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domingo, 13 de abril de 2014

Ouça, veja e sinta David Bowie

Só até o dia 20 de abril, domingo, você pode conferir uma exposição exclusiva baseada na carreira artística do cantor e músico David Bowie, no Museu da Imagem e do Som - o MIS, na Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo. Fui ver a mostra, que trouxe os figurinos de Bowie, gravações, registros e outros dados do "Elvis inglês" que revolucionou o rock dos anos 70, 80 e 90, permanecendo relevante até hoje.


Ao entrar no MIS, você pode conferir uma exposição gratuita do fotógrafo Mick Rock do lado de fora da mostra principal, que não inclui apenas fotos de David Bowie, mas também imagens de Lou Reed, Ozzy Osbourne, Blondie, Freddie Mercury, Syd Barrett, Joan Jett e até de Mick Romson, guitarrista de Bowie. Ao entrar na exposição exclusiva do camaleão inglês, você é proibido de tirar fotos e de filmar, coloca um fone de ouvido especial e embarca em uma viagem.

David Bowie: The Exhibition não foi organizada em ordem cronológica. Você começa por Space Oddity, de 1969, com o homem chegando na Lua, mas vê as fases Thin White Duke e os anos 80 em seguida. Vê pedaços dos anos 90. Vê a participação de Bowie em filmes. Vê as influências da arte oriental na roupa e na arte do cantor. E o que é inovador nesta mostra? Os fones de ouvido exibem músicas diferentes com os sensores dos ambientes dentro do evento.

Um dos pontos mais altos é o jogo de espelhos com o clipe de Starman, do personagem alien Ziggy Stardust, acompanhado pelo figurino andrógino de David Bowie. Essa exposição interativa mostra como Bowie tem diversas faces. Você se sente acompanhado pelo artista, e, ao mesmo tempo, tem uma experiência solitária e pessoal dentro de sua vida multifacetada.

Outro clipe também mostra David Bowie trancado dentro de um manequim estático cantando The Man Who Sold the World. Bowie também explica como utilizou uma máquina que embaralhava e buscava palavras em jornais e livros para sugerir termos para suas letras, buscando recursos para permanecer criativo e diferenciado. A mostra também mostra a recuperação, entre 2003 e 2013, de David Bowie até o lançamento do último disco, The Next Day.

A exibição toda vale por ouvir as músicas, que emocionam, ver as roupas de cada fase nos mínimos detalhes, além de instrumentos, trechos de documentários e análises sobre a obra estética, conceitual e cheia de conteúdo do roqueiro inglês. Se você é fã, não deixe de ir ao MIS conferir isso nesta última semana. Se você não conhece David Bowie, é uma excelente oportunidade para dar o pontapé inicial.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Exposição: Albert Camus admirou e criticou o Brasil, ao visitar nosso país

Começou, no dia 5 de dezembro de 2013, a exposição gratuita O País da Desmedida: Camus no Brasil, que aborda a vida, a carreira e a visita do escritor franco-argelino Albert Camus ao nosso país. Produzido pelo Centro Universitário Maria Antonia (que fica na frente do Mackenzie, antiga FFLCH) e pela USP, com pesquisa realizada pelo grupo Criação & Crítica que é coordenado pela professora Claudia Pino, do Departamento de Línguas Modernas da Universidade de São Paulo. Eu fui conferir a exposição.

Chegada de Albert Camus no Brasil. Foto: Acervo do jornal O Estado de S. Paulo
A exposição mostra anotações, desenhos e memórias de Camus no Brasil, no ano de 1949. Muitos desses manuscritos se tornaram o livro Diário de Viagem, lançado em 1978. A mostra também mostra a trajetória de Albert Camus em nosso país, chegando de barco no Rio de Janeiro e indo embora até Paris de avião. Camus é retratado como um escritor gentil em entrevistas, mas rude e crítico acerca do Brasil, um país que despertou sentimentos ruins e confusos nele por sua pobreza. Sua dor pela tuberculose também é retratada na homenagem, que afetou sua percepção durante a viagem.

Poster da exposição de Camus pela USP
Há também os relatos de intelectuais brasileiros sobre Albert Camus, como Manuel Bandeira, Otto Lara Resende, Otto Maria Carpeaux e Érico Veríssimo. As fotos mostram Camus no Cristo Redentor, com a arquiteta Lina Bo Bardi. Na mesma época, o escritor foi entrevistado pelo jornalista Cláudio Abramo, que trabalhava no Estado de S. Paulo e editaria a Folha durante a Ditadura Militar.

Fotos de Camus no Brasil e um trecho: "O Brasil com sua fina armadura moderna, uma chapa
metálica sobre esse imenso continente fervilhante de forças naturais e primitivas".

A mostra tem curadoria de Ana Cândida de Avelar e Lara Rivetti. Os relatos são acompanhados por três vídeos: O documentário Albert Camus, Une Tragédie Du Bonheur (de Jean Daniel e Joel Calmettes, França, 1998),  uma entrevista com o especialista no escritor Manuel da Costa Pinto (no Centro Universitário Maria Antonia, em 2013) e uma entrevista com a professora Inés de Cassagne (também no Maria Antonia, em 2013).

Essa exposição vai até o dia 23 de fevereiro. Por que você não dá uma conferida, caso se interesse pelo autor?

Desenhos e anotações de Camus no Brasil

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

(Um pouco mais de) Rock Infinito e fotos de Camila Fontenele

No dia 2 de agosto, às 23h, rolou a exposição de fotos da artista Camila Fontenele, que apresentou imagens na América do Sul e possui um site próprio com retratos, books e curtas. A exibição foi dentro da casa paulistana de shows Kabul, com participação de um show da banda de rock Klatu, de Leco Peres (baixo), Carol Arantes (vocal), André Barará (guitarra) e Felipe Silva (bateria).

O ensaio de Camila foi inspirado em figuras históricas como a pintora mexicana Frida Kahlo e ambientes externos, ambos incorporados em pessoas. Já o Klatu tocou o seu repertório novo do segundo disco de carreira, chamado Um Pouco Mais Desse Infinito, composto entre 2011 e 2013.

O show conseguiu misturar rock'n'roll repleto de improvisações, meio progressivo, com obras de arte visuais originais em um ambiente bem descontraído. A defesa, tanto de Camila quanto da banda, foi por uma arte mais "autoral" e menos adepta de modas comerciais replicadas de maneira uniforme nos círculos de arte.

Você confere as fotos, tanto das imagens de Camila quanto do show da banda, logo abaixo:

Exibição de Camila Fontenele

Johnny Ramone na parede da casa de shows Kabul

André Barará empolgado no solo, acompanhado por Felipe Silva

Leco Peres com sua camiseta de Rogue Squadron, de Star Wars, tocando baixo

Leco Peres e Carol Arantes, os fundadores do Klatu

Barará concentrado no solo de guitarra elétrica

Leco Peres com outra camiseta inspirada em Star Wars

Quadro inspirado em Frida Kahlo, de Camila Fontenele

Logotipo do bar Kabul

Quadro envolvendo ambiente aberto, de Camila Fontenele

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Exposição gratuita: 30 anos de Centro Cultural São Paulo

Se você quiser ver uma mistura obra de pintores, de artistas e de um poeta com a história de São Paulo, a exposição dos 30 anos de CCSP pode ser vista gratuitamente na cidade até o dia 17 de fevereiro. 

A exposição é multidisciplinar e mostra obra de intelectuais do Centro Cultural São Paulo, que deram nome até para alguns cômodos do local, como Ademar Guerra, Adoniran Barbosa, Alfredo Volpi, Caio Graco, Eurico Prado Lopes, Flávio de Carvalho, Flávio Império, Henfil, Jardel Filho, Jorge Andrade, Lima Barreto, Louis Braille, Mário Chamie, Oneyda Alvarenga, Paulo Emilio Salles Gomes, Sérgio Milliet e Tarsila do Amaral.


Tarsila do Amaral chama atenção na exposição. Os quadrinhos de Henfil empolgam o visitante. Além deles, um poeta que chama atenção na exposição do CCSP é Mário Chamie. Chamie foi criador do movimento Poesia-Práxis, foi secretário de Cultura de São Paulo e inaugurou o próprio Centro Cultural São Paulo, em maio de 1982. Sua arte e a história do centro cultural se misturam. O poeta também fez parte da Academia Paulista de Letras.

Mário Chamie faleceu no dia 3 de julho de 2011.

A exposição, gratuita, estará disponível de terça-feira até sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Mais informações estão no site do CCSP.

sábado, 8 de agosto de 2009

A liberdade de criação na Cuba socialista

Exposição de cartazes cinematográficos traz a arte liberal cubana pós-Revolução

Cuba: país recluso, comunista. Atributos que, aparentemente, não inspiraria nenhum artista. Pelo contrário, a ausência do caráter comercial trouxe liberdade de criação para doze designers, cujos cartazes cinematográficos estão reunidos na exposição "Cartazes Cubanos – Um Olhar sobre o Cinema Mundial", na Caixa Cultural São Paulo.

Além do filme, os trabalhos, datados de 1965 a 1992, retratam as inovações artísticas de períodos distintos. Todos medem 51 cm X 76 cm e foram produzidos através da serigrafia, técnica de impressão em tela, geralmente de seda. Um televisor exibia o documentário Poética Gráfica Insular, que inseria os cartazes nos postes de Havana.

A ideologia não influenciava a escolha dos filmes. Produções soviéticas, polonesas e tchecoslovacas dividiam espaço com filmes de países capitalistas, como Japão, Inglaterra e Estados Unidos, cada um com seu cartaz "made in Cuba". Diretores renomados não eram esquecidos, o caso de Sergei Eisenstein, Alfred Hitchcock e Glauber Rocha.

O colorido dos trabalhos das décadas de 1960 e 1970 tem inspiração psicodélica. Alguns exemplos são os cartazes A Odisséia de General José (1969), de Antonio Pérez González (Ñiko); Caminho e Fim de Saturno (1969), de Eduardo Muñoz Bachs (1937-2001); A Revolução dos Inconfidentes (1972), de Jorge Dimas González; e Moby Dick (1968), de Antonio Fernández Reboiro.

A década de 1980 aparece pouco na exposição. A produção de cartazes neste período teve desempenho fraco em virtude da crise econômica, prejudicando a indústria cinematográfica cubana e a exibição de filmes estrangeiros na ilha. Os trabalhos da época denotam forte apelo cômico.

Destaque para Bachs. Seu cartaz para o documentário cubano Antes tarde do que nunca (1987) traz um relógio-despertador dormindo na cama. Já para o filme argentino Esperando a carroça (1986), Bachs mostra um homem, a princípio morto – porém sorrindo e com os olhos abertos –, dentro de um caixão servindo de apoio para corvos.

O ápice do humor, no entanto, aparece no cartaz de Néstor Coll para a Mostra de Filmes Restaurados pela Federação Internacional de Arquivos Filmográficos (FIAF). Trata-se de Carlitos, clássico personagem de Charles Chaplin, dentro de uma cela e vestindo um uniforme semelhante à película.

A pluralidade de conteúdo presente nas obras dos designers cubanos impressiona, num primeiro instante, por serem de Cuba, país fechado à economia capitalista. Exatamente essa independência em relação ao mercado proporcionou aos artistas maior liberdade para criar e se inspirar nas tendências políticas e culturais de meados do século XX. Criatividade e originalidade em simples telas de seda.

Serviço
Cartazes Cubanos – Um Olhar sobre o Cinema Mundial
Local: Caixa Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111).
De 5 de agosto a 13 de setembro.
Terça a domingo, das 9 às 21h.
Informações: (11) 3321-4400
Entrada franca.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Exposição Fotocontexto 2008


Fãs do fotojornalismo e os curiosos de plantão precisam conferir a exposição Fotocontexto 2008, no Conjunto Nacional. São 82 fotos com temas que marcaram o ano passado: desde a enchente em Santa Catarina até os jogos olímpicos de Pequim
Eu vi a exposição e garanto que vale a pena. Algumas fotos são simplesmente impressionantes: a foto da imagem de Nossa Senhora, tirada contra a luz, cria um efeito bíblico, e José Serra com o dedo no nariz é impagável.
José Hamilton Ribeiro escreveu um texto, Agora é a minha vez, para abrir a exposição. Em sua incursão ao Vietnã, o repórter perdeu uma perna ao pisar em uma mina terrestre. O fotógrafo japonês Kei Shimamoto retratou a cena dramática em uma foto muito famosa (para saber mais leia o ótimo livro O Gosto da Guerra). Zé Hamilton conclui: "os maiores momentos do jornalismo - para não dizer da História - ficam guardados numa foto".

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