sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Cinema: fabricando sonhos e realidades

Por Vitor Gonçalves de Almeida, estudante do 4º semestre de Jornalismo na Fiam Faam/FMU

Entenda como a sétima arte pode influenciar no comportamento humano.

A produção cinematográfica, sobretudo a norte-americana, é produtora de realidade. O processo, muita vezes estereotipado, com que essas obras são fabricadas, pensadas e executadas tem como seu principio máximo atingir os valores sensíveis do ser humano. O cinema, de uma forma mais abrangente, é utilizado como um produto artístico, midiático e principalmente ideológico, construindo e elevado culturas com a mesma facilidade com que a mídia cria um novo “fenômeno” sensacionalista.

Mickey, o simbolo maior da Disney, é um dos maiores produtores ideológicos do cinema
Os norte-americanos são os principais fornecedores dessa “propaganda” ideológica oriunda do cinema. Inteligentemente, os Estados Unidos, berço dos maiores filmes da história, criam um cenário de proximidade com o telespectador, isto é, utilizando-se da maneira com que a população se porta perante inúmeras situações e as transportam, como em um “passe de mágica”, para a realidade das telonas.

A grande diferença entre o mundo real e o dos longas-metragens é a forma como que os problemas se desenrolam e, principalmente, como eles são resolvidos harmonicamente, recheada de momentos heroicos projetando, nas mentes dos cinéfilos apaixonados, um cenário confortável. O aspecto verossímil facilita – e dialoga – com a população de maneira ímpar, transformando os tons leves da confortabilidade cinematográfica em um modelo a ser seguido e, por que não dizer, vivido.

Muito disso pode ser observado nas relações causadas pelas adaptações literárias, essencialmente as destinadas ao público denominado “teen”, com o seu “nicho”, ou seja, como a paixão e costumes dos personagens são, quase que instantaneamente, incorporados pelos jovens. A dificuldade de aceitação do mundo, por parte dos adolescentes, facilita a criação de elos emocionalmente fortes entre eles e os seus personagens favoritos, levando-os, muitas vezes, a agir conforme o seu ídolo, demonstrando uma clara insegurança com o mundo e uma personalidade frágil e moldável.

Engana-se quem pensa que as animações infantis não possuem influências no cotidiano das crianças. Segundo Aparecida Gonçalves, professora do ensino infantil de uma escola da zona leste da capital paulistana, princípios adquiridos e incentivados durante os primeiros anos de vida são essenciais para a formação da personalidade. “Os atos e ações praticados durante a infância são essenciais para o desenvolvimento da criança”, dispara a educadora de 48 anos.

Ideologia em diversos gêneros

A ideologia está inserida em quase todos os filmes, até nas adaptações das histórias em quadrinhos, popularmente conhecidas como HQs. O conturbado período pós-guerra é um exemplo claro – e óbvio – da importância da propaganda ideológica introduzida através de filmes, quadrinhos e publicações midiáticas. 

Os super-heróis, tão aclamados nos dias de hoje devido a filmes como “Batman” e “Vingadores”, demonstram principalmente pelas suas vestimentas e discursos, por vezes ufanistas, uma clara tendência e predisposição à idolatria desmedida. O “fantástico” e irreal humano é visto, admirado e cultuado como modelo de humanidade, isto é, a forma de agir do personagem pode “induzir”, de maneira sutil, pensamentos e comportamentos de cunho político.

O apelo emotivo dos filmes romântico pode ser considerado como outra forma de criação de estereótipos, uma vez que no desenrolar de toda trama, os “pombinhos”, dotados de características comuns e de fácil assimilação, esquecem todas as divergências e encontram no amor seu bem comum. O humor, inúmeras vezes utilizada durante filmes desse gênero, é visto – e utilizado – como uma válvula de escape, intercalando os anseios da vida a dois com momentos descontraindo. Esse efeito causa uma empatia com o público tornando fácil a visão do “eu” dentro do personagem descrito na telona. 

Guilherme Guimarães é responsável pela página Claquette que, atualmente, conta com quase 6 mil adeptos

A paixão pelo cinema é algo completamente aceitável e compreensível. De acordo com Guilherme Guimarães, dono da fanpage cinematográfica Claquette, o amor entre sociedade e cinema pode ser explicada pelas cargas emocionais que, por sua vez, são subjetivas e distintas. “O telespectador, ao ver uma cena que lhe chama a atenção, é transportado para outra realidade. Para um novo mundo”, completa o produtor de conteúdo on-line de 22 anos.

Via Cinismo Desvairado

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