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sábado, 5 de julho de 2014

R$ 2800 por ingressos falsificados: A saga Argentina para ver a Copa

Por Federico Bianchini, Revista Anfibia traduzido por Mídia NINJA
Creative Commons

Andrés e seus dois amigos chegaram cedo ao estádio Mineirão. Estavam em Belo Horizonte havia dois dias, vinham das praias do Rio, de cerveja e paisagens intensas, adrenalina pela vitória agonizante sobre a Bósnia, euforia e álcool dos festejos, suores agitados.


No sábado, 21, a seleção jogava com Irã e os três, de Federación, Entre Rios, estariam ali, torcendo até perder a voz. Argentina tinha que jogar de outro modo, não tão atrás, Messi teria que aparecer, dar-se conta de quem é e onde está, romper; segurar a onda: fariam valer os mil e oitocentos dólares que pagaram pelos ingressos.

"Brasileiroooooo, diga-me o que se senteeee, terrrr em casa seu papaaaai", cantava Andrés, com a bandeira da Argentina no pescoço, o sol nas costas, a pele emocionada e a convicção de que poderia contar a seu filho, talvez seus netos, o que é viver um mundial. Por que não há forma de explicar o que é sentir-se argentino, não importa o que paguem para poder estar ali. Faltava pouco para o meio-dia, para o poço de nervos, o golaço do Messi. Seus amigos cantavam e aplaudiam.

O sol bem forte sobre a calçada que rodeava o estádio, a revista, a entrada. Quando o homem o olhou nos olhos, Andrés supôs que algo ia mal. Seus amigos tampouco puderam passar. Alguns policiais os disseram que os acompanhassem. Checaram se tinham antecedentes e os convidaram a ir com eles a Fan Fest, onde poderiam ver a partida de uma forma mais legal do que com ingressos roubados.

- Até o outro dia, em nenhum momento pensamos que havíamos sido roubados.

***

O centro de vendas oficial da FIFA em São Paulo está montado nas imediações do ginásio "Geraldo José de Almeida", conhecido também como Do Ibirapuera, o centro desportivo municipal mais importante da cidade. Perto do mini estádio projetado para 15 mil pessoas e da quadra de futebol, a pista de atletismo tem uma espécie de caixa pré-fabricada com ares de aeroporto onde os voluntários da FIFA, de impecáveis uniformes esportivos e enormes credenciais turquesa, sorriem e orientam os turistas. Na sala de vendas, atrás de um vidro, um homem se entedia sozinho. Explica que tem mas não tem mais entradas, que talvez o que se pode fazer é checar no site da organização e ver se alguém devolve um ingresso. Sugere: tem que ser rápido, há muita gente clicando. Na sala de retirada de ingressos, três moças atendem aos que vão buscar suas entradas. Mas pra frente, um Fuleco de pelúcia de dois metros sorri rígido: não deixa de olhar de onde se cobram os ingressos.

Faltam dois dias para o jogo e do lado de fora, vários argentinos tentam conseguir uma entrada. Dois brasileiros se aproximam e os perguntam se já têm, se os interessa, mas quando veem este cronista com seu caderno de notas, um bloco com espiral Dolphin Office de papel extra reforçado, se fazem de desentendidos, dizem que hoje já não tem mais entradas, que está muito complicado conseguir, aparentam azar.

Rodolfo, camisa polo rosa, óculos de aros vermelhos, jeans e tênis, os observa de longe

- Tem que ter cuidado - disse

É de Córdoba e se queixa do negócio que fez com seu primo: por 50 mil pesos conseguiu um pacote que incluía ingressos para os três primeiros jogos, alojamento, jantar, almoço e café da manhã. Ele, que veio com seu filho de 17 anos, independente das agências de viagem, pagou entre 800 e 1000 dólares por cada bilhete nos demais jogos.

- Não são confiáveis. Nas primeiras partidas, o que faziam era vender uma entrada e denunciá-la como roubada. A eles davam uma outra e anulavam a sua: na porta do estádio te diziam que já não poderia mais entrar. Depois, a FIFA se deu conta da trapaça. Agora, se denuncia o roubo, nada acontece.

Rodolfo não gosta de futebol. Tem 43 anos e trabalha em uma empresa importadora. Se emociona com os carros e as motos. Se está vendo a televisão, e encontra um jogo, tac tac, muda de canal.

- Uma amiga da minha mulher disse que sou o marido perfeito. Aos domingos não torço nem nada. Mas o meu guri sim, Tomás, gosta de futebol.

- Seu sobrenome, como é?

- Tenho uma confusão impositiva com a AFIP - Administração Federal de Ingressos Públicos - que nem te conto. Melhor, coloca Rodolfo.

Disse que na Argentina a coisa está parada. Que há oito meses as importações não se movem. Não sabe se poderá ir à Rússia em 2018, mas que o dinheiro que tem gasta agora. Para a partida contra Suíça, não conseguiu entradas: está disposto a pagar mil dólares por cada ingresso.

Marietta Piragine se envergonha de falar castelhano. Em meio a uma frase correta se contém e pergunta se está certo falar "hizo" ou se a palavra é outra, teme errar a conjugação e isso a atrapalha com a língua.

Paulista, cantora lírica, professora de ballet, não gosta de futebol, mesmo não estando na sala olhando a televisão escuta seu namorado gritar: "O azar dos pênaltis", normalmente caminha tranquila até a sala de estar. Olha o nervosismo dos jogadores, a cara de preocupação dos técnicos, escolhe uma das duas equipes e torce para essa.

Dias antes da festa de inauguração, recebi um e-mail onde comentavam que a organização do evento buscava bailarinos para participar do ato.

Ela respondeu curiosa. Pensou, poderia ser interessante. Quanto pagariam?

Não, responderam, não se pagava nada.

Uns dias depois, voltou a escrever. Talvez, se lhe dessem algum ingresso para convidar seu namorado para o jogo de abertura, poderia ficar e ver sua equipe enfrentando a Croácia.

Não, responderam, depois do ato deveria ir embora do estádio.

As mesmas perguntas: Quanto pagam?, Tem entradas?, fizeram os demais bailarinos contratados.

Queriam que eles trabalhassem de graça?

A resposta não variou. E as duas companhias mais importantes de São Paulo disseram então que nenhum dos seus bailarinos iria ao evento.

No ato, participaram alguns alunos, dançarinos amadores.

Aqui as entradas custam muito dinheiro.

***

Javier também não irá dizer seu sobrenome, melhor não.

De pé, junto a entrada deste pré-fabricado da FIFA no "Do Ibirapuera", nega com a cabeça. Tem a camiseta reserva de River Plate, um filho que mede um metro e noventa e uma esposa que diz que esse mundial está bastante desorganizado: eles já foram à Alemanha ("conseguimos os ingressos pela internet antes dos jogos"), e à Africa do Sul ("lá as pessoas têm menos dinheiro e negociar os preços de revenda era mais fácil").

Javier não olha no olho quando fala: está concentrado em outra coisa. Está concentrado na gente que sai com seus ingressos e, no meio de uma frase, da um passo de lado e diz:

- Você tem ingresso?

Durante o breve diálogo, saíram cinco pessoas. Todas lhe disseram que não: dois desviaram. Apesar de Javier ter um aspecto bonachão, de homem tranquilo, guardavam as entradas no bolso. Quem sabe, por via das dúvidas.

- Você tem ingresso?

Na quinta, 19, Javier passou seis horas no Boulevard Shopping de Belo Horizonte. Lá se retiravam as entradas para a segunda partida da Argentina.

- Você tem ingresso?

Cada um que saía ele perguntava a mesma coisa.

Na sexta, 20, outras cinco horas.

- Você tem ingresso?

Para o jogo entre Argentina e Irã, uma entrada categoria quatro, custava para os brasileiros 55 reais. Uma entrada categoria um, 220 dólares.

Depois dessas 11 horas, de vai saber quantos "Você tem ingresso", Javier conseguiu seis. O mais barato pagou 400 dólares, o mais caro: 700.

- O preço dependia da pessoa. A alguns colocava medo, assim que eu os dizia se queriam conversar fora do shopping. Somos um grupo de 10 argentinos. Agora só nos faltam entradas.

- Você tem ingresso?

Da varanda da casa de Miguel Ricci, na Vila Olímpia, se veem as sombras dos edifícios, as luzes das antenas, vermelhas brancas pontuais, que discordantes parecem seguir uma sequência complexa e incompreensível. A essas se somam outras, verdes, distantes e quietas.

Nascido em Paris, de mãe brasileira, argentino por escolha, Ricci viveu em Buenos Aires até um ano e meio atrás, quando se mudou para São Paulo. Trabalha como treinador de basquete e tradutor português-espanhol.

- Às vezes te angustia um pouco - disse na varanda. Olha para lá e vê cimento, olha para o outro lado e tem mais prédios. Parece que estivera preso.

Vila Olímpia é um dos bairros mais caros da cidade. Tem supermercados como o Saint Marché e o Empório, onde se vendem produtos importados, que não estão em outros lugares. Miguel vive com sua namorada, brasileira, em um apartamento dos pais dela. De despesas, pagam 600 reais (uns 200 dólares).

- Aqui tem de tudo. Restaurantes de comida japonesa, peruana, mexicana, tailandesa, o que quiser.

Os bares, os teatros, a oferta cultural. Mas o tamanho também joga contra. Se não tem carro, complica muito. O trânsito te deixa louco: de bicicleta não pode ir porque passam por cima. Tampouco é uma cidade para caminhar, como Buenos Aires. Aqui você vai por 30 quadras e não sabe onde termina: não tem quadras paralelas e tem bairros no alto e outros muito abaixo.

Fanático de Newell's Old Boys, viu todas as partidas do Mundial pela televisão. Acredita que a Argentina não pode depender tanto de Messi. Pensa que o time defende mais ou menos e retrocede, mas a esperança é a última que se perde (os corpos mortos normalmente não conservam a ilusão).

Há alguns dias, fui ao Ibirapuera para averiguar sobre a possibilidade de conseguir um ingresso. Me cobraram mais de 700 dólares, penso que estavam loucos.

- Para ver o Mundial aqui, tem quer ser rico ou Barrabrava (grupo de torcidas organizadas conhecido como os "Hooligans" argentinos)

***

Andrés, o de Entre Rios que ficou para fora da partida de Belo Horizonte, parece nervoso. Me conta que os policiais o trataram bem, mas se preocupa que tenham pegado seus dados. Não sabe se seu nome e sobrenome ficaram com algum registro na polícia brasileira. Usa uma camiseta surrada e o cabelo despenteado, como se tivesse acabado de acordar ou seus costumes não incluíam o uso de um pente.

Um de seus amigos, de camiseta do Arsenal, óculos pretos, na parte de fora do ginásio do Ibirapuera com a mão no bolso. Caminha rígido, como se tratasse de simular tranquilidade.

- Aqui os temos - diz e tira apenas a mão: mostra a pontinha de um ingresso

- E Walter? - pergunta Andrés.

- Fizeram ele de refém, os brasileiros que nos deram os ingressos - disse o outro rindo: não fica claro

se estava se divertindo ou nervoso -. Me disseram para entrar e checar com os da organização que

são boas.

- Quando pedem?

- 5600 reais pelos dois.

5600 reais são 2500 dólares.

- Que foi? Tá desconfiando? - pergunta o outro.

- Vamos lá.

Eles caminham até o pré-fabricado.

A alguns metros, o de Mar del Plata Sergio Ledesma, negocia com um boliviano de camiseta da Holanda, que acaba de comprar uma entrada mas não sabe se fica em São Paulo ou viaja ao Rio. De cabelos grisalhos, Ledesma tem um corpo que oscila entre o imponente e o obeso. Veio ao Brasil com sua mulher e neta. Antes de viajar comprou entradas para o jogo com Nigéria e outras para as quartas de final. Por cada uma pagou mil dólares. Para Brasília, viajará de avião. O boliviano disse que não sabe, mas deu seu número de telefone e assim poderia contatá-lo por whatsapp.

Andrés e o de camiseta vermelha e óculos pretos se aproximaram. Ledesma os perguntou como foi.

- Parece que são tranquilos - disse Andrés.

Disse como se isso significasse um problema.

- Mas não sei. Já nos ferraram uma vez.

- Tem que ter muito cuidado - disse Ledesma e conta de três de Córdoba que compraram entradas idênticas às reais, mas piratas -. É certo que as conseguiram a 400 reais quando todos pediam 1200.

- Vamos buscar Walter - disse o de óculos preto.

Já estão a caminho da saída quando Ledesma grita:

- Sorte com isso!

Como se algo estivesse por acontecer, os brasileiros que ofereciam entradas saíam pela porta.

A polícia estaciona sua moto no meio do espaço. Tira o capacete, e olha os que ficaram. São poucos. Vários vestem a camisa da seleção argentina.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Vai para Buenos Aires? "Plaza del Carmen" nem pensar!

As pessoas que moraram fora têm o costume de dar sugestões sobre lugares bons em seus blogs e colunas. Eu, que tive minha experiência em solo argentino, venho dessa vez dar uma dica não muito positiva. Meu texto de hoje é para aconselhar os leitores do Bola que têm intenção de viajar a Buenos Aires a não irem ao restaurante "Plaza del Carmen", que fica na frente do Congresso da Nação Argentina, na esquina das avenidas Rivadavia e Callao.

O local parece se destacar em meio aos outros restaurantes da praça do Congresso. Com janelas enormes e porta de vidro, os que passam pela calçada pensam que o lugar é aconchegante e elegante ao mesmo tempo. Os garçons, todos vestidos impecáveis, causam uma boa impressão.

Estive lá a última vez neste mês de janeiro. Fazia muito calor e eu e um grupo de estrangeiros que comigo estavam, resolvemos parar para almoçar no "Plaza del Carmen". Lá dentro, uma surpresa. Saimos do Saara e fomos para a Finlândia... a intensidade do ar condicionado estava forte demais! Enquanto escolhíamos o que iriamos comer, pedi, gentilmente, ao garçom para aumentar a temperatura do ar, já que estávamos todos com roupas muito frescas.

O garçom, no entanto, me disse: "Não é possível mudar a temperatura do ar". Estranho, não é? Eu e meus amigos ficamos intrigados, mas deixamos para lá. Chamamos o senhor de novo para que pudéssemos fazer os pedidos. Um de meus amigos havia escolhido comer arroz com salmão grelhado, mas no cardápio, o prato era composto, também, por alguns legumes - que este amigo não estava nem um pouco disposto a comer. O garçom nos disse que seria impossível tirar os legumes do prato e que na Argentina, não se mudava o que já estava pronto somente por "questão de gosto", afinal, "havia outras opções no cardápio" e meu amigo teria, portanto, que escolher uma que lhe agradasse 100%. Aquilo não me desceu nada bem, afinal, já conhecia bastante a terra hermana e posso assegurar que na Argentina as coisas não funcionam com essa arrogância enorme.

Relevamos o máximo que pudemos. E como relevamos! O estopim foi quando as meninas - todas de vestido - começaram a sentir tanto frio que ficaram com os pêlos de seus braços arrepiados. Chamei o garçom novamente e esse me disse - em alto e grosseiro tom de voz - que não iria aumentar a temperatura do ar, porque se não, eles - os garçons - iriam sentir calor. Não iriamos demorar mais do que 20 minutos até irmos embora. Seria o fim do mundo nos conceder este pedido? Afinal, os clientes éramos nós. É assim que se trata um cliente? (Em relação à grosseria, nem vale a pena entrar no mérito, já que depois, choveram grosserias contra nós).

Naquele momento, a única coisa que queríamos era pagar para pudéssemos ir embora daquele lugar. E não é que até nessa hora houve estresse? O dono do restaurante, que estava no caixa, queria que pagássemos tudo em um só cartão, ou em dinheiro vivo. Segundo ele, "na Argentina é assim". Aí fiquei realmente nervosa, e disse que não eram todos os argentinos que tratavam seus clientes com tamanha arrogância e falta de respeito. O cidadão me respondeu: "vocês, brasileiros, acham que sabem de tudo, não é? E fique na boa, aqui não se sobe o tom de voz". Aquilo foi o suficiente para eu sair andando sem nem me dar ao trabalho de responder.

Mal sabia ele que brasileiros naquele grupo eram minoria e que se há algum problema em relação a nós, do Brasil, ele esqueceu de avisar todo o resto da nação argentina, que sempre me tratou com muito respeito e carinho. O desinformado e prepotente dono do "Plaza del Carmen" não tem a mínima noção de que somos nós, os brasileiros, que alimentamos seu turismo e fazemos girar parte de sua economia gastando nossos reais em sua terra.

sábado, 24 de abril de 2010

Militantes de esquerda insultam Hilda Molina na Feira do Livro de Buenos Aires

A médica cubana Hilda Molina teve que interromper a apresentação de sua autobiografia Mi Verdad esta noite pela intervenção de militantes e estudantes de esquerda. Molina expôs durante meia hora detalhes de sua obra em um salão na Feira do Livro de Buenos Aires, até que ocorresse a interrupção de membros do Movimento Argentino de Solidariedade com Cuba e de estudantes da Universidade de Buenos Aires, que começaram a insultá-la.

"Assim são as atitudes de repúdio em relação aos que pensam diferente do governo em Cuba: gritam e insultam", disse a cubana - antes de sair por uma porta lateral, evitando maiores alardes. As manifestações de apoio a Fidel e ao governo de Havana foram respondidas por um pequeno grupo de cubanos que ali estavam. Entre eles, uma mulher que carregava a bandeira de seu país e fotos de prisioneiros políticos.

Hilda Molina relata em seu livro como chegou ao desencanto com a revolução comunista encabeçada por Fidel e conta, também, sua peculiar relação com o líder. Além disso, a médica dá a entender que Castro sentia por ela mais do que admiração profissional, "mas nunca me faltou com respeito", revela.

Molina, que em 2009 teve autorização para sair de Cuba, atualmente cuida de sua mãe de 90 anos em tempo integral na capital argentina. Mas afirma: "meu sonho é voltar para meu país e exercer minha profissão de novo".

sexta-feira, 5 de março de 2010

"El Secreto de Sus Ojos": orgulho da identidade argentina no cinema


O homem muda de casa, de família, de religião, de trabalho e de tantas outras coisas; mas há algo que nunca troca: sua paixão. É isso que El Secreto de Sus Ojos deixa claro. O filme produzido por Juan José Campanella é a promessa argentina para o Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano. Essa é a segunda chance do portenho levar a estatueta para casa. Em 2001, sua produção El Hijo de La Novia foi indicada ao prêmio da academia, mas perdeu para No Man's Land, de múltipla nacionalidade.

El Secreto de Sus Ojos narra a história de Benjamin Esposio (Ricardo Darín), um oficial recém-aposentado que, para ocupar seu tempo vago, resolve escrever um livro contando o caso que mais marcou sua carreira. Um assassinato cheio de mistérios que afetou intensamente sua vida. Um crime, poucas verdades e fortes amores.

O longa, que tem co-produção espanhola, traz uma essência absolutamente argentina. Além da história principal, que se passa em plena ditadura militar, o enredo apresenta pequenos detalhes que, uma vez bem analisados, podem servir de método de compreensão para muito do que aconteceu na Argentina dos anos 70, como a mal-vista imigração boliviana e a corrupção da justiça. É claro que isso tudo sem deixar de lado fatores do cotidiano, como o movimentado metrô portenho e a eterna paixão argentina pelo futebol - representado pelo Racing Club de Avellaneda.

Talvez seja esse o motivo da imensa identificação do povo com o filme. Recentemente, a obra voltou a ser reproduzida nos mais tradicionais cinemas de Buenos Aires e ao entrar em uma das várias lojas da imensa e cultural avenida Corrientes, nos deparamos com grandes e chamativos cartazes indicando em qual prateleira estão os muitos DVD's do mais recente sucesso.

Depois do revolucionário Nueve Reinas (2000) - que apresentou uma Argentina sem máscaras -, a população passou a valorizar mais seu próprio cinema. Afinal, por mais problemas que sofra nosso país vizinho, uma coisa ninguém pode contestar: a paixão de um argentino por sua pátria, ainda que cheia de problemas e corrupção. E como en El Secreto de Sus Ojos, um homem nunca abandona sua paixão.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Um argentino desabafando no MSN

Lean Gaston diz:
Loi, estou profundamente triste e indignado.
Fernanda (Loi) diz:
o que aconteceu?
Lean Gaston diz:
Bill Gates é agora dono de um reservatório de ouro e prata em uma província de nosso país e, provavelmente, essa empresa de minério vai se apropriar das geleiras para extrair ouro dali e levar para os EUA... e o Chile e a Inglaterra vão começar a tirar petróleo de nossos mares e de nosso território na Antártida
Fernanda (Loi) diz:
sério? que ruim! ontem passou uma reportagem na televisão... se tratava da cidade Carmen de Patagones
Fernanda (Loi) diz:
antes era uma área de pasto e hoje é um deserto, né?
Lean Gaston diz:
sim. uma grande parte de nosso país se desertificou... estamos realmente mal
Lean Gaston diz:
com o petróleo de nossa plataforma marítima e o ouro das minas da cordilheira, teríamos suficiente sustento econômico para ser um pais desenvolvido como o Brasil e, agora, o único que nos resta é o campo, mas a natureza também não nos acompanha.
que tristeza profunda vive o meu país... os governos corruptos estão nos destruindo
Fernanda (Loi) diz:
isso é realmente mal
o Brasil já passou por más situações antes do governo do Lula... mas eram problemas econômicos, desigualdade social... todos os países passam por isso, ainda que estava bastante feia a situação - e, claro, ainda sofremos muitos problemas.
mas, como somos um pais enorme, temos uma diversidade muito grande de natureza. Desde as árvores da Amazônia e os rios, até o Pantanal... as plataformas de petróleo... assim que mesmo que haja problemas em alguns desses setores, ainda haverá outros para sustentar a ausência...
e a Argentina não tem essa riqueza
Lean Gaston diz:
não, claro que não... mas desde que terminou a ditadura e "começou" a democracia, os governos continuam nos roubando
a questão é: o pouco que a gente tem, eles destroem
temos petróleo e outro na cordilheira e no mar, mas levam tudo para fora
o nosso câncer é que todos os "democratas" eram amigos dos ditadores
ou seja... seguimos na mesma... só que no lugar de nos afogarem com a violência, nos afogam com a economia
Fernanda (Loi) diz:
o que eu não entendo é que a Cristina, às vezes, toma atitudes chavistas... e no entanto, se alia a países capitalistas, como agora com a Inglaterra na questão do petróleo
e com os EUA, é claro
Lean Gaston diz:
a verdade é que eu não entendo nada do que faz a Cristina
a única coisa que sei é que é dirigida pelo marido e esse só nos rouba e vende o que é nosso
a Patagônia já quase não é nossa
as Malvinas não são nossas
o pedaço da Antártida tampouco é nosso
para piorar a situação, a presença americana na América do Sul se faz cada vez mas forte e em qualquer momento nós vamos nos converter no novo Vietnã, no novo Oriente Médio
mas claaaro... Argentina é o único país da região que não destina nenhum orçamento ao exército... temos o que é da época das Malvinas
e os superiores militares são todos gordos vagos que não fazem nada de nada
se os americanos começam uma guerra, têm a Colômbia e o Chile como aliados.. nos invadem e tomam nosso território
Fernanda (Loi) diz:
o Chile também?
Lean Gaston diz:
sim, sim... o Chile é muito próximo dos EUA e da Inglaterra
Fernanda (Loi) diz:
nesse ponto vocês têm um grande aliado, que é a Venezuela
Lean Gaston diz:
uma merda!
Fernanda (Loi) diz:
(concordo... mas é isso...)
Lean Gaston diz:
claro... a questão é que nós estamos ferrados
ou seja: se querem guerrear contra a Venezuela, têm a Colômbia bem ao lado e, abaixo, Chile e Argentina - ocupada pelos americanos... Venezuela só teria Cuba de aliada.... e não sei se a Rússia e a China se manifestariam
Mas isso seria nossa única "salvação".
Fernanda (Loi) diz:
não, claro que não.. a China e a Rússia não ajudariam a Venezuela!!
Lean Gaston diz:
que linda "salvação", hein?!
um lixo dos lixos
também li uma vez que querem internacionalizar a Amazônia... já estão todos mentalizados que terão que discutir sobre quem é o dono da Amazônia e os afluentes de água doce da fronteira tripla (que diga-se de passagem, há uma ocupação militar americana ali)
Fernanda (Loi) diz:
o Brasil é um país que tem uma posição, sabe?... agora está bem, é o "rei" da América Latina... ainda mais com a questão das Olimpíadas e da Copa... mas eu acredito que não seria uma ajuda para vocês... não seria meeeesmo.
Lean Gaston diz:
eles tomaram de vocês o que é lindo
Fernanda (Loi) diz:
sim, sim... nos estados unidos, faz um tempo, ensinavam as crianças que a Amazônia era uma propriedade internacional... dessa forma, quando crescessem, lutariam por esse "pedaço de terra que não é do Brasil"
Lean Gaston diz:
claro.. você tinha me dito isso... que grande merda!
o mesmo em relação às reservas de água doce da nossa Patagônia... y o Rio de la Plata... tudo é "patrimônio da humanidade" ¬¬
Fernanda (Loi) diz:
e olha, vou te falar uma coisa... com certeza vocês estariam sozinhos nessa... porque essa luta pelo território argentino viria muito antes da luta oficial pela Amazônia... assim que não haveria nenhuma aliança entre os países afetados, já que um problema seria alheio ao outro... "o problema é da Argentina, não é nosso".
Lean Gaston diz:
isso é certeza! com certeza absoluta seria assim.
acontece que estrategicamente falando, convêm aos americanos... assim rodeiam o resto da América Latina
Fernanda (Loi) diz:
e é isso que eu estou te dizendo
Fernanda (Loi) diz:
alguns dizem que estamos nos desenvolvendo e ganhando autonomia... e não é assim, viu, Lean..
e quando eu digo "nós", me refiro a todos... Brasil, México, Argentina, Chile...
Lean Gaston diz:
Argentina nunca esteve em desenvolvimento
é que somos o quintal traseiro dos EUA
é assim... LAMENTAVELMENTE.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

¡Yo también quiero nadar en cerveza!


A cada dia que passa vemos uma promoção mais louca que a outra. A publicidade, então, nem se fala! E não é que a Isenbeck conseguiu superar isso tudo?!

Não tão conhecida pelos brasileiros, a Isenbeck é uma cerveja argentina que, no quesito qualidade e sabor, perde - gritantemente - para a tradicional Quilmes.

Tentando mudar essa visão negativa, eles lançaram uma promoção genial: farão um sorteio, onde dez vencedores (que terão direito de levar cinco amigos cada um) poderão nadar em uma piscina de cerveja.

O evento ocorrerá em uma festa privada, no dia 9 de janeiro, em Mar del Plata - destino de muitos hermanos no verão.

Para saber mais sobre a promoção, aí vai o site.

No mínimo, curioso. Bem que a Brahma, a Skol, a Bohemia ou a Nova Schin poderiam lançar uma dessas!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

As cem semanas de Cristina

Nesta semana a presidente argentina Cristina Hernández Kirchner completa cem semanas no poder.

É para comemorar ou chorar?

O Diário Perfil conta essa trajetória em um interessantíssimo especial cheio de fotos.

Vale a pena conferir.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Lula em alta, Cristina nem tanto

Não é novidade nenhuma, mas é sempre bom ler certas coisas com embasamento de gente que entente. Dessa vez foi o The Wall Street Journal que comparou as situações políticas e econômicas de Brasil e Argentina.

O título da matéria é "Argentina cai enquanto velho rival se levanta".

No fim, apresentam uma declaração de Javier González Fraga, ex-presidente do Banco Central da República Argentina e colunista do jornal La Nación: "Se o Brasil é destinado a ser os Estados Unidos da América do Sul, então a Argentina deve se tornar mais o Canadá que o México".

Para ler a matéria completa clique aqui.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Muito bom e arge... não! Uruguaio!!

Simples. É essa a descrição da comédia Gigante. O filme uruguaio, estreado no Brasil em 21 de agosto, conta a história de Jara, o vigia noturno de um supermercado que ocupa suas madrugadas de tédio olhando a faxineira Julia pela tela do computador. Com o passar do tempo, uma paixão vai surgindo e a moça passa a ser a dona da atenção de Jara 24 horas por dia.

O filme se diferencia das outras comédias românticas por tratar de temas do cotidiano humano com um humor delicado e sensível. A produção ganhou o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim. E há uruguaios dizendo que os argentinos querem se apropriar deste sucesso.

Adrián Biniez, o diretor, é nascido em Buenos Aires e vive em Montevidéu desde 2004. Ao descobrir que sua obra havia sido selecionada para a competição em Berlim, o mesmo se encarregou de dizer que se considera o representante da cinematografia uruguaia, que é mínima – com só 3 filmes ao ano – perto da argentina, que produz 60.

Alheio a isto, o produtor - uruguaio - do filme, Fernando Epstein, diz que sentia “uma boa vibração” do festival em relação a Gigante. Disse ele: “A boa vibração que havia em relação ao filme, em geral, era imensa; as pessoas o adoraram. Tivemos críticas muito boas”.

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