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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Dream Theater fez a coroação de um novo líder em São Paulo

Texto e fotos: Pedro Zambarda


Com um show de três horas de duração, o Dream Theater marcou sua sétima passagem pelo Brasil agradando gregos e troianos no dia 4 de outubro dentro do Espaço das Américas, São Paulo. Para os fãs da fase clássica da banda, músicas da era Mike Portnoy foram executados com precisão e respeito. Para os novos adeptos do gigante do metal progressivo, já com Mike Mangini na bateria, novas composições foram apresentadas com direito a videoclipes.


O show abriu com uma animação envolvendo as capas dos álbuns do grupo e "False Awakening Suite", a abertura instrumental pesada do novo disco "Dream Theater" (2013), seguida por "The Enemy Inside" tocada junto com o videoclipe original. A banda investiu em músicas recentes no começo da apresentação, abordando os atentados de Boston ocorridos nos EUA no ano passado e os problemas com veteranos das guerras do Afeganistão e do Iraque. Sete composições das nove tocadas inicialmente eram de 2011 para frente.


A banda fez uma coroação neste show, assim como está fazendo em toda a turnê: O novo líder do Dream Theater é o guitarrista John Petrucci. Com sua guitarra customizada JPS Majesty, da Ernie Ball Music Man, o instrumentista norte-americano com cara de Jesus Cristo barbudo abusou de solos encorpados e mais eletrônicos em um equipamento novo. O solo de Petrucci, que ocorreu logo após de "Looking Glass", misturou harmônicos e velocidade com um palco colorido que mudava de cor de acordo com suas improvisações. Suavemente, e dominando seu instrumento, John Petrucci transformou uma participação solo de sua guitarra elétrica na introdução de "Trial of Tears", música clássica do disco "Falling Into Infinity" (1997).


Mas a coroação de John Petrucci não seria completa sem a voz de James LaBrie, que cantou afinado os clássicos e as músicas da nova geração de fãs do DT. LaBrie trocou a palavra New York da letra de "Trial of Tears" por São Paulo. Um destaque especial foi a atuação do cantor em Space-Dye Vest, logo após de anunciar uma série de músicas em homenagem ao disco "Awake" (1994). James LaBrie sentou-se próximo do tecladista Jordan Rudess e usou suas cordas vocais com sentimento, em sincronia com o teclado e as explosões da guitarra.


A dupla LaBrie e Petrucci também mostrou garra e perfeccionismo em "The Mirror" e "Lie", músicas antigas que foram executadas com perfeição. James LaBrie saiu do palco todas as vezes em que as músicas instrumentais eram executadas, como foi o caso da novíssima "Enigma Machine". Nesta faixa, utilizando animações parecidas com as da turnê de 2008 do disco "Systematic Chaos" (2007), o Dream Theater criou animações que mostraram a banda enfrentando um enorme dragão negro das máquinas. A sequência parecia a de um jogo de videogame ao vivo.



Antes de tocar "Awake", álbum que completou 20 anos exatamente no dia do show em São Paulo, o Dream Theater tocou "Breaking All Illusions" de maneira bem high-tech, com animações que mostram a degradação das grandes cidades, do dinheiro e da tecnologia. A mensagem da composição estava em sintonia com a banda de metal progressivo, que mistura virtuosismo instrumental com comunicação contemporânea.


O tecladista Jordan Rudess teve uma participação fundamental em faixas como "Illumination Theory", que durou mais de 22 minutos assim como no disco "Dream Theater". Rudess é responsável pelo mergulho da banda nos efeitos digitais, sobretudo com solos que são executados tanto no seu teclado giratório, quanto em outro de mão ou em seu aplicativo no iPad. O instrumentista é responsável pelos temperos que dão ares futuristas ao som do DT.


O intervalo de 15 minutos que o Dream Theater deu no meio de seu show foi um dos melhores que vi em minha vida. A banda exibiu vídeos engraçados no YouTube, os melhores covers de seus clássicos na internet e até propagandas humorísticas com seus integrantes transformados em bonecos de ação.


O baterista Mike Mangini se manteve mais escondido na bateria, mas o som estava bem regulado e foi possível ouvir nuances em sua percussão, que é diferente do estilo ritmado de Mike Portnoy. Mangini se dá melhor em músicas de alta velocidade, dominando com maestria a cozinha com o baixista John Myung. E conquistou os brasileiros com seu calçado verde exótico após o final do show. E que final, devo dizer.


A banda tocou em sequência as músicas "Overture 1928", "Strange Déjà Vu", "The Dance of Eternity" (sem Liquid Tension Experiment) e "Finally Free", composições inesquecíveis do álbum "Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory (1999)".


Eu tenho uma relação pessoal com o Dream Theater. A banda surgiu em 1985, mas lançou seu primeiro trabalho, "When Dream and Day Unite", no ano em que eu nasci - 1989. Este é o quinto show que vou deles, depois de 2005, 2008, 2010 e 2012. Só não fui em duas apresentações do grupo em 1998.


Consigo afirmar com todas as letras que esta foi a melhor performance da banda mais famosa do heavy metal progressivo no Brasil. E isso certamente se deu graças à coroação de John Petrucci como novo líder do grupo, após a saída traumática do fundador e baterista Mike Portnoy em 2011.

Dream Theater é uma banda que desagradará os tios mais velhos que preferem punk rock, além dos moleques mais novos que preferem músicas mais simples no rock. No entanto, é um grupo que estará no coração dos guitarristas e bateristas de YouTube, que estudam música instrumental pesada para tocá-la até a perfeição.

Confira o setlist da apresentação em São Paulo:

False Awakening Suite
The Enemy Inside
Shattered Fortress
In The Back of Angels
Looking Glass
Solo de John Petrucci, com harmônicos, palco colorido e velocidade
Trial of Tears
Enigma Machine, com animação dos integrantes em cartoon
Solo de Mike Mangini
Volta de Enigma Machine
Along for the Ride
Breaking All Illusions

Pausa de 15 minutos

The Mirror
Lie
Lifting Shadows of a Dream
Scarred
Space-Dye Vest
Illumination Theory

Bis:
Overture 1928
Strange Déjà Vu
The Dance of Eternity
Finally Free

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dream Theater retorna ao Brasil para apresentar "Dream Theater"

Por Pedro Zambarda

Dream Theater virá pela quinta vez ao Brasil entre o final de setembro e o início de outubro. Informação é do jornal Destak. É a segunda apresentação da banda com o novo baterista Mike Mangini no lugar do fundador Mike Portnoy.


O DT veio em turnê  em agosto de 2012 promovendo o disco "A Dramatic Turn of Events", de 2011. O quinteto tocou em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília.

A banda faz turnês regulares no Brasil desde 1990, quando era uma das atrações da edição de 1998 do festival Monsters of Rock em São Paulo. No entanto, sem ser em festivais, esta é a quinta vez do grupo em terras brasileiras.


A banda pretende levar as músicas de seu novo álbum "Dream Theater", lançado no ano passado. O álbum é bem avaliado por trazer os principais elementos da banda e buscar resumi-la em uma sonoridade renovada, sem muitos conceitos complicados, mas com todos os elementos do rock e do metal progressivo.

Depois deste trabalho, ainda saiu o DVD "Live at Luna Park", gravado ao vivo na Argentina, na turnê de 2012.

Entre os integrantes, o vocalista James LaBrie é um dos cotados para voltar ao Brasil em novembro, para um show do projeto Metal All Stars.

Via Whiplash.net e Destak

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Os 70 anos de Roger Waters em sete músicas

Roger Waters completou 70 anos nesta sexta-feira. Nasceu no dia 6 de setembro de 1943, no Reino Unido devastado pela Segunda Guerra Mundial. Baixista no Pink Floyd, compôs obras-primas como Dark Side of the Moon (1973) e The Wall (1979). Teve também uma carreira solo de sucesso, com músicas próprias e de sua banda anterior.


Confira sete sucessos de Roger com o Floyd para celebrar suas sete décadas:

1. Brain Damage

Uma das faixas mais enigmáticas de Dark Side of the Moon, Brain Damage trata sobre a loucura humana e é uma das músicas que melhor encaixa com a voz mais grave de Roger, que contrasta em relação às melodias vocais e na guitarra de David Gilmour, um dos líderes do Pink Floyd na década de 70. A versão acústica mostra toda a habilidade de Roger, cantando e tocando os principais acordes.


2. Confortably Numb

Esta música ficou mais famosa na voz de David Gilmour, mas Roger Waters fez história em 2012 ao tocá-la com o cantor do Pearl Jam, Eddie Vedder, para arrecadar fundos para as vítimas do incidente climático Sandy, nos Estados Unidos. É uma das melhores versões do clássico do Pink Floyd que você pode conferir ao vivo.


3. Another Bick in the Wall, part. 2

O maior clássico de Roger Waters no contrabaixo, com um ritmo contagiante, permanece contagiante nos tempos atuais. E é provavelmente uma das músicas mais lembradas do Pink Floyd na história.


4. Nobody Home 

Música que é, como Another Brick, do disco The Wall. Roger fez história mais uma vez ao cantar essa música em 1990, em um concerto em Berlim, após a queda do Muro de Berlim. É uma das composições que explora as separações e as superficialidade que existem no mundo capitalista.




5. In The Flesh, part. 2

Dentre as composições do The Wall, In The Flesh é a que melhor sintetiza a crítica de Roger Waters aos sistemas totalitários. Ele encarna, dentro da música, uma versão do personagem Pink interpretando o papel de um ditador fascista, que manda pessoas para o muro, condenando-as à morte.

6. Wish You Were Here

Separados por 24 anos, o Pink Floyd se reuniu, integralmente, em 2005, para um show no Live 8. Um dos grandes pontos do show doi a execução da música Wish You Were Here, que foi composta por David Gilmour e Roger Waters, músicos que brigaram nessas duas décadas. O reencontro musical é emocionante.



7. Mother

Angustiante, sentimental e reflexiva, Mother é a música que Roger compôs para falar sobre as limitações que nossos pais nos colocam. E sobre como precisamos ser rebeldes para superá-las.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

(Um pouco mais de) Rock Infinito e fotos de Camila Fontenele

No dia 2 de agosto, às 23h, rolou a exposição de fotos da artista Camila Fontenele, que apresentou imagens na América do Sul e possui um site próprio com retratos, books e curtas. A exibição foi dentro da casa paulistana de shows Kabul, com participação de um show da banda de rock Klatu, de Leco Peres (baixo), Carol Arantes (vocal), André Barará (guitarra) e Felipe Silva (bateria).

O ensaio de Camila foi inspirado em figuras históricas como a pintora mexicana Frida Kahlo e ambientes externos, ambos incorporados em pessoas. Já o Klatu tocou o seu repertório novo do segundo disco de carreira, chamado Um Pouco Mais Desse Infinito, composto entre 2011 e 2013.

O show conseguiu misturar rock'n'roll repleto de improvisações, meio progressivo, com obras de arte visuais originais em um ambiente bem descontraído. A defesa, tanto de Camila quanto da banda, foi por uma arte mais "autoral" e menos adepta de modas comerciais replicadas de maneira uniforme nos círculos de arte.

Você confere as fotos, tanto das imagens de Camila quanto do show da banda, logo abaixo:

Exibição de Camila Fontenele

Johnny Ramone na parede da casa de shows Kabul

André Barará empolgado no solo, acompanhado por Felipe Silva

Leco Peres com sua camiseta de Rogue Squadron, de Star Wars, tocando baixo

Leco Peres e Carol Arantes, os fundadores do Klatu

Barará concentrado no solo de guitarra elétrica

Leco Peres com outra camiseta inspirada em Star Wars

Quadro inspirado em Frida Kahlo, de Camila Fontenele

Logotipo do bar Kabul

Quadro envolvendo ambiente aberto, de Camila Fontenele

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Banda Klatu embala show no Dia do Rock e prepara lançamento do segundo disco

Banda paulistana de rock Klatu lançará, no dia 2 de agosto, seu disco Um Pouco Mais Desse Infinito em um show no Kabul, casa de shows em São Paulo (R. Pedro Taques, 124 - Consolação). Os ingressos saem por  R$ 20 na porta e R$ 15 na lista (reservas@kabul.com.br) e a apresentação começará às 23hrs. No dia 13 de julho, Dia do Rock, a banda deu um show muito bacana na Livraria Saraiva do Center Norte, chamando atenção de fãs do grupo e de admiradores de rock que estavam presentes no estabelecimento.

Algumas fotos estão abaixo:








O disco tem oito faixas, incluindo o excelente cover de "Molho Inglês". Há uma resenha que fiz no site Whiplash.net. O grupo estava na ativa desde 2008 e já participou da trilha-sonora do filme da cineasta Lais Bodanzky, chamado As Melhores Coisas do Mundo (2010). Ela também dirigiu o filme Bicho de Sete Cabeças (2000), com Rodrigo Santoro, que trata sobre o uso de maconha e os tratamentos abusivos em hospitais psiquiátricos.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Os 10 melhores discos de 2012 segundo James LaBrie, Jordan Rudess e John Petrucci

Três dos cinco integrantes do Dream Theater elegeram dez discos como os melhores de 2012. Apesar de serem músicos e instrumentistas do heavy metal progressivo, as escolhas foram além do nicho musical deles. Confira o top 10 de James LaBrie, Jordan Rudess e John Petrucci.


James LaBrie, cantor:

1. Rush - Clockwork Angels
2. Neon Trees - Picture Show
3. Periphery - Periphery II: This Time It's Personal
4. Muse - The 2nd Law
5. Two Door Cinema Club - Beacon
6. Deftones - Koi No Yokan
7. Big Wreck - Albatross
8. The Killers - Battle Born
9. Grizzly Bear - Shields
10. Soundgarden - King Animal


Jordan Rudess, tecladista e pianista:

1. Squarepusher - Ufabulum
2. Sigur Ros - Valtari
3. Storm Corrosion - Storm Corrosion
4. Rush - Clockwork Angels
5. Steve Hackett - Genesis Revisited II
6. Daniel Jakubovic - Surrounded by a Million Goats
7. Echolyn - 2012
8. Tom Brislin - Hurry Up and Smell the Roses
9. Trevor Rabin - Jacaranda
10. The Flower Kings - Banks of Eden



John Petrucci, guitarrista:

1. Rush - Clockwork Angels
2. Periphery - Periphery II: This Time It's Personal
3. Muse - The 2nd Law
4. Mumford & Sons - Babel
5. Lamb of God - Resolution
6. Van Halen - A Different Kind of Truth
7. The Fray - Scars & Stories
8. Steve Vai - The Story of Light
9. Meshuggah - Koloss
10. Veil of Maya - Eclipse

Álbuns que os três músicos gostaram:

Rush - Clockwork Angels

Álbuns que James LaBrie e John Petrucci gostaram:

3. Muse - The 2nd Law

Informações obtidas na Roadrunner Records

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Roger Waters, The Wall e como o rock'n'roll permanece vivo em 2012


A revista Pollstar afirmou, em julho deste ano, que os shows da turnê "The Wall Live", do músico Roger Waters, ex-Pink Floyd, faturaram 158,1 milhões de dólares nas bilheterias do mundo todo no primeiro semestre de 2012. Um músico de rock progressivo, apresentando um CD conceitual de 1979, bateu Bruce Springsteen, Lady Gaga, Coldplay, Madonna e outros astros do mundo pop no faturamento. Ficou em primeiro lugar da lista, contrariando as expectativas.

Com sua apresentação envolvendo um muro imaginário, baseado no Muro de Berlim, Waters certamente se beneficiou de ingressos caros e dos fãs fiéis do Pink Floyd em seus concertos ao redor mundo. No entanto, sua liderança neste ranking de 2012 surpreende por mostrar que o rock clássico ainda cativa mais público do que muitos artistas recentes.

Roger Waters prova que, apesar cerca de 60 anos de história de rock'n'roll, o estilo não perdeu carisma e, com apresentações de qualidade, sua música permanece viva entre os fãs.

Para saber como foi a passagem de Waters pelo Brasil, por São Paulo, confira a resenha do show de seu muro aqui.

domingo, 2 de setembro de 2012

Um novo Dream Theater, com um novo baterista, faz show em São Paulo


No mesmo dia em que o pop rock do Maroon 5 se apresentava no Anhembi, o metal progressivo do Dream Theater deu as caras no Credicard Hall. Confesso que, depois do último show em 2010, eu esperava apenas uma apresentação normal da banda, um espetáculo de virtuosismo que agradaria apenas aos fãs do gênero. Não foi nada do que eu vi nas mais de duas horas de apresentação no último dia 26 de agosto.


Para começar, a casa de shows estava lotada. O motivo? O sucesso do novo CD, A Dramatic Turn of Events - que foi lançado durante a polêmica saída de Mike Portnoy da banda -, e a estreia de Mike Mangini, o novo baterista do grupo. Para quem estava no meio da aglomeração, os roqueiros do DT fizeram um show que agradou quem bastante esperava mais do mesmo.


O palco, composto por três cubos ao fundo, fez um show de luzes e efeitos especiais que, apesar da forte luz, deram toda uma aparência renovada ao Dream Theater. O show foi iniciado e terminado com a trilha sonora de Hans Zimmer para o filme A Origem (Inception), o que deu um tom dramático e interessante para toda a musicalidade da banda, brincando com a ideia de "sonho".


Logo na primeira música, Bridges in the Sky, os músicos são apresentados como super-heróis, em uma animação similar a da turnê Systematic Chaos: o vocalista James LaBrie é um guerreiro que vence um dragão, Jordan Rudess é o mago dos teclados, John Petrucci é um deus do trovão que toca guitarra, o baixista John Myung é um ninja e, para finalizar, Mike Mangini é apresentado como uma espécie de místico. Essa transformação dos integrantes em desenho animado arrancou aplausos e simpatia do público antes dos primeiros acordes e todas as composições complexas do Dream Theater.


Não ficando apenas no material novo de A Dramatic Turn of Events, o DT passou por clássicos como 6:00, A Fortune in Lies, War Inside My Head e The Test that Stumped Them All. The Silent Man, do álbum Awake, foi um momento de relaxamento da banda, com um acústico bem executado entre John Petrucci e James LaBrie, acompanhado pelas distorções e todo o arranjo de Jordan Rudess.


Com a saída de Portnoy, nitidamente, a banda ficou sem um líder no palco e nas composições, mas eles, neste show em São Paulo, pareceram livres para experimentar novas sensações ao vivo. LaBrie, que normalmente é estático nas apresentações, livremente puxou o público da pista e do camarote para vibrar com suas canções. John Petrucci, Jordan Rudess e John Myung ficaram brincando e andando com suas guitarras, teclados e baixos no palco, interagindo entre si. Mas, dos cinco integrantes, o que estava mais à vontade era Mike Mangini. Com uma bateria que é construída até o teto, ele se viu livre para brincar com os pedais duplos e com técnicas pouco usuais com as baquetas. Mangini estava tão solto que conseguiu até comer uma banana durante o solo de bateria.


John Petrucci pareceu ser o músico próximo de um líder dessa nova fase do Dream Theater, embora não comandasse de forma explícita no palco. Sua guitarra em músicas novas como Outcry, do novo CD, e em outras composições antigas, como A Fortune in Lies, do When a Dream and Day Unite, soaram limpas e adequadas para casa fase da banda. A improvisação que ele criou em The Spirit Carries On foi digna de emoções e aplausos - e foi executada com total iniciativa e criatividade do músico.


James LaBrie também cantou usando o boné atirado por um dos fãs. Teve poucos problemas com a voz, se comparado com shows de turnês antigas, e parece estar aprendendo a usar mais as sonoridades graves ao vivo, abandonando um pouco os agudos excessivos. Jordan Rudess continua com excessos de efeitos dos teclados, soando muito diferente de Kevin Moore e seus antecessores. Mas ele consegue cativar o público que aprecia seu som.


Foi a quarta vez que vi Dream Theater ao vivo em São Paulo. E, desta vez, era uma nova banda no palco. Com novos rumos, mesmo com o vácuo deixado pela ausência do marcante baterista Mike Portnoy.

Fotos superiores: Pedro Zambarda. Fotos do palco, da grade: Priscila Kawana

Pedro Zambarda foi convidado ao show pela assessoria da Cielo. A análise do espetáculo não sofreu qualquer influência da empresa.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Roger Waters e a arte do show com qualidade: The Wall em São Paulo




Um muro em construção, trajes militares, fogos e muito rock conceitual. Foi assim que Roger Waters, ex-baixista do Pink Floyd, abriu seu show baseado no CD The Wall em São Paulo, no último domingo (1). Com o refinamento de um maestro, Roger conduziu uma apresentação que contagiou de imediato pelo cuidado com o som, que repercutiu sem falhas por todo o Estádio do Morumbi, e pelas diversas animações projetadas nos tijolos do muro, catapultando todos os presentes para dentro de um videoclipe de alta qualidade.

Foi difícil não se emocionar com as letras de Waters nesse disco executado na íntegra, que abordam desde o totalitarismo (concentrado em seu protagonista, o introspectivo Pink) passando pela relação problemática com os pais e até chegar no sensação de solidão. As 26 músicas desse épico foram executadas na íntegra, com alguns acréscimos em Another Brick in the Wall Part 2 e passagens mais modernizadas entre as canções. 

Roger Waters também aproveitou o show todo para prestar homenagens para a família do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica sob a suspeita falsa de terrorismo, além de relembrar os mortos nas guerras do Afeganistão e do Iraque. "Dedico o concerto a Jean Charles e sua família pela luta pela verdade e justiça e a todas as vítimas do terrorismo de Estado", afirmou Waters, arrancando aplausos entusiasmados da multidão que lotava o Morumbi. A apresentação era o seu protesto pessoal e coletivo, com seus fãs, contra o que ele considera abusivo e monstruoso na sociedade contemporânea.

O show fez os olhos dos presentes brilharem quando, em Goodbye Blue Sky, Roger Waters projetou aviões de bombardeio derrubando desde a foice e o martelo socialista até o símbolo do dinheiro e de corporações como a Shell. The Wall é um manifesto sobre loucura, totalitarismo e luta contra todos os poderes e símbolos que predominaram no século XX até a queda do muro de Berlim.

Quando o concerto se aproximou das músicas finais, como The Trial, o sistema de som começou a se tornar ensurdecedor, como se estivéssemos na paranóia de seus personagens, afetados pelas guerras mundiais e pelas guerras sem sentido. Os paulistanos gritaram, com força, "tear down the wall", enquanto Waters destruía seu próprio espetáculo, derrubando o muro.

Ao testemunhar o show de um homem que domina a arte da apresentação, toda a plateia sente uma espécie de libertação e de renovação. The Wall de Roger Waters em São Paulo, mesmo sem os integrantes do Pink Floyd originais, traz essa sensação.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Dream Theater lança novo clipe sem músicos posando no vídeo


Ao contrário dos tradicionais clipes de heavy metal, com músicos tocando a toda velocidade e posando com seus cabelos compridos, a banda de prog metal Dream Theater apostou em um clipe que mostra apenas a letra da canção Build Me Up, Break Me Down, do álbum A Dramatic Turn Of Events.

Não sei se o resultado agrada 100% dos fãs, mas foge da normalidade e parece neutro diante de outras bandas do estilo, como Pain of Salvation ou Symphony X. E ai, o que você acha dessa iniciativa? Veja o clipe abaixo:




Via Whiplash

sábado, 17 de setembro de 2011

As principais comemorações no mundo da música e do rock'n'roll no mês de setembro


Dia 12 de setembro (foto 1) - Aniversário do baterista Neil Peart, do Rush

Considerado por diversas revistas especializadas como um dos maiores instrumentistas do mundo, o mestre das baquetas do prog rock do Rush completou 59 anos. Recentemente, Neil Peart escreveu o livro Far and Away: A Prize Every Time, sobre suas viagens de moto na América do Norte e na América do Sul. Peart elogiou, nesse livro, os ritmos brasileiros.
O baterista foi eleito o melhor do rock pela revista Modern Drummer nos anos de 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 2006, 2008. A revista DRUM! elegeu Neil Peart o baterista do ano nos anos de 2008, 2009 e 2010, acumulando três vitórias seguidas.

Dia 16 de setembro (foto 2) - Aniversário do guitarrista de blues B.B. King

O "Blues Boy" completou 86 anos nesta sexta-feira. Apesar de tocar guitarra sentado, com o peso da idade, B.B. King ainda faz turnês internacionais. Ele se apresentou no Brasil no ano passado.


Dia 24 de setembro (foto 3) - Aniversário de 20 anos do CD Nevermind, do Nirvana

Um marco na cultura pop, esse álbum do Nirvana desbancou Michael Jackson do topo das paradas e voltou a dar evidência ao rock'n'roll nos anos 90. Consolidou a presença de bandas como Soundgarden, Pearl Jam e Mudhoney, todas do cenário grunge de Seattle, nos EUA. Reviveu referências do punk rock e do heavy metal

Enfim, esse material de Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl é um clássico que sempre merece ser ouvido. E, agora, ele é maior de idade.

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