhões com tecnologias da informação, sistemas de comunicações e vídeo-monitoramento para a Copa de 2014, que vão funcionar como postos avançados de comando e controle, operados por agentes das mesmas forças. “O centro móvel será fundamental para a gestão da segurança durante os grandes eventos ao reunir o que há de mais eficaz em tecnologia para respostas rápidas à incidentes e ameças”, afirmou Rodrigo Dienstmann, o presidente da Cisco do Brasil.

Não é só para a Secretaria Especial que as empresas de vigilância internacionais têm fornecido tecnologias. Veja abaixo como algumas das empresas listadas na publicação Spy Files 3 têm atuado no Brasil.

AGT INTERNATIONAL

Em julho de 2011, a AGT abre uma sede no Brasil. No release de inauguração, eles destacam que a subsidiária brasileira estaria focada, principalmente, em fornecer ao governo e a empresas soluções em segurança associadas a gerenciamento urbano, proteção de bens e gerenciamento de mega eventos. Em 2011, a AGT participou da Olimpíada Militar (CISM), no Rio de Janeiro, com 8 mil atletas e delegados de 100 países. O diretor da subsidiária brasileira é David Baroni, que já foi presidente da TAM e do Instituto Ayrton Senna. “Nossas soluções têm como base tecnologia de ponta, softwares e metodologias avançadas. Gerenciar as necessidades de segurança de grandes ou megaeventos é uma das nossas áreas de especialização.”, destacou ele, da Comunicações Táticas e Vigilância da empresa. Do escritório localizado em São Paulo, em março desse ano, a empresa fechou seu primeiro contrato, assinado com a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, a SESGE, subordinada ao Ministério da Justiça. Foram vendidas câmeras de vigilância HD para helicópteros que serão distribuídos pelas cidades-sede da Copa do Mundo no Brasil.

A aquisição foi mediada pela brasileira Aeromot Aeronave e Motores, uma empresa gaúcha que venceu o pregão eletrônico, Como alardeia a própria SESGE , são os mesmos equipamentos utilizados pela polícia de Massachussets que “ajudaram a identificar o suspeito da Maratona de Boston”.

DIGITAL BARRIERS

Em abril deste ano, na Feira Internacional de Defesa e Segurança LAAD, a Digital Barriers apresentou o ThruVision TS4, um aparelho que é capaz de escanear uma pessoa, em busca de objetos suspeitos que possam estar escondidos sob suas roupas, sem revelar partes íntimas do corpo. De acordo com reportagem do Portal Terra, que teve acesso à LAAD este ano, a Digital Barriers estaria negociando com agências de segurança brasileiras para vender o aparelho em virtude da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

HIDDEN TECHNOLOGY

A empresa é especialista em produzir softwares e hardwares de rastreamento remoto. Em março desse ano, a empresa fechou uma parceria com a brasileira Sitges Tecnologia, localizada em Belo Horizonte. Como outras do ramo de segurança e vigilância, a Hidden Technology se posicionou no Brasil pelas “oportunidades de segurança”, com a Copa do Mundo e as Olimpíadas sendo o maior atrativo.

HARRIS

Em um relatório de previsão da empresa, datado de 22 de agosto deste ano, a Harris destaca em um gráfico a oportunidade de melhorias de infraestrutura por ocasião da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 como oportunidades de crescimento internacional. Isso porque as organizações federais brasileiras, como as Forças Armadas, já são clientes da empresa. Em janeiro deste ano, por exemplo, o Ministério da Defesa assinou um contrato de US$ 10,7 milhões na compra de sistemas de rádio táticos para comunicação.

MORPHO (SAFRAN)

A Morpho, do grupo francês Safran, em junho de 2013 fechou contrato com a Infraero para a venda de 45 Itemiser® DX, um equipamento da empresa para detectar traços explosivos (ETD). Segundo o próprio texto da empresa, a negociação é em vista das modernizações que a Infraero necessita fazer por conta da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas.

ROHDE & SCHWARZ

A Rohde & Schwarz é um conglomerado dono de várias empresas no setor de segurança e vigilância ao redor do mundo, como a Ipoque e a Cassidian. A Rohde & Schwarz já tem dois contratos relacionados à Copa do Mundo. Um diz respeito à aquisição de um sistema de análise de espectro, para a Anatel. O contrato é de mais de R$ 1,5 milhões. O outro diz respeito a 48 estações desse mesmo sistema, compradas por mais de R$ 18 milhões pela Agência Nacional de Telecomunicações. Em entrevista ao site Baguete, Alexandre Paiva, diretor de Canais e Alianças da Nice Systems no Brasil, disse ver os investimentos em videomonitoramento para a Copa e as Olimpíadas como grande oportunidade. “Não adianta por as câmeras e colocar uma pessoa para monitorar a atividade. Está provado que não funciona”, disse ele na matéria.

CASSIDIAN

A Cassidian atua no Brasil desde a década de 1970, quando surgiu a Helibras, uma empresa brasileira de fabricação de helicópteros. Ela faz parte do grupo EADS, dono também da Airbus. A empresa entrou no Brasil com um escritório em 2006, um ano antes dos Jogos Pan Americanos. Foi a Cassidian a fornecedora de um sistema de rádio criptografado para a Polícia Federal, em vista do megaevento na época.

THALES GROUP

O Thales Group tem relação com a Raytheon (uma das cinco maiores empresas de segurança e defesa dos EUA) através da ThalesRaytheonGroup, uma joint venture que opera em todo o mundo, principalmente com acordos com governos do EUA, da Europa e com a OTAN, fornecendo comando de operações aéreas, sistemas de controle, radares de vigilância e para detectar armas.

No Brasil, o grupo está presente através da Omnisys, que tem sedes em São Bernardo do Campo e no Rio de Janeiro. Em novembro de 2012, a Thales foi ganhadora na licitação para instalar o Sistema de Controle de Comunicação de Trem (CBTC, na sigla em inglês), feita pelo consórcio do monotrilho de Manaus, que inclui a CR Almeida, Mendes Junior e Scomi. O monotrilho era uma das obras de mobilidade urbana previstas para a Copa do Mundo, mas acabou excluída da Matriz de Responsabilidades da Copa e agora é bancado pelo estado do Amazonas.

A Thales já havia feito negócios com o Ministério da Defesa anteriormente, em 2010, 2011 e 2012.


Os contratos foram questionados pelo Tribunal de Contas da União por superfaturamento.

sábado, 19 de novembro de 2011

PM terá 12,5 mil soldados nas UPPs do Rio até a Copa do Mundo, 2014


A Polícia Militar contará com 12,5 mil homens para atuação em unidades de Polícia Pacificadora, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Representantes do Exército apresentaram um balanço da ocupação, que ocorre desde novembro de 2010 nas comunidades que integram a Vila Cruzeiro e o Complexo do Alemão. 

Desde a ocupação das UPPs nas comunidades, foi registrada queda nos índices de criminalidade. Os homicídios apresentaram redução de 86%, e os roubos de veículos diminuíram 76%.

Sobre os casos de conflitos entre moradores e soldados da Força de Pacificação, o general disse que são “casos isolados” e que estão ligados a interesses paralelos aos do estado.

Atualmente, o Exército tem 1,8 mil soldados de prontidão, a Polícia Militar 120 e a Polícia Civil 25.

Isso será suficiente para a Copa do Mundo de 2014?

Via Agência Brasil.

sábado, 10 de julho de 2010

Flávio Fachel comenta sobre o twitter e a Copa do Mundo

Jornalista gaúcho da TV Globo, Flávio Fachel se destacou fazendo reportagens de ciência e comportamento para o Globo Repórter e em séries especiais, entre 1998 e 2010. Atualmente, é correspondente internacional da mesma emissora, na cidade de Nova York. Com exclusividade, o Bola da Foca entrevistou o profissional sobre sua relação com o twitter e a repercussão da Copa do Mundo na África do Sul na internet.

Bola da Foca:
Você está gostando da sua experiência com o Twitter? Desde de quando você está nessa rede social? Como você a enxerga? Qual é, realmente, o papel do twitter para o jornalismo, tanto o seu quanto o dos demais profissionais?

Flávio Fachel: Estou há um ano. O twitter é um canal onde você pode ter um contato que, antes, se dava em apenas uma via e de forma restrita ao trabalho produzido na TV. Para o jornalismo, o twitter não é nenhuma revolução, como se tenta dizer ou como alguns imaginam. Trata-se de uma ferramenta onde as informações produzidas individualmente circulam na velocidade do boato eletrônico. Isso quer dizer que, em essência, a necessidade da atividade jornalística continua a se fazer presente, tanto no twitter como na mídia tradicional: apurar, selecionar e destacar informações que são importantes para a sociedade. Continua sendo papel do jornalista fazer isso. O twiter ajuda nesse processo como uma espécie de visor da opinião de uma parte da audiência.

BF: As dicas que você fornece sob a tag #telejornalismo estão resultando em feedback positivo? Como as pessoas reagem a um repórter da Rede Globo na internet?

FF: As dicas de telejornalismo têm o objetivo de ser minha colaboração no universo do twitter para a melhoria da qualidade da produção jornalística no Brasil. O retorno é muito bom, com a participação e resposta de estudantes e jornalistas novatos. Antes do advento das mídias sociais, o contato com pessoas de algum destaque era naturalmente difícil. Com a chegada de ferramentas como o twitter, quem deseja abrir as portas para um contato maior com outras pessoas tem essa possibilidade. Estou aproveitando a oportunidade e, até agora, a experiência tem sido positiva.

BF: Como você enxergou a atuação do twitter na Copa do Mundo de 2010? Acha que esse papel deve permanecer nos próximos anos?

FF: Me pareceu uma grande arquibancada virtual. A sensação era a de que estávamos todos em um grande estádio onde podíamos dizer o que estávamos sentindo. Torcida pura, com a vantagem de, de vez em quando, haver a possibilidade de algum contato com os jogadores.

BF: Você acha que a comunidade online fez uma atuação louvável no caso do técnico Dunga e seus comentários mal educados? E no caso da narração de Galvão Bueno? Você acha que existe uma perseguição à Rede Globo na rede?

FF: A rede, a internet, não é uma "instituição". É uma ferramenta universal. Nesse sentido, não há como se determinar que há este ou aquele pensamento dominante circulando entre os servidores do planeta. Não existe apenas uma comunidade on-line. A internet é uma sopa de informações, pensamentos e tendências que devem ser filtradas por cada um de seus usuários da maneira que cada um achar melhor. Desta forma, o que dá pra analisar é essa tendência que você destaca na pergunta. Como resposta, posso dizer: As mídias sociais são como uma imensa praça ao ar livre onde milhares de pessoas falam aos berros. Cabe a cada um dar ouvidos ao que julgar achar melhor. O fracasso do #diasemglobo tem muito a falar sobre essa pergunta. O pedido de desculpas de Dunga na coletiva seguinte também.

BF: Por fim, pergunto se você acredita em uma integração maior entre televisão e internet, sem arriscar todas as fichas no modelo digital. Acha que isso é possível? Se não, por quê?

FF: Acredito que o futuro da TV e do jornal passam pela integração inevitável com a internet por motivos óbvios. Gostaria que esse processo de integração fosse mais rápido, mas os modelos comerciais de sustentação do negócio TV e do negócio internet ainda são muito diferentes. Somente quando essa equação for resolvida, teremos, aí sim, uma TV completamente diferente e muito mais espetacular do que a que existe hoje.

Para conhecer mais sobre Flávio Fachel e sua carreira, acesse o twitter e o wiki.

sábado, 19 de junho de 2010

Bola da Vez #11 - Copa do Mundo 2010


Achou que o Bola não ia falar sobre a Copa do Mundo na África do Sul? Ledo engano. Vamos recomendar alguns dos melhores sites pra você se manter atualizado, mesmo que a perfomance do Brasil contra a Coréia do Norte tenha sido fraca ou que a Argentina esteja ganhando os jogos.

- Copa na Africa 2010 (@copa_de_2010): Site sustentado pela estudante de jornalismo caloura da Cásper Líbero, Júlia Caldeira, com outros colaboradores tem como único foco a Copa do Mundo. Registros dos antigos campeonatos e futuros transformarão o blog, sempre informando quem for procurar esse assunto na internet. Muito recomendado!


- Especial Site de Cultura Cásper Líbero (@sitecultura): Especial feita pela integrante do Bola da Foca e editora Ana Júlia Castilho junto com repórteres da Faculdade Cásper Líbero, o especial Copa do Mundo traz curiosidades sobre a Copa de 94, filmes e todo material cultural relacionado com futebol. O site da Coordenadoria de Cultura Geral é um grande parceiro do Bola na criação de conteúdo e sempre recomendamos ele, especialmente nesta semana.

- Copa de 2010 na África do Sul (sem twitter): Blog simples sobre a Copa, com alguns detalhes da abertura. Design clean e posts diretos.

- Gazeta Esportiva.net (@gesportivanet): Site de jornalismo esportivo sustentado pela TV Gazeta e a Fundação Cásper Líbero. Com notícias 24h sobre esportes, é óbvio que a Copa do Mundo na África tem sido seu foco.

Você conhece algum site bem bacana sobre esportes na Copa? Lembre-me no seu comentário.

terça-feira, 11 de maio de 2010

E o jornalismo esportivo afunda ainda mais

A imprensa esportiva brasileira desceu hoje ao seu momento mais baixo nos últimos anos, e olha que não falta concorrência. Diante da lista dos 23 convocados de Dunga para a Copa do Mundo, blogs e perfis no twitter de jornalistas que deveriam falar com propriedade se transformaram em discussões de boteco, tão produtivas quanto as mesmas. Dunga foi chamado de burro por alguns, anta por outros, e muitos “viraram a casaca” e passaram a torcer para Holanda e Dinamarca, apenas para citar alguns exemplos. Mas, o que causou tanta revolta?

A Seleção Brasileira e seu técnico vivem um momento único. Se em 2002, 1998, 1994 e 1990 era criticada pela falta de resultado, hoje é criticada justamente por se manter fiel ao grupo que proporcional ótimos resultados nos últimos 3 anos. Chega a ser um paradoxo. Conforme a lista de nomes vinha sendo divulgada, percebia-se que não haveria nenhuma surpresa. O único nome que tenha feito um “ohh” se pronunciado foi o de Grafite, no lugar de Adriano. Uma surpresa bem manjada, pode se dizer. Tudo que se via na imprensa esportiva brasileira era uma revolta crescente contra o time que se transformou em favorito para a Copa. E sim, era um absurdo dois moleques que nunca vestiram a camisa amarela estarem de fora.

Dunga, que nunca foi um grande orador, deu um show em sua entrevista, para o espanto dos mais de 500 repórteres presentes na coletiva. Falou bem, não gaguejou e deixou o único momento de nervosismo para seu assistente Jorginho. Respondeu todas as perguntas, sem fugir ou atacar, como costumava fazer. E quando foi indagado sobre Neymar e Ganso, disse a mais pura verdade. Nunca foram testados, jogam bem há apenas 4 meses e quando vestiram a camisa amarela nas seleções de base, foram mal. E ainda por cima, alfinetou os “jornalistas” Milton Neves, lembrando de como muitas opiniões no meio são compradas por empresários. Ponto para Dunga.

Não é necessário que todos concordem com Dunga, longe disso. O ponto é a coerência e o respeito. A coerência (qualidade que virou defeito para alguns) é da mídia com ela própria. Afinal, foi ela que exigiu a entrada de um técnico com pulso forte após o fracasso de 2006. E mais, também exigiu alguém que tirasse jogadores que viviam de nome, como o hoje esquecido Ronaldinho Gaúcho. Ela também exigiu jogadores que sentiam orgulho em vestir a camisa da seleção. Pois bem, ai está. Foi o que Dunga fez. E dentro desta própria coerência, Neymar e Ganso jamais poderiam ser convocados, afinal de contas, desde quando vencer as zagas pífias de Santo André, Corinthians, São Paulo e Atlético-MG credencia alguém para enfrentar muros como Cannavarro e Ferdinand? Muita calma.

De novo, não se deve concordar totalmente com Dunga ou não apresentar falhas em sua convocação, mas o respeito deve ser mantido, e a memória preservada. Colheremos na África do Sul o que plantamos na Alemanha em 2006. Se isto é bom ou ruim, saberemos apenas em Julho. Mas uma coisa: que não me venham comemorar depois aqueles que hoje morreram de amores por Dinamarca, Holanda ou Inglaterra.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A necessidade do lobby

A imprensa esportiva vive de épocas, fases do ano, quase como a agricultura. Existem épocas de entre safra, quando não há muito do que se falar, exceto chatas negociações entre clubes. Porém, em ano de Copa do Mundo, como este, o calendário muda e as prioridades se invertem. E, pois bem, até dia 11 de maio, quando Dunga divulgará os 23 convocados para a Copa do Mundo, estamos em um destes períodos chatos, ao menos no que se refere à seleção. E qual a conseqüência disso? Uma irritante necessidade de assunto.

Se existe um tópico recorrente hoje na mídia esportiva, e de certa forma na mídia geral, é a convocação ou não de Neymar e Paulo Henrique Ganso. São dois garotos do Santos de 18 e 19 anos, respectivamente, que nunca vestiram a camisa amarela, mas que jogam tão bonito que senhores nostálgicos estão quase enfartando.

Lobby por jogador em véspera de Copa do Mundo é um passatempo nacional. Em 1998, a questão era Edmundo (para a reserva). Em 2002, até FHC pediu a convocação de Romário. 2006 foi a exceção à regra. A discussão não era quem convocar, mas se Robinho deveria ou não ser titular. A questão fica – especificamente este ano – em relação a necessidade que imprensa teve em encontrar um assunto e como Neymar e Ganso caíram dos céus para os comentaristas e ex-jogadores.

Uma simples retrospectiva revela essa necessidade. Com o Brasil se classificando na liderança da eliminatória Sul-Americana, com quatro jogos de antecedência, o povo e a imprensa caíram de amores pela então subestimada seleção de Dunga. No entanto, foi só o apito final do amistoso contra a Irlanda – o último antes da Copa – soar que ecos de discordância passaram a ser ouvidos. Ronaldinho Gaúcho, que há algum tempo havia sido esquecido por todos, graças a seu futebol patético, foi revivido nas mesas redondas. Os mesmo comentaristas que criticaram seu futebol e apoiaram Dunga quando ele boicotou o jogador do Milan, agora o reivindicavam como “alternativa” a um Kaká instável.

Pois bem, pobre Gaúcho, o lobby não durou muito. Foi só o Santos começar a fazer gols como em partidas de PES e Neymar e Ganso chutaram Gaúcho das conversas. A questão não é se Neymar, Ganso, Gaúcho ou Obina devem ir para a Copa, mas sim a necessidade que a imprensa esportiva tem de assuntos polêmicos, que agitem os programas de domingo a noite de segunda à sexta na hora do almoço.

O que não se percebe é o que isso cria. Instabilidade e insegurança crescem nos jogadores que já tem seu lugar lá, além de um clima de hostilidade que simplesmente não existia antes. Se futebol é a coisa mais importante das menos importantes, e suas conseqüências não afetam drasticamente a vida de quase ninguém, também é verdade que o mínimo de responsabilidade e coerência de alguns jornalistas são sempre bem-vindas no exercício da profissão.

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