segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O lado menos conhecido de Vinicius de Moraes: Crítico de cinema

Por Paulo Virgili
Da Agência Brasil, por Creative Commons.


O Poetinha que o Brasil admira e cultua pelo lirismo de seus versos era também um cinéfilo de carteirinha. Ao longo de toda a década de 40 e na primeira metade dos anos 50, Vinicius de Moraes exerceu, paralelamente à carreira de diplomata, intensa atividade como crítico de cinema para os jornais A Manhã e Última Hora e para as revistas Diretrizes e Sombra.

“Creio no cinema, meio de expressão total em seu poder transmissor e capacidade de emoção, possuidor de uma forma própria que lhe é imanente (conceito religioso e metafísico que defende a existência de um ser supremo e divino (ou força) dentro do mundo físico) e que, contendo todas as outras, nada lhes deve”, escreveu Vinicius, em artigo publicado em agosto de 1941 no jornal A Manhã. Parte do acervo literário de Vinicius, sob a guarda da Fundação Casa de Rui Barbosa, os escritos revelam que o poeta produziu análises aprofundadas sobre os grandes mestres do cinema da época, como Orson Welles, Charles Chaplin, Alfred Hitchcock, René Clair, Fritz Lang, Sergei Eisenstein, Vittorio de Sica e o brasileiro Alberto Cavalcanti.

Os rumos do cinema brasileiro e o resgate da obra de nossos primeiros cineastas também estavam nas preocupações do poeta. “Vinicius de Moraes foi importante não só como crítico de cinema, mas também como cineclubista. Foi por meio do Vinicius e das pessoas que integravam a turma dele, de cinéfilos, que o público tomou conhecimento da existência de Limite, o filme de Mário Peixoto que estava perdido há anos”, disse Fabiano Canosa, um dos curadores do Festival do Rio.

Entre 1946 e 1950, período em que foi vice-cônsul do Brasil em Los Angeles, Vinicius estudou cinema com Welles e teve uma convivência muito grande com o meio cinematográfico de Hollywood. “Ele frequentava muito a casa de Carmen Miranda e promoveu a aproximação de muitos nomes da cultura brasileira com Hollywood nos anos posteriores à 2ª Guerra Mundial, como por exemplo o escritor Érico Veríssimo”, declarou Canosa, ex-programador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Public Theatre de Nova York. 

Atualmente apresentador do programa Kinoscope, da Rádio MEC FM, Fabiano Canosa lembra ainda que Vinicius teve uma antológica contribuição, juntamente com Pixinguinha, na criação da trilha sonora do filme Sol sobre a Lama, de Alex Viany. Com relação ao filme Orfeu Negro, do diretor francês Marcel Camus, adaptado de sua peça Orfeu da Conceição, Vinicius não teve uma participação direta na produção.

“É interessante o fato de que a peça, que estreou em 1956, três anos depois, em 1959, já era um filme que ganhou o Festival de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro daquele ano. Normalmente, se leva de cinco a seis anos para que uma peça ganhe sua versão para o cinema”, destacou Canosa.

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