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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Economista Thomas Piketty conta sobre sua simpatia ao PT e aos governos de esquerda

Por Pedro Zambarda



Qual é a sua opinião da economia sob os governos do PT no Brasil?

Eu acho que o Partido dos Trabalhadores fez um ótimo governo do ponto de vista social, mas poderia fazer mais. E sinceramente não entendo o pessimismo econômico de algumas pessoas com mais um governo de Dilma. Criticam os eleitores mais pobres por terem votado após receber benefícios estatais. Eu acho justo votar em Dilma Rousseff por receber o Bolsa Família e não vejo, sinceramente, nenhum problema nisso, assim como outras pessoas preferem outros candidatos. Mas parece algo das pessoas aqui de São Paulo, enquanto outras regiões, como o norte e o nordeste, pensam de maneira diferente.

O que um segundo mandato de Dilma Rousseff pode fazer de diferente?

Pode fazer uma reforma tributária com impostos progressivos, taxando os mais ricos. O governo também pode buscar uma transparência maior do ponto de vista da renda e da distribuição de riqueza. É uma boa maneira de responder à onda de críticas sobre corrupção e falta de informações. Tenho uma simpatia pelo PT, mas ele pode trabalhar de uma maneira melhor.

Existe um preconceito sobre os impostos para os mais ricos? Os integrantes do chamado 1% do extrato social utilizam a grande mídia para impor sua opinião internacionalmente?

Sim, isso existe e é um problema. Quando você tem uma porção de desigualdades, eles [os ricos] utilizam sua influência através da mídia, principalmente através dos veículos financiados de forma privada, que são guiados pelo dinheiro, e isso se tornou grande sobretudo nos Estados Unidos. No entanto, mesmo com isso, acredito que as forças democráticas se tornaram mais fortes e é um fato que, dentro da história da desigualdade, a taxação descrita pelo meu livro provocará um embate de movimentos de massa pacíficos para o futuro.

Você tem mais simpatia por governos à esquerda?

Depende. Depende de qual tipo de esquerda e de qual tipo de direita.

Me dê um exemplo da França, sua terra natal.

Na França nós temos uma direita que está se tornando extrema, e está ganhando espaço. Disso eu não gosto. O ex-presidente [Nicolas] Sarkozy está muito próximo de [Marine] Le Pen e eles estão querendo prejudicar os direitos de trabalhadores. Por outro lado, uma esquerda stalinista não é interessante. Para mim não é uma guerra entre dois lados, porque isso muda a cada país e a cada período de tempo.

A entrevista completa foi publicada no Diário do Centro do Mundo, o DCM.

Projeto ensina economia doméstica para crianças

Por Valéria Dias, via Agência USP de Notícias
Creative Commons

Um ditado muito popular diz que dinheiro na mão é vendaval. Mas se depender da professora de matemática Lizlane Aparecida Trevelin, esse ditado não será válido para seus alunos. Tudo isso graças à pesquisa Economia doméstica: uma aplicação prática para alunos concluintes do ensino fundamental que ela apresentou no último dia 9 de dezembro ao Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT), do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, sob a orientação do professor Luiz Augusto da Costa Ladeira.


A dissertação teve o objetivo de verificar a aprendizagem da matemática por meio do ensino da economia doméstica para as crianças: elas deveriam aprender a lidar com dinheiro, aprender a fazer orçamento familiar e a controlar os gastos, e adquirir noções de consumo consciente. O projeto foi aplicado em uma escola pública de ensino fundamental da cidade de São Carlos onde Lizlane atua como docente. Participaram do projeto 108 alunos, sendo 3 turmas com 36 alunos cada, do 9° ano do ensino fundamental.

“O projeto foi um sucesso não apenas entre os alunos, mas também em algumas famílias que decidiram abraçar a iniciativa”, conta a pesquisadora. Além disso, os próprios alunos tiveram a iniciativa de criar o grupo Embaixadores da Saúde Financeira: por meio de cartazes e de outros recursos, eles transmitiram o conteúdo aprendido para os outros estudantes da escola.

A ideia de desenvolver o projeto surgiu quando a pesquisadora leu uma matéria jornalística na internet que apontava que o número de famílias endividadas havia passado de 58,3% para 62,5% entre 2012 e 2013, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. “Percebi que havia a necessidade de a escola trabalhar com seus alunos essa questão de uso do dinheiro e controle de gastos”, explica. Como Lizlane estava cursando o mestrado profissional, decidiu realizar o projeto de economia doméstica com seus alunos. A experiência durou cerca de um ano.

Para realizar o projeto, a pesquisadora utilizou como fonte materiais na internet que abordassem o tema economia doméstica; planilhas do Excel; textos sobre o assunto; além da ferramenta educacional WebQuest.

No WebQuest, ela criou uma página com o sugestivo nome de “Para onde vai meu rico dinheirinho” onde disponibilizou várias atividades. A professora ainda compartilhou com os alunos uma cartilha do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que ensina a calcular o Índice de Custo de Vida (IPC) das famílias.

Inicialmente os alunos precisaram assistir a um vídeo de um programa de televisão onde um economista apresentava várias dicas e estratégias sobre como lidar com dinheiro. Esse vídeo foi discutido em sala de aula com os alunos.

No vídeo, um consultor financeiro aponta para a necessidade de as pessoas terem sonhos e sempre separarem uma quantia mensal para realizá-los. Também é preciso ter sonhos de curto (1 ano), médio (1 a 5 anos) e longo prazo (acima de 5 anos). O vídeo também fala das diversas formas de pagamento (em dinheiro, débito, crédito e cheque) e dos problemas que envolvem as compras parceladas. Além de outros apontamentos sobre planejamento financeiro.

Depois de assistir ao vídeo, os alunos trabalharam com uma planilha onde era preciso preencher com os gastos ao longo de um mês, sempre com a orientação da professora Lizlane. Segundo a pesquisadora, alguns alunos tinham mesada, outros não. Por isso, em muitos casos, a planilha foi preenchida com os gastos da família e a atividade acabou por envolver todos da casa.

A anotação dos gastos foi feita durante um mês. Depois os alunos analisaram os gastos, as entradas e o saldo e, a partir dessa análise, apresentaram algumas conclusões, incluindo os gastos onde poderia haver economia.

Reflexão

Na etapa seguinte, os alunos precisaram estabelecer sonhos de médio, curto e longo prazo. Os alunos ainda tiveram que fazer uma reflexão sobre esses sonhos e de como poderiam realizá-los, e elaborar um plano de ação. “Isso fez com que os alunos percebessem a importância do planejamento e da organização para alcançar esses sonhos”, destaca a pesquisadora. No final, tiveram de realizar uma autoavaliação. Também foi feito um vídeo com alguns depoimentos dos estudantes onde eles contam o quanto foi importante aprender sobre planejamento financeiro e, principalmente, ter sonhos e lutar por eles.

A pesquisadora acredita que é possível reproduzir o trabalho em outras salas de aula. Entretanto, ela ressalta que o projeto elaborado por ela é apenas um ponto de partida e que talvez seja necessário fazer adaptações para as diferentes realidades encontradas nas escolas no que se refere aos alunos, aos próprios professores e também às próprias escolas. Parte do projeto está disponível no WebQuest neste link.

domingo, 7 de outubro de 2012

Lembrete importante sobre o aumento do ingresso da Campus Party 2012


O amigo Pedro Américo (grande xará), dono do blog O Crepúsculo (que não tem nada a ver com a Bella e o Edward), fez uma reflexão pessoal e rápida sobre o aumento de preços do Lollapalooza e outros eventos, mas com um destaque pessoal para a Campus Party.

Com o nome de "Descoberta no Brasil a Árvore que faz nascer dinheiro", você confere um trecho abaixo. Pra ver o texto inteiro, clique aqui.

"Quanto mesmo custa ser cool? Custa bastante. A Campus Party, idealização do espanhol Paco Ragageles que deu alguns detalhes no Nerdcast sobre o evento, sempre foi um evento meio que de nicho. Porém nos últimos anos ficou popular e o público (juntamente com a arrecadação) aumentou exponencialmente.

Me estranha muito o valor do ingresso ter subido quase 200% desse ano para o ano que vem. Yep. De R$180,00 para R$450,00. Lei da oferta e da procura? Pode ser. Mas não sei se concordo muito com um evento que quer ser tão “aberto”, que quer tanto “compartilhar”, “agregar” e tantas outras palavras bacanas precisa cobrar esse preço, e de um ano para o outro. Isso porque não é só o público que aumentou. Já teve a Campus Party Recife esse ano, e eles tem intenção de fazer em mais cidades.

Não sei se você sabe, mas o valor do ingresso é o que menos é levado em conta na planilha de um evento desse tipo. Quem paga o evento são os patrocinadores, sempre. Um evento como a Campus Party já se paga sem que um indivíduo sequer compre um ingresso. Então porque esse aumento absurdo de um ano para o outro? Ué, faça as contas. E se pergunte novamente.

Sabe por que aumentou tanto assim?

É. Isso mesmo. Porque a gente paga".

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pré-venda de ingressos que custam um salário mínimo e meio esgotam. Campus Party aumenta ingresso em quase três vezes

E a pré-venda do ingresso para todos os dias do festival Lollapalooza, pelo valor absurdo de 900 reais (um salário mínimo e meio), se esgotou em... 16 horas.

Os fãs das bandas Pearl Jam e The Killers, participantes do evento, pararam pra pensar antes de gastar esse valor? Quase mil reais de custo justifica três dias de shows? A possibilidade do festival estar lotado, após as vendas, o que é possível, não configura um lucro abusivo por parte da empresa? Entenda, abuso, não atitude incorreta, uma vez que quem faz a oferta é a empresa. O abuso fica por conta do patamar do preço e a quantidade de pessoas que aceitam o produto, que pode vir com uma qualidade pífia - shows com pouca infraestrutura para uma superlotação.

Ainda nesta semana, a Campus Party, evento tradicional de tecnologia em São Paulo, anunciou os preços para participar do evento com acampamento incluso. O valor subiu de 180 reais, anunciado em 2012, para 450 reais, um aumento de quase 200%, três vezes o valor inicial, e superior a um salário mínimo. Outro abuso? Lembrando que o evento é patrocinado pela Telefônica/Vivo, que responde por reclamações de consumidores por pouca qualidade dos serviços de banda larga no Brasil.

Consumidores vão continuar aceitando produtos a qualquer preço no Brasil, porque é possível parcelar? Até onde o mercado aguenta o alto endividamento e a precariedade dos serviços?

Pare e pense. E lembre também que o jornal britânico Financial Times anunciou nesta semana que será impresso no Brasil em inglês. O valor do exemplar? 16 reais. E o preço de uma revista, só que num jornal diário. Vale isso?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Lollapalooza Brasil 2013 e o ingresso que equivale a um salário mínimo e meio



O Lollapalooza 2013 vai ocorrer entre 29 e 31 de março do ano que vem, no Jockey Club de São Paulo. Nesse festival, que reproduz o modelo americano criado por Perry Farrell (Jane's Addiction), vai tocar bandas famosas como Pearl Jam, Black Keys, Queens of the Stone Age, Planet Hemp, Franz Ferdinand, Perfect Circle e The Killers. O problema do evento? O ingresso, sem ser meia entrada de estudante, custa 900 reais.

O salário mínimo brasileiro decretado em 2012 pelo governo Dilma é de 622 reais. Ou seja, vale a pena pagar para ir a um festival de música de três dias por um salário mínimo e meio, aproximadamente?

As empresas que promovem shows e festivais no Brasil não estão sobretaxando demais os espetáculos, por uma infraestrutura que não necessariamente corresponde às expectativas dos fãs dos grupos musicais? Shows com atrasos, acompanhados por comida e bebida cara, parecem ser rotina por aqui. Isso não é um tipo de abuso por parte das companhias?

Salário mínimo é o valor mais baixo que alguém pode pagar a um empregado para que ele se sustente mensalmente. Um festival de bandas tem esse valor? Qual seria o valor ideal? 900 reais não compromete a divulgação mais ampla do evento?

O que você pensa sobre isso? Este post é uma reflexão sobre esse problema.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

E se a Cauda Longa, popularizada por Chris Anderson, estiver (parcialmente) errada?


Imagine uma situação simples: Você criou uma banda e colocou as músicas dela na rede online MySpace. Possibilidades sucesso ocorrem se ela estiver bem colocada no buscador Google, uma vez que tem várias com som parecido. A outra possibilidade é você conseguir um link entre seu pequeno projeto e algum maior na internet, que favorecem sua popularidade na rede e, ao mesmo tempo, dão ao visitante outra forma de entrar em sua página.

Considerando esse problema, veja a teoria e uma crítica, logo abaixo.

O escritor, jornalista e editor da revista WIRED, Chris Anderson divulgou o conceito de Long Tail, Cauda Longa, em 2004, num livro de mesmo nome. O conceito é a tendência de mercado da internet atual: Quanto mais popular um produto, mais caro ele será para ser distribuído, ao mesmo tempo que os exemplares de nicho se aproximam de um custo zero de distribuição. Isso ocorre na internet, com a livre circulação de conhecimento, em que apenas determinados conteúdos apresentam preços variados.

Até hoje, essa premissa de Anderson determinou como funciona boa parte da chamada "nova economia" com recursos eletrônicos e digitais que aceleram sua difusão. No entanto, ao mesmo tempo em que o Google popularizou blogs e produtos que jamais teríamos acesso andando em um shopping, criou um cenário de disputa por audiência e por boas colocações no buscador mais acessado do mundo.

Dessa forma, sites de determinados assuntos estão mudando seus próprios padrões de publicação. As pessoas perceberam que conteúdos mais buscados no Google rendem acessos que não se espera. Então, os "Trending Topics" do Twitter e os assuntos recomendados na rede social Facebook tornam-se fontes para que sites de nicho atinjam outros públicos. Não basta fazer conteúdo de nicho bom, mas sim de conseguir links para ser acessado, diversificando um pouco sua própria pauta.

É o tal do SEO, a otimização de buscas. Ela custa - diferente do que Anderson alega - tempo, notoriedade e, em alguns casos, dinheiro (para melhorar o servidor do site, por exemplo). O custo para investir num site de nicho faz a teoria da distribuição ir para baixo, em partes. Ele teoricamente é fácil de ser acessado, mas luta para sair do nicho e estar em posição de destaque em outro site - o Google.

O buscador não integra tudo de maneira igual, embora o custo de entrar no fim da fila seja zero. No entanto, ainda somos lineares, por mais que exista a internet que integra todos os websites.

Esses meus argumentos, essas hipóteses, de maneira nenhuma, estão baseados em estatísticas consolidadas da economia ou do tráfego digitais. O que tenho em mente é o ranking Alexa de melhores sites e a observação do conteúdo dos portais e grandes sites da internet, incluindo os de vendas de produtos. Vê-se, constantemente, manobras de marketing disseminadas em redes sociais de pequenos perfis, quebrando a ideia que o site pequeno se sustenta sozinho. Ou que o grande website não dá a mínima pras páginas com poucos acessos.

O site pequeno pode até ter custo zero, mas em determinado momento ele vai querer se popularizar. E vai usar o mainstream para crescer, se for preciso.

Um artista pode até começar no MySpace, mas, provavelmente, ele vai querer um contrato com uma gravadora reconhecida se tiver algum sucesso em sua carreira.

PS: Que fique claro nesse texto opinativo e empírico: Admiro profundamente Chris Anderson e seu trabalho na WIRED, que inclusive gerou seus livros. Mas me dei no direito de fazer uma análise sobre esse princípio de economia digital.

PS²: Este é o post de número 1000 do blog Bola da Foca, entre textos publicados e rascunhos. Parabéns para todos nós.

sábado, 19 de novembro de 2011

Standard & Poors eleva dívida soberana do Brasil. Somos economicamente confiáveis?


Nesta semana, a agência de classificação de risco Standard & Poors elevou a nota de dívida soberana de longo prazo do Brasil de BBB- para BBB. Para a agência, um dos argumentos para subir a nota em um nível no grau de investimento é o fato de o país ter mostrado capacidade para lidar com a deterioração da economia internacional.

“O governo de Dilma Rousseff vem demonstrando seu comprometimento em atingir as metas fiscais”, informou o comunicado da instituição acrescentando que a perspectiva do Brasil é “estável”. No entanto, a previsão da inflação do país neste ano é superior à meta do Banco Central, de 4,5%.

E ai, estamos realmente com toda essa "bola" na economia?

Via Agência Brasil e BBC.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Bizarrices da oferta de crédito no Brasil: Ovo de Páscoa pago em 10 vezes sem juros!

A classe C ascendeu economicamente e o governo Lula viveu as maravilhas de uma sociedade brasileira mais igualitaria, oferecendo um acesso maior aos serviços de crédito. Veio o governo Dilma e a economia não estava a "beleza" que era divulgada. No entanto, ainda vemos coisas bizarras assim:


Vi a foto em uma reportagem da The Economist que mostrava um ponto interessante sobre o consumo no Brasil. Infelizmente, a gente tem mania de parcelar tudo, inclusive objetos de pouco valor: leia-se bens com preço inferior a 50 reais. Isso pode ser bom na aparência, mas torna, cada vez mais, o endividamento interno uma realidade mais nítida e cruel. Reflete em um custo de vida mais caro.

Até quando vamos manter essa prática que, bem ou mal, reflete na macroeconomia do país?

sábado, 16 de abril de 2011

Governo Dilma prevê salário mínimo de R$ 616 para próximo ano



O novo governo já prevê salário mínimo de 616,34 reais no próximo ano, mesmo com os cortes no orçamento neste ano. Reajuste obedece a fórmula aprovada pelo Congresso no início do ano, que estabelece correção pela inflação oficial pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás, que foi 7,5% em 2010.

Ou seja, o aumento do rendimento do brasileiro vai acompanhar a inflação, que não se sabe se será maior do que no governo Lula. A estimativa, no entanto, leva em conta a inflação mais baixa que a apontada pelo mercado. Segundo o Planejamento, o IPCA acumulado neste ano será de 5%.

O relatório Focus, outra pesquisa divulgada toda semana pelo Banco Central, aponta que a inflação oficial fechará 2011 em 6,26%, apostando em um dado maior. Os dois percentuais, ainda assim, mostram um controle efetivo do governo sobre a economia.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 9 de março de 2011

Gaddafi tem investimentos no Brasil, segundo Fernando Gabeira

Em coluna no Estadão, o político Fernando Gabeira que o líder da Líbia Muammar Gaddafi possui 1,2 bilhão de reais investidos no Brasil. A verba está na Odebrecht no Codeverde.

O colunista indaga o que acontecerá com os investimentos com o bloqueio das contas de Gaddafi e a crise líbia, que está se desdobrando para uma Guerra Civil. O ditador também investiu na Venezuela. Gaddafi possui contas na França e nos Estados Unidos. Ele é um dos pilares do subdesenvolvimento, que mantém financeiramente os países onde estão?

A família Gaddafi também investiu no jornal britânico Financial Times e no time Juventus, que não sabe o que fazer com o dinheiro. A sujeira da situação na Líbia vai se alastrar em diversos âmbitos econômicos?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Trabalho Interno: Sobre a crise de subprime norte-americana


Documentário conta como tudo foi dar errado na crise econômica de 2008

No dia 15 de setembro de 2008 o mundo parou. O banco norte-americano Lehman Brothers, um dos maiores do país, declarou a falência como o fim de um rápido e espiral processo de declínio iniciado em março do mesmo ano. Contudo o Lehman Brothers não afundou sozinho. Com ele caíram mais dois grandes bancos (Merryl Lynch e Goldman Sachs) e a maior seguradora do mundo, a AIG. O que eles arrastaram neste processo? Praticamente toda a economia global. Menos de 3 anos após sua explosão, a crise econômica de 2008 já ganhou ares lendários e conspiratórios, com muitas passagens mal explicadas. E é justamente esta a função de “Trabalho Interno”, documentário dirigido por Charles Ferguson.

Tentar explicar as causas da maior recessão americana desde a Grande Depressão de 1929 não é fácil e Ferguson sabe disso. Boa parte dos 110 minutos do documentário são extremamente didáticos, explicando termos e processos dentro do sistema financeiro que um espectador médio não teria motivo algum para entender. O filme é divido em 5 parte: Como chegamos até aqui; A Bolha; A crise; Prestação de contas e Como estamos hoje. A primeira, obviamente, é fundamental para entender a crise de uma forma mais profunda que você dificilmente encontrará em páginas de jornais, mas também serve como uma poderosa ferramenta jornalística: através dela, Ferguson quebra qualquer argumento de que sua obra é panfletária, apresentando fatos concretos ao longo das últimas duas décadas.

Para Ferguson a grande causa de toda crise é a constante política anti-regulatória adotada pelo governo americano ainda nos anos Reagan. Ela permitiu que os bancos crescessem de forma absurda, aumentando exponencialmente seu tamanho, números de funcionários e lucros. Na visão de Ferguson, a falta de regulamentação no sistema financeiro cria invariavelmente uma bolha que um dia estoura, e quando estoura, leva consigo tudo ao seu redor. Isto é exemplificado logo nos primeiros instantes do filme, quando ele conta como a Islândia passou de uma das nações mais desenvolvidas do mundo para o primeiro país a quebrar completamente devido à crise.

Narrado por Matt Damon, “Trabalho Interno” se sai muito bem na mais difícil de suas missões: não ser chato. Ferguson se mostra um fantástico roteirista ao intercalar verdadeiras aulas de economia, até mesmo usando infográficos, com momento ques até trazem uma boa dose de humor, graças as respostas evasivas de banqueiros e assessores encurralados durante depoimentos. Fica clara a postura “rir para não chorar” em muitos momentos. Para nós, brasileiros que fomos pouco afetados pela crise, estes momentos e a conclusão do documentário ao sabermos que muitos dos culpados ainda estão bilionários e no poder ganham um ar tragicômico. No entanto, para as pessoas que foram severamente afetas pela crise o documentário é uma espiral sombria que termina de forma trágica.

Durante toda a crise a pergunta que mais se ouvia, seja nos EUA ou por aqui era “Como eles não perceberam que isto estava errado?”. “Trabalho Interno” mostra que muitos não só sabiam que tudo aquilo estava errado, como trabalharam muito para que nada fosse feito para prevenir. A crise econômica de 2008 não foi um acidente ou um erro de cálculo como muito se comenta hoje em dia. Foi em grande parte um crime cometido por especuladores, banqueiros e lobistas ajudados pela falta de regulamentação proposta pelo governo. O mais assustador contudo é saber que muitos destes homens lecionam nas principais universidades americanas, moldando os futuros economistas e CEOs das grandes empresas no mundo.

domingo, 14 de novembro de 2010

As forças da boataria e da informação privilegiada


Autor: Thiago Dias
Revisão: Lívia Hayama e Pedro Zambarda

É difícil prever a força que um rumor pode ter, e não apenas nos dias de hoje, com a comunicação que alcançou as massas, basicamente, gerando e formando opinião. O que se sabe é que o potencial destrutivo, ou até mesmo construtivo, de um rumor ou de uma informação privilegiada, chamada de Insider Trading, aumentam consideravelmente quando parte de uma fonte confiável. Essa ação é repassada por um meio de comunicação e chega ao público com uma extensão maior do que a original.

O que se vê a partir daí é um perfeito cenário para uma profecia autorrealizável na economia, no mercado de ações em empresas privadas, quando um simples rumor passa a ter conseqüências reais em seu objeto.

De certa forma, uma profecia autorrealizável pode ocorrer em qualquer meio, mas em raros momentos ela tem um impacto tão significativo na economia. O termo inclusive foi cunhado em razão da corrida de clientes a bancos para retirar seu dinheiro, após rumores que falência ou quebra da instituição. Ou seja, mesmo que o banco esteja em ótimas condições financeiras, a retirada maciça de dinheiro o colocará em apuros, além dos danos consideráveis, e por vezes irremediáveis à sua reputação. Afinal de contas, ninguém se lembrará de que o rumor inicial foi falso, mas sim que o resultado final foi aquele predito.

Essa é a teoria. Na prática, especialmente nos últimos tempos, é extremamente difícil imaginar um cenário onde um rumor ou um boato surja absolutamente do nada e cause sérios danos a instituições financeiras. Embora freqüentemente apareçam boatos exagerados, eles apenas refletem uma situação que já vinha longe da perfeição, causando insegurança tanto em investidores quanto em clientes de forma geral.

Um exemplo que pode ser interpretado como um caso de profecia autorrealizável aconteceu no Brasil, no fim de 2002. O presidente Lula acabara de ser eleito e investidores, tanto internos quanto de fora, sentiam-se inseguros em relação aos rumos da economia. Digamos que, apesar de ter declarado em carta aberta que prosseguiria com a política econômica do governo FHC, o passado sindicalista de Lula não passava confiança. O que houve então foi uma crescente desconfiança em relação ao futuro econômico do Brasil, que estava apenas se recuperando dos difíceis anos de 1999 e 2000.

Um dos grandes medos que Lula inspirava, entre muitos, era sua política cambial. Investidores desconfiavam que o presidente pudesse alterar significativamente a política imposta por FHC, ou até mesmo abandonar o câmbio flutuante. Resultado disso? O câmbio se desequilibrou completamente.

A desvalorização do Real, que durante todo o ano variou entre R$2,80 e R$3,00 para cada dólar, subiu absurdamente, atingindo os R$4,00 reais no fim do ano. Obviamente, para a maior parte dos analistas, essa desvalorização se provou irreal, tendo sido motivada muito mais pelo medo de que algo pudesse acontecer do que por previsões factíveis e análises sérias.

Após Lula assumir a presidência, no início de 2003, ele pôs em prática tudo àquilo que havia deixado claro na Carta aberta ao povo brasileiro. Ou seja, com uma equipe econômica liderada por Antônio Palloci no Ministério da Fazenda e Henrique Meirelles no Banco Central, o governo brasileiro aos poucos controlou o câmbio e em relativamente pouco tempo ele estava de volta a patamares considerados bons para o país na época, em torno de R$2,30.

Portanto, em suma, todo o medo maior dos investidores foi uma conseqüência de suas próprias ações.

Existe, porém o outro lado da moeda. Quando pensamos estar diante de uma profecia autorrealizável, na verdade o que temos é uma tendência capitaneada por uma pessoa ou grupo especifico que possuía uma informação privilegiada. Isso é um caso de Insider trading que, por conta de boa colocação no mercado ou na empresa, consegue lucrar mais ou, em alguns casos, evitar um grande prejuízo. Esse movimento econômico, naquele momento, pode até ser visto como um palpite ou um rumor, mas só depois que percebemos que existe algo além.

Um caso no mínimo curioso aconteceu no Brasil no ano passado, durante a fusão das Casas Bahia com o Grupo Pão de Açucar. “Lembro de um caso recente, porém, não quer dizer que trata-se especificamente de um caso de Insider trading. No dia que antecedeu o anúncio da fusão entre Pão de Açúcar e Casas Bahia houve um movimento busco de alta nas ações do Pão de Açúcar, o que chamou bastante a atenção do mercado. Obviamente, a maioria esmagadora do mercado não sabia que este acordo esta à luz de acontecer” conta Marcelo Rossi Poli, jornalista do site EXAME.com, ligado à revista Exame da editora Abril.

O acordo entre as Casas Bahia e o Pão de Açucar foi anunciado em abril de 2009, mas só finalmente fechado em julho deste ano. Não foram poucos os desafios que a fusão enfrentou, a começar pela data do anúncio, que foi adiantada pela justiça justamente para evitar um caso de informação privilegiada, como se já não fosse tarde demais. “A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se manifestou e entrou em contato com a alta cúpula do Pão de Açúcar. Ao confirmar que seria anunciada a fusão entre as companhias, a CVM interveio na data do anúncio, fazendo com que o mesmo fosse antecipado para a data mais breve possível” completa Marcelo.

As questões legais em torno do Insider trading são claras. Informações privilegiadas desequilibram as forças do mercado financeiro. Nesse ponto, a legislação brasileira se destaca, segundo Marcelo. “A regulação do mercado de capitais brasileiro é bastante rígida e cerca muito bem esse tipo de especulação. Porém, informação privilegiada sempre existirá, principalmente num ambiente onde se movimenta bilhões de reais.”

Contudo, se houve um evento que poucos, ou mesmo nenhum, Insider trading conseguiu prever e passou longe de ser uma profecia autorrealizável, levando-se em conta suas conseqüências, foi a crise econômica de 2008. Como a crise estourou com um fato que poucos acreditavam possível - o pedido de falência do Lehman Brothers - poucos conseguiram prever o que vinha acontecendo. O mais famoso destes “profetas do apocalipse”, como foram chamados, foi o economista Nouriel Roubini, que de fato ganhou dinheiro com a crise. “Tanto o Roubini quanto o Marcio Noronha, um analista técnico brasileiro que previu a queda da Bovespa para 30 mil pontos, não tinham informações privilegiadas. Tinham apenas um alto nível de conhecimento e a capacidade de enxergar além da manada” finaliza Marcelo Poli.

No dia 9 de novembro de 2010, foi detectado um rombo no Banco PanAmericano na casa dos 900 milhões de reais. Sustentado pela Caixa Econômica Federal e pelo Grupo Silvio Santos, o desequilíbrio nas contas da instituição bancária gerou um aporte de 2,5 bilhões de reais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) feito pelo próprio Silvio Santos.

Ele, dono da emissora SBT, entregará seus 44 empreendimentos como garantia de pagamento caso não ocorra a quitação. O empresário fará o pagamento dessa dívida em 10 anos, para equilibrar novamente as finanças. As ações do PanAmericano tiveram reduções de 28%.

Caso a informação vazasse antes, em um caso típico de Insider trading, investidores derrubariam o valor de mercado do banco antes mesmo de tornar a informação pública.

Como não houve informação privilegiada, Silvio Santos garantiu a sobrevivência da instituição bancária, que sustenta seus múltiplos empreendimentos. Um vazamento e uma ação precipitada de investidores poderia gerar um efeito de manada, que poderia, injustamente, sepultar a recuperação da empresa. Por esse, e por inúmeros motivos, o tráfego de informações fechadas ao público constitui um crime para a CVM no mercado de ações.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Um argentino desabafando no MSN

Lean Gaston diz:
Loi, estou profundamente triste e indignado.
Fernanda (Loi) diz:
o que aconteceu?
Lean Gaston diz:
Bill Gates é agora dono de um reservatório de ouro e prata em uma província de nosso país e, provavelmente, essa empresa de minério vai se apropriar das geleiras para extrair ouro dali e levar para os EUA... e o Chile e a Inglaterra vão começar a tirar petróleo de nossos mares e de nosso território na Antártida
Fernanda (Loi) diz:
sério? que ruim! ontem passou uma reportagem na televisão... se tratava da cidade Carmen de Patagones
Fernanda (Loi) diz:
antes era uma área de pasto e hoje é um deserto, né?
Lean Gaston diz:
sim. uma grande parte de nosso país se desertificou... estamos realmente mal
Lean Gaston diz:
com o petróleo de nossa plataforma marítima e o ouro das minas da cordilheira, teríamos suficiente sustento econômico para ser um pais desenvolvido como o Brasil e, agora, o único que nos resta é o campo, mas a natureza também não nos acompanha.
que tristeza profunda vive o meu país... os governos corruptos estão nos destruindo
Fernanda (Loi) diz:
isso é realmente mal
o Brasil já passou por más situações antes do governo do Lula... mas eram problemas econômicos, desigualdade social... todos os países passam por isso, ainda que estava bastante feia a situação - e, claro, ainda sofremos muitos problemas.
mas, como somos um pais enorme, temos uma diversidade muito grande de natureza. Desde as árvores da Amazônia e os rios, até o Pantanal... as plataformas de petróleo... assim que mesmo que haja problemas em alguns desses setores, ainda haverá outros para sustentar a ausência...
e a Argentina não tem essa riqueza
Lean Gaston diz:
não, claro que não... mas desde que terminou a ditadura e "começou" a democracia, os governos continuam nos roubando
a questão é: o pouco que a gente tem, eles destroem
temos petróleo e outro na cordilheira e no mar, mas levam tudo para fora
o nosso câncer é que todos os "democratas" eram amigos dos ditadores
ou seja... seguimos na mesma... só que no lugar de nos afogarem com a violência, nos afogam com a economia
Fernanda (Loi) diz:
o que eu não entendo é que a Cristina, às vezes, toma atitudes chavistas... e no entanto, se alia a países capitalistas, como agora com a Inglaterra na questão do petróleo
e com os EUA, é claro
Lean Gaston diz:
a verdade é que eu não entendo nada do que faz a Cristina
a única coisa que sei é que é dirigida pelo marido e esse só nos rouba e vende o que é nosso
a Patagônia já quase não é nossa
as Malvinas não são nossas
o pedaço da Antártida tampouco é nosso
para piorar a situação, a presença americana na América do Sul se faz cada vez mas forte e em qualquer momento nós vamos nos converter no novo Vietnã, no novo Oriente Médio
mas claaaro... Argentina é o único país da região que não destina nenhum orçamento ao exército... temos o que é da época das Malvinas
e os superiores militares são todos gordos vagos que não fazem nada de nada
se os americanos começam uma guerra, têm a Colômbia e o Chile como aliados.. nos invadem e tomam nosso território
Fernanda (Loi) diz:
o Chile também?
Lean Gaston diz:
sim, sim... o Chile é muito próximo dos EUA e da Inglaterra
Fernanda (Loi) diz:
nesse ponto vocês têm um grande aliado, que é a Venezuela
Lean Gaston diz:
uma merda!
Fernanda (Loi) diz:
(concordo... mas é isso...)
Lean Gaston diz:
claro... a questão é que nós estamos ferrados
ou seja: se querem guerrear contra a Venezuela, têm a Colômbia bem ao lado e, abaixo, Chile e Argentina - ocupada pelos americanos... Venezuela só teria Cuba de aliada.... e não sei se a Rússia e a China se manifestariam
Mas isso seria nossa única "salvação".
Fernanda (Loi) diz:
não, claro que não.. a China e a Rússia não ajudariam a Venezuela!!
Lean Gaston diz:
que linda "salvação", hein?!
um lixo dos lixos
também li uma vez que querem internacionalizar a Amazônia... já estão todos mentalizados que terão que discutir sobre quem é o dono da Amazônia e os afluentes de água doce da fronteira tripla (que diga-se de passagem, há uma ocupação militar americana ali)
Fernanda (Loi) diz:
o Brasil é um país que tem uma posição, sabe?... agora está bem, é o "rei" da América Latina... ainda mais com a questão das Olimpíadas e da Copa... mas eu acredito que não seria uma ajuda para vocês... não seria meeeesmo.
Lean Gaston diz:
eles tomaram de vocês o que é lindo
Fernanda (Loi) diz:
sim, sim... nos estados unidos, faz um tempo, ensinavam as crianças que a Amazônia era uma propriedade internacional... dessa forma, quando crescessem, lutariam por esse "pedaço de terra que não é do Brasil"
Lean Gaston diz:
claro.. você tinha me dito isso... que grande merda!
o mesmo em relação às reservas de água doce da nossa Patagônia... y o Rio de la Plata... tudo é "patrimônio da humanidade" ¬¬
Fernanda (Loi) diz:
e olha, vou te falar uma coisa... com certeza vocês estariam sozinhos nessa... porque essa luta pelo território argentino viria muito antes da luta oficial pela Amazônia... assim que não haveria nenhuma aliança entre os países afetados, já que um problema seria alheio ao outro... "o problema é da Argentina, não é nosso".
Lean Gaston diz:
isso é certeza! com certeza absoluta seria assim.
acontece que estrategicamente falando, convêm aos americanos... assim rodeiam o resto da América Latina
Fernanda (Loi) diz:
e é isso que eu estou te dizendo
Fernanda (Loi) diz:
alguns dizem que estamos nos desenvolvendo e ganhando autonomia... e não é assim, viu, Lean..
e quando eu digo "nós", me refiro a todos... Brasil, México, Argentina, Chile...
Lean Gaston diz:
Argentina nunca esteve em desenvolvimento
é que somos o quintal traseiro dos EUA
é assim... LAMENTAVELMENTE.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

HSM Expo Management 2009

Ou “como jogar um balde de água fria no Brasil”

Ocorreu em São Paulo, entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro, o HSM ExpoManagement 2009. O evento é o maior na área de gestão e administração no Brasil, organizado pela HSM, líder mundial em consultoria no setor. Foram três dias de palestras de alguns dos mais renomados nomes do meio, como o estrategista Michael Porter, considerado o fundador da estratégia de management moderna, Jack Welch – um dos maiores CEOs da história segundo a Forbes – e Paul Krugman, Prêmio Nobel de economia em 2008.

Pois bem, o que pode-se dizer de um evento como este? Foram ao total 8 palestras nos 3 dias, cada uma com 90 minutos – exceto a de Michael Porter, com 3hrs de duração – e a grande maioria de seu conteúdo foi uma grande auto-ajuda para empresários brasileiros. O que se pôde notar logo no início, após alguns minutos andando pelo evento, é que boa parte dos administradores brasileiros estão completamente perdidos no cenário que se vê no fim desta década. E não é pra menos. Um consenso geral na Expo 2009 foi que, basicamente, tudo em relação a tudo mudou.


Inovação digital, novas mídias, novos tipos de empresas e diferentes forças de tratar com pessoas. Isto tudo foi alterado profundamente nos últimos 5 anos, e não é difícil perceber que boa parte dos executivos não têm a menor noção de como controlar uma ferramenta como o Twitter por exemplo. “O que podemos fazer, e fizemos, foi expandir nossa marca, nos tornarmos praticamente onipresentes. Temos que saber que não podemos controlar as novas mídias, mas podemos influenciá-las, inspirar as pessoas a falar bem da nossa marca” disse Christie Hefner, presidente da Playboy Enterprises e filha de Hugh Hefner, em sua palestra sobre expansão de marcas. A impressão geral no auditório, mais de 5 mil pessoas, é que Christie estava falando grego. Contudo, não foi este assunto que dominou a Expo, e sim o passatempo nacional: a pujança econômica do Brasil diante da crise.

A expectativa na Expo é que nomes de efeito como Kenichi Ohmae, o maior consultor de empresas do Japão, Jack Welch e Paul Krugman ressaltassem o bom momento vivido pelo país, mas não foi exatamente isso que aconteceu. Pelo contrário: o que houve foi uma forte tendência em esfriar um pouco o furor brasileiro, assim como atacar a política econômica de Barack Obama, o outro assunto favorito do empresariado. Já repercutiu a afirmação da Krugman em sua entrevista coletiva de que “o Brasil mostra claros sinais de que pode se tornar uma bolha. Vocês podem gostar do dinheiro estrangeiro que está entrando, mas tenham cuidado. O país não vai se tornar uma superpotência econômica de um ano para o outro”. Oras, se o Prêmio Nobel de economia, reconhecidamente de linha mais liberal, afirmou isto, merece ser levado em consideração.

Dois dias antes, Jack Welch, ex-CEO da GE, e membro do Partido Republicano, não falou coisas muito diferentes de Krugman. “As pessoas no Brasil deveriam pensar no que pode fazer o trem descarrilar, e não vejo ninguém pensando nisso no momento. Só se vê essa Brasilmania descontrolada, sem ninguém pensar que algo pode dar errado a qualquer momento. E quando ocorrer, vocês deverão estar preparados. Como de fato estiveram para a atual crise”. Pode-se falar qualquer coisa de Jack Welch, que é conservador ao extremo e não entende nada de meio-ambiente (já disse várias vezes que o aquecimento global é uma farsa), mas não se pode negar sua competência em gestão. Welch também bateu duro em Barack Obama: “Os EUA estão devendo uma fortuna como nunca deveu. Promover uma reforma na saúde que vai custar bilhões num momento como este, onde mais de 80% dos americanos gostam de como as coisas estão é loucura”.

Kenichi Ohmae não foi mais macio em relação aos dois assuntos. Para o consultor japonês o que se vê no Brasil é um bom momento, uma grande chance de se colocar entre os grandes players do mercado. Porém, ainda não se vê nada de sustentável sendo feito. “Infraestrutura... não se vê investimento em infraestrutura” afirmou em dado momento. “O Brasil é um grande lugar para se investir no momento, mas não é o melhor” concluiu Kenichi. Novamente, se a expectativa dos milhares de executivos que compareceram ao evento era ter seu saco puxado e valorizado pelo momento atual, saíram decepcionados.

O resumo desse Woodstock financeiro é que as impressões que temos aqui no Brasil estão, no mínimo, exageradas. O momento é bom sim, mas boa parte do empresariado aqui se mostra meio perdido. A crise não acabou, como Lula gosta de dizer. Ela está presente, e pode aparecer novamente, segundo Krugman. Uma bolha econômica pode estourar por aqui a qualquer momento e ninguém vai saber o que fazer. Tudo isto englobado a estratégias que parecem totalmente novas e que de fato não são fizeram muita gente sair de lá sem um norte. Em um segundo semestre de otimismo exagerado, a ExpoManagement 2009 trouxe um pouco de realismo ao cenário.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Lula em alta, Cristina nem tanto

Não é novidade nenhuma, mas é sempre bom ler certas coisas com embasamento de gente que entente. Dessa vez foi o The Wall Street Journal que comparou as situações políticas e econômicas de Brasil e Argentina.

O título da matéria é "Argentina cai enquanto velho rival se levanta".

No fim, apresentam uma declaração de Javier González Fraga, ex-presidente do Banco Central da República Argentina e colunista do jornal La Nación: "Se o Brasil é destinado a ser os Estados Unidos da América do Sul, então a Argentina deve se tornar mais o Canadá que o México".

Para ler a matéria completa clique aqui.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Grandes coincidências

O Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, disse, em defesa da ameaça presidencial de veto ao projeto que regulamenta a Emenda Constitucional 29 (que amplia as verbas destinadas à saúde): "[o projeto] cria uma despesa da ordem de R$ 10 bilhões por ano".
Interessante. É exatamente o mesmo valor que, segundo estimativas do líder do governo na Câmara, Henrique Fontana, seria arrecadado com o 0,1% da Cide.
Interessantes também as declarações do ministro, mesmo depois da divulgação das projeções de receita pelo Ministério do Planejamento - projeções essas que indicam uma arrecadação R$ 11,8 bilhões acima do previsto: "Não há sobra de caixa no governo" e "Tem um projeto que foi aprovado no Senado que cria uma despesa que, aparentemente, é de R$ 10 bilhões a mais no ano."
É esse "aparentemente" colocado com tanta discrição no meio da fala do ministro que faz com que isso seja tão genial.

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