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domingo, 31 de agosto de 2014

Jason Becker, guitarrista portador de esclerose, fez o melhor vídeo do balde de gelo

Por Pedro Zambarda

Jason Becker tem 45 anos, é americano da Califórnia e portador da doença ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) desde 1989. Sabendo que as doações são para pessoas com esta doença, o guitarrista fez uma participação no "desafio do balde de gelo", o "Bucket Challenge", proposto por organizações que ajudam nas pesquisas contra a ELA.


Atualmente, Jason perdeu todos os movimentos musculares do corpo devido à doença, exceto alguns no rosto e os olhos. O músico se comunica com o mundo exterior usando apenas o movimento dos globos oculares em um sistema que dá uma letra para cada movimento.

Graças a esta iniciativa, Jason Becker ainda está produzindo música.

Jason desafiou Eddie Van Halen, David Lee Roth e John Mayer a levar o desafio adiante. Confira o vídeo do desafio e 48 segundos de uma de suas obras-primas, a música Serrana.



Via Whiplash.net

terça-feira, 29 de julho de 2014

Quais são as bandas que João Gordo escuta? Ele ainda é punk?

Por Pedro Zambarda, Durr Campos e Diego Camara
Originalmente postado na Whiplash.net

Após a coletiva de lançamento do disco “Século Sinistro”, no dia 30 de maio, o vocalista João Gordo (João Francisco Benedan) puxou um papo com a equipe da Whiplash.net. Ele criticou a cobertura da grande mídia, de veículos como a revista Veja e a TV Globo, nos protestos que começaram em junho de 2013. “É a repressão, cara. A polícia desce o cacete nos manifestantes, nos Black Blocs, ocorrem prisões e essa imprensa cretina dá retaguarda pra esses caras. A política brasileira inteira está uma merda, e é só ver a transformação do Lula até a presidência, muito diferente dos comícios. Não vejo muita saída, mas os protestos sem violência não vão ocorrer”, disse o cantor.



Mas João Gordo não falou só sobre isso. Confira abaixo algumas perguntas que ele respondeu à Whiplash.net.

Gordo, que bandas você ouve hoje em dia, cara?

João Gordo: Não ando ouvindo muito punk ultimamente, mas sim thrash metal, metalcore e estilos mais misturados. Gosto da Test, da banda Facada e ouço bastante Krisiun, que representa o metal. Poucas bandas que eu conheço continuam tão loucas, tocando com muita energia sem cair numa baladinha. O metal trouxe uma disciplina de agressividade que a gente, como punk, não tinha.

Cara, que história é aquela de que você recebeu 40 mil reais da igreja?

JG: Foi o salário que eu tive lá. Tem trouxa escrito na minha testa? Tinha dívidas, casa pra construir e filhos pra criar. Ganhei 40 paus por mês nos três anos que trabalhei na TV Record. Mas é um lixo estar ali. Eu cumpri meu contrato direitinho, apesar de ter pisado na bola e até me trataram bem um tempo. Mas botaram numa geladeirinha quando precisou, sabe? Sem dar muito destaque pro cara, aquele escroto. Mas o salário, olha, compensava. Faz as contas: 40 mil vezes 36.

Estamos vendo o disco novo de vocês do Ratos de Porão e gostaríamos de saber: As letras tem a ver com os protestos e os Black Blocs de São Paulo?

JG: É a nossa realidade, né cara? É a realidade Brasil-horrível e Brasil-merda. Povo escroto fascistão, político corrupto, impunidade e treta...

Ou seja, é basicamente o que o Ratos sempre falou desde o primeiro disco, não?

JG: Tudo isso, exceto consumo de droga, talvez. Hoje a gente nem usa mais. Eu nem curto mais pó. E não é politicamente correto isso, eu só estou velho.

Se você escrevesse hoje uma música sobre pó [cocaína], como ela seria? Se tornaria uma letra maluca, mesmo não usando mais?

JG: Tem a “Toma Trouxa”, do disco “Guerra Civil Canibal” (2000), mas não vejo muito sentido em escrever algo assim agora, sério.

Gordo, o que você faria se encontrasse o Dado Dolabella hoje em dia?

JG: Nada, cara. Aquela merda que aconteceu lá atrás [Dado e João Gordo brigaram em um programa da MTV] não vale mais nada. Que se foda...

João Gordo, o que é ser punk hoje em dia? Você é punk? Não enche o saco quando aparecem moleques dizendo que você traiu o movimento?

JG: Cara, eu sou punk, mas eu tenho 50 anos hoje. Punk tem a ver com o “faça-você-mesmo”, mas hoje eu tenho contas pra pagar. Não dá pra eu ser jovem o tempo inteiro. Vou ser, tipo, o Sid Vicious? Ou não sou o Sid Vicious. E essa galera novinha, que nem viveu a época, fala isso porque vive na internet. Como eles ficam na rede, aquela é a realidade deles. Então esses comentários ruins que fazem de mim eu nem ligo. Tô cagando mesmo.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Existe moda feminina heavy metal no Brasil? Conheça a HauteXtreme

Por Pedro Zambarda
Originalmente publicado na Whiplash.net

Normalmente, o mundo fashion é voltado para a alta costura e para as grifes. Mas será que ele teria espaço para mulheres metaleiras? Mesmo num universo dominado pelos homens? Conversamos com Larissa “Lari” Maza, que possui a loja digital HauteXtreme e pretende levar a moda de alta qualidade para o universo do heavy metal e do visual dark.



Com 25 anos, Lari teve a ideia de sua própria grife em 2010 e está, há quatro anos, buscando firmar sua marca no mercado com um negócio próprio.

HauteXtreme? Que nome é esse?

“HauteXtreme é um neologismo. Uma fusão entre a expressão francesa haute couture, alta costura, e extreme, do inglês. O nome representa a junção do sofisticado com o pesado, o sombrio. As pessoas têm alguma dificuldade para pronunciar - assim como algumas das melhores bandas. Faz parte do conceito (ri)”, disse Lari Maza, em entrevista. A estilista se formou em Moda na Faculdade Santa Marcelina (FASM).

O meio universitário ajudou ela a ter uma ideia de uma grife com peças que são vendidas pela internet. “A ideia começou a tomar forma no meu último ano da faculdade. Mesmo muito afastada da cena underground do heavy metal que tanto frequentei, os meus gostos sombrios não haviam mudado e foram para a moda. Abracei então minhas raízes, e fiz o meu TCC inspirado na banda Dimmu Borgir, mas sem corpse paint e caneleiras de spikes. O resultado foi o pontapé que eu precisava para perceber que o que eu queria fazer não existia no mercado brasileiro ainda. Uma marca com origem dark que evoluísse junto com a personalidade das pessoas”, afirma a entusiasmada Lari.

De 2010 para cá, a loja HauteXtreme lançou sua fanpage no Facebook e já conquistou mais de 18 mil fãs. “As diferenças entre nós e a Galeria do Rock, por exemplo, se resumem a dois aspectos: Versatilidade e contemporaneidade. Digo com todo o respeito, porque o estilo das lojas físicas de moda rock costuma ser mais tradicional, bastante atrelado à visão clássica da moda alternativa. E não há nada de errado nisso. Mas a visão que temos é mais mutável e orgânica, absorvendo influências externas e trazendo elementos de outras tendências para dentro do dark. O movimento inverso também ocorre e levamos o dark para fora, impactando outras pessoas que podem não levar um estilo de vida alternativo, mas se identificam com o visual”, explica.

A loja vende roupas em quais tamanhos? Quais são suas coleções?

“Nossa tabela de tamanhos foi criada com base no corpo real das mulheres. Ninguém gosta de ir a uma loja e se frustrar com um G que mais parece um PP. E tem funcionado, porque nosso índice de trocas é muito perto do zero”, diz Lari, a dona da HauteXtreme.

A empreendedora também nos explicou detalhes sobre a entrega de peças em todo o Brasil. “Fazemos em parceria com os Correios, como muitas outras lojas virtuais, e nunca tivemos problemas. O frete varia muito de acordo com a localidade, mas na capital de São Paulo costuma girar em torno de R$ 9 via PAC”.

As roupas e acessórios variam entre R$ 36 e R$ 160, quantia próxima que você gastaria num shopping center. “Priorizamos sempre a qualidade em nossos produtos, utilizando somente tecidos e aviamentos muito bem selecionados, e profissionais altamente qualificados. Cada peça é provada e ajustada em seus mínimos detalhes antes de seguir para a produção. Os preços são justos, mas é difícil competir com as grandes magazines de fast-fashion que usam mão de obra escrava”.

Sobre as coleções, Lari explicou que há uma linha de produtos fixos e outros mais variáveis. “Nosso modelo de lançamentos não se baseia em coleções que trocam a cada estação, como as marcas tradicionais de moda. Temos um acervo semi-permanente que sempre recebe novas adições. As peças que mais fazem sucesso continuam no ar, enquanto que outras vão se esgotando e saindo de cena. Funciona, porque não somos uma marca que muda completamente de estilo a cada coleção. É um DNA só”, diz.




E qual peça vende mais nesta moda dark e metal? “A legging com o símbolo do Baphomet (foto acima) é o nosso best-seller. O que ilustra o conceito da nossa marca é o todo, com aquela peça no look certo, com a maquiagem e o cabelo compatíveis. E as peças são produzidas de forma artesanal, em um ateliê pequeno”, afirma Lari Maza.

E os homens, terão uma moda própria?

Sobre isso, Lari é mais enigmática. “Teremos moda masculina só daqui a alguns anos. Depois que a hauteXtreme estiver plenamente estabelecida no mercado feminino. Homens, vocês não foram esquecidos por nós!”, finaliza.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Veja primeiro trailer do filme "Jimi: All Is By My Side", a biografia de Jimi Hendrix nos cinemas

Por Pedro Zambarda
Originalmente postado no Whiplash.net

Dirigido e escrito por John Ridley, de "12 anos de escravidão", o filme "Jimi: All Is By My Side" terá Andre Benjamin, o Andre 3000 do grupo de hip-hop Outkast, no papel de Jimi Marshall Hendrix, o guitarrista pioneiro na distorção elétrica e um dos fundadores do hard rock. Hendrix ajudaria a criar o que conhecemos como heavy metal.


O filme tem previsão de chegar no dia 26 de setembro nos Estados Unidos. Há um boato de que chegará antes no Reino Unido, no dia 8 de agosto. Agora é esperar pra ver se o longa-metragem respeita a história marcante de Hendrix.

Confira o primeiro trailer:


sexta-feira, 20 de junho de 2014

André Forastieri e seu punk rock moribundo

Por Pedro Zambarda
Originalmente postado na Whiplash.net

Eu conheci os textos do André Forastieri como muitas pessoas conhecem: Odiando um deles.

Li, no dia 17 de maio de 2010, o post “Ronnie James Dio, o deus ridículo do rock” e achei prepotente a crítica dele sobre o cantor que fez sua carreira no Rainbow e no Black Sabbath. Concordo com seu amigo, André Barcinski, em reconhecer que o texto é apenas uma tirada de sarro com os metaleiros e fãs acríticos de Dio, mas mesmo assim não consigo gostar até hoje deste texto.

O que eu descobri, pouco tempo depois (e só quando critiquei aquele texto em um texto meu), é que aquela não tinha sido a primeira vez que eu tinha lido Forastieri. Quando tinha por volta de 8 ou 10 anos, fui leitor da Herói em seu auge. E estava viciado no anime Cavaleiros do Zodiáco na televisão. Quando comprei um videogame N64, comprei assiduamente a revista brasileira Nintendo World. E quando veio o vício no Game Boy e em Pokémon, eu tive a coleção completa da revista Pokémon Club. Ou seja, eu fui educado em publicações criadas e/ou editadas pelo André Forastieri.

Recebi então a tarefa, justa eu acredito, de resenhar seu primeiro livro, “O dia em que o rock morreu” (Arquipélago Editorial, 184 páginas). Depois de odiar seu texto sobre Dio, passei a acompanhar o trabalho do André mais de perto. Eu tenho essa mania bizarra de ler pessoas que não concordo muito, até por exercício de jornalista. Milhares de textos dele despertavam discórdia da minha parte. Em outros textos, passei a concordar muito. Mas uma conclusão eu tirei a respeito dele, depois de uma leitura mais assídua em quatro anos: Ele é um crítico de cultura pop, música e videogame com repertório, experiência e coerência, qualidades que são raras em muitos profissionais.

“O dia em que o rock morreu” é um livro passional com alguns dos textos que André Forastieri já publicou, com a adição da entrevista dele com Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, um ano antes de seu suicídio, em 93. Não é um livro que vai agradar quem espera material inédito, mas certamente vai agradar os fãs de Forastieri quando ele escrevia na Folha de S.Paulo, na revista Bizz e agora no portal R7, da TV Record.

André absorveu a cultura que o cercou desde a adolescência. Sua família de Piracicaba, interior paulista, não era musical e nem roqueira. “Cresci numa casa sem música. Só havia o radinho de pilha na cozinha. Minha mãe é a rainha do rádio, especificamente da rádio Nacional: A qualquer minuto cantarolava (e cantarola) extenso e refinado repertório dos anos 40-50. Que eu saiba, nem ela nem meu pai jamais entraram em uma loja de discos na vida”. A família dele se parece um pouco com a minha, o que provoca um problema em casa quando você abraça a música jovem que seus parentes não reconhecem.

Suas opiniões sobre artistas são polêmicas, mas coerentes com o que ele pensa. Michael Jackson? “Aprendeu a cantar como um anjo e a dançar como um cafetão fazendo shows em puteiros aos oito anos de idade”. John Lennon? “Minha primeira paixão roqueira”, “um babaca que me traiu” e “hippie-yuppie babaca”. Elvis Presley? “Morreu quando careteou”, ficou careta após se alistar no exército. Lou Reed? “Viveu mais que o provável, pelo mal que fez a si mesmo”. Caetano Veloso? “Não importa há três décadas”. Roberto Carlos? “Virou as costas ao rock e à vida”. Chorão? “Um garoto skatista e destrambelhado, procurando um lar e um amor”. Kurt Cobain? “Um pobre-diabo que precisava ser amado e idolatrado, conseguiu e não segurou a onda”. The Clash? “Banda que me fez pensar grande, ser valente, cortar o cabelo, não entrar em igrejinha, detestar bicho-grilo, largar Piracicaba, ir pra vida de peito aberto, com medo e com um tesão louco”.

Forastieri também alega que o fim da MTV Brasil em 2013 foi no tempo certo e que os anos 1980 realmente formaram os roqueiros no nosso país, embora ele renegue esse suposto rock brasileiro. O punk de São Paulo, para ele, foi determinante. Ele também coloca que a pirataria acaba com os músicos, embora seja algo bom na era digital e para o consumo, reduzindo o preço de muitos serviços.

Sua tese mais ousada no livro é que o rock morreu, foi morto, acabou. E, para ele, acabou não por causa da música eletrônica, do disco ou dos sintetizadores. Acabou porque não há mais bandas medianas. Ou sua banda é de quintal, feita por amigos, ou é uma superprodução pop, o que vai contra a contestação mais “imatura” do rock. Não há mais apelo por capas ou vinis de forma comercial. Há apenas uma nostalgia em forma de “cadáveres” musicais.

André também dedica um capítulo às revistas Heavy Metal e Spin, suas favoritas, e comenta sobre os críticos musicais ruins que puxam o saco de artistas.

Não é preciso concordar com André Forastieri para compreender seu valor cultural como jornalista. Sei que é suspeito um jornalista falar sobre outro jornalista, mas um sujeito que absorve repertório e consegue colocar isso de forma cristalina em seus textos, sejam eles de opinião pura ou análise, terá deixado suas marcas em seus possíveis leitores.

O texto ridículo do Dio está no livro. Reli para tentar enxergar de outra forma. Não consegui, mas o material todo é muito bom. “O dia em que o rock morreu” pode ser lido facilmente em três dias. A prosa de André Forastieri é direta e crua, como seu punk rock predileto. Eu li em dois dias, porque conhecia a maioria dos textos, disponíveis na internet através do blog dele.

André se formou com o The Clash. Música boa pra ele tem três acordes, e eu gosto das que tem mais acordes. Ele viveu os anos 80 e trabalhou a cultura pop brasileira nos anos 90. Eu nasci nos anos 90. Fui leitor das publicações dele. Eu me formei com um Black Sabbath deslocado do meu tempo, mas estou vendo o final da banda que revolucionou os anos 70. Vejo todo o dilema do mercado musical que André relata. Não gosto de tudo o que o mainstream e o pop tentam me fazer engolir, mas vivo uma época muito mais fácil para ouvir músicas se comparada com a procura louca atrás de vinis e raridades.

André acredita que o rock morreu. Eu discordo, porque o rock’n’roll é a trilha-sonora ideal para uma São Paulo tomada por protestos desde junho de 2013. As manifestações não tem música própria, então eu crio a minha, com velharias de outras épocas. O heavy metal e o punk combinam com a cidade cinzenta onde vivo. A mesma cidade que André Forastieri viu se formar.

Não sei se o livro será um sucesso de vendas. O que sei é que a experiência de jornalista e de crítico deve ter um envolvimento com os assuntos que você trata. André teve uma relação com games, com a imprensa e, principalmente, com a música. Não basta, então, criticar algo, se você não tiver nenhum envolvimento.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Christopher Lee, o Saruman do Senhor dos Anéis, lança EP de heavy metal aos 91 anos

O ator e cantor Christopher Lee lança hoje, digitalmente, a EP Metal Knight. O material terá as músicas "I, Don Quixote", "The Impossible Dream", "The Toreador March" e "My Way (Radio Edit)". Lee estreou em quase 300 filmes, desde ¨Senhor dos Anéis¨, ¨Star Wars¨, ¨007 contra o Homem da Pistola de Ouro¨, ¨Drácula¨ até os mais recentes filmes da trilogia ¨Hobbit¨. Ele tem 91 anos.


A nova EP está disponível para compra na Amazon. Christopher Lee tornou-se o homem mais velho a gravar heavy metal quando fez álbum conceitual "Charlemagne: The Omens Of Death".

Informações via Whiplash.net.

domingo, 11 de maio de 2014

Metal robótico, pop e decadente

Entre 1973 e 1976, o Black Sabbath passou por transformações depois de estourar com quatro discos: Black Sabbath (1970), Paranoid (1970), Master of Reality (1971) e Vol. 4 (1972). As primeiras mudanças ocorreram em Sabbath Bloody Sabbath (1973) e Sabotage (1975). Technical Ecstasy, lançado no dia 25 de setembro de 1976, é um álbum que traz um heavy metal robótico, um rock profundamente pop e uma banda em um começo de decadência.



O disco tem um total de oito composições e abre com Back Street Kids, uma música sobre se tornar um astro do rock, ficar alto e ter dinheiro. Apesar dos flertes constantes do Sabbath com o rock progressivo, inclusive colocando Rick Wakemen do Yes em algumas músicas, esta música soa mais punk e mais parecida com a primeira fase da banda, com Ozzy Osbourne cantando com voz desafinada, acompanhada por riffs bem demarcados de Tony Iommi em sua guitarra canhota. Gerald Woodruffe colabora com entradas estratégicas de seu teclado, enquanto Bill Ward (bateria) e Geezer Butler (contrabaixo) fazem a cozinha consistente de fundo.

You Won't Change Me dá uma diminuída no ritmo frenético da abertura do disco e retoma a atmosfera mais densa do Black Sabbath, com efeitos pesados dos instrumentos, mas sem temas muito fantasiosos nos versões. O refrão desta composição, no entanto, mostra o dom de Ozzy para cantar música pop acompanhada por uma guitarra pesada. Esta segunda faixa seria confundida, facilmente, com alguma da carreira solo do Madman, além de conter um dos solos mais rápidos e jazzísticos de Tony.

Eis que surge uma surpresa muito diferente e agradável neste disco, que vale sua compra. It's Alright é uma música completamente diferente do que o Sabbath tinha composto até aquele fatídico ano de 76. Ao invés de ter Ozzy nos vocais, é o baterista Bill Ward que empresta sua voz, tocando bateria ao mesmo tempo. A letra simboliza as brigas pessoais e empresariais que a banda estava tendo na época, endividada com impostos e abusando de bebida e drogas. Bill tentou transmitir, com aquela letra, uma sensação de que tudo vai dar certo, mesmo com todas as dificuldade entre os quatro fundadores da banda. A bateria consistente é novamente acompanhada por outra guitarra elétrica inspirada, dando um brilho ao álbum. O Guns N'Roses faria um cover da música quase duas décadas depois. A música é muito parecida com o som de Beatles, uma das influências fortes do Sabbath, segundo o próprio Ozzy Osbourne (que não canta nesta ocasião).


Gypsy é outra pérola do disco, com uma letra sobre esoterismo, uma cigana e tentações. All Moving Parts (Stand Still) abre a segunda parte do álbum com uma melodia mais ritmadam sobre sentimentos, e como eles estão decadentes. Em seguida, vem Rock 'n' Roll Doctor, sobre como a música nos ajuda a superar problemas. A letra, em parte, reflete as dificuldades de Ozzy com a cocaína e com o excesso de bebedeiras na época.

Ozzy coloca sua história na música She's Gone, sobre os problemas que ele enfrentava em seu casamento com Thelma Riley, mulher que ele agredia e amedrontava com sua personalidade instável. É o momento mais melancólico do disco. Sua vida mudaria, anos depois, com Sharon Arden, a futura empresária de sucesso Sharon Osbourne.

Dirty Women fecha o disco sobre vida noturna, prostituição e vida urbana. Technical Ecstasy só ganhou um disco de ouro no dia 19 de junho de 1997, 20 anos depois do lançamento do material. Foi um álbum complicado na carreira do Sabbath, com a banda mergulhada em dívidas, em brigas e competindo com o emergente punk rock dos Ramones, que prometia acabar com o rock progressivo e com o metal acompanhado por composições mais simples e cruas.


Ozzy tem uma opinião particular sobre o disco, especificamente sobre a capa dele, feita pelo artista inglês Hipgnosis, de Londres. Ele escreveu em sua autobiografia:

"O pior de tudo, no entanto, é que perdemos nossa direção. Não era a experimentação com a música. Parecíamos nem saber mais quem éramos. Um minuto você tinha uma capa como a de Sabbath Bloody Sabbath, com o cara sendo atacado por demônios, e na seguinte tinha dois robôs transando enquanto subiam uma porra de uma escada rolante, que era a arte de Technical Ecstasy. Não estou dizendo que o disco era todo ruim - não era. Por exemplo, Bill escreveu uma música chama 'It's Alright' que eu adorei. Ele cantava também. Tem uma ótima voz e eu fiquei mais do que feliz por deixá-lo cantar. Mas comecei a perder o interesse e fiquei pensando em como seria ter uma carreira solo. Até fiz uma camiseta com 'Blizzard of Ozz' escrito. Enquanto isso, no estúdio, Tony estava sempre dizendo: 'Devíamos soar como o Foreigner', ou 'Devíamos soar como o Queen'. Mas eu achava estranho que as bandas que antigamente influenciávamos agora estavam nos influenciando".

Depois deste disco, Ozzy tentaria sair do Sabbath pela primeira vez. Voltaria para gravar Never Say Die! (1978) e encerrar a fase clássica da banda criadora do heavy metal.  

domingo, 13 de abril de 2014

Ouça, veja e sinta David Bowie

Só até o dia 20 de abril, domingo, você pode conferir uma exposição exclusiva baseada na carreira artística do cantor e músico David Bowie, no Museu da Imagem e do Som - o MIS, na Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo. Fui ver a mostra, que trouxe os figurinos de Bowie, gravações, registros e outros dados do "Elvis inglês" que revolucionou o rock dos anos 70, 80 e 90, permanecendo relevante até hoje.


Ao entrar no MIS, você pode conferir uma exposição gratuita do fotógrafo Mick Rock do lado de fora da mostra principal, que não inclui apenas fotos de David Bowie, mas também imagens de Lou Reed, Ozzy Osbourne, Blondie, Freddie Mercury, Syd Barrett, Joan Jett e até de Mick Romson, guitarrista de Bowie. Ao entrar na exposição exclusiva do camaleão inglês, você é proibido de tirar fotos e de filmar, coloca um fone de ouvido especial e embarca em uma viagem.

David Bowie: The Exhibition não foi organizada em ordem cronológica. Você começa por Space Oddity, de 1969, com o homem chegando na Lua, mas vê as fases Thin White Duke e os anos 80 em seguida. Vê pedaços dos anos 90. Vê a participação de Bowie em filmes. Vê as influências da arte oriental na roupa e na arte do cantor. E o que é inovador nesta mostra? Os fones de ouvido exibem músicas diferentes com os sensores dos ambientes dentro do evento.

Um dos pontos mais altos é o jogo de espelhos com o clipe de Starman, do personagem alien Ziggy Stardust, acompanhado pelo figurino andrógino de David Bowie. Essa exposição interativa mostra como Bowie tem diversas faces. Você se sente acompanhado pelo artista, e, ao mesmo tempo, tem uma experiência solitária e pessoal dentro de sua vida multifacetada.

Outro clipe também mostra David Bowie trancado dentro de um manequim estático cantando The Man Who Sold the World. Bowie também explica como utilizou uma máquina que embaralhava e buscava palavras em jornais e livros para sugerir termos para suas letras, buscando recursos para permanecer criativo e diferenciado. A mostra também mostra a recuperação, entre 2003 e 2013, de David Bowie até o lançamento do último disco, The Next Day.

A exibição toda vale por ouvir as músicas, que emocionam, ver as roupas de cada fase nos mínimos detalhes, além de instrumentos, trechos de documentários e análises sobre a obra estética, conceitual e cheia de conteúdo do roqueiro inglês. Se você é fã, não deixe de ir ao MIS conferir isso nesta última semana. Se você não conhece David Bowie, é uma excelente oportunidade para dar o pontapé inicial.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Como Jimmy Page passou a usar a guitarra gêmea

Jimmy Page participou de um documentário chamado It Might Get Loud (A Todo Volume, do diretor americano Davis Guggenheim), lançado em 2009. O filme mostra a interação entre Page, um guitarrista clássico dos anos 1960 e 1970, com The Edge (U2), dos anos 80, e Jack White (White Stripes), dos anos 2000. O estilo diferente dos três mostra como Edge ficou preso ao punk rock e aos efeitos, enquanto White cultiva uma pegada mais purista e voltada ao blues. Page empolga no filme por sua pegada única na guitarra modelo Gibson Les Paul e seu estilo mais versátil, que funciona com efeitos e com experimentalismos, como o uso de arco de violino.


No filme, Jimmy Page aproveita para explicar como passou a utilizar a "guitarra gêmea" nos shows após a gravação do álbum Led Zeppelin IV, que originalmente não tinha título. O instrumento de Page é uma versão modificada da SG da Gibson, com dois braços. O músico explica no documentário de maneira clara o uso deste tipo específico de guitarra elétrica:

"A guitarra de dois braços surgiu com Stairway To Heaven. Originalmente, ela foi composta e era tocada no violão de 12 cordas. Pensei: Como tocarei isso no palco? Essa guitarra especial permitia que eu tocasse todas as cordas, utilizando um segundo braço de seis cordas para os solos".


O documentário It Might Get Loud está disponível no sistema de streaming Netflix do Brasil.

E ai, gostou de saber que uma das músicas mais icônicas do rock clássico fez Jimmy Page mudar de modelo de guitarra? Não deixe de comentar.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Entrevista com Neal Morse, cantor do Transatlantic: "Ao me tornar cristão, isso mudou toda a minha vida"

Por Diego Cabral Câmara e Pedro Zambarda
Originalmente postado na Whiplash.net.

Um dos mais conhecidos e exaltados músicos do progressivo da atualidade, o multinstrumentalista NEAL MORSE, conhecido por ter sido um dos fundadores da banda de rock progressivo SPOCK’S BEARD, além do projeto TRANSATLANTIC e de um artista solo, foi alvo de uma breve mas reveladora entrevista para o whiplash.net. Sempre bastante calmo e de serenidade impressionante, Neal conversou sobre sua saída da SPOCK’S BEARD, sobre sua carreira solo e o TRANSATLANTIC, com vindoura apresentação no próximo dia 13 de fevereiro, além de um pouco sobre sua vida dedicada ao cristianismo e como isso afeta sua música.

Neal Morse

Olá Neal, tudo bem? Você deixou o SPOCK’S BEARD em 2002, quando a banda lançou o álbum conceito “Snow”. Você lamenta alguma coisa nesta decisão? Qual a coisa que mais sente falta da banda nesses mais de 10 anos desde que saiu dela?

Neal Morse: Estou bem, obrigado. Eu não lamento em nada a minha saída do SPOCK'S. A coisa que mais sinto falta de estar naquela banda era o companheirismo dos rapazes. Eu realmente não percebi que nós não nos veríamos quase nada desde minha saída. Claro que ainda vejo meu irmão [Alan Morse, guitarrista do SPOCK’S BEARD], mas sinto muita falta dos [outros] rapazes.

O que você acha dos últimos trabalhos do SPOCK'S BEARD com o seu irmão Alan Morse?

Neal Morse: Penso que o último álbum deles está incrível! Um dos melhores que eles já fizeram.

Hoje, quanto o cristianismo afeta sua carreira solo? E sua performance enquanto vocalista no TRANSATLANTIC?

Neal Morse: Bem, ao me tornar cristão, isso mudou toda a minha vida. Então, a música que eu escrevo e as palavras que saem de minha boca... e enquanto estou cantando muitas vezes penso no Senhor. Quando eu primeiramente vim com tudo isto em 2002, eu estava tão entusiasmado em apenas cantar o que estava em meu coração no álbum “Testimony”. E desde então eu tenho feito as mesmas coisas, embora às vezes é um pouco mais para frente, e às vezes um pouco menos dessa maneira, mas a mensagem é a mesma.

Por que o TRANSATLANTIC não é o seu projeto principal? É porque Mike Portnoy não está sempre disponível? E os outros caras?

Neal Morse: Sim, agenda é definitivamente um problema. Mas eu sinto que está bom da maneira que está... nós nos juntamos e gravamos quando sentimos que devemos e está tudo bem. Houve alguns momentos quando eu senti que gostaria de gravar com a banda e não era possível por causa das agendas... mas tudo sempre funcionou bem no final.

Transatlantic

Você poderia fazer uma lista das 10 melhores bandas do rock progressivo e metal progressivo dos últimos anos?

Neal Morse: YES, GENESIS, KING CRIMSON, EMERSON LAKE AND PALMER, JETHRO TULL, GENTLE GIANT, SPOCKS BEARD, TRANSATLANTIC, FLOWER KINGS e PREMIATA FORNERIA MARCONI.

Quem são seus músicos e bandas favoritas?

Neal Morse: Muitos dos que estão na lista acima. Em adição a estes grandes artistas eu também adicionaria: PETER GABRIEL, PAUL MCCARTNEY, OS BEATLES e claro... THE WHO... todo o tipo de grandes músicos. Há muitos para contar!

Você ouve outros estilos de músicas? Quais?

Neal Morse: Eu escuto muito música clássica atualmente. Eu amo Beethoven, Mahler, Wagner... este tipo de música. Eu também ouço muita música cristã. Gosto de artistas como Steven Curtis Chapman, Jars of Clay, etc.

Como um cristão, o que você acha da Igreja Católica e do novo Papa Francisco?

Neal Morse: Ouço coisas boas sobre o novo Papa. Eu sei que tudo trabalha unido para o bem daqueles que amam a Deus!

O Heavy Metal pode ser um estilo para se cantar sobre questões espirituais?

Neal Morse: Acho que você pode cantar sobre coisas espirituais em vários estilos musicais. Pessoas cantam sobre questões espirituais no heavy metal todo o tempo. Eu sei que não é o estilo que domino, mas isso realmente não importa. As pessoas devem fazer aquilo que elas sentem, e isso é entre elas e Deus.

Vamos falar um pouco sobre esta nova turnê. O que as pessoas no Brasil devem esperar se forem ver o TRANSATLANTIC pela primeira vez?

Neal Morse: Certamente será uma noite cheia do prog! De verdade, será uma noite incrível de música para não ser perdida, por sem dúvida alguns dos melhores músicos do planeta na atualidade. Você simplesmente tem que vir! Você não vai se decepcionar!

Ouvimos seu novo álbum algumas boas vezes. “Kaleidoscope” é muito diferente dos outros lançamentos do TRANSATLANTIC. Há mais poder e energia do que no “Whirlwind”, por exemplo. Qual a pegada sua e do resto da banda nas gravações e composições deste novo álbum?

Neal Morse: Realmente fluiu de uma maneira linda. Digo, acho que nós gravamos as músicas mais rápido que nunca. Penso que fizemos 15 minutos de música no primeiro dia. Foi realmente espetacular. Foi um tempo mágico, penso eu...

Houve um grande número de resenhas antes do lançamento de “Kaleidoscope”, e então em torno de quatro dias antes do lançamento oficial eu vi que o álbum vazou na internet. O que você acha dos vazamentos de discos antes do lançamento e a distribuição ilegal? E especificamente sobre “Kaleidoscope”, a banda tomou alguma ação contra quem vazou ou sabe quem seria?

Neal Morse: Bem, nossa gravadora está de olho neste tipo de coisa e também tenho um cara que trabalha nestas coisas para mim. Eu penso que é esta a maneira do mundo agora. Mas eu desejo que as pessoas não façam isso. Eu acho que muitas vezes são fãs e eles pensam que estão nos ajudando, mas nós realmente preferimos que a música seja lançada pelos canais tradicionais. Ajuda a todos se os artistas fazem dinheiro com sua música, porque então nós podemos dar ao luxo de continuar fazendo isso!

Muitos dos fãs da música progressiva dizem que o TRANSATLANTIC é cada vez mais e mais uma banda cristã e falam como isso os irrita. Por outro lado, um álbum como “The Whirlwind” fala muito sobre questões importantes na vida atualmente e tocam o coração de muitas pessoas, cristãs ou não. O que você pensa sobre a música que você faz atualmente e como isto transmite sua própria vida?

Neal Morse: Bem, eu sou um cristão, claro, por isso certamente não me incomodo! Eu entendo que algumas pessoas não querem ouvir este tipo de mensagens... mas eu sei que as pessoas podem entender que, nas porções de música que eu escrevo no TRANSATLANTIC, eu devo escrever aquilo que sinto no meu coração. Eu certamente não estou tentando acertar alguém na cabeça com uma mensagem cristã, mas eu estou dizendo o que eu penso que é verdade e o que eu sinto que é importante. Eu penso que muitas pessoas apreciam isto e sentem também.

Portnoy fez muitas visitas ao Brasil: primeiro com o ADRENALINE MOB, e então com o WINERY DOGS e agora com o TRANSATLANTIC. Parece que Pete Trewavas também irá no mesmo caminho, agora com o TRANSATLANTIC e em maio ele voltará com o MARILLION por um show bastante esperado. Há alguma chance de vermos você outra vez no Brasil para, talvez, um show da banda solo? Talvez trazendo o FLOWER KINGS também?

Neal Morse: Nós amaríamos isto! Somente digam e nós amaremos estar aqui. Deixe-nos saber quando... nós apenas precisamos de um produtor que irá tomar conta de nós e fazer tudo ocorrer e nós adoraremos vir tocar a nossa música para este povo maravilhoso.

Para encerrar, há alguma mensagem que você gostaria de mandar para os seus fãs no Brasil?

Neal Morse: Eu não posso esperar para ver vocês face a face pela primeira vez! Penso que será um concerto maravilhoso e eu espero ver muitos de vocês lá. Que Deus os abençoe e até breve!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Andre Matos fala sobre carreira solo, Angels Cry e mercado brasileiro de heavy metal

Conversamos com o cantor e compositor Andre Matos, fundador das bandas Angra e Shaman, que atualmente segue em carreira solo comemorando os 20 anos do disco Angels Cry, lançado em 1993.

Entrevista por Pedro Zambarda de Araújo.
Via Ultimate Music Press. Originalmente publicado na Whiplash.net.


1 - Hoje, tocando uma carreira solo, você se sente como um músico livre, por mais que tenha arranjado conflitos durante sua carreira?

Andre Matos - Se houve alguns conflitos durante minha carreira foi por tentar fazer, e às vezes até impor, o que considerava certo, tanto musicalmente, quanto moral e profissionalmente. Nunca busquei quaisquer conflitos, mas eles são comuns em qualquer profissão que se escolha. Há de saber aceitá-los como parte da vida e usá-los a favor de um maior auto-conhecimento.

A carreira solo não foi uma escolha, mas uma necessidade. E, sem dúvida, por mais que isso me acarrete mais responsabilidades hoje em dia, sinto-me bem mais livre. Hoje, se houver dúvidas ou conflitos, eles são resolvidos imediatamente, de maneira clara. Do ponto de vista musical, a liberdade é ainda maior. Minha banda abarca uma carreira de 25 anos e podemos passear por todo o repertório com tranquilidade, além de produzir sempre material novo, pois já estamos no terceiro álbum de estudio. Foi difícil no começo, no entanto, agora posso dizer que a carreira está solidificada e é definitiva.

2 - Sua volta ao Viper em 2012, celebrando discos como Soldiers of Sunrise, foi uma espécie de preparação para as comemorações da estreia do Angra?

AM - Sem dúvida, porque foi aí que nasceu a ideia de uma turnê comemorativa também em 2013. A turnê do Viper estava prevista para durar apenas um mês e acabou se estendendo por cinco! E o mesmo aconteceu com a turnê atual da banda solo, pois sabíamos que iríamos participar de festivais como Abril Pro Rock e Rock in Rio, mas não imaginávamos que permaneceríamos ocupados até os últimos dias do ano, quase ininterruptamente. A tour foi um sucesso e o tributo ao Angels Cry teve uma importância crucial, porque era algo que as pessoas estavam esperando. Se vamos continuar fazendo turnês comemorativas ou não, isso não ouso afirmar.

3 - Você sabia o que Angels Cry se tornaria, 20 anos depois?

AM - Não tinha a menor ideia. Assim como não tinha em relação ao Theatre of Fate, ao Ritual, ao Virgo, ao Time to be Free. Cada álbum tem o seu tempo de maturação e a sua maneira particular de entrar para a história. Muitas vezes um álbum é composto e produzido não exatamente de acordo com o tempo presente, mas mirando o futuro, à frente de seu tempo.

4 - Como foi tocar Angels Cry sem seus antigos companheiros do Angra? Foi por opção? Bate uma nostalgia ao tocar Angels Cry na íntegra?

AM - O clima que percebo não é de nostalgia, mas sim de celebração. É muito empolgante ver a resposta do público às músicas deste disco que fez história no Brasil e no mundo. Quanto aos músicos que me acompanham, estou mais que satisfeito com a performance da banda solo porque eles estão tocando as composições com perfeição. Não me recordo dos arranjos soarem tão precisos ao vivo em toda a carreira, e estamos agradando por onde passamos. A escolha deste tributo foi uma sugestão já antiga. A ideia se provou viável depois da turnê de reunião do Viper, com Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate ao vivo. A única condição para se fazer o Angels Cry era a de tocar o disco na íntegra, do início ao fim. Deste ponto de vista, foi um grande desafio, mas que acabou se transformando em diversão no decorrer dos shows.

5 - Como é competir com shows internacionais no Brasil hoje?

AM - Não podemos competir, mas sim conviver com eles. A verdade é que os shows internacionais tornaram-se tão ou mais freqüentes quanto as apresentações de bandas nacionais. Então, tudo passa por uma questão de qualidade. Ofereça a mesma qualidade e mantenha o seu público fiel, para não haver a necessidade de competição. Obviamente, é aconselhável optar por datas que não sejam conflitantes, para não colocar o seu próprio fã em xeque. Antigamente isto não era tão drástico, mas a quebra da indústria fonográfica obrigou todos os artistas a estarem na estrada o tempo todo. Veremos até onde isto deve chegar.

6 - Andre, você acredita que fez discípulos no heavy metal? Que novos cantores você destacaria nos últimos 10 anos? Eles foram influenciados diretamente por você?

AM - Muitos jovens vêm constantemente até mim e fazem questão de declarar que me incluem entre suas principais influências. Isso é motivo de orgulho pra mim. Não deixo, no entanto, de alertar para que cada um deles busque sempre uma identidade própria. Influências são importantes e até mesmo necessárias, mas não como um fim em si mesmas. Há diversos bons cantores e cantoras que surgiram no Brasil nos últimos anos. Citar apenas alguns seria injusto. Não deixo de valorizar também os mais antigos que continuam em constante evolução.

7 - O que falta ao heavy metal atualmente?

AM - Criatividade? Ousadia? Coragem? Sair da chamada "zona de conforto"? Não sei, retribuo esta pergunta a você e aos próprios leitores! Como costumo dizer, a última coisa "nova" que apareceu dentro da música pesada, e que me chamou realmente a atenção, foi o Rammstein. A vinda deles já faz quase 15 anos! Mas este é um ponto de vista estritamente pessoal. Gostaria, na verdade, que algo hoje em dia me surpreendesse tanto quanto eles me surpreenderam naquela época.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Gameboys, banda de rock gamer, (também) vai se apresentar na BGS 2013

A banda Gameboys, com rock mais leve e menos heavy metal, também vai se apresentar na Brasil Game Show (BGS) 2013. Os shows abertos ao público vão acontecer nos dias 27 e 28/10, dentro do stand da Seven. Háverá também show no dia 25, às 16h, exclusivo para os profissionais do setor.



O grupo tocará temas de games como Mario, Zelda, Sonic, Street Fighter, Final Fantasy, Chrono Trigger, Castlevania, Mega Man e Pokémon. Os temas já são conhecidos por quem frequenta os shows da banda, mas o grupo promete um espetáculo diferente nos dois dias da BGS. 

Serviço: Show da banda Gameboys na BGS

25/10/2013, sexta, às 16h
27/10/2013, domingo, às 18h
28/10/2013, segunda, às 19h
Local: Stand da Seven, rua J nos pavilhões Azul e Branco da Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme - São Paulo / SP

Via assessoria de imprensa.

MegaDriver, banda de metal gamer, vai se apresentar na BGS 2013

A banda de metal de videogame MegaDriver está confirmada na Brasil Game Show, a maior feira de videogames da América Latina. O evento tem reconhecimento internacional.


A Brasil Game Show nasceu como Rio Game Show, em 2009, com 8.000 pessoas. Depois, a feira atingiu 30 mil pessoas em 2010, tornando-se o mais importante do segmento no continente. Em 2011, a audiência duplicou para cerca de 60 mil pessoas, passando a ser o maior evento de videogames da América Latina. No ano de 2012, 100 mil pessoas foram ao evento que ocorreu pela primeira vez em São Paulo, chegando ao nível de feiras como a E3, nos EUA, e a TGS, na Ásia.


Atualmente, o MegaDriver é formado por Antonio "Nino MegaDriver" Tornisiello (guitarra solo do Sonic), Bruno "Brunão" Galle (guitarra base e alguns solos), Arthur Kassardjian (contrabaixo de Golden Axe), Jefferson "Jeff" Alexandre Firmino (bateria), Allan "Big Thunder" (vocal) e Rubens "Rubão" Benjamin Stulzer Junior (produção de palco).


Programação do MegaDriver na BGS

Sábado - 26 de Outubro - 17:00h

Show no palco da Seven Computação Gráfica, inaugurando o primeiro de acesso público à feira.

Domingo - 27 de Outubro - 18:00h

A Razer, fabricante de acessórios para gamers de elite, trará os músicos Nino, Bruno e Arthur, guitarristas e baixista da MegaDriver, para conduzir um workshop em formato pocket show com "Videogame Metal".

Sábado - 26 de Outubro - 19:00h

A banda faz um mega show comemorando o encerramento da feira, no palco da Seven Computação Gráfica.

Via Whiplash.net

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Black Sabbath clássico no Brasil não foi apenas pesado. Foi cativante

Via Whiplash.net


Ao chegar na estação Carandiru de metrô, já podia ver a horda de metaleiros que lotaram a Zona Norte de São Paulo para ver os criadores do rock pesado. A entrada das pessoas no Campo de Marte era calma e pacífica, exceto por algumas pessoas urinando nos muros perto da entrada. O clima entre os metaleiros que tomavam cerveja na frente do local do show e dentro era de alegria.

Dave Mustaine surgiu com sua voz distorcida aproximadamente às 19h45, quando boa parte das 70 mil pessoas que foram ao show já estavam na arena. Muita gente ainda ia chegar ao show, mas a pista premium e a pista normal já estavam lotadas nas áreas perto das caixas de som. Infelizmente quem ficou mais atrás não conseguiu ouvir bem nenhum dos shows naquela noite.

O Megadeth começou com Hangar 18, que já embalou um show com velocidade, mesclando clássicos e novidades. Graças ao bom ajuste de som, era possível ouvir claramente os timbres distintos das guitarras de Mustaine e do músico solista da banda, Chris Broderick. O baixista David Ellefson foi celebrado como um membro clássico da banda e conseguiu causar impacto com seu instrumento potente nos graves. Shawn Drover foi a cozinha pesada na bateria para sustentar a banda em suas melodias densas.

Músicas como She-Wolf, Tornado of Souls, Symphony of Destruction e Holy Wars... The Punishment Due fizeram o povo pular, formar mosh e propagar um empurra-empurra interminável. Megadeth é daqueles shows com som inesquecível, mas com um público movimentado e tenso. É uma apresentação para os fortes. Deu dó das meninas mais baixas que estavam no meio.

O telão de fundo do Megadeth mudava completamente as animações a cada música, funcionando quase como um cenário de videoclipe. Em Holy Wars, por exemplo, apareceram televisões, carros em chamas em protestos, além de cenas das guerras recentes dos Estados Unidos. Esse videoclipe acelerado acabou com a entrada do logotipo prateado da banda. Era uma apresentação sincronizada, entre as letras cantadas pelo grupo e todo o cenário.

A banda de Dave Mustaine tocou 10 músicas, promovendo uma abertura extensa, mas não cansativa. O Megadeth liberou uma adrenalina forte antes da chegada dos mestres, que provocariam o clímax naquela noite fresca em São Paulo.

Setlist do Megadeth

Hangar 18
Wake Up Dead
In My Darkest Hour
She-Wolf
Sweating Bullets
Kingmaker
Tornado of Souls
Symphony of Destruction
Peace Sells
Holy Wars... The Punishment Due

Antes das 22h, a voz de Ozzy Osbourne soou por detrás de uma cortina negra. Com uma risada, o frontman da banda que criou o heavy metal em 1970 começou seu espetáculo. War Pigs abriu com seu tom tipicamente jazzístico, acompanhado por uma letra anti-guerra, cantada com força por todos os presentes.

Apesar de Ozzy ser o rosto mais conhecido do Black Sabbath, a estrela da noite foi Tony Iommi. Mais discreto nas primeiras faixas, Tony foi se soltando e sorrindo a medida que tocava de maneira diferente clássicos. Ele parecia se divertir com o velho amigo Ozzy Osbourne, mesmo passando por tratamento contra câncer, contra um linfoma.

Ao tocar Into the Void e Under the Sun, o Sabbath fez uma viagem ao passado, executando faixas que o público não lembrava mais. As músicas do disco 13, o mais bem-sucedido comercialmente, foram tocadas poucas vezes. Age of Reason, End of Beggining e God is Dead? foram as únicas faixas inéditas da banda no Brasil.

Sendo a primeira vez do Black Sabbath com a formação original em nosso país, faltando apenas o baterista Bill Ward, Ozzy teve um comportamento muito diferente no show. Recluso, pedia apenas que o público gritasse e pulasse com "I can't hear you", emendado às vezes com "ok". O frontman não baixou as calças em nenhum momento, como faz em sua carreira solo. Também não encharcou tanto o próprio cabelo. Apesar de discreto, Ozzy Osborune parecia estar comovido com Geezer e Tony acompanhando sua performance ao vivo.

Geezer Butler emergiu em N.I.B., com a improvisação de contrabaixo distorcido que mostra seu talento oculto pelas demais estrelas da banda. No entanto, o momento inacreditável foi após a música Rat Salad, no solo de bateria de Tommy Clufetos. Se estendendo além de cinco minutos, o músico contratado pela banda fez uma percussão rica em nuances, oscilando entre o rápido e o lento, mas sempre com força. Foi um momento marcante do show, porque foi a hora em que um novo talento se mostrou à altura dos mitos do heavy metal presentes.

A música Black Sabbath foi o clímax do show. Com voz mórbida, Ozzy Osbourne deu o andamento original da composição. Coube a Tony Iommi fazer os chifres do demônio, sorrir para o público e começar um solo em alta velocidade, preciso e simples. Era possível ver todos os elementos do rock pesado naquele momento, tanto no refrão com a frase em intervalo trítono quanto as escalas pentatonicas executadas pela guitarra elétrica.

Ao executar Dirty Women, o público que estava vendo o show do Sabbath foi surpreendido. Ozzy disse, no começo da música, que "adora as dirty women". Ouvindo o madman, uma fã na pista convencional levantou a blusa e mostrou os peitos, duas vezes. A jovem fez aquilo na brincadeira rindo, e os homens gritaram a música com ela.

Sabbath Bloody Sabbath foi esboçada para o show se encerrar com Paranoid, a assinatura final do Black Sabbath e, principalmente, de Ozzy Osbourne. Muitos, naquela noite, choravam de emoção. Eu, ao longo de 16 músicas, me senti vendo uma banda única naquele palco, um clássico no seu auge e fonte de influência do meu estilo favorito de rock'n'roll. O Black Sabbath não foi pesado naquela noite, ele foi cativante, soando natural mesmo em composições que já tinham sido tocadas dezenas de vezes.

Setlist do Black Sabbath

War Pigs
Into the Void
Under the Sun
Snowblind
Age of Reason
Black Sabbath
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
End of the Beginning
Fairies Wear Boots
Rat Salad / Drum Solo
Iron Man
God Is Dead?
Dirty Women
Children of the Grave

Bis:
Paranoid (Com introdução de Sabbath Bloody Sabbath)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Os 70 anos de Roger Waters em sete músicas

Roger Waters completou 70 anos nesta sexta-feira. Nasceu no dia 6 de setembro de 1943, no Reino Unido devastado pela Segunda Guerra Mundial. Baixista no Pink Floyd, compôs obras-primas como Dark Side of the Moon (1973) e The Wall (1979). Teve também uma carreira solo de sucesso, com músicas próprias e de sua banda anterior.


Confira sete sucessos de Roger com o Floyd para celebrar suas sete décadas:

1. Brain Damage

Uma das faixas mais enigmáticas de Dark Side of the Moon, Brain Damage trata sobre a loucura humana e é uma das músicas que melhor encaixa com a voz mais grave de Roger, que contrasta em relação às melodias vocais e na guitarra de David Gilmour, um dos líderes do Pink Floyd na década de 70. A versão acústica mostra toda a habilidade de Roger, cantando e tocando os principais acordes.


2. Confortably Numb

Esta música ficou mais famosa na voz de David Gilmour, mas Roger Waters fez história em 2012 ao tocá-la com o cantor do Pearl Jam, Eddie Vedder, para arrecadar fundos para as vítimas do incidente climático Sandy, nos Estados Unidos. É uma das melhores versões do clássico do Pink Floyd que você pode conferir ao vivo.


3. Another Bick in the Wall, part. 2

O maior clássico de Roger Waters no contrabaixo, com um ritmo contagiante, permanece contagiante nos tempos atuais. E é provavelmente uma das músicas mais lembradas do Pink Floyd na história.


4. Nobody Home 

Música que é, como Another Brick, do disco The Wall. Roger fez história mais uma vez ao cantar essa música em 1990, em um concerto em Berlim, após a queda do Muro de Berlim. É uma das composições que explora as separações e as superficialidade que existem no mundo capitalista.




5. In The Flesh, part. 2

Dentre as composições do The Wall, In The Flesh é a que melhor sintetiza a crítica de Roger Waters aos sistemas totalitários. Ele encarna, dentro da música, uma versão do personagem Pink interpretando o papel de um ditador fascista, que manda pessoas para o muro, condenando-as à morte.

6. Wish You Were Here

Separados por 24 anos, o Pink Floyd se reuniu, integralmente, em 2005, para um show no Live 8. Um dos grandes pontos do show doi a execução da música Wish You Were Here, que foi composta por David Gilmour e Roger Waters, músicos que brigaram nessas duas décadas. O reencontro musical é emocionante.



7. Mother

Angustiante, sentimental e reflexiva, Mother é a música que Roger compôs para falar sobre as limitações que nossos pais nos colocam. E sobre como precisamos ser rebeldes para superá-las.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

(Um pouco mais de) Rock Infinito e fotos de Camila Fontenele

No dia 2 de agosto, às 23h, rolou a exposição de fotos da artista Camila Fontenele, que apresentou imagens na América do Sul e possui um site próprio com retratos, books e curtas. A exibição foi dentro da casa paulistana de shows Kabul, com participação de um show da banda de rock Klatu, de Leco Peres (baixo), Carol Arantes (vocal), André Barará (guitarra) e Felipe Silva (bateria).

O ensaio de Camila foi inspirado em figuras históricas como a pintora mexicana Frida Kahlo e ambientes externos, ambos incorporados em pessoas. Já o Klatu tocou o seu repertório novo do segundo disco de carreira, chamado Um Pouco Mais Desse Infinito, composto entre 2011 e 2013.

O show conseguiu misturar rock'n'roll repleto de improvisações, meio progressivo, com obras de arte visuais originais em um ambiente bem descontraído. A defesa, tanto de Camila quanto da banda, foi por uma arte mais "autoral" e menos adepta de modas comerciais replicadas de maneira uniforme nos círculos de arte.

Você confere as fotos, tanto das imagens de Camila quanto do show da banda, logo abaixo:

Exibição de Camila Fontenele

Johnny Ramone na parede da casa de shows Kabul

André Barará empolgado no solo, acompanhado por Felipe Silva

Leco Peres com sua camiseta de Rogue Squadron, de Star Wars, tocando baixo

Leco Peres e Carol Arantes, os fundadores do Klatu

Barará concentrado no solo de guitarra elétrica

Leco Peres com outra camiseta inspirada em Star Wars

Quadro inspirado em Frida Kahlo, de Camila Fontenele

Logotipo do bar Kabul

Quadro envolvendo ambiente aberto, de Camila Fontenele

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O guitarrista "pai do heavy metal" é neto de brasileira

Tony Iommi, o guitarrista canhoto criador das músicas Iron Man, Paranoid e War Pigs (ao lado de Ozzy Osbourne e do Black Sabbath), é neto de uma brasileira. O inglês de Birmingham seria um descendente do Brasil.


A informação está em sua autobiografia, "Iron Man: Minha Jornada com o Black Sabbath", que foi traduzida pela editora Planeta para o português. 

O pai chamava-se Anthony Frank Iommie e era filho de uma brasileira. Já a mãe, Sylvia Maria, era italiana. Embora tivessem religião, Tony Iommi herdou apenas a crença em Deus, sem nenhuma filiação à Igreja Católica.

"Acho que minha avó era do Brasil. Meu pai nasceu no aqui (na Inglaterra). Ele tinha cinco irmãos e duas irmãs. Meus pais eram católicos, mas só os vi ir à igreja uma ou duas vezes", diz o guitarrista. A revelação aparece no primeiro capítulo do livro, "O nascimento de um lobinho".

Além de Ozzy, Tony Iommi teve parcerias históricas com Ronnie James Dio, Glenn Hughes e Ian Gillan do Deep Purple. Também formou os músicos Ray Gillen e Tony Martin, dentro do Black Sabbath, entre 1986 e 1995.

Fonte: Whiplash.net

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Banda Klatu embala show no Dia do Rock e prepara lançamento do segundo disco

Banda paulistana de rock Klatu lançará, no dia 2 de agosto, seu disco Um Pouco Mais Desse Infinito em um show no Kabul, casa de shows em São Paulo (R. Pedro Taques, 124 - Consolação). Os ingressos saem por  R$ 20 na porta e R$ 15 na lista (reservas@kabul.com.br) e a apresentação começará às 23hrs. No dia 13 de julho, Dia do Rock, a banda deu um show muito bacana na Livraria Saraiva do Center Norte, chamando atenção de fãs do grupo e de admiradores de rock que estavam presentes no estabelecimento.

Algumas fotos estão abaixo:








O disco tem oito faixas, incluindo o excelente cover de "Molho Inglês". Há uma resenha que fiz no site Whiplash.net. O grupo estava na ativa desde 2008 e já participou da trilha-sonora do filme da cineasta Lais Bodanzky, chamado As Melhores Coisas do Mundo (2010). Ela também dirigiu o filme Bicho de Sete Cabeças (2000), com Rodrigo Santoro, que trata sobre o uso de maconha e os tratamentos abusivos em hospitais psiquiátricos.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Concerto Games Classic vai rolar na cidade de Curitiba

Você gosta de música erudita e de videogame? A cidade de Curitiba recebe no mês de julho o evento Games Classic. 


Composto por uma orquestra com 45 músicos instrumentistas, coral com 12 cantores e uma banda de rock, o espetáculo traz a energia das trilhas sonoras dos grandes clássicos dos videogames.

O evento apresenta uma proposta inovadora e imersiva. Diante de telões, a orquestra toca em sincronia com vídeos e show de luzes, trazendo a plateia para dentro do universo dos games.

Um dos destaques desta edição do Games Classic é participação do músico Nino, um dos pioneiros da Game Music, guitarrista e fundador da popular banda MegaDriver. Com sua guitarra estilizada, Nino executará os temas de dois jogos que consagraram sua banda, Sonic The Hedgehog e Top Gear.


O espetáculo terá, ao todo, 90 minutos de duração, abordando games clássicos como Super Mario Bros, The Legend Of Zelda, Chrono Trigger, Final Fantasy, Diablo, World Of Warcraft, Street Fighter 2, Mega Man, entre diversos outros.

O Games Classic será realizado no dia 28 de Julho, domingo, às 16h. Ocorrerá no Teatro Guaíra em Curitiba, Paraná.

Mais Informações: gamesclassic.com.br

domingo, 10 de março de 2013

The Next Day, de David Bowie, é uma homenagem honesta aos mais de 50 anos do camaleão

O 24º álbum de estúdio de David Bowie é composto por músicas fluídas, honestas e diretas em seus 53 minutos de duração. The Next Day - ainda está disponível para streaming gratuito no iTunes até a data que o disco sair no Brasil - é uma composição que vicia facilmente os fãs do rock'n'roll clássico e moderno do camaleão inglês.


A faixa-título, The Next Day, abre com uma guitarra repleta de efeitos eletrônicos e uma letra de resistência. David Bowie canta contra a velhice, contra os obstáculos e as dificuldades de sua vida e de sua carreira, mostrando o retorno ao meio musical após o disco Reality (2003). "Here I am / Not quite dying / My body left to rot in a hollow tree", diz a Letra de Bowie, mostrando sua retomada aos trabalhos após quase 10 anos parado.

Dirty Boys é uma composição com saxofone e um clima parecido com a música de Kurt Weill, um alemão que é admirado por David Bowie. A letra chama os rapazes para o trabalho difícil, sujo. É uma canção irônica. "We all want men we all want you / Me and the Boys we all go through / You've got to learn to hold your tongue / They said the moon was his burning son", diz a letra.

The Stars (Are Out Tonight) é um dos ápices do disco, logo no começo, e foi um dos singles mais bem recebidos pela crítica. A guitarra, mais crua e com menos efeitos, ganha destaque mesmo com outros instrumentos de fundo. A letra de Bowie é sobre a dualidade entre o que é ideal e o que é real. É sobre o que o próprio David Bowie enfrentou em sua carreira, comparando sua imagem atual, de homem de 66 anos, com o rockstar que ele foi nos anos 70 e 80. "Their jealousy's spilling down / The stars must stick together / We will never be rid of these stars / But I hope they live forever", diz a letra, num tom esperançoso.

Love is Lost é mais um momento alto do álbum, que praticamente emenda com o clima gerado por The Stars. A canção é essencialmente sobre loucura, solidão e sentimento, conceitos entrelaçados de maneira saborosa pelo músico inglês. "Say hello to the lunatic men / Tell them your secrets / They’re like the grave
Oh, what have you done? / Oh, what have you done? / Love is lost, lost is love", diz a letra de David Bowie. A composição é acompanhada por efeitos eletrônicos constantes controlados pelo próprio Bowie e por uma guitarra abafada que explode em determinados momentos.

Where Are We Now? é o primeiro single que saiu de The Next Day e é uma música mais melancólica, mais pra baixo, questionando o momento que vivemos atualmente. A letra também é recheada de referências à Berlim, cidade que David Bowie viveu e gravou a famosa alemã de sua carreira: Low (1997), Heroes (1977) e Lodger (1979). "Sitting in the Dschungel / On Nurnberger strasse / A man lost in time near KaDeWe / Just walking the dead", afirma a letra, sobre tempo morto e memórias. Apesar do clima para baixo, Bowie termina a música falando sobre a importância de ainda possuirmos o "eu" e o "você". Essas identidades ainda são fundamentais para o que somos hoje.

Valentine's Day é uma balada romântica de Bowie, como ele não fazia há muito tempo. É o tipo de música que tem de tudo para emplacar nas rádios, com a temática dos namorados. A guitarra parece ser conduzida pela voz de David Bowie, que funciona bem como um guia na composição. "Valentine knows it all / He’s got something to say / It’s Valentine’s Day", diz a letra que, como poucas, não quer significar além do que suas palavras afirmam.

If You Can See Me tem uma predominância muito maior de efeitos eletrônicos do que dos demais instrumentais, que apenas harmonizam a música. A inspiração para esse som artificial de David Bowie é o produtor Brian Eno, que trabalhou com ele em Berlim e com o U2. A letra é sobre contato, sobre visualização e, portanto, comunicação.

I'd Rather Be High é uma música sobre possibilidades, sobre querer ser grande. "I'd rather be high / I'd rather be flying / I'd rather be dead / Or out of my head / Than training these guns of those men in the sand / I'd rather be high", afirma a letra. A bateria mais quadrada da música, embora acompanhada por uma guitarra melódica, ajuda o disco de Bowie a dar uma desacelerada em seu ritmo.

Boss of Me é uma música que se constrói com guitarra base sólida, baixo ritmado e um saxofone barítono, trazendo uma atmosfera de jazz. O refrão é repetitivo, mas fala bem sobre amor, domínio e liberdade. É uma letra de romance. "Who'd have ever thought of it / Who'd have ever dreamed / That a small town girl like you / Would be the boss of me", diz Bowie, na composição.

Dancing Out In Space é a música para dançar e curtir, para viajar em seu ritmo, sem um significado profundo. How Does The Grass Grow? tem uma abertura com mais efeitos eletrônicos e, ao logo da composição, a voz de Bowie se mistura com Gail Ann Dorsey, que faz as vozes de fundo. É uma música cativante pelo peso e a densidade.

(You Will) Set The World On Fire abre com uma guitarra que parece Van Halen ou outras bandas de hard rock. É uma música com incrível capacidade de cativar o ouvinte, valorizando a voz única de David Bowie com um rock'n'roll autêntico. E a letra canta apenas sobre atirar fogo ao mundo, botar as coisas para quebrar. É como se o tema dessa música aliviasse o peso do começo de The Next Day. Gail Ann Dorsey e Janice Pendarvis fazem um belíssimo trabalho vocal junto com o camaleão do rock. O solo de guitarra elétrica é simples, mas cativante.

You Feel So Lonely You Could Die tem três guitarras, inclusive uma sendo tocada por Tony Viscondi, o produtor do disco. Mesmo com tantos instrumentais, a música é mais parada e mais melancólica. É David Bowie cantando sobre sua própria idade, sobre a solidão e a proximidade da morte. Essa faixa praticamente anuncia o fim próximo do álbum. "You could die, die, die", diz a letra de Bowie.

Heat é uma música sobre falta de identidade, sobre passado. A última faixa de The Next Day não tem nada de feliz e esperançoso, e é bastante focada na capacidade de interpretação de David Bowie. Sua crítica aos tempos atuais é uma crítica, sobretudo, a si mesmo. Ele tenta se encaixar neste novo mundo, mas Bowie não consegue se desprender dos valores que o tornaram um dos homens mais avançados no rock e no mundo pop. "And I tell myself, I don't know who I am" é uma lição forte que David Bowie deixa nessa última letra.

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