quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sobre Santiago: "Mataram um jornalista, atingiram a democracia"

Por Alberto Dines
Do Observatório da Imprensa, por Creative Commons.


Os assassinos não miraram no cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes. Queriam acertar alguém, pegaram quem estava na linha de frente. Não fosse ele o atingido, seria outro. Ou outros.

A bandidagem que se esconde sob a camuflagem de “manifestante” faz parte de um surto terrorista não muito diferente dos fascistas e nazistas que saíram às ruas em Roma e Berlim para impor o regime da violência.

Este tatuador, Fábio Barbosa, com cara de bom menino, é na realidade um agressor contumaz. Sabotador. Ele sabe o perigo que representa um rojão – aceso ou apagado. É como um facão que mesmo enferrujado pode degolar.

Se fosse um autêntico protestador ou protestante, sinceramente revoltado com o aumento do preço das passagens, saberia que a violência só prejudica as reivindicações populares. Fábio Barbosa vai a passeatas como quem vai se divertir. É o seu programa, projeto de vida. Faz parte daquele lúmpen de vadios e semiempregados que funciona como massa de manobra para a bandidagem política.

Morte e demissões

É justa a revolta dos jornalistas diante do colega morto e das empresas de comunicação pela ameaça que o atentado representa à liberdade de informação. Mas o luto que devemos envergar inclui a aniquilação da “sociedade cordial”. Era mito, mas servia como meta. Agora nem isso.

O Brasil está se deixando levar pelo perigoso frenesi da insurgência pela insurgência. Os black blocs estão nas passeatas, mas igualmente em tribunas legislativas, em piquetes de greves ilegais, em antros do narcotráfico. Os black blocs pretendem ser anarquistas, mas são produtos do explosivo mix esquerdo-direitista. Ou direito-esquerdista. Estão em todas, também em colunas, blogs, seriados e filmes de “ação”.

Horas antes do comunicado da morte cerebral de Santiago Andrade, o SBT demitia três respeitados comentaristas políticos (Carlos Chagas, José Nêumanne Pinto e Denise Campos de Toledo). Por quê? Sílvio Santos está sem grana? Foram demitidos para comemorar os 50 anos do golpe militar que jogou o país no vale de lágrimas e do qual até hoje não conseguiu escapar. 

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