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sábado, 10 de janeiro de 2015

Léo Maia, filho adotivo, conta sobre quem foi Tim Maia na vida real

Por Pedro Zambarda


Léo, o que você achou sobre edição da televisão ao filme de seu pai? Distorceram demais?

Cara, não foi do documentário da Globo que eu não gostei, mas achei de verdade o filme ruim. O diretor [Mauro Lima] deixou minha avó branca no filme, sendo que ela é descendente de índia! Meu avô é descendente de português, não negão. São detalhes que uma pessoa que trabalha com cinema deveria saber que são erros, fora a desorganização cronológica.

Se o Tim estivesse vivo, o que ele faria ao ver o filme, considerando o quanto ele era combativo com a Globo?

Meu pai não é vagabundo, nem porco e nem feio como esses brancos dizem no filme. O Tim Maia, por tudo o que ele fez, aceitaria ouvir a história que contaram sentado num sofá? Ele não aceitaria nada disso. Nascido e criado por ele, eu mesmo não aceito isso. Já vi ele organizar grandes festas e arrumar confusões, mas nunca vi ele arrumar uma briga sem ter as razões dele. Ele brigou para a gente ter nossa própria gravadora, nosso próprio espaço e para fazer a nossa arte. Transformaram meu pai num zé ruela, bicho. Meu pai era um amante do Brasil e de sua diversidade em todos os hábitos da sua personalidade.

Como era o Tim Maia que você conheceu?

Meu pai não era depressivo e nem tinha o olhar de morte daquele personagem do filme. Ele tocava violão e criava músicas geniais pela manhã, num clima bem tranquilo. Meu pai, pra quem conhece, era muito amoroso. Cuidava de 80 crianças e ficava rindo das coisas. Ele fez besteira e foi maluco? Foi. Mas não era só o cara dos antidepressivos. Não conheço ninguém que tenha chamado meu pai de gordo e de filho da puta. Isso tá lá no filme. Ninguém na vida teria a coragem de dizer isso… Ele foi com dois cachorros de verdade numa gravadora porque eles mexeram nos volumes das guitarras, cara!

Tim Maia não levava desaforo pra casa. O diretor do filme levou a liberdade poética ao extremo e não se ateve aos fatos. Tá tudo errado no filme, tá errado do começo ao fim. Tá mal interpretado e não procuraram as pessoas para saber a verdade de todos os fatos. Só alguns amigos do meu pai foram para a versão da TV Globo e defenderam meu pai. A edição deu uma melhorada no desastre que é o filme.

Essas coisas me revoltaram como filho e fica essa molecada vendo isso sem saber a verdade. Os autores fizeram uma pseudopesquisa sobre ele e não retrataram nada sobre a genialidade que existia ali. Tim Maia, por exemplo, tirava o instrumento de quem não sabia tocar e só estava enrolando. E mandava um papo reto. Ele era assim.

A entrevista completa foi publicada no Diário do Centro do Mundo, o DCM.

sábado, 16 de agosto de 2014

Jorge Furtado discute a importância da imprensa em novo documentário

Por Pedro Zambarda

O cineasta brasileiro Jorge Furtado lançou o documentário Mercado de Notícias, baseado em uma peça de teatro The Staple of News, de 1625, do dramaturgo inglês Ben Jonson. A obra aborda o nascimento do jornalismo impresso. O gaúcho Jorge Furtado montou a peça em português e traçou relações com a imprensa brasileira.



Furtado entrevistou 13 jornalistas: Bob Fernandes, Cristiana Lôbo, Fernando Rodrigues, Geneton Moraes Neto, Janio de Freitas, José Roberto de Toledo, Leandro Fortes, Luis Nassif, Mauricio Dias, Mino Carta, Paulo Moreira Leite, Raimundo Pereira e Renata Lo Prete. O filme intercala depoimentos, trechos da peça que ele montou e momentos do jornalismo brasileiro. Furtado depois publicou um texto no jornal Zero Hora, chamado "O produto do jornalismo não é a informação, é a credibilidade".

O Mercado de Notícias está em cartaz na semana de 14 a 20 de agosto. Confira os locais e horários:

Belo Horizonte
Cine Belas Artes - Sala 03 - 21h40

Curitiba
Espaço Itaú de Cinema - Crystal - Sala 01 - 21h40

Florianópolis
Cinespaço Beiramar - Sala 05 - 20h

Fortaleza
Cinema Dragão do Mar
Sábado (16/08): 14h30 e 16h20
Domingo (17/08): 14h30 e 16h20
Terça (19/08): 14h30 e 20h10
Quarta (20/08): 14h30 e 20h10

João Pessoa
Cinespaço Mag Shopping - Sala 01 - 19h30

Porto Alegre
Cinebancários - 15h / 17h / 19h (não haverá sessões segunda)
Terça terá sessão extra as 19h30
Espaço Itaú de Cinema - Bourbon Country - Sala 08
14h / 16h / 20h - (não haverá a sessão das 20h no sábado)

Recife
Fundação Joaquim Nabuco
Sábado (16/08) - 18h20
Domingo (17/08) - 18h50 / 20h50
Terça (19/08) - 18h20
Quarta (20/08) - 15h40 / 20h50

Rio de Janeiro
Espaço Itaú de Cinema - Botafogo - Sala 05 - 14h / 16h / 20h

Salvador
Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha - Sala 04 - 13h10 / 19h10

Santos
Espaço de Cinema - Sala 02 - 19h10

São Paulo
Cine Livraria Cultura - Sala 02 - 14h / 19h50 / 22h
Espaço Itaú de Cinema - Augusta - Sala 04 - 13h50 / 21h50
(não haverá a sessão das 21h50 na segunda)
Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca - Sala 05 - 16h
Espaço Itaú de Cinema - Pompeia - Sala 10 - 20h

Confira os depoimentos de alguns jornalistas presentes no documentário:

Luis Nassif - atualmente no site GGN



Paulo Moreira Leite - atualmente no site Brasil247



Fernando Rodrigues - atualmente na Folha de S.Paulo



José Roberto de Toledo - atualmente no Estado de S.Paulo



Jânio de Freitas - atualmente na Folha de S.Paulo



Renata Lo Prete - atualmente na Globonews


Geneton Moraes Neto - atualmente no G1 e na TV Globo

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Veja o primeiro trailer do terceiro filme de O Hobbit

Por Pedro Zambarda

Você gostou dos dois primeiros capítulos do Hobbit? Vem ai o terceiro filme da série, chamado "A Batalha dos Cinco Exércitos". Na Comic-Con 2014, que ocorreu em San Diego, nos Estados Unidos, entre os dias 24 e 27 de julho, foi anunciado o primeiro trailer do novo longa-metragem. Confira abaixo.



O filme promete batalhas épicas dos exércitos humanos, e alguns elfos, contra Smaug, o dragão da Montanha Solitária, que se apoderou da riqueza dos anões. Peter Jackson, o diretor responsável pela adaptação de um livro que virou uma série de filmes, parece inserir muitos de detalhes de outra obra que não é o Hobbit, mas sim Silmarillion.

Aproveite para ler as críticas publicadas no Bola da Foca sobre o primeiro Hobbit e o segundo Hobbit.

Via Empire

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Você ouve trilhas-sonoras de filmes? Conheça alguns dos principais compositores

Por Pedro Zambarda

Há cerca de um ano, estou ouvindo com mais atenção as músicas feitas para filmes, de Hollywood até o cinema europeu. Para quem não conhece nada, elaboro um pequeno guia para conhecer alguns dos principais compositores.



Hans Zimmer - Frankfurt, Alemanha


O que ele fez: A Origem (Inception, 2010), novos filmes de Batman (de 2005 até 2012), Homem de Aço (Man of Steel, 2013), Código Da Vinci (2006), Hannibal (2001), 12 Anos de Escavidão (2013), Simpsons O Filme (2007), Rei Leão (1994), O Último Samurai (2003), entre outros filmes.
Características: Piano minimalista, efeitos eletrônicos, música ambiente e momentos de calmaria alternados com instrumentos em volume alto.

John Williams - Nova York, Estados Unidos


O que ele fez: Série Star Wars (de 1977 em diante), Lincoln (2012), série Jurassic Park (de 1993 em diante), série Indiana Jones (de 1981 em diante), série Harry Potter (de 2001 até o Prisioneiro de Azkaban, em 2004), O Terminal (2004), Munique (2006), E.T. (1982), Esqueceram de Mim (1990), A Lista de Schindler (1993), O Resgate do Soldado Ryan (1998), Minority Report (2002), Memórias de uma Gueixa (2005), entre outros.
Características: Música orquestrada, harmônica e voltada para filmes épicos, em sua maioria.

 James Horner - Los Angeles, Estados Unidos


O que ele fez: Star Trek II (1982), Willow (1988), Apollo 13 (1995), Jumanji (1995), Titanic (1997), A Máscara do Zorro (1998), Um Mente Brilhante (2001), Troia (2004), Avatar (2009), Karate Kid (2010), entre outros.
Características: Música minimalista, suave, melodiosa e ambiente. Usa voz com os instrumentos.

Ennio Morricone - Roma, Itália


O que ele fez: O Bom, o Mau e o Feio (1966), Era Uma Vez na América (1984), Os Intocáveis (1987), entre outros.
Características: Música com ópera e orquestrada, com muitos pontos de clímax.

Yann Tiersen - Brest, França


O que ele fez: Amélie Poulain (2001), Adeus Lênin (2003) e Tabarly (2008).
Características: Música minimalista, piano, acordeão e melodias leves.

Howard Shore - Toronto, Canadá



O que ele fez: Série O Senhor dos Anéis (entre 2001 e 2003), Seven (1995), Scanners (1981), Naked Lunch (1991), Gangues de Nova York (2002),  O Aviador (2004), série O Hobbit (entre 2012 e 2014), Os Infiltrados (2006), entre outros.
Características: Orquestra e música ambiente.

Danny Elfman - Los Angeles, Estados Unidos


O que ele fez: Batman (1989), Batman Returns (1992), Missão Impossível (1996), série Homens de Preto (entre 1997 e 2012), Alice no País das Maravilhas (2010), entre outros.
Características: Uso de múltiplos instrumentos para criação de tensões musicais. 

Harry Gregson-Williams - Sussex, Reino Unido


O que ele fez: Fuga das Galinhas (2000), série Shrek (entre 2001 e 2010), série Crônicas de Nárnia (entre 2005 e 2008), Prometheus (2012), Total Recall (2012), entre outros.
Menção honrosa: Série Metal Gear Solid, para videogames (entre 2001 e 2014).
Características: Música moderna, com uso de sintetizadores, percussão e instrumentos tradicionais, como violino e piano.

Nino Rota - Milão, Itália


O que ele fez: Mais conhecido principalmente por O Poderoso Chefão (1972) e O Poderoso Chefão Parte II (1974).
Características: Música orquestrada.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Veja primeiro trailer do filme "Jimi: All Is By My Side", a biografia de Jimi Hendrix nos cinemas

Por Pedro Zambarda
Originalmente postado no Whiplash.net

Dirigido e escrito por John Ridley, de "12 anos de escravidão", o filme "Jimi: All Is By My Side" terá Andre Benjamin, o Andre 3000 do grupo de hip-hop Outkast, no papel de Jimi Marshall Hendrix, o guitarrista pioneiro na distorção elétrica e um dos fundadores do hard rock. Hendrix ajudaria a criar o que conhecemos como heavy metal.


O filme tem previsão de chegar no dia 26 de setembro nos Estados Unidos. Há um boato de que chegará antes no Reino Unido, no dia 8 de agosto. Agora é esperar pra ver se o longa-metragem respeita a história marcante de Hendrix.

Confira o primeiro trailer:


domingo, 16 de março de 2014

Um duelo entre homem e máquina no RoboCop de José Padilha

[AVISO: Contém alguns spoilers, mas nada sobre o final do filme]

Uma mão humana com uma arma de choque elétrico e uma mão mecânica com uma arma automática letal. O debate entre livre-arbítrio cerebral e a estrutura de um robô de combate. Com esses duelos em mente, o diretor brasileiro José Padilha topou fazer um remake do filme RoboCop, originalmente lançado em 1987, que chegou em fevereiro de 2014 aos cinemas do mundo todo. Foi a reunião de uma produção de Hollywood com a visão crítica de um cineasta do Brasil.

Eu aviso de antemão: Não farei comparações com o filme original do holandês Paul Verhoeven, que criticava o corporativo e o governo neoliberal de Ronald Reagan. A realidade que vivemos não é a mesma de 1980. Os problemas atuais são outros e foi exatamente esta a mensagem que Padilha buscou passar. Muitos críticos e parte do público rejeitou este longa-metragem pela falta de similaridades no roteiro. Eu não acho que a comparação é válida, porque é uma releitura. A análise deve ocorrer dentro deste novo contexto.


O filme começa com o apresentador Pat Novak (Samuel L. Jackson) defendendo a robotização e a mecanização dos exércitos dentro dos Estados Unidos. Em um programa de TV similar ao da emissora conservadora americana Foxnews, Novak apoia abertamente o empresário Raymond Sellars (Michael Keaton) contra o senador Hubert Dreyfus (Zach Grenier), que proibiu o uso de robôs dentro do país. O debate é se a mecanização de fato garante mais segurança para os americanos. O que se vê na televisão, com atentados a bomba no Oriente Médio, é que os robôs são máquinas eficientes para matar, mas não são necessariamente pacificadores.


Sellars tem uma ideia inovadora, com ajuda de cientistas: Por que não criar um policial humano em um corpo robótico. O atentado com o detetive da polícia Alex Murphy (Joel Kinnaman) se transforma na oportunidade perfeita para criar o primeiro RoboCop. Ele servirá à empresa de Raymond Sellars, a OmniCorp.

A transformação de homem em máquina ocorre com sucesso graças ao Dr. Dennett Norton (Gary Oldman), que salva os pulmões, o cérebro, o rosto e a mão de Murphy. A cena em que ele visualiza o que sobrou de seu corpo é uma das mais fortes do longa. Outra parte bacana é quando o RoboCop é testado contra androides da OmniCorp, em um tiroteio com música Hocus Pocus, da banda de rock progressivo Focus.


RoboCop começa com um traje cinza em seu treinamento, mas ganha uma roupa preta "mais tática", o que gerou comentários antes mesmo da estreia do filme, criticando a mudança em relação ao filme original. A realidade é que a roupa escura está ligada ao duelo interno que Murphy enfrenta enquanto tenta ser humano dentro de um corpo de máquina.


O debate de Padilha neste filme tem um contexto: Drones, robôs voadores, são utilizados pela empresa de varejo digital Amazon desde o final de 2013. Como o mercado já está adotando essas máquinas, o exército estuda utilizar robôs em guerras, para diminuir as baixas humanas. Essas máquinas realmente ajudariam os homens ou só aumentariam o número de mortes em combates? Como esses robôs agiriam diante de civis?

O diretor brasileiro tem currículo para fazer esse tipo de filme crítico: Começou nos documentários Os Carvoeiros (2000) e Ônibus 174 (2002); fez dois filmes sobre o BOPE e a Polícia Militar no Rio de Janeiro em Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010). Tropa 1 foi o filme mais pirateado no Brasil. Em Tropa 2, Padilha controlou a distribuição para evitar a pirataria e foi seu longa de maior sucesso comercial. Seus temas analisam o tráfico de drogas, os abusos das polícias e o descaso dos governos em terras brasileiras.

Ao decidir fazer o remake de RoboCop, Padilha tem como alvo claro o conservadorismo do Partido Republicano norte-americano, os excessos das guerras dos Estados Unidos e a discussão sobre o uso de tecnologias em casos que envolvem vidas humanas. Além deste parâmetro crítico, o filme traz um pouco de realismo nas cenas de tiroteio, um traço de sua direção nas filmagens de favelas com treinamento do BOPE, a tropa de elite da PM carioca.

A trilha-sonora do brasileiro Pedro Bromfman resgata o tema original de RoboCop, mas é minimalista e não chama tanto a atenção. Já a atuação de Joel Kinnaman como Murphy se destaca pela similaridade entre o policial robótico e os androides da OmniCorp.

Para encerrar esta resenha, recomendo assistir o Roda Viva, que passou na TV Cultura, com o diretor José Padilha sobre RoboCop. Confira abaixo:


sábado, 18 de janeiro de 2014

Hobbit querendo parecer com Senhor dos Anéis

Em dezembro de 2013 chegou aos cinemas o segundo filme da trilogia Hobbit, A Desolação de Smaug, lançada pelo diretor Peter Jackson, que resolveu fatiar a obra de J. R. R. Tolkien lançada em 21 de setembro de 1937. Fui assistir entusiasmado este segundo filme, esperando uma boa ambientação como no primeiro capítulo.


O filme é bom, mas apresenta problemas. Me parece o filme mais problemático de Jackson desde que decidiu fazer as versões cinematográficas das obras de Tolkien, a partir de 1999.

Longa-metragem abre com Peter Jackson comendo uma cenoura na frente da tela. O primeiro problema é o começo do filme com Beorn, um personagem que se transforma em urso e, nos livros, possui uma personalidade muito mais animada. A versão cinematográfica do personagem é breve, desanimadora e dá sono.

O segundo problema, e um dos principais, é o reino de Thranduil, pai do elfo Legolas, e o romance entre a elfa Tauriel e o anão Kili. No livro de Tolkien, este romance não existe, já que anões e elfos são inimigos históricos e a aliança entre as duas raças só ocorre na Guerra do Anel entre Gimli, filho de Glóin, e Legolas. O roteiro força um triângulo amoroso para tentar justificar a aversão dos elfos às outras raças. A interpretação de Thranduil por Lee Pace também deixa a desejar. Ele parece um estereótipo de sua própria raça no mundo mágico.

Lee Pace faz uma interpretação problemática de Thranduil

Os efeitos especiais são de tirar o fôlego em 3D, mas apresentam alguns problemas na luta entre elfos e orcs na Cidade do Lago. Há momentos interessantes, como duplo tiro na cabeça com flechas de Legolas, mas o filme perde o foco nos anões e em sua busca por retomar Erebor, a montanha usurpada pelo dragão Smaug.

O triângulo amoroso aparente entre Legolas, Tauriel e Kili
O mago Gandalf, na história, puxa dados e informações do universo de Tolkien presentes no Silmarillion, um copilado de textos e anotações, e não do enredo original de Hobbit. Pela construção da narrativa, Peter Jackson dá a entender que quis criar uma versão adulta da história, já que o romance original é voltado para crianças, embora Bilbo seja o portador do Um Anel do inimigo Sauron. Jackson tenta forçar uma ligação entre as duas histórias colocando Sauron como a força comandante dos orcs que enfrentam os anões em sua jornada, tirando o papel do Rei Bruxo dos Nâzgul, como está no livro.

Será que Peter Jackson, um dia, quer filmar as inúmeras histórias de Silmarillion?

O resultado deste enredo confuso e com mais elementos do que a história original é que o filme, infelizmente, soa como se fosse um roteiro muito parecido com Senhor dos Aneis: As Duas Torres. É um bom filme, mas poderia cortar elementos e manter sua originalidade. Ou ter sido unido ao filme anterior, diminuindo a saga.


No entanto, o filme tem um personagem muito bem representado: O dragão Smaug.

Com voz de senhor e interpretado pelo ator Benedict Cumberbatch, que interpreta Sherlock Holmes na série de TV Sherlock, ele parece mau, orgulhoso e inteligente. O encontro entre o pequenino Bilbo Bolseiro e o gigantesco dragão é uma das cenas para ficar na memória.

O ponto fraco desta sequência é somente quando tentam derrubar o monstro com ouro quente. Não dá pra entender, exatamente, o que os protagonistas queriam ao combater o dragão.

Não assistiu o segundo capítulo de Hobbit? Vá ver, mesmo que o filme tenha eventuais defeitos do ponto de vista de algumas críticas que devem ser feitas.

O ápice do filme com Smaug

domingo, 24 de novembro de 2013

Gravidade e a solidão do espaço

Filme com Sandra Bullock e George Clooney é um dos poucos que deve ser visto em 3D, numa sala IMAX de cinema, de preferência. Se não for possível, assista numa televisão 3D de boa qualidade. E se prepare para ver um espaço que não imaginamos, que é silencioso e monótono, mas igualmente perigoso.


Gravidade deve ser visto em 3D porque foi feito para que você interaja com os astronautas perdidos no espaço, próximos do planeta Terra. O enredo é simples e curto, pois tem apenas 91 minutos, ou seja, 1h30min. É uma hora e meia de astronautas num enredo fiel à realidade da exploração espacial hoje.

Sandra Bullock é uma astronauta de manutenção chamada Ryan Stone, que perdeu a filha e está em uma missão no espaço. Ela está acompanhada por um superior chamado Matt Kowalski, interpretado por George Clooney. Há outros integrantes na equipe, mas com expressão muito pequena no enredo. A voz que faz a interpretação do controle de missões da NASA americana é a do ator Ed Harris.

Ryan então é atingida por uma tempestade de lixo espacial, consequência de outras expedições humanas. Sua estação é destruída e, por isso, inicia-se uma corrida contra o tempo para que ela consiga oxigênio e recursos para retornar até a Terra. As explosões, no filme, não têm som, como no espaço real. O lixo espacial retratado também existe. A dificuldade para controlar o próprio corpo na imensidão escura também é descrita em detalhes pelo filme. Gravidade não tenta ser Star Wars ou Star Trek, inventando histórias sobre o espaço, como qualquer ficção. Gravidade é um dos poucos filmes que tenta mostrar a realidade, e a tontura, da solidão de estar no espaço.

Em um texto de 17 de outubro, um astronauta chamado Garrett Reisman (NASA) comentou sobre o filme à Forbes: "Gravidade é o filme espacial mais realista até o momento. O único defeito do filme é que não é tão fácil se movimentar de uma estação para outra. Exige muita energia e planejamento cuidadoso para mudar de órbita".

O filme é vazio, curto e repleto de efeitos especiais que mostram como estar sem gravidade pode ser um problema para a sobrevivência do ser humano.

Gravidade busca mostrar o espaço como ele é: Escuro e solitário.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Cinema: fabricando sonhos e realidades

Por Vitor Gonçalves de Almeida, estudante do 4º semestre de Jornalismo na Fiam Faam/FMU

Entenda como a sétima arte pode influenciar no comportamento humano.

A produção cinematográfica, sobretudo a norte-americana, é produtora de realidade. O processo, muita vezes estereotipado, com que essas obras são fabricadas, pensadas e executadas tem como seu principio máximo atingir os valores sensíveis do ser humano. O cinema, de uma forma mais abrangente, é utilizado como um produto artístico, midiático e principalmente ideológico, construindo e elevado culturas com a mesma facilidade com que a mídia cria um novo “fenômeno” sensacionalista.

Mickey, o simbolo maior da Disney, é um dos maiores produtores ideológicos do cinema
Os norte-americanos são os principais fornecedores dessa “propaganda” ideológica oriunda do cinema. Inteligentemente, os Estados Unidos, berço dos maiores filmes da história, criam um cenário de proximidade com o telespectador, isto é, utilizando-se da maneira com que a população se porta perante inúmeras situações e as transportam, como em um “passe de mágica”, para a realidade das telonas.

A grande diferença entre o mundo real e o dos longas-metragens é a forma como que os problemas se desenrolam e, principalmente, como eles são resolvidos harmonicamente, recheada de momentos heroicos projetando, nas mentes dos cinéfilos apaixonados, um cenário confortável. O aspecto verossímil facilita – e dialoga – com a população de maneira ímpar, transformando os tons leves da confortabilidade cinematográfica em um modelo a ser seguido e, por que não dizer, vivido.

Muito disso pode ser observado nas relações causadas pelas adaptações literárias, essencialmente as destinadas ao público denominado “teen”, com o seu “nicho”, ou seja, como a paixão e costumes dos personagens são, quase que instantaneamente, incorporados pelos jovens. A dificuldade de aceitação do mundo, por parte dos adolescentes, facilita a criação de elos emocionalmente fortes entre eles e os seus personagens favoritos, levando-os, muitas vezes, a agir conforme o seu ídolo, demonstrando uma clara insegurança com o mundo e uma personalidade frágil e moldável.

Engana-se quem pensa que as animações infantis não possuem influências no cotidiano das crianças. Segundo Aparecida Gonçalves, professora do ensino infantil de uma escola da zona leste da capital paulistana, princípios adquiridos e incentivados durante os primeiros anos de vida são essenciais para a formação da personalidade. “Os atos e ações praticados durante a infância são essenciais para o desenvolvimento da criança”, dispara a educadora de 48 anos.

Ideologia em diversos gêneros

A ideologia está inserida em quase todos os filmes, até nas adaptações das histórias em quadrinhos, popularmente conhecidas como HQs. O conturbado período pós-guerra é um exemplo claro – e óbvio – da importância da propaganda ideológica introduzida através de filmes, quadrinhos e publicações midiáticas. 

Os super-heróis, tão aclamados nos dias de hoje devido a filmes como “Batman” e “Vingadores”, demonstram principalmente pelas suas vestimentas e discursos, por vezes ufanistas, uma clara tendência e predisposição à idolatria desmedida. O “fantástico” e irreal humano é visto, admirado e cultuado como modelo de humanidade, isto é, a forma de agir do personagem pode “induzir”, de maneira sutil, pensamentos e comportamentos de cunho político.

O apelo emotivo dos filmes romântico pode ser considerado como outra forma de criação de estereótipos, uma vez que no desenrolar de toda trama, os “pombinhos”, dotados de características comuns e de fácil assimilação, esquecem todas as divergências e encontram no amor seu bem comum. O humor, inúmeras vezes utilizada durante filmes desse gênero, é visto – e utilizado – como uma válvula de escape, intercalando os anseios da vida a dois com momentos descontraindo. Esse efeito causa uma empatia com o público tornando fácil a visão do “eu” dentro do personagem descrito na telona. 

Guilherme Guimarães é responsável pela página Claquette que, atualmente, conta com quase 6 mil adeptos

A paixão pelo cinema é algo completamente aceitável e compreensível. De acordo com Guilherme Guimarães, dono da fanpage cinematográfica Claquette, o amor entre sociedade e cinema pode ser explicada pelas cargas emocionais que, por sua vez, são subjetivas e distintas. “O telespectador, ao ver uma cena que lhe chama a atenção, é transportado para outra realidade. Para um novo mundo”, completa o produtor de conteúdo on-line de 22 anos.

Via Cinismo Desvairado

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O lado menos conhecido de Vinicius de Moraes: Crítico de cinema

Por Paulo Virgili
Da Agência Brasil, por Creative Commons.


O Poetinha que o Brasil admira e cultua pelo lirismo de seus versos era também um cinéfilo de carteirinha. Ao longo de toda a década de 40 e na primeira metade dos anos 50, Vinicius de Moraes exerceu, paralelamente à carreira de diplomata, intensa atividade como crítico de cinema para os jornais A Manhã e Última Hora e para as revistas Diretrizes e Sombra.

“Creio no cinema, meio de expressão total em seu poder transmissor e capacidade de emoção, possuidor de uma forma própria que lhe é imanente (conceito religioso e metafísico que defende a existência de um ser supremo e divino (ou força) dentro do mundo físico) e que, contendo todas as outras, nada lhes deve”, escreveu Vinicius, em artigo publicado em agosto de 1941 no jornal A Manhã. Parte do acervo literário de Vinicius, sob a guarda da Fundação Casa de Rui Barbosa, os escritos revelam que o poeta produziu análises aprofundadas sobre os grandes mestres do cinema da época, como Orson Welles, Charles Chaplin, Alfred Hitchcock, René Clair, Fritz Lang, Sergei Eisenstein, Vittorio de Sica e o brasileiro Alberto Cavalcanti.

Os rumos do cinema brasileiro e o resgate da obra de nossos primeiros cineastas também estavam nas preocupações do poeta. “Vinicius de Moraes foi importante não só como crítico de cinema, mas também como cineclubista. Foi por meio do Vinicius e das pessoas que integravam a turma dele, de cinéfilos, que o público tomou conhecimento da existência de Limite, o filme de Mário Peixoto que estava perdido há anos”, disse Fabiano Canosa, um dos curadores do Festival do Rio.

Entre 1946 e 1950, período em que foi vice-cônsul do Brasil em Los Angeles, Vinicius estudou cinema com Welles e teve uma convivência muito grande com o meio cinematográfico de Hollywood. “Ele frequentava muito a casa de Carmen Miranda e promoveu a aproximação de muitos nomes da cultura brasileira com Hollywood nos anos posteriores à 2ª Guerra Mundial, como por exemplo o escritor Érico Veríssimo”, declarou Canosa, ex-programador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Public Theatre de Nova York. 

Atualmente apresentador do programa Kinoscope, da Rádio MEC FM, Fabiano Canosa lembra ainda que Vinicius teve uma antológica contribuição, juntamente com Pixinguinha, na criação da trilha sonora do filme Sol sobre a Lama, de Alex Viany. Com relação ao filme Orfeu Negro, do diretor francês Marcel Camus, adaptado de sua peça Orfeu da Conceição, Vinicius não teve uma participação direta na produção.

“É interessante o fato de que a peça, que estreou em 1956, três anos depois, em 1959, já era um filme que ganhou o Festival de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro daquele ano. Normalmente, se leva de cinco a seis anos para que uma peça ganhe sua versão para o cinema”, destacou Canosa.

domingo, 7 de abril de 2013

O cartaz do filme Inception (A Origem) surgiu da foto de um brasileiro

Cássio Vasconcellos é fotógrafo, brasileiro e, em 2006, capturou imagens aéreas de Nova York a bordo de um helicóptero. Em um dia nublado, o profissional conseguiu registrar os desenhos dos edifícios da metrópole americana. A imagem seria editada e utilizada pela equipe do diretor Christopher Nolan no filme Inception, traduzido no Brasil com o nome A Origem, de 2010.



Cássio, literalmente, fez a origem do filme A Origem. Registrou as imagens que ilustraram um dos melhores longas da carreira de Nolan, o mesmo responsável pelo renascimento do Batman nos filmes Begins, The Dark Knight e The Dark Knight Rises.

O fotógrafo é especialista em fotos aéreas. Cássio trabalha com equipamento especializado (establizador giroscópico, para anular as vibrações do vôo) e ele mesmo é piloto comercial de helicópteros, conhecendo os aparelhos e suas possibilidades de fotografias no ar.

Empolgante saber que um brasileiro estampa um dos principais filmes de Hollywood, não? Nada disso seria possível sem o talento dele para fotos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Django foi chamado de racista... e ganhou um Oscar!

O diretor Quentin Tarantino recebeu ontem da Academia de Cinema de Hollywood uma estatueta do Oscar, o maior prêmio da instituição para filmes. Tarantino venceu por Melhor Roteiro Original em Django, enquanto o ator Christoph Waltz venceu como Melhor Ator Coadjuvante, por seu papel como Dr. King Schultz no mesmo longa-metragem.


O diretor chegou a ser chamado pelo cineasta Spike Lee de racista por retratar a história de um herói negro em Django. Agora, parece que até uma das instituições mais relevantes do cinema mainstream está do lado de Tarantino.

O reconhecimento do roteiro de Django, sua história, parece dissipar as polêmicas que apareceram nas primeiras resenhas do filme, que reclamavam do palavreado chulo e das cenas de violência. Parece que a mensagem de repressão histórica com os negros e a "saga da vingança" foram triunfos reconhecidos pela Academia. 

O que será que Tarantino vai aprontar no terceiro filme de uma possível trilogia que começou com Bastardos Inglórios e prosseguiu agora, com Django?

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Quentin Tarantino: A enorme quantidade de pessoas mortas em seus filmes

Você gosta dos filmes de Quentin Tarantino? A série Kill Bill, Pulp Fiction, Bastardos Inglórios e o novo Django - que chegou a ser chamado de racista (quer saber mais, leia este texto) - são longas marcados por cenas violentas e humor negro que viraram sua marca registrada no cinema. Tarantino também adora referências aos outros filmes de Hollywood e às várias produções cinematográficas B. O diretor faz um pastiche com muita ação que está conquistando fãs e alguns críticos.

Meu filme favorito de Tarantino? Pulp Fiction

Uma pessoa contou o número de pessoas que morrem nos filmes de Tarantino e fez um infográfico sobre essas mortes. Alguns dados curiosos: O filme com mais mortes é Bastardos Inglórios, com 396 falecimentos. A maioria das vítimas são alemães e nazistas que morrem incendiados no cinema de Shoshanna. Jackie Brown, o filme estrelado uma mula de drogas que é aeromoça, é o que tem menos mortes - apenas 4, incluindo a do traficante de armas e entorpecentes interpretado por Samuel L. Jackson.

Kill Bill Volume 1 tem 62 mortes, provando que o grupo dos 88 Loucos de O-Ren Ishii realmente não tinha 88 pessoas. Kill Bill Volume 2 teve 13 mortes. À Prova de Morte teve apenas 6 falecimentos. Pulp Fiction, um clássico de Tarantino, tem apenas 7 mortes, mesmo com a katana empunhada por Bruce Willis. Cães de Aluguel tem mais cadáveres, com 11 falecimentos.

Django, o novo filme do diretor com o cowboy negro, tem 64 mortos. Progressivamente, nota-se que os filmes de Quentin Tarantino estão ficando mais violentos. Ou, pelo menos, o número de mortes têm aumentado significativamente.

Confira o infográfico e fique por dentro dessas curiosidades. Há informações extras sobre cada uma das mortes.


Informação via Byte Que Eu Gosto (BQEG)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Django Livre e a crítica ao racismo de Tarantino

Um escravo negro se transforma em um caçador de recompensas cowboy ao lado de um parceiro alemão. É este roteiro absurdo que Quentin Tarantino resolveu escrever e desenvolver no filme Django Livre, um longa que segue a revanche histórica de Bastardos Inglórios, mas possui mais elementos de bang bang spaghetti que o diretor tanto idolatra em sua obra cinematográfica.


Django foi inspirado em um filme de mesmo nome lançado em 1966. Tarantino inclusive colocou em seu elenco o ator que fez o longa original, chamado Franco Nero. No entanto, o roteiro sofreu grandes alterações. O Django (Jamie Foxx) tarantinesco é um escravo negro que quer reencontrar sua esposa, Broonhilda Von Schaft, uma escrava que sabe falar alemão. Django é liberto por um caçador de recompensas alemão chamado Dr. King Schultz (interpretado por Christopher Waltz, o coronel Hans Landa de Bastardos). A partir dai, Schultz começa a comparar a busca de Django por Broonhilda com a lenda do cavaleiro germânico Siegfried procurando pela donzela Brünhild, narrada na Canção dos Nibelungos.

O vilão do filme é Calvin J. Candie (Leonardo DiCaprio), latifundiário dono de terras de cultivo de algodão. Seu braço direito é Stephen (Samuel L. Jackson), um negro velho liberto que repreende os próprios escravos. O roteiro se desenvolve misturando escravidão com tiroteios típicos de filme western. O ator Franco Nero, do Django original, aparece como o traficante de escravos Amerigo Vassepi, que usa uma de suas mercadorias para enfrentar um campeão de Candie.


O diretor de Malcoln X, Spike Lee, disse que não veria Django em uma entrevista publicada na Vibe. Segundo o cineasta, o filme é "desrespeitoso com seus ancestrais (a saber, os negros)". Spike chamou a história de Tarantino de racista. Uma coisa é fato: Mais de uma centena de vezes a palavra nigger, que significa preto em português, é dita no longa. Isso, no entanto, nem de longe, constata racismo.

Spike Lee parece não ter captado a crítica divertida que Tarantino tenta fazer com seu cowboy negro. O próprio diretor aparece no filme. Tarantino é um mercador de escravos que é, literalmente, explodido. Tem metáfora melhor do que essa sobre sua própria crítica?

Bola da vez #20: Cinco sites para acompanhar notícias sobre cinema

Selecionamos cinco sites brasileiros para que você acompanhe notícias, resenhas, críticas e vídeos sobre cinema, filmes famosos e estreantes.


Judão: Site de entretenimento pertencente ao portal R7, da Record, o Judão fez entrevistas em vídeo com o elenco de Django Livre, o novo filme de Quentin Tarantino. Atualizado por um blogueiro famoso entre os sites brasileiros, o Borbs, a página merece a sua visita.

Cinema Com Rapadura: Site responsável pelo podcast Rapaduracast, é um ótimo endereço para procurar resenhas dos filmes com bastante informação e fôlego. É também recheado por notícias do setor.

Omelete: Hospedado no portal UOL, da Folha, o Omelete é focado em cinema, mas também cobre seriados de TV, quadrinhos e outros ramos da cultura pop. Fez uma resenha bem completa com exclusividades sobre O Hobbit, de Peter Jackson.

Filmow: Rede social voltada para o compartilhamento de informações sobre filmes e longa-metragens. Você pode se conectar com sua conta no Facebook e fazer uma pequena crítica sobre os principais lançamentos.

Revista Zingu!: Revista online sobre cinema mainstream e underground mantida pelo jornalista Gabriel Carneiro com vários outros profissionais. Foi descontinuada no fim de 2012, mas está com todo seu acervo de dados disponíveis para consulta, que incluem entrevistas com Zé do Caixão, cineastas da Boca do Lixo e outros dossiês sobre diferentes trabalhos.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hobbit: Uma jornada colorida e animada

A história é sobre 13 anões que fugiram de Erebor, um reino destruído pelo Dragão Smaug e sua sede por riquezas e euros coletados por anos na região. Liderados por Thorin II, O Escudo de Carvalho, a comitiva encontra o mago Gandalf, que promete o retorno da Montanha Solitária e de suas riquezas. O feiticeiro recruta um último integrante para a aventura: Um pequeno Hobbit chamado Bilbo Bolseiro.



Dirigido por Peter Jackson, o mesmo diretor da trilogia do livro Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien no cinema, em 2001, 2002 e 2003, o Hobbit tem os personagens com a mesma estética desses outros três filmes, mas a forma como se desenrola o enredo é bastante diferente.

Jackson resolveu dividir a saga de Bilbo, que é contada em um livro, em três partes. Isso deu margem para que o diretor trabalhasse com folga todos os aspectos da história, colocando inclusive elfos e personagens que são citados apenas em notas de rodapé ou no livro Silmarillion, que é um copilado sobre a Terra-Média escrito por Tolkien. 

Por essas divisões, O Hobbit: Uma jornada inesperada, que foi lançado no dia 14 de dezembro do ano passado, tem uma narrativa animada e longa. O filme de Peter Jackson tem 170 minutos de duração, ou seja, quase três horas de longa-metragem.

O diretor ainda filmou o material em 48 quadros por segundo, o dobro dos 24 quadros que a maioria dos filmes são gravados. O que essa experiência de técnica de produção resultou? Em um filme em 3D melhorado, que flui nos olhos do espectador que está cansado de efeitos em três dimensões feitos de qualquer maneira.

O roteiro começa com um gancho na história do próprio Senhor dos Anéis. O filme começa com Frodo vendo seu tio Bilbo registrando suas aventuras com o Smaug, Gandalf e os anões em um livro, sem saber o que está escrito ali. Frodo vai encontrar com Gandalf, o que daria começo à saga do Um Anel, enquanto Bilbo começa a recordar de fatos ocorridos há 60 anos atrás.

A visita do mago cinzento mudou a vida do pequeno Hobbit. Bilbo viajou ao lado de Thorin Escudo de Carvalho, que é retratado como Jackson como um anão destemido e muito parecido com o herói Aragorn, de SdA.Thorin utiliza inclusive uma espada élfica, muito parecido com os humanos, e é um príncipe que perdeu o reino de Erebor. Bilbo também conhece Glóin, o anão que é pai de Gimli, futuro amigo de Frodo. No filme também estão presentes Fíli e Kíli, dois anões arqueiros que lembram elfos de outros filmes de Peter Jackson.

Nem todos os 13 anões tem papeis fundamentais no filme, mas Gandalf tem a missão de protegê-los até que eles tentem reconquistar Erebor. A fotografia que Peter Jackson propõe no filme é colorida e animada, muito diferente da história depressiva e trágica que se mostra nas figuras melancólicas de O Senhor dos Anéis.

Os vilões também sofrerão uma modificação no roteiro de Jackson. O foco do primeiro filme é o exército de wargs, montarias selvagens, do orc conhecido como Azog, que é branco e não tem uma das mãos. Smaug, o dragão que causou o exílio dos anões, é jogado para os demais filmes. Mas uma cena histórica foi mantida, para a história estar conectada com O Senhor dos Anéis: O encontro entre Bilbo e Gollum/Sméagol. Gollum é portador do Um Anel e Bilbo consegue enganá-lo em um jogo de charadas em uma caverna. O Hobbit rouba o artefato, causando os eventos que terminarão na Guerra do Um.

A reunião entre personagens históricos da ficção de Tolkien como Galadriel, Sauruman, Gandalf e o mago castanho Radagast mostram que Peter Jackson quis mesmo inserir elementos de Silmarilion para dar um ar adulto ao conto infanto-juvenil de Tolkien. O Hobbit parece, nos cinemas, uma saga que mostra Gandalf como o homem que articula o pequenino Bilbo para esconder o que era de interesse da Terra-Média toda. O Um Anel encontrado por Bilbo seria guiado por Frodo, seu sobrinho, para a destruição, antes que ele corrompesse toda a vida do universo fantasioso de J.R.R. Tolkien.

O Hobbit é um filme recomendado para quem está inteirado no universo de Senhor dos Anéis ou que tenha, no mínimo, visto os longas anteriores de Peter Jackson. Caso você não tenha visto, de repente Hobbit pode ser sua porta de entrada para essa ficção medieval.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Após o lançamento Django Livre, mostra exibirá todos os filmes de Quentin Tarantino

Django Livre é o novo filme do cineasta Quentin Tarantino, famoso por seus filmes pastiches com muita violência e cultura pop, como Pulp Fiction, e vai estrear no dia 18 de janeiro em nosso território. Para aproveitar ainda mais as obras do diretor, que está com seu filme indicado ao Oscar e faturou Globo de Ouro neste ano por conta do roteiro, seus antigos filmes vão retornar aos cinemas brasileiros.


Antes do evento principal, o cineasta será homenageado pelo MIS (Museu de Imagem e Som), que vai exibir dez longas que influenciaram sua obra, entre 15 e 20 deste mês.

A mostra Mondo Tarantino ocorre em São Paulo entre 20 de fevereiro e 17 de março no CCBB (Centro Cultural de São Paulo, na Vergueiro) e de 25 de fevereiro a 15 de março no Cinusp (Zona Oeste). Os ingressos estarão com preços muito atraentes: R$ 4 a inteira e R$ 2 a meia.

Serão exibidos os clássicos Cães de Aluguel (1992), Pulp Fiction (1994), Jack Brown, Kill Bill – Vol. 1 (2003) e Kill Bill – Vol. 2 (2004), À Prova de Morte (2007) e Bastardos Inglórios (2010). Além de todos os filmes dirigidos, ganham a telona longas em que Tarantino participou. São eles: Um Drinque no Inferno (1996), de Robert Rodriguez, e Sin City – A Cidade do Pecado (2005), o qual foi co-diretor. As séries que ele dirigiu para a TV, como CSI e E.R. também estão no pacote.

No evento também estarão  os filmes que influenciaram o diretor, como O Grande Golpe, de Stanley Kubrick, e Taxi Driver, de Martin Scorsese.

Informações via Estadão e Folha

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

007 - Operação Skyfall

O mundo ainda precisa de James Bond?





50 anos é muito tempo. E se algo resiste a este tempo de forma relevante é porque aprendeu a se reinventar, a se adaptar e, principalmente, a se autoconhecer. Com a maior franquia da história do cinema não é diferente. O mundo em que 007 Contra o Satânico Dr.No estreou em 1962 em nada se assemelha ao mundo em que 007 – Operação Skyfall retrata. E se o primeiro e o mais novo filmes da franquia representam o ápice de sua longa história é porque apostam no único aspecto que permanece inalterado ao longo dos 23 filmes: Bond, James Bond.

O terceiro filme estrelado por Daniel Craig mantém o viés realista que foi introduzido em Cassino Royale, mas deixa pra trás a trama que amarrou o primeiro filme com Quantum of Solace, um filme que, se for esquecido, não fará falta nenhuma. Desta vez Bond é um agente que vê a própria decadência no horizonte, tanto por conta de sua idade quanto pela própria natureza de seu trabalho. Afinal, no mundo de hoje, onde terroristas com computadores ameaçam o mundo mais do que vilões com bombas atômicas, qual a real importância de um homem como James Bond?

Skyfall é acima de tudo um filme sobre personagens, e talvez por isso ele se distancie da maioria dos outros filmes da franquia. Esqueça as sutilezas que a respeito do passado de Bond em filmes como A Serviço de Sua Majestade ou Goldeneye. Skyfall faz uma verdadeira jornada de autoconhecimento e expõe todo o passado de Bond, para que assim ele possa se colocar no mundo atual, uma metáfora nada sútil com relação a existência da própria série. E a relação entre Bond e M é o fio condutor para que este objetivo seja alcançado.

Se M não era nada além de uma ferramenta na franquia por quase 30 anos, quando Judi Dench assumiu o papel em Goldeneye o chefe de 007, ela finalmente se tornou um personagem-chave, questionando e desafiando o agente secreto. Contudo as aparições, por mais fortes que fossem – e nenhuma é tão impactante quanto no próprio filme 1995, chamando 007 de “relíquia da Guerra Fria” e assim definindo o personagem nos anos 90 –, em Skyfall M é a razão do filme existir, que disseca sua relação conflituosa e quase maternal com Bond.

A peça definitiva, que move a relação entre ambos é o anti-007, o vilão que, pela primeira vez na franquia, não quer mais dinheiro que Deus ou dominar o mundo. Raoul Silva e a sua busca de vingança contra o serviço secreto britânico é a personificação do terrorismo atual: sem pátria, sem ideologia, convencido de que homens que puxam gatilhos não são nada além de obsoletos. E que belo vilão... Javier Barden veste o seu personagem e cria um jogo de contrastes com o Bond de Daniel Craig. Virilidade contra sutileza. Sexismo contra androginia. Certamente um dos mais memoráveis que a franquia já viu.

Skyfall não é um filme de 007 comum. Em seu ato final, ele parece menor, um pouco deslocado do que estamos acostumados, talvez até intimista, mas em nenhum momento se torna esquecível ou morno. A impressão que se tem quando os créditos finais sobem é que a reconstrução iniciada em Cassino Royale de um dos grandes mitos do cinema está concluída. Todos os elementos já foram devidamente posicionados. Mas, acima de tudo, agora sabemos quem realmente é James Bond. Conhecemos suas fraquezas e, desta forma, o personagem se fortalece mais do que nunca, tornando assim a grande questão levantada no filme muito fácil de ser respondida: sim, ainda há lugar no mundo de hoje para alguém como 007. Ou, ao menos, esse lugar existe no cinema.


domingo, 12 de agosto de 2012

A poesia beat cinematográfica do On the Road de Walter Salles



Eu não li On the Road, o clássico beat de Jack Kerouac que mudou a literatura dos Estados Unidos nos anos 50. No entanto, o brasileiro Walter Salles me conquistou com os versos de Sal Paradise, interpretado pela voz rouca e pela presença na tela de Sam Riley (o roqueiro Ian Curtis do filme Control), intercalados com o jazz, o bebop e a música frenética dos negros na estrada de jovens sem destino.

Para quem não entende o sentimento de viagem desses jovens após a Segunda Guerra Mundial, tentando descobrir seu próprio país, não consegue entender o filme e tampouco seus personagens. Sal acompanha um jovem chamado Dean Moriarty, ex-presidiário que tem uma fome de liberdade insaciável, tão libertina quanto sua vontade de ficar viajando de um canto até outro, sem destino. Sal Paradise está tentando colocar no papel todas essas impressões, enquanto Dean vive um romance estável com a esposa Camille, que ele logo abandona para viajar, e uma paixão louca por Marylou, uma garota menor de idade que personifica os próprios desejos de liberdade dele.

Sal, Dean, Marylou e seus amigos vão de leste à oeste, do norte ao sul. Chegam até o México. São perseguidos pela polícia por excesso de velocidade. Fazem sexo pelo simples impulso. Interpretada por Kristen Stewart, a Bella da saga Crepúsculo, a Marylou criada pelo diretor Walter Salles é uma personagem que imediatamente chama atenção por seu desprendimento e desprezo por tudo o que é considerado moralmente correto. Suas cenas de sexo a três chamam atenção nas telas, mas o filme não seria completo sem o protagonista literário que é Sal Paradise - e que tenta transmitir o sentimento de um tempo que não existe mais nos Estados Unidos, quando ainda estava começando o rock´n´roll e a contracultura.

Alguns personagens se perdem no roteiro de Salles. O Old Bull Lee de Viggo Mortensen (o Aragorn de Senhor dos Anéis), não é mencionado em momento nenhum como o escritor William S. Burroughs, que criaria a literatura beat com Jack Kerouac (Sal Paradise). Ele meramente é apresentado como alguém que conhece e compreende Dean. 

Muitos fãs do livro não gostaram do filme - com suas razões, principalmente nas incoerências do roteiro. Mas, mesmo assim, On the Road merece ser assistido para entender uma juventude americana libertina que não existe mais, que foi transformada pela cultura pop. E pela excelente fotografia de um Estados Unidos gigantesco que ainda existe.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A importância de ser valente


Poster americano de Valente

Produções culturais voltadas para o público feminino parecem girar em torno da promessa do casamento perfeito. Seja em comédias românticas ou desenhos animados, o enredo das personagens femininas se resume, em geral, à busca pelo homem ideal. A fantasia do matrimônio parece estar enraizada no imaginário dos contos de fadas, em que donzelas indefesas aguardam enquanto o príncipe encantado enfrenta obstáculos para salvá-las.

Com o passar dos anos, esse imaginário sofreu modificações, que podem ser percebidas nas produções da Disney. Filmes como Branca de Neve, Cinderela e A Bela Adormecida, surgidos entre as décadas de 1930 e 1950, retratam princesas frágeis salvas por príncipes corajosos, por quem se apaixonam. Já no final da década de 1980 e início dos anos 1990, surgem as primeiras heroínas através de produções como A Bela e a Fera, Aladdin e A pequena sereia. Porém, a realização de desejos e ambições dessas personagens só é atingida através do casamento, indicando que a mulher ainda depende de uma figura masculina para viver plenamente.

Somente a partir da segunda metade dos anos 1990 e início dos anos 2000 - com o Pocahontas e Mulan -, que surgirão as grandes heroínas da Disney. Suas histórias são marcadas pela busca por liberdade, honra e coragem. São elas as portadoras das virtudes necessárias para ultrapassar os obstáculos que se apresentam e depende somente delas a concretização de seu sonho, que consiste em conquistar seu lugar no mundo. Essas grandes personagens foram sucedidas por outras menos impressionantes, mas nem por isso menos fortes, em produções mais recentes como A princesa e o sapo e Enrolados.

Apesar dessa evolução, esses filmes compartilham uma característica em comum: a ausência de uma figura materna. De Branca de Neve e os sete anões até A princesa e o sapo, a mãe da protagonista morreu, desempenha um papel desimportante ou nem sequer é citada. Quando esse papel possui alguma relevância na trama, é somente para ser vilanizada através das madrastas. Com isso, a relação entre mãe e filha - uma das relações mais complexas e importantes da vida de uma menina – continuou ignorada. As protagonistas firmam suas identidades pela figura do homem, ao qual se distanciam, aproximam-se, igualam-se e/ou se complementam. O masculino sempre se apresenta como a referência a partir do qual o feminino se define.

Fugindo dessa tradição, está a nova produção da Pixar, Valente. O filme conta a história de Merida, uma princesa escocesa que enfrenta a tradição para conquistar o direito de seguir seu próprio destino. Para isso, ela deve enfrentar as preocupações de sua mãe, Elinor, que a treinou para corresponder às expectativas da sociedade. Entretanto, a rebeldia de Merida produz consequências desastrosas, forçando mãe e filha a revalidarem seus laços. Com isso, o cerne de Valente está na relação conflituosa entre mãe e filha, que precisa ser reconstruída em face das adversidades.


Merida e Elinor

Dessa forma, a Pixar criou um novo tipo de princesa. A personagem de Merida não é definida através da comparação com alguma figura masculina. Seu pai é reduzido a coadjuvante e ela sequer carrega interesse romântico por algum rapaz. Sua personalidade e suas ações são determinadas a partir de sua mãe, criando uma identificação do feminino com o feminino. É através da figura de outra mulher, sua mãe, sua rainha, seu futuro, sua tradição, sua história e sua herança, que Merida encontrará o mapa para seu destino. Com isso, o filme emociona na sua capacidade de retratar uma relação primordial para a constituição de qualquer mulher. Além de ser, nas palavras de Ana Maria Bahiana:
(...) refrescantemente próxima da experiência real – e não imaginada, em geral por um homem – de crescer sendo menina, à sombra das expectativas da sociedade, em geral encarnadas na figura materna, mas animada pelo fogo interior que é prerrogativa de todo ser humano. É um tema poderosíssimo, que merece ser retomado muitas vezes de muitas formas, limpo, sem clichês, sem distorções.
A animação também aponta para uma nova tendência identificada por Naomi Wolf, em seu artigo publicado no The Guardian. As produções culturais comerciais estão abrindo os olhos para ambições, desejos e relações importantes da vida de uma mulher, subvertendo a posição primordial que a fantasia do homem ideal possui na sua busca por felicidade e relegando-o a segundo plano. Isso não quer dizer que não há espaço para o amor ou para as relações românticas, apenas estão sujeitas a outras expectativas igualmente cruciais para a mulher. Naomi escreve:
Esses filmes despem os estratos de mística e entusiasmo direcionado às mulheres através da narrativa tradicional do casamento, e aumentam a importância do ponto de vista de que não há um final feliz se ela coloca todas as suas expectativas de aventura, transformação de vida e alegria futura nos ombros de um único homem (e um florista, um designer de vestidos e um serviço de buffet).
Ao contribuir para transformar a percepção sobre o feminino dentro da tradição das histórias de princesas, Valente é também um filme com sensibilidade suficiente para reduzir a figura do homem dentro da vida de uma mulher a uma posição mais realista ao protagonizar uma relação que é muito importante na formação de uma menina, mas que tantas vezes foi ignorada. Atende, assim como as novas comédias românticas, a uma demanda de apontar e representar com fidelidade a diversidade do universo feminino. Um universo complexo, repleto de obstáculos e que, para aquelas que nele vivem, exige muita, muita valentia. 

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