quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Entrevista com Neal Morse, cantor do Transatlantic: "Ao me tornar cristão, isso mudou toda a minha vida"

Por Diego Cabral Câmara e Pedro Zambarda
Originalmente postado na Whiplash.net.

Um dos mais conhecidos e exaltados músicos do progressivo da atualidade, o multinstrumentalista NEAL MORSE, conhecido por ter sido um dos fundadores da banda de rock progressivo SPOCK’S BEARD, além do projeto TRANSATLANTIC e de um artista solo, foi alvo de uma breve mas reveladora entrevista para o whiplash.net. Sempre bastante calmo e de serenidade impressionante, Neal conversou sobre sua saída da SPOCK’S BEARD, sobre sua carreira solo e o TRANSATLANTIC, com vindoura apresentação no próximo dia 13 de fevereiro, além de um pouco sobre sua vida dedicada ao cristianismo e como isso afeta sua música.

Neal Morse

Olá Neal, tudo bem? Você deixou o SPOCK’S BEARD em 2002, quando a banda lançou o álbum conceito “Snow”. Você lamenta alguma coisa nesta decisão? Qual a coisa que mais sente falta da banda nesses mais de 10 anos desde que saiu dela?

Neal Morse: Estou bem, obrigado. Eu não lamento em nada a minha saída do SPOCK'S. A coisa que mais sinto falta de estar naquela banda era o companheirismo dos rapazes. Eu realmente não percebi que nós não nos veríamos quase nada desde minha saída. Claro que ainda vejo meu irmão [Alan Morse, guitarrista do SPOCK’S BEARD], mas sinto muita falta dos [outros] rapazes.

O que você acha dos últimos trabalhos do SPOCK'S BEARD com o seu irmão Alan Morse?

Neal Morse: Penso que o último álbum deles está incrível! Um dos melhores que eles já fizeram.

Hoje, quanto o cristianismo afeta sua carreira solo? E sua performance enquanto vocalista no TRANSATLANTIC?

Neal Morse: Bem, ao me tornar cristão, isso mudou toda a minha vida. Então, a música que eu escrevo e as palavras que saem de minha boca... e enquanto estou cantando muitas vezes penso no Senhor. Quando eu primeiramente vim com tudo isto em 2002, eu estava tão entusiasmado em apenas cantar o que estava em meu coração no álbum “Testimony”. E desde então eu tenho feito as mesmas coisas, embora às vezes é um pouco mais para frente, e às vezes um pouco menos dessa maneira, mas a mensagem é a mesma.

Por que o TRANSATLANTIC não é o seu projeto principal? É porque Mike Portnoy não está sempre disponível? E os outros caras?

Neal Morse: Sim, agenda é definitivamente um problema. Mas eu sinto que está bom da maneira que está... nós nos juntamos e gravamos quando sentimos que devemos e está tudo bem. Houve alguns momentos quando eu senti que gostaria de gravar com a banda e não era possível por causa das agendas... mas tudo sempre funcionou bem no final.

Transatlantic

Você poderia fazer uma lista das 10 melhores bandas do rock progressivo e metal progressivo dos últimos anos?

Neal Morse: YES, GENESIS, KING CRIMSON, EMERSON LAKE AND PALMER, JETHRO TULL, GENTLE GIANT, SPOCKS BEARD, TRANSATLANTIC, FLOWER KINGS e PREMIATA FORNERIA MARCONI.

Quem são seus músicos e bandas favoritas?

Neal Morse: Muitos dos que estão na lista acima. Em adição a estes grandes artistas eu também adicionaria: PETER GABRIEL, PAUL MCCARTNEY, OS BEATLES e claro... THE WHO... todo o tipo de grandes músicos. Há muitos para contar!

Você ouve outros estilos de músicas? Quais?

Neal Morse: Eu escuto muito música clássica atualmente. Eu amo Beethoven, Mahler, Wagner... este tipo de música. Eu também ouço muita música cristã. Gosto de artistas como Steven Curtis Chapman, Jars of Clay, etc.

Como um cristão, o que você acha da Igreja Católica e do novo Papa Francisco?

Neal Morse: Ouço coisas boas sobre o novo Papa. Eu sei que tudo trabalha unido para o bem daqueles que amam a Deus!

O Heavy Metal pode ser um estilo para se cantar sobre questões espirituais?

Neal Morse: Acho que você pode cantar sobre coisas espirituais em vários estilos musicais. Pessoas cantam sobre questões espirituais no heavy metal todo o tempo. Eu sei que não é o estilo que domino, mas isso realmente não importa. As pessoas devem fazer aquilo que elas sentem, e isso é entre elas e Deus.

Vamos falar um pouco sobre esta nova turnê. O que as pessoas no Brasil devem esperar se forem ver o TRANSATLANTIC pela primeira vez?

Neal Morse: Certamente será uma noite cheia do prog! De verdade, será uma noite incrível de música para não ser perdida, por sem dúvida alguns dos melhores músicos do planeta na atualidade. Você simplesmente tem que vir! Você não vai se decepcionar!

Ouvimos seu novo álbum algumas boas vezes. “Kaleidoscope” é muito diferente dos outros lançamentos do TRANSATLANTIC. Há mais poder e energia do que no “Whirlwind”, por exemplo. Qual a pegada sua e do resto da banda nas gravações e composições deste novo álbum?

Neal Morse: Realmente fluiu de uma maneira linda. Digo, acho que nós gravamos as músicas mais rápido que nunca. Penso que fizemos 15 minutos de música no primeiro dia. Foi realmente espetacular. Foi um tempo mágico, penso eu...

Houve um grande número de resenhas antes do lançamento de “Kaleidoscope”, e então em torno de quatro dias antes do lançamento oficial eu vi que o álbum vazou na internet. O que você acha dos vazamentos de discos antes do lançamento e a distribuição ilegal? E especificamente sobre “Kaleidoscope”, a banda tomou alguma ação contra quem vazou ou sabe quem seria?

Neal Morse: Bem, nossa gravadora está de olho neste tipo de coisa e também tenho um cara que trabalha nestas coisas para mim. Eu penso que é esta a maneira do mundo agora. Mas eu desejo que as pessoas não façam isso. Eu acho que muitas vezes são fãs e eles pensam que estão nos ajudando, mas nós realmente preferimos que a música seja lançada pelos canais tradicionais. Ajuda a todos se os artistas fazem dinheiro com sua música, porque então nós podemos dar ao luxo de continuar fazendo isso!

Muitos dos fãs da música progressiva dizem que o TRANSATLANTIC é cada vez mais e mais uma banda cristã e falam como isso os irrita. Por outro lado, um álbum como “The Whirlwind” fala muito sobre questões importantes na vida atualmente e tocam o coração de muitas pessoas, cristãs ou não. O que você pensa sobre a música que você faz atualmente e como isto transmite sua própria vida?

Neal Morse: Bem, eu sou um cristão, claro, por isso certamente não me incomodo! Eu entendo que algumas pessoas não querem ouvir este tipo de mensagens... mas eu sei que as pessoas podem entender que, nas porções de música que eu escrevo no TRANSATLANTIC, eu devo escrever aquilo que sinto no meu coração. Eu certamente não estou tentando acertar alguém na cabeça com uma mensagem cristã, mas eu estou dizendo o que eu penso que é verdade e o que eu sinto que é importante. Eu penso que muitas pessoas apreciam isto e sentem também.

Portnoy fez muitas visitas ao Brasil: primeiro com o ADRENALINE MOB, e então com o WINERY DOGS e agora com o TRANSATLANTIC. Parece que Pete Trewavas também irá no mesmo caminho, agora com o TRANSATLANTIC e em maio ele voltará com o MARILLION por um show bastante esperado. Há alguma chance de vermos você outra vez no Brasil para, talvez, um show da banda solo? Talvez trazendo o FLOWER KINGS também?

Neal Morse: Nós amaríamos isto! Somente digam e nós amaremos estar aqui. Deixe-nos saber quando... nós apenas precisamos de um produtor que irá tomar conta de nós e fazer tudo ocorrer e nós adoraremos vir tocar a nossa música para este povo maravilhoso.

Para encerrar, há alguma mensagem que você gostaria de mandar para os seus fãs no Brasil?

Neal Morse: Eu não posso esperar para ver vocês face a face pela primeira vez! Penso que será um concerto maravilhoso e eu espero ver muitos de vocês lá. Que Deus os abençoe e até breve!

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