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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

USP: as origens do impasse e uma possível saída

Por Ana Castro, do Retrato do Brasil, parceiro editorial de Outras Palavras
Creative Commons

Neste ano, a Universidade de São Paulo (USP) completou 80 anos. A merecida comemoração da maior universidade brasileira, entretanto, tem ficado em segundo plano frente à crise que enfrenta ao menos desde maio, quando uma greve de professores, funcionários e alunos parou parte de seus cursos e a colocou diariamente nas páginas dos jornais, questionando a sua própria razão de ser. Se o encerramento da greve, em fins de setembro, resolveu questões mais imediatas, há temas e decisões ainda no ar que refletem o embate de divergentes pontos de vista a respeito do presente e do futuro da USP.


A história dessa crise mais recente começa em janeiro passado, quando Marco Antonio Zago tornou-se reitor da USP contando com forte adesão da comunidade acadêmica. Mais votado pelo Conselho Universitário, com 49% das indicações, e preferido pela comunidade uspiana, segundo consulta interna, Zago, oriundo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, foi o primeiro colocado da lista tríplice enviada a Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, encarregado de nomear os reitores das universidades estaduais. Em sua campanha, Zago preconizou o diálogo interno, convidando “professores, servidores e estudantes” a reconstruir, junto com a reitoria, “relações civilizadas, que implicam diálogo, confronto de ideias, discordância, pressões legítimas, mas jamais discórdia e recurso à força física; respeito àqueles que discordam de nós, capacidade de reformular nossas propostas, de ceder, de convencer”. Sua candidatura parecia se contrapor à gestão anterior, de João Grandino Rodas (da qual Zago fez parte), acusada de autoritarismo, centralização e privatismo.

Comprometendo-se com o tripé que sustenta o projeto da universidade moderna – docência, pesquisa e extensão –, Zago poderia ser o nome certo para unir as diversas forças que se enfrentam na USP, conduzindo as almejadas reformas para o estabelecimento de uma estrutura de poder menos concentrada e mais representativa. Para se ter uma ideia, atualmente apenas 1,7% da comunidade acadêmica é responsável pela indicação dos nomes para a lista tríplice, ou seja, é o topo da hierarquia uspiana que decide sua condução política.

Ao completar três meses na direção da universidade, entretanto, o novo reitor enviou uma carta a docentes, funcionários e alunos alertando para a existência de uma crise financeira – imputada a uma irresponsável política de contratações, obras e aumentos salariais de seu antecessor –, cuja resolução atrelava-se à necessidade de contenção de despesas. Segundo Zago, quase 105% do orçamento estavam comprometidos com a folha de pagamentos e projeções indicariam que, a despeito de haver uma reserva financeira de 1,3 bilhão de reais, mantendo-se tal ritmo de gastos a USP esgotaria seus fundos até 2018. Em consequência dessa avaliação, foram imediatamente paralisados os concursos de 535 docentes e as obras em andamento (economizando-se 446 milhões de reais) e suspensos 46% (alguns dizem 30%) dos repasses às pesquisas.

A solução que se avizinhava era diminuir o pessoal e eventualmente reduzir a folha de pagamentos por meio da redução da carga horária de trabalho de servidores, docentes e não docentes. Em entrevista ao diário O Estado de S. Paulo, o reitor foi direto ao ponto, mirando um dos pilares do regime de trabalho universitário: “Por que tantos docentes em regime de dedicação exclusiva na universidade?”. Tal regime, considerado a base da universidade ao dar ao professor as condições reais de autonomia e independência para pesquisa, docência e extensão, passou a ser visto como entrave à eficiência universitária.

Simultaneamente, os dois principais diários paulistas – Folha de S.Paulo e O Estado –, acompanhados por outros órgãos da grande mídia, veiculavam textos sobre o anacronismo da universidade pública e a necessidade de acabar com o regime de gratuidade, apontando para formas supostamente mais atualizadas e eficientes de gestão da USP. A discussão sobre a gratuidade do ensino aparecia vinculada à diferenciação entre ensino de massa e instituições dedicadas à pesquisa. Simon Schwartzman, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), disse, em entrevista ao semanário Época, ser impossível o ensino superior continuar sendo ampliado “sem modificar profundamente seus objetivos e formas de atuação”. Segundo ele, é preciso diferenciar instituições dedicadas à pesquisa e ao ensino superior de qualidade, “necessariamente mais caras e centradas em sistema de mérito”, das de massa, com “carreiras menos exigentes, onde o setor privado atua com custos muito menores”. A Folha chegou, inclusive, a calcular o “valor justo” da mensalidade a ser cobrada pela USP: 2,6 mil reais.

No final de maio, após o conselho de reitores das três universidades estaduais paulistas – USP, Unicamp e Unesp – anunciar reajuste salarial zero na data-base de docentes e funcionários, as associações de ambas as categorias decretaram greve, algo que não ocorria conjuntamente desde 2009.

Em nova entrevista, dessa vez concedida ao semanário Veja, Zago apresentou seu diagnóstico da crise e os caminhos a serem seguidos daí em diante, deixando claro que não concordava com a proposta de cobrança de mensalidades como forma de financiamento da universidade, mas insistindo na questão da estabilidade dos docentes, vinculando-a à impossibilidade de pagar o salário que “cada docente vale”. A entrevista causou – para dizer o mínimo – mal-estar entre os setores mais progressistas da USP, que viram ali o sinal de uma possível adesão da reitoria às teses do desmonte da universidade pública, algo que ciclicamente ressurge.

Diante da continuidade da paralisação e da adesão dos alunos à greve, a reitoria endureceu: determinou o corte do ponto dos funcionários grevistas e levou o caso a julgamento pela Justiça do Trabalho. Além disso, para impedir piquetes no campus, recorreu à Tropa de Choque da Polícia Militar. Também anunciou que o reajuste zero viera para ficar, já que seriam sombrias as estimativas de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no estado. Como, por lei, o orçamento da USP equivale a 5,02% da arrecadação líquida desse imposto, estima-se que neste ano serão aportados à universidade pouco mais de 5 bilhões de reais.

Em reação a essas decisões, professores da Faculdade de Direito e advogados de outras instituições lançaram o “Manifesto de repúdio aos atentados ao direito de greve na USP”. Cobrando soluções mais efetivas, outras cartas e manifestos se seguiram, ora em apoio aos grevistas, ora em repúdio a seus atos, entre os quais a “Manifestação de docentes da USP contra o uso de métodos totalitários de coação e pela recuperação de valores morais de convivência acadêmica”, firmado por mais de 700 professores de diversas unidades.

Após a greve ser julgada legal pelo Tribunal Regional do Trabalho no início de setembro, a reitoria, também pressionada pelas manifestações internas, pareceu adotar uma nova estratégia, buscando separar os movimentos de docentes e de funcionários. Passou a conectar a crise exclusivamente ao crescimento do setor funcional e ao aumento salarial descabido da categoria, promovido pela gestão anterior, além de divulgar propostas de soluções mais ou menos imediatas para enfrentar a situação financeira da USP: um plano de demissão voluntária (PDV), desenhado para atingir funcionários com mais de 20 anos de casa e salários altos; a desincompatibilização do Hospital Universitário (HU), em São Paulo, e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), em Bauru; a venda de bens da universidade; e o incentivo à redução da jornada de trabalho (de 40 para 30 ou 20 horas semanais) de servidores técnico-administrativos, com a correspondente redução salarial. Para se diferenciar da gestão anterior, tida como autoritária, Zago convocou o Conselho Universitário para a aprovação das medidas, compartilhando o ônus das decisões com seus pares. O órgão deu aval ao PDV e ao repasse do HRAC ao governo estadual, mas solicitou esclarecimentos sobre a transferência do HU, pressionado por funcionários e estudantes da Faculdade de Medicina (o próprio governador declarou, posteriormente, não haver interesse por parte do estado em assumir a gestão dos hospitais).

Os dados apresentados pela reitoria ao longo dos últimos meses para expor a crise também foram crescentemente questionados. Até mesmo os números que refletiriam sua própria essência – aqueles relacionados com a folha de pagamentos – seriam colocados em xeque. Se a alíquota do ICMS repassada às universidades está congelada desde 1995 (ainda que o valor nominal mude), nesses quase 20 anos a USP não parou de crescer. Como apontou João Whitaker, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), nesse período foram abertos novos cursos e incorporados ou fundados novos campi, como os de Lorena, de Santos e da USP Leste, parte da política de expansão incentivada pelo próprio governo estadual. Entre 1995 e 2012, o número de cursos da USP aumentou 88,6%. Na graduação, o crescimento das vagas subiu 53,6%. Ao mesmo tempo, na pós-graduação – a USP é responsável por 25% da pesquisa no País – o número de cursos aumentou 34,6%, e o de alunos, 102,3%. Diante disso, o crescimento de servidores foi modesto: o de professores atingiu 15,9%, e o de funcionários, 11,5%. Hoje, a USP tem 5,5 alunos por funcionário e 15 alunos por professor. Para comparar, a britânica Oxford, no ano passado, tinha 4,92 alunos por funcionário e 4,3 alunos por professor, e Cambridge, também britânica, contava 4,4 alunos por funcionário e 3,9 por professor.

Dados a quantidade e o grau de complexidade das questões em jogo, entretanto, é bem provável que o reajuste salarial de 5,2% e o abono de 28,6%, determinados pela Justiça para compensar perdas anteriores, não signifiquem o fim dos problemas enfrentados pela universidade. Com seus 92 mil alunos, 6 mil docentes e 17 mil funcionários, a USP é hoje uma instituição de massa – a Unicamp, por exemplo, tem 18 mil alunos; Oxford, pouco mais de 22 mil –, muito distinta daquela fundada há oito décadas.

A filósofa Marilena Chauí – que vem refletindo sobre o papel da universidade pública no País há décadas – ajuda a compreender o que se passa com a USP. Ainda que haja nuances para cada área de conhecimento, sua análise tem o mérito de formular um olhar crítico e compreensivo para o processo, que pode ajudar a incidir sobre o presente. Em Escritos sobre a Universidade (Unesp, 2001), ela aponta três momentos-chave na história da universidade – ou o que ela chama de “três fundações” – ao notar inflexões significativas no projeto inicial introduzidas por reformas realizadas nas décadas de 1960 e de 1990.

Fundada em 1934 como um projeto de parte da elite paulista ligada ao Partido Democrático e a O Estado de S.Paulo – intelectuais orgânicos da burguesia agroexportadora e políticos com ambição de se tornarem (ou se manterem como) a elite dirigente do País –, a USP foi formada pela junção de alguns cursos superiores existentes desde o século XIX – entre os quais a Academia de Direito do Largo São Francisco, a Escola Politécnica e a Faculdade de Medicina – e pela criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), a qual foi pensada como o coração da universidade, um centro integrador que congregaria todo o saber básico, fundamental e teórico. Para isso, uma leva de professores europeus – Levi-Strauss, Fernand Braudel, Roger Bastide, Jean Maugüé, Pierre Monbeig, Giuseppe Ungaretti, Gleb Wataghin, Heinrich Rheinboldt, entre outros – foi trazida para São Paulo, vários deles jovens docentes que se formaram no trabalho intelectual a partir da experiência brasileira. Esses estrangeiros, e também alguns brasileiros – como Fernando de Azevedo, Teodoro Ramos, Luiz Cintra do Prado, Otoniel Mota –, foram responsáveis por formar a primeira geração de novos professores que assumiriam as cadeiras quando do retorno dos fundadores à Europa. Nomes como Antonio Candido, Florestan Fernandes, João Cruz Costa, Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado, Gilda de Mello e Souza, Mario Schenberg, Azis Ab’Saber, Marcelo Damy, Anita Cabral, Crodowaldo Pavan e Paschoal Senise saíram daqueles cursos e passaram a formar gerações e gerações de intelectuais e cientistas brasileiros.

O projeto da universidade sofre uma primeira mudança quando a Faculdade de Filosofia passou a dividir com a do Largo São Francisco a formação intelectual da burguesia. Se os quadros políticos ainda vinham sobretudo das fileiras do direito, um pensamento crítico se abrigou na FFCL, que, ao estender seus cursos a professores do ensino médio, desde sua criação surgiu como oportunidade de ascensão social e intelectual para a primeira geração dos filhos de imigrantes e, em especial, de mulheres, até então praticamente excluídas do ensino superior. Isso não quer dizer que a universidade nascia democrática, mas que desde o início abriu para os setores médios a oportunidade de chegar ao ensino superior.

Em consequência das reformas instauradas na segunda metade da década de 1960, após o golpe militar, esse projeto sofreria uma inflexão. O esquema proposto seguiu as diretrizes de Roberto Campos, ministro do Planejamento à época: o ensino secundário deveria atender à massa, perdendo suas características humanistas e se concentrando no viés profissionalizante, enquanto o ensino universitário deveria continuar reservado às elites. A Lei 5.540/68 levou esse formato à universidade, na tentativa de massificar os cursos de graduação e dar à pós-graduação um papel de ponta, a partir de acordos feitos com os EUA. Com isso, a USP vivenciou uma fragmentação dos seus cursos, com a dissolução da sua célula mater. A antiga FFCL foi transformada em Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e parte de seus cursos, como química, física, matemática, biologia e psicologia, passou a ser ministrada em novos institutos. Impuseram-se então um vestibular unificado, a matrícula por disciplinas e a divisão por departamentos.

Nos anos 1990, como define Chauí, a universidade tornou-se “prosaicamente realista”: “Do lado das associações docentes, estudantis e de funcionários, o discurso está centrado na ideia de interesses das categorias, enquanto do lado das direções universitárias prevalece o discurso da eficiência, produtividade e competitividade”. A absorção desse ideário neoliberal se teria dado, entre outros fatores, pela instalação de fundações dentro da universidade – o que ajuda a explicar a falta de apoio à greve ocorrida na USP por parte de muitas unidades, que mobilizam recursos a partir dessas instituições –, levando à naturalização da ideia de uma gestão eficiente, nos moldes de uma empresa.

Embora originalmente concebida para atender às elites, a USP abriga hoje 60% de alunos cuja renda familiar mensal é inferior a dez salários mínimos, cumprindo um evidente papel de democratização do ensino superior público de qualidade – a USP era, há até bem pouco tempo, a única universidade latino-americana presente em rankings internacionais.

Sua crise atual, portanto, parece carregar as contradições da transformação de um projeto originalmente de elite para um sistema universitário cada vez mais massificado ao longo desses 80 anos e que de certa forma reflete as mudanças e os dilemas do próprio País. Nesse caminho, a velha estrutura resiste, não aderindo, por exemplo, ao sistema de cotas. Chocam-se e se complementam no projeto uspiano as determinações do mercado; o autoritarismo do Estado e às vezes dos órgãos que representam os trabalhadores; a busca pela excelência acadêmica; o compromisso com a docência e a extensão, e não exclusivamente com a pesquisa; e a pressão por uma maior democratização, não apenas no ingresso, mas em seu compromisso social. Mas os momentos de crise, como se sabe, são aqueles em que há maiores possibilidades de escolher novos caminhos. Espera-se que o atual seja o da democratização e o da abertura, sem a perda da qualidade.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Alckmin ataca ONU por crítica sobre falta de água da Sabesp

Por Pedro Zambarda

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo reeleito por cerca de 58% dos votos, enviou um duro ofício ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrando que a entidade corrija suas conclusões sobre a crise da água no estado.


O estopim foi a visita da portuguesa Catarina de Albuquerque, relatora especial para água e saneamento, a São Paulo, em agosto último. Ela afirmou que a crise era responsabilidade do governo estadual e apontou falta de investimentos.

Alckmin diz que a relatora incorreu em “erros factuais” e fez uso político do tema ao conceder entrevistas às vésperas da eleição estadual, violando o código de conduta da ONU.

Ao concluir o texto, o governador adota um tom acima do usual em comunicações diplomáticas. Ele afirma que se a ONU não retificar as informações prestadas por Catarina de Albuquerque, ele ficaria em dúvida sobre a habilidade da organização para realizar a Cúpula do Clima.

Via DCM e Fernando Rodrigues, colunista do UOL

domingo, 13 de março de 2011

Japão passa por uma crise de peso desde a Segunda Guerra Mundial


O terremoto que atingiu o país dia 11 de março não foi apenas na madrugada. No final da tarde, horário de Brasília (era fim da madrugada no Japão), outros dois tremores foram sentidos na região noroeste. O país ficará com racionamento de energia por dois meses.

Japão ainda tem risco de tremores de 7 graus na escala Richter.

Fonte: Globo.com aqui e aqui.

domingo, 6 de março de 2011

O que você precisa saber sobre Muammar Gaddafi




Esse rosto deve ser familiar se você leu notícias sobre a imprensa internacional nos últimos 15 dias. Este é Muammar Al-Gaddafi, o líder político da Líbia, que está com o governo em crise devido aos movimentos populares que começaram no Oriente Médio nos últimos dois meses.

No entanto, antes de entrar no coro da imprensa e chamá-lo de ditador repressor, presidente totalitário e desumano ou qualificações equivalentes, é importante saber como Gaddafi chegou até sua atual posição política. Elaboramos abaixo uma lista de coisas que você deveria saber sobre esse líder de um país no norte da África - desconhecido para muitos de nós, brasileiros.

- A tradução do sobrenome Gaddafi é uma das maiores complicações para a imprensa do mundo inteiro. A palavra original, do árabe, é Qaddafi. A Folha de S.Paulo utiliza Gaddafi. O Estado de S.Paulo utiliza Kadafi. Há textos que transformam o sobrenome em Qathafi.

- Oficialmente, Gaddafi não é presidente da Líbia, embora ele esteja no maior cargo do governo executivo do país. O nome da posição dele é "Irmão líder" do Estado. Ele é representante do setor militar líbio.

- O líder assumiu seu cargo através de um golpe militar em 1969. Ele depôs o único rei que a Líbia teve em toda sua história: Idris. Assumiu o cargo de primeiro-ministro e conduziu uma revolução cultural, religiosa e política para instalar uma terceira via de regime islâmico no Oriente Médio.

- Assumiu uma política de repressão similar a de Che Guevara em Cuba, punindo traidores e políticos favoráveis ao modelo norte-americano com apoio do exército.

- Escreveu o Livro Verde, publicado em 1975, um tratado político para uma revolução republicana árabe, com diretriz política, religiosa e adaptada para um país de Terceiro Mundo, sem se apoiar em fórmulas de países desenvolvidos. A obra é uma alternativa ao Pequeno Livro Vermelho, do ditador chinês Mao Zedong.

- Está há 40 anos no poder líbio, embora não se proclame dirigente do país e adote uma justificativa com inclinação socialista para sua administração militar.

- Filho de Muammar, Saif Gaddafi fez doutorado na London Business School, na Inglaterra.

- Muammar Gaddafi é viciado em roupas safari - que possuem um desenho nacionalista - e por óculos escuros.

- As atuais manifestações anti-Gaddafi na Líbia começaram dia 15 de fevereiro de 2011.

- Estima-se que mais de seis mil pessoas tenham morrido em confrontos líbios. Nem o Estados Unidos e nem outros países interferiram no confronto. A crise contribuiu para a recente subida dos preços do petróleo.

- O filho Saif Gaddafi possui uma ONG que defende direitos humanos, chamada Gaddafi International Foundation for Charitable Associations. Ele fez exposições de arte com esse empreendimento.

- Seu outro filho, Mutassin Gaddafi, representou a força militar líbia em reunião com Hillary Clinton em 2009.

- Muammar Gaddafi possui aliança com Hugo Chávez, da Venezuela, desde 2009. Chávez é cotado para formalizar uma comissão de paz na atual crise líbia.

- Gaddafi possui contas bancárias para financiamento de suas tropas nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Suíça, entre os locais comprovados no momento.

Agradecimento às matérias da EXAME.com.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Crise Financeira: Músicos em "formato compacto"

Leco Peres, pseudônimo de Alexandre Peres Rodrigues, é um músico paulistano, baixista, que estreou sua nova banda Klatu (http://myspace.com/bandaklatu) em 2008. Ele também escreve textos e peças de teatro. Disposto a falar sobre crise financeira, ele faz parte de uma série de pequenas entrevistas sobre esse assunto que serão divulgadas aqui no Bola da Foca, abordando profissionais de diversas áreas.


Por Pedro Zambarda

Bola da Foca: Leco Peres, como você trilhou o caminho até formar a banda Klatu? Como você se envolveu com poesia e música? A arte é o seu ganha pão?

Leco Peres: Eu sou funcionário público e é daí que eu tiro o meu ganha pão. Após alguns anos tocando na noite, desde 1994, eu percebi que não conseguiria me sustentar só com música e artes, tanto por causa do mercado, dos donos de bares, quanto pela pequena abertura a estilos que não são o mainstream. A opção que eu tinha para me sustentar seria deixar de lado a criação, a parte autoral, e passar a tocar covers e hypes, o que definitivamente não é o meu ideal de vida. Com isso, decidi arrumar um trampo que me desse condições de investir nos meus próprios projetos, de música e literatura. De dia, na repartição pública, de noite, nas entranhas da vida! (risos)

Juntei grana por um tempo, até conseguir bancar o disco de estréia do Klatu. Fiz em conjunto com a Carol Arantes, em produção independente e isento de restrições do mercado. O Klatu veio da idéia de gravar um disco solo, sem regras ou direcionamentos, o mais livre possível. O projeto ganhou corpo com a conceituação do "rock infinito" que vai dos temas das músicas até as letras engajadas. Lançamos o Cd em 2008 e estamos só começando a batalha.

Sobre poesia e escrita, é uma paixão minha desde adolescente. Eu venho focando mais isso desde 2006. Participei de uma coletânea de textos, escrevi peças de teatro e esquetes, e venho mantendo meu blog de crônicas. E, se com música é difícil, imagine com literatura? Não há uma opção de, por exemplo, "tocar na noite". Sempre é necessário montar uma grande estrutura para o teatro, ou investir bastante num livro que ninguém mais tem o hábito de ler...

Por isso é essencial manter uma estrutura: trabalhar todo santo dia na burocracia, para manter minha liberdade criativa. É o caminho dos que não têm "QI". O Klatu continua independente, estou montando meus esquetes teatrais, e vou levando.

E não tem jeito de não fazer assim no atual sistema. Quem tem essa veia artística, essa deliciosa maldição de querer se expressar pela arte, se não fizer, pira. No mal sentido.

BF: A banda Klatu prega o "rock infinito", um estilo musical que define a liberdade e a falta de regras como marca principal. Esse ecletismo na música também aparece nas letras? Vocês tentam inovar ou permanecem em temas familiares a outros gêneros do rock? Quais músicas apresentam a crítica do Klatu?

L: Então, a idéia do rock infinito é um estilo de vida. Pregamos a diversidade, para que a honestidade musical, a música feita com o coração, seja destacada na multidão daqueles que compõem simplesmente para ganhar uns milhões. Somos idealistas mesmo, ativistas, teimosos; afinal, de gente em cima do muro o mundo está cheio. E seguimos essa postura nas letras, no mesmo sentido.

Os temas, no final das contas, são os mesmos de sempre: o ser humano em luta contra o ser humano, em todas as suas implicações. Mas os problemas são novos, como o tema do aquecimento global na música Vai Acabar. Outros temas são velhos, numa abordagem mais inusitada, como é o caso do comodismo e da massificação, em Mais 8 que 80 e Zé Eurico. O tema da paranóia é tão antigo quanto o blues, mas os tipos de paranóias também são atuais em Opus 67.

De resto, nossas músicas falam de viagens psicodélicas, atitude, e do próprio rock infinito.

BF: Agora vamos falar da crise financeira. Você acha que pode ocorrer uma mudança no cenário musical? Houve alguma mudança drástica no mercado de criação, na sua opinião?

L: Bom, ou essa crise só mostrou os dentes, ou ela é pura tática sensacionalista. De qualquer forma, o mundo está precisando pisar no freio, tanto pelo planeta, como pelas relações humanas, sociais e espirituais. Não há como continuar do jeito que está, e me parece que essa é uma oportunidade de mudança de parâmetros. Eu torço para que esse consumismo selvagem, que rola hoje, diminua ou pelo menos fique mais consciente.

Em relação ao mercado artístico, de criação, eu acho que a longo prazo retornaremos ao formato de "compacto". Ou seja, os artistas abandonarão álbuns e conceitos, e haverá uma descentralização dos hits, com muitos artistas lançando apenas uma ou duas músicas, ao invés de um disco completo.

Esse cenário já está se formando. A cena independente também está fortalecida. Enquanto as gravadoras estão derretendo, os grandes estão se enfraquecendo e se engajando nesse movimento, vide o Rick Bonadio em seu Myspace.

Com menos grana, e a demanda do público persistindo, a cena terá que ser suprida pela massa dos heróis talentosos e criativos do "submundo". Isso a longo prazo, quando o público conseguir distinguir quem é honesto, quem quer dizer as coisas, de quem quer ficar apenas posando de popstar, às custas do papai rico.

Até lá veremos mais atos desesperados da indústria fonográfica, mais pseudo-artistas, mais críticos de música bipolares, mais aberrações pedófilas...

BF: Em tempos de crise, você acredita no investimento financeiro maciço na internet? No que a internet se distingue das outras mídias? Como um artista pode se beneficiar com investimentos em inovação?

L: Acho que nem é por causa da crise, mas sim porque a internet é a plataforma do momento. Isso pode parecer piegas, mas é o que rola; a TV, o jornal, rádio, tudo está aos poucos disponível na net. Tudo no mesmo lugar, tudo a princípio democratizado.

Para o artista, isso é fundamental, pois não temos que nos submeter aos antros do Bixiga para ganhar 50 reais por show, ou ficar distribuindo filipetas de shows na padaria da esquina. O espaço está lá, o público tem ele disponível, e tudo de forma livre. As pessoas procuram o que lhes interessa, e não o que lhes vomitam na TV. Claro, há exceções, nem tudo é preto no branco assim, mas é uma tendência majoritária.

E toda novidade é útil para divulgação do artista. Desde que seja funcional, e não apenas simples novidade.

BF: Que outras áreas você acredita que serão fortalecidas após os problemas enfrentados com a escassez de empréstimos?

L: Ah, as áreas que controlam, as que mandam, as que têm a grana. Aquela história dos ricos ficarão mais ricos. Isso em termos econômicos, porque em termos humanos, todos sairão fortalecidos, mesmo que no primeiro momento as coisas estejam piores. Afinal, esse ajuste cósmico é necessário, não é? É a profecia anunciada pelos Beatles!

quinta-feira, 19 de março de 2009

"Você está demitido!"


Com a tão famosa crise mundial, o já tão mal-fadado mercado da comunicação está entre um dos mais atingidos. Pensando nisso e tentando mostrar como anda a situação, uma conta do twitter chamada “The Media is Dying” lista, como se fizesse uma cobertura ao vivo, as demissões de diversos grupos do ramo. O trabalho, ou a falta dele, do assinante (na verdade, um grupo de profissionais da comunicação que “tentam ajudar nessa situação tão complicada”) ganhou muita visibilidade. São mais de 14.000 pessoas seguindo o site e recebendo avisos diários de quem teve que limpar a mesa e/ou tomar uma portada na cara.

Como nem todo mundo vê a mesma coisa de uma mesma forma, outra conta foi lançada para “brigar” com a TMID. A conta “Media is Thriving” foi criada para mostrar que a área da comunicação vai “muito bem, obrigado” e que tem área em uma situação muito pior que da “galerinha que fala, escreve e desenha”. Bem, como falar bem de algo nunca faz sucesso, MIT tem um pouco mais de 1.800 seguidores. E como era de se esperar, bem menos recados de “olha como estamos bem”. Um ponto muito bom da MIT é o seu BIO, onde se lê uma frase um tanto “dorme com essa, fired-people”: Não culpe a indústria. Culpe o seu chefe.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Crise Financeira: Redescobrindo a Economia Real

Criador e desenvolvedor de projetos para divulgação de marcas e comunicação digital na agência paulistana SeePix, Hugo Rosso é também baixista da banda LM, que toca alguns covers em bares na noite. Disposto a falar sobre crise financeira, ele faz parte de uma série de pequenas entrevistas sobre esse assunto que serão divulgadas aqui no Bola da Foca, abordando profissionais de diversas áreas.

Por Pedro Zambarda

Bola da Foca: Hugo, no seu atual trabalho como foi a reação com a crise financeira que assola o sistema de financiamentos? Houve um aumento de serviços ou uma escassez de demanda? Se você puder, explique com detalhes.

Hugo Rosso: Até o momento a crise não atingiu os trabalhos desenvolvidos pela SeePix, não houve uma queda de demanda e as negociações existentes com clientes continuam ativas. O que podemos notar é que, por enquanto, a crise financeira atingiu as agências que trabalham com mídia offline, conseqüentemente também atingindo as gráficas.

BF: Em tempos de crise, você, sem responder pela empresa, apenas por você, acredita no investimento financeiro maciço na internet? No que a internet se distingue das outras mídias? Como uma empresa pode se beneficiar com investimentos digitais?

H: Não sei se investimento maciço seria o termo correto, mas acredito sim no investimento na internet. A internet ainda é um meio barato para se trabalhar e as oportunidades são inúmeras, pois existentes soluções voltadas para cada tipo de necessidade e empresa. Fora que a inovação é constante no meio.

H: Na web as empresas podem direcionar a atuação e mensurar todos os resultados, o que é mais difícil de realizar em outros meios de comunicação. A mensurabilidade da internet é fantástica, pois abre caminho para realização de testes e mudanças de perfil de campanhas, caso sejam necessárias.

BF: Certo. E pra fechar, que outras áreas você acredita que sairão bem após os problemas enfrentados com a escassez de empréstimos? É apenas sua opinião. Fique à vontade para especular.

H: Putz, boa pergunta!

H: Eu apostaria no próprio segmento financeiro. Os bancos que sobreviverem à crise consolidarão seus mercados e assumirão a fatia de mercado aberta pela falência de seus concorrentes. O restante do mercado terá de rever seus conceitos de valor e terão que tampar os buracos abertos.

BF: Você acha que a internet vai ocupar esses buracos?

H: Não. Falando de Brasil, a internet ainda é muito restritiva e a crise afeta a população como um todo. Então, deixar a internet tampar os buracos seria ignorar a maior parte da população brasileira, e isso não seria interessante, nem justo. Mas creio que a internet seja um dos caminhos.

H: Uma boa parte do problema disso tudo é que estávamos, e ainda estamos, vivendo uma economia virtual, gerando uma deturpação da economia real. Agora que essa economia virtual quebrou, teremos de redescobrir a economia real.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Crise Intestinal





Algumas empresas aproveitam-se do medo coletivo gerado pela "Crise Mundial".

Em tempos de crise*, a palavra "demissão" torna-se recorrente nos jornais e nas jornadas de trabalho de diversas empresas. Assim, quando alguma empresa anuncia que vai demitir funcionários, pouco se questiona e logo justifica-se: "É a Crise!"

Logo, o impera-se o medo coletivo de "ser o próximo desempregado".

Empresas como a Volkswagen aproveitam a oportunidade para lançar as demissões (voluntárias ou involuntárias). Em seguida, contratam funcionários mais jovens, com salários mais baixos e com maior carga de trabalho.

Enquanto empresas nacionais e multinacionais têm excelentes lucros, lucram ainda mais pagando menores salários. Eis a questão: Para onde vai o dinheiro?

A empresa alemã afirma em sua página oficial: "A Volkswagen do Brasil é uma empresa admirada por seus empregados, qualificados e motivados, uma parceira confiável para clientes, fornecedores e distribuidores, além de ser socialmente responsável."

No início do mês, um funcionário da Volkswagen não pôde parar a produção para ir ao banheiro. Com tantas demissões, não havia quem o subistuísse. "É humilhante! O funcionário não aguentou e cagou nas calças".

"Socialmente responsável"?

"Admirada por seus empregados"?

Para onde vão os lucros com exploração da alemã Volkswagen Brasil?

Frases:

"A crise é desumana e é uma merda!"

"A crise dá garras ao capitalismo selvagem."

"A crise é psicológica, mas torna-se psicossomática. Se todos acreditamos que estamos em crise, estamos em crise. E, então, o mercado financeiro, os investidores, as empresas, os empregados, os jornalistas agem de acordo com a crise e aí evidenciam-se seus efeitos."

*Jargão jornalístico?

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