quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quando o circo se faz necessário


O que está ocorrendo na mina San José, em pleno deserto do Atacama, no Chile, é um acontecimento que entrará para a história do Século XXI.

Da mesma forma que os ataques de 11/9, o Furacão Katrina, o tsunami no Oceano Índico ou os terremotos no Haiti e no Chile, a história dos 33 mineiros presos por mais de 2 meses há mais de 600 metros de profundidade são daquelas que atraem atenção do mundo, que criam histórias e imagens que nunca serão esquecidas.

E de todos os acontecimentos citadas, essa situação é a mais peculiar, única em todos os aspectos. Única pois nunca se viu nada em igual na tragédia com um resgate,elaborado e executado em proporções épicas. Única pois é a única história que se desenrolou lentamente, através de dois meses e com acontecimentos diários. Por fim, única pois seu final foi completamente feliz.

O mundo acompanhou por revistas, jornais, sites, blogs, perfis de Facebook e Twitter. Não faltou gente cobrindo e comentando a saga dos 33 mineiros chilenos, considerados heróis desde o principio. Segundo a última contagem são 1500 jornalistas, de quase 100 países cobrindo in loco o resgate, alguns de forma mais ativa, outros menos. É impossível prever quantos livros sairão dessa cobertura, a maior do século até aqui.

Um filme chileno, intitulado Os 33 já foi anunciado, e ninguém dúvida que a versão hollywoodiana sairá em breve. Enfim, um verdadeiro circo foi montado para os derradeiros dois dias de suspense. Mas como em poucas vezes, o circo foi necessário.

Na internet, e apenas na internet diga-se, não faltam críticas ao circo jornalístico e político que se fez em torno do resgate dos mineiros. Nâo faltam criticas à cobertura 24 horas, aos termos usados por jornalistas, comentaristas e, principalmente, à presença constante do presidente chileno Sebastian Piñera na mina, abraçando cada um dos resgatados. Críticas que soam, na melhor das hipóteses, a uma vontade intrinseca que jornalistas sentem impelidos a criticar fatos alheios que não estão acompanhando.

É uma aversão natural ao papel espectador onde a natural necessidade de comentar e relatar se tranforma em uma necessidade de criticar. Embora isto seja compreensivel, não deixa de ser uma atitude antipática e, até, antiética. O fato é que qualquer jornalista que se preze gostaria de estar acampado ao lado da mina de San José. Um bom exemplo é o contado pela ótima reporter Patrícia Campos Mello, em seu blog no Estado: Uma equipe de um pequeno jornal chileno foi dirigindo por mais de 3000 km de Buenos Aires até ao local.

A história foi escrita como poucas vezes vimos, de forma bonita, sem sangue e com lágrimas de alegria. Um país sul-americano deu um espetáculo de organização, eficiência e rapidez ao lidar com uma tragédia que se tornou nacional. Um presidente agiu de forma exemplar, cuidando pessoalmente de todos os aspectos ao redor do resgate e quando necessário, delegando tarefas que não lhe cabiam.

Com todo o respeito ao criticos, mas todo o capital politico Piñera acumulou neste episódio foi merecido. Se ele não é um herói, porque este título apenas pode ser dado aos mineiros, o presidente do Chile teve participação crucial no grande desfecho. Ocorreu tudo perfeitamente no deserto do Atacama nos últimos dois meses. Não há nada a criticar. Talvez seja isto que incomode tantos jornalistas de Twitter por aí.

2 comentários:

KINHA disse...

Olá

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Bjo

Pedro Zambarda disse...

Gostei, muito, do texto.

Não acompanhei tanto o espetáculo, mas acho consistente sua crítica aos "jornalistas de twitter", mesmo que eu me encaixe entre eles.

E bom senso na hora de apontar defeitos é válido para qualquer divulgação de fato.

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