Mostrando postagens com marcador governo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador governo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de março de 2015

Indiretas para Marta Suplicy e retomada da cultura: Encontro com o novo ministro Juca Ferreira em São Paulo

Por Pedro Zambarda

Eu compareci, no dia 4 de março, na Roda de Conversa com Midialivristas no Centro Cultural São Paulo, promovido pelo Ministério da Cultura e com presença do novo titular da pasta, Juca Ferreira. Sem muitas formalidades e com transmissão ao vivo pela internet, o novo ministro do segundo governo Dilma Rousseff disse que agora está mais a par da situação de sua nova gestão e já selecionou os secretários para estabelecer reformas culturais no Brasil.


Ele, no entanto, não poupou críticas à gestão anterior da pasta, de Marta Suplicy. Sem mencionar a ministra nominalmente em nenhum momento, Juca Ferreira mandou suas indiretas: “Estamos implantando a nova gestão do Ministério da Cultura e estabelecendo planos para políticas no país. Queremos retomar o que foi abandonado neste processo, porque tem muita coisa que perdeu densidade. Eu não quero entrar nessa conversa porque você não dirige olhando pro espelho retrovisor, mas dá um trabalho danado recompor o clima do ministério”.

O ministro Juca Ferreira disse que a maioria dos processos em trâmite dentro de sua pasta estava congelado, porque as pessoas tinham “medo de assinar papéis”.  Ele disse que em três ou quatro meses consegue recompor os processos, sendo que houve devolução de dinheiro em projetos de financiamento cultural. “Não dá para trabalhar assim. Os órgãos do Estado precisam recompor um clima de trabalho profissional dentro do ministério”, afirmou o ministro, não poupando Marta e relembrando que a gestão dele foi uma continuação dos trabalhos de valorização social que Gilberto Gil iniciou no primeiro mandato de Lula.

“Quando fui ministro pela primeira vez, me viam como um querido. Hoje, depois que tomei um posicionamento na campanha da presidenta Dilma, tenho mais opositores”, completou.

Além de Marta, Juca critica até Joaquim Levy

 Entre os principais assuntos do encontro, Juca Ferreira debateu a importância dos pontos regionais de cultura, a necessidade da regulamentação dos meios de comunicação e o fortalecimento de veículos públicos. “A EBC, por exemplo, precisa ser uma emissora voltada para o público e não para atender demandas do governo”, disse o ministro.

No entanto, o ministro Juca Ferreira não deixou de criticar a situação do atual governo. “O Brasil está passando um momento delicado economicamente, institucionalmente e as energias corrosivas estão soltas por ai. O país está vivendo um momento de insegurança, de perda de credibilidade na política democrática. Os que foram responsáveis pela consolidação do ciclo de desenvolvimento cometeram tantos erros que hoje estão na berlinda, a verdade é essa. Por isso o Brasil precisa rever seu projeto de nação e incluir mais verba na cultura”, pontuou.

Juca Ferreira admitiu que a consequência da Operação Lava Jato no noticiário e no meio político não será pequena. “E não adianta nós apontarmos apenas os corruptos da oposição. Quando a esquerda fica parecida com a direita, quem ganha é a direita”, frisou o ministro.

Quando aprofundou no tema da economia, ele não deixou de mencionar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que pretende fazer profundos cortes de gastos do governo. “Mas, pra essa gente, o legal é sempre taxar mais”, criticou.

Lei Rouanet “neoliberal”

Com várias perguntas da plateia, Juca Ferreira esclareceu seu ponto de vista pessoal e o que ele pretende fazer com a Lei Rouanet, que aumenta incentivos privados através de desoneração fiscal. “O que as pessoas não sabem é que essa lei não lida com verba privada, mas sim com um dinheiro público que iria para pagamentos de impostos. Precisamos reformá-la. Ela foi pensada nos anos 90, de uma forma neoliberal”, pontuou, lembrando que ela surgiu depois da Lei Sarney.

O novo ministério da Cultura estuda ampliar os critérios da Lei Rouanet e estimular o investimento direto e não através de desonerações. Juca também criticou a forma como a mídia noticia seu envolvimento com projetos do setor. “Muitos jornalistas forçam a barra querendo sempre me aproximar do grupo Fora do Eixo. Eles participaram de licitações e até perderam em algumas concorrências”, frisou.

Retomada da cultura tradicional com tecnologia

Juca Ferreira diz que sua gestão anterior foi marcada por uma cultura voltada para a sociedade. Em seu discurso em São Paulo, ele defendeu uma reforma de instituições como a Funarte (Fundação Nacional da Artes), para estimular mais espetáculos de dança, circo e artes plásticas, saindo do campo do cinema e do audiovisual, projetos que deram certo na gestão anterior do ministro.

Perguntei ao ministro Juca Ferreira se o governo pode intervir na reforma do Museu do Ipiranga, que foi fechado em 2013 e só seria reaberto em 2022. Seria uma manutenção mais prolongada do que museus internacionais, como o Louvre. Ele não respondeu a pergunta, mas disse que a pasta pretende fazer investimentos em acervos grandes e menores, mais regionais.

O Ministério da Cultura pretende fazer esses investimentos através do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A ideia é revitalizar acervos que já existem e investir na criação de pequenas instituições para valorizar a cultura regional.

“Mas também teremos um trabalho forte em cultura digital. Precisamos, para implantar boa parte das mudanças, que exista um avanço no plano nacional de banda larga. E teremos uma conversa próxima com o Ministério das Comunicações”, finalizou, dando um sinal que trabalhará junto de Ricardo Berzoini dentro do governo Dilma. O comentário também surgiu quando eu mencionei projetos digitais bem-sucedidos na área da Lei Rouanet, como é o caso do game Toren que será lançado no Brasil e internacionalmente neste ano.

Confira o vídeo da conversa completa logo abaixo.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Truco - Eles falam, nós checamos - por Agência Pública

Por Agência Pública
Creative Commons

O que é este projeto?

O horário eleitoral gratuito na TV é uma das peças mais importantes da disputa pela presidência. Mas até que ponto o que os candidatos dizem na propaganda é verdadeiro? O contexto correto muda a informação? Ou o que diz o candidato é simplesmente falso?


No Truco! vamos checar os dados mais relevantes apresentados pelos presidenciáveis durante os programas exibidos nas noites de terça, quinta e sábado. Também podemos “pedir o truco”, um desafio público às campanhas para que expliquem promessas ou dados importantes aparentemente insustentáveis . Também podemos discordar frontalmente dos candidatos quando acharmos suas propostas perigosas para a democracia e direitos humanos. Aí vamos carimbar um “Que medo” e fazer uma materinha explicando por quê.

Ao verificar esses dados, nosso objetivo é melhorar a qualidade do debate e estimular os eleitores a questionar o discurso dos presidenciáveis. Para isso, vamos convidar o público a participar, sugerindo informações que devem ser checadas e contribuindo com dados relevantes sobre cada tema.

Também estaremos nas ruas fazendo uma série de reportagens investigativas que serão publicadas semanalmente na seção “Cartas na Mesa”.

Série semanal de reportagens

No início da campanha, as reportagens vão ter como foco a população negativamente afetada por ações, projetos e propostas dos candidatos. Serão três matérias.

Na segunda parte da série, o foco das reportagens serão as propostas dos candidatos para três áreas consideradas prioritárias, julgadas por especialistas e movimentos sociais.

A nossa checagem

Não é Bem Assim: Informação exagerada, distorcida ou discutível.

Tá Certo, Mas Peraí: Informação correta mas que merece ser contextualizada. Existem mais dados que o eleitor precisa saber do que os que foram apresentados durante o programa eleitoral.

Blefe: A informação é falsa. São usados dados de outras fontes ­– de preferência independentes – e auxílio de especialistas para confrontar a versão apresentada.

Zap!: Informação correta e também relevante dita pelo candidato. Para isso, são apresentados números que confirmam e expandem o que foi falado.

Truco!: Informações insustentáveis e promessas grandiosas, sem explicação de como serão implementadas. O Truco! é um desafio público enviado às equipes de campanha para que o candidato responsável pela frase dê mais explicações ao eleitor. As respostas obtidas serão divulgadas assim que a campanha responder.

Que medo!: Algumas propostas podem causar uma série de transtornos ou afetar negativamente alguns grupos da população. O selo servirá de alerta nesses casos e virá acompanhado de um texto que mostrará problemas que aquela ideia traz.

Rodada de promessas

Em breve, publicaremos um quadro com a compilação de todas as promessas apresentadas pelos presidenciáveis durante o horário eleitoral em áreas como educação, saúde, segurança e economia.

Quem faz o Truco?

O Truco é um projeto realizado pela equipe da Agência Pública de Jornalismo: Alexandre De Maio (ilustrações), Andrea Dip, Bruno Fonseca, Ciro Barros, Giulia Afiune, Jessica Mota, Luciano Onça, Marina Amaral, Marina Dias, Marcelo Grava, Maurício Moraes e Natalia Viana

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Vladimir Safatle comenta sobre sua frustração com o PSOL

O professor de filosofia da USP, Vladimir Safatle, era pré-candidato às eleições de governador de São Paulo pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). No começo desta semana, ele foi surpreendido pela substituição pelo professor da UFABC, Gilberto Maringoni, que passará a representar a legenda de esquerda contra Geraldo Alckmin (PSDB) e Alexandre Padilha (PT) nas eleições de outubro deste ano. Em uma entrevista esclarecedora ao jornalista Bruno Torturra (FLUXO e Mídia Ninja), o docente comenta suas frustrações. Confira abaixo.



Um trecho importante da entrevista, dito por Safatle: "Eu sou um professor que gosta do que faz, vou ser sempre um professor. No entanto, acho que a figura do político profissional é execrável. Isso é uma distorção da democracia. Não deveria haver políticos profissionais, que é deputado cinco ou seis vezes. Não deveria existir uma classe política. Se você tivesse outro tipo de prática, onde as pessoas entram na política, fazem o debate e depois voltam para suas [outras] atividades, você percebe como a lógica seria diferente?".

sábado, 9 de março de 2013

Um protesto com vários protestos contra Feliciano

No dia 7 de março de 2013, o pastor Marco Feliciano foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmera dos Deputados. Feliciano protagonizou uma polêmica em um vídeo, pedindo a senha do cartão de crédito de um fiel de sua igreja evangélica, Assembleia de Deus Capital do Avivamento, de forma forçada. Marco Feliciano também disse que africanos e pessoas negras são uma descendência "amaldiçoada por Noé".

Ativistas sociais e diversos deputados eram contra a eleição de Feliciano para essa presidência, mas seu cargo foi barganhado junto ao governo Dilma.

Hoje, às 14h, 26 mil pessoas confirmaram no Facebook uma manifestação de repúdio ao novo cargo dado pelo governo Dilma ao deputado Feliciano na Avenida Paulista com a Consolação, em São Paulo. Segundo o jornal O Globo, entre 600 e 800 pessoas se mobilizaram em SP. Os manifestantes acreditam que o número foi muito maior, chegando em 2 mil pessoas, informação que foi dada pelo portal UOL. No Rio de Janeiro, 400 pessoas se reuniram contra o pastor. O que se viu em São Paulo, e eu pude lá presenciar, foram centenas de pessoas que fecharam parte da Paulista e parte da Consolação até a praça Roosevelt, no centro, perto da estação República de metrô. O mesmo grupo voltou para a Paulista pela Augusta, na parte final do evento.


E por que isso aconteceu?

Porque o absurdo da eleição às portas fechadas de Marco Feliciano reuniu outros protestos. Um grupo que se autodenomina Anonymous Brasil fez protestos contra a corrupção. Outro grupo, que participou de um abaixo-assinado contra o novo presidente do Senado, Renan Calheiros, também estava presente. Até partidos políticos de esquerda, como o PSOL e o PSTU, estavam misturados entre pessoas que gritavam em plenos pulmões: "Sou apartidário!".

O protesto contra Marco Feliciano virou uma mobilização com vários protestos dentro. Foi um momento de empolgação coletiva, com várias palavras de ordem. Até a Polícia Militar não se intimidou com a quantidade de manifestantes e apenas assegurou que a passeata ocorresse com segurança. Não houve conflito entre pessoas e a PM.

Casais gays, militantes de esquerda, pais, mães e filhos estavam todos juntos, gritando contra a homofobia e o preconceito que o governo permitiu ganhar força na Câmera dos Deputados.


Algumas palavras de ordem que eram gritadas na rua:

"São Paulo, vem pra rua! Essa luta também é sua!"

"Eu gosto de homem! Eu gosto de mulher! Eu amo quem eu quiser!"

"Ô Feliciano, seu racista! Até o Papa renuncia!"

Um jovem brincava entre os manifestantes, usando a Bíblia como se fosse uma arma de fogo, como se ele fosse uma autoridade, criticando Marco Feliciano. O protesto ficou muito parecido com um que participei em 2007, com 40 amigos meus da Cásper Líbero. Não éramos muitas pessoas na Paulista, mas conseguimos fazer muitas pessoas buzinarem, indignadas com a falta de punição contra Renan Calheiros, que já era acusado de corrupção naquela época.


É ótimo que um protesto de seis anos atrás continue acontecendo. Sinal que ainda estamos inconformados.


Muitos motoristas de carros e motos ficaram transtornados com as ruas cheias de gente protestando. No entanto, alguns carros solidarizaram com a mobilização e buzinaram alto.


Grupos cristãos e alguns evangélicos manifestaram repúdio à Marco Feliciano, mostrando que o problema não é religioso, mas ético. Outros manifestantes também protestaram contra a eleição de Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja no Brasil e representante da bancada ruralista, para o cargo de presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle.


São Paulo e Rio de Janeiro não foram as únicas cidades com mobilizações. De acordo com o portal Terra, pessoas foram às ruas no Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina. O cartunista Laerte esteve presente no protesto de São Paulo.

Veja mais fotos da mobilização e pense: As pessoas estão aliando ferramentas eletrônicas (Facebook) com engajamento político de fato? Estão tornando efetivos seus direitos de protesto contra o que não consideram correto no governo?



Fotos: Pedro Zambarda

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Marco Civil da Internet deveria se chamar Lei Aaron Swartz, diz ex-guru da campanha de Dilma

Um dos temas mais discutidos no cenário de tecnologia no Brasil atualmente é o Marco Civil da Internet. O projeto de lei foi tema de uma bate-papo promovido pelo Portal EBC durante a Campus Party 2013. A gravação foi feita no estande da EBC na Campus Party 2013. O tema também foi discutido em uma mesa da CPBR, chamada "Neutralidade na Rede". Nas discussões, um assunto lembrado foi uma das leis aprovadas, a chamada Carolina Dieckmann, que é contra cibercrimes.


Participaram do bate-papo da EBC (que foi feito com a ferramenta Hangout do Google) Marcelo Branco e Guilherme Almeida (assessor da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça). No debate, eles contaram como surgiu o projeto de lei, falaram da neutralidade da rede, liberdade da internet e como foi feito o projeto que está em votação no Congresso.

Marcelo Branco, que foi guru da campanha na internet da presidente Dilma Rousseff, sugeriu que a lei do Marco deve se chamar Aaron Swartz, que é um hacker que lutou pela liberdade na rede. Sua inspiração foi referência à Dieckmann, atriz que teve fotos íntimas revelas em público e teve o nome usado em uma lei contra crimes virtuais. As duas discussões, na EBC e na Campus Party em um palco aberto, você pode conferir abaixo.



Com informações de reportagem e entrevista da EBC.

sábado, 16 de abril de 2011

Governo Dilma prevê salário mínimo de R$ 616 para próximo ano



O novo governo já prevê salário mínimo de 616,34 reais no próximo ano, mesmo com os cortes no orçamento neste ano. Reajuste obedece a fórmula aprovada pelo Congresso no início do ano, que estabelece correção pela inflação oficial pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás, que foi 7,5% em 2010.

Ou seja, o aumento do rendimento do brasileiro vai acompanhar a inflação, que não se sabe se será maior do que no governo Lula. A estimativa, no entanto, leva em conta a inflação mais baixa que a apontada pelo mercado. Segundo o Planejamento, o IPCA acumulado neste ano será de 5%.

O relatório Focus, outra pesquisa divulgada toda semana pelo Banco Central, aponta que a inflação oficial fechará 2011 em 6,26%, apostando em um dado maior. Os dois percentuais, ainda assim, mostram um controle efetivo do governo sobre a economia.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 10 de abril de 2011

Dilma completa 100 dias de um governo diferente de Lula


A nova presidente do Brasil completa três meses e 10 dias com uma gestão peculiar frente ao Brasil. Dilma Rousseff parece ter uma abordagem mais técnica sobre os problemas econômicos do país, sobre a postura política que um governo deve ter e, inclusive, sobre sua própria postura diante de líderes de outros países, como Barack Obama, que visitou as terras brasileiras mês passado.

Confira, abaixo, 10 acontecimentos que marcam a gestão Dilma com as atuais comemorações:

1) Presidente transformou o palácio do Planalto em uma mostra aberta de 80 artistas plásticas brasileiras, mulheres, incluindo Tarsila do Amaral e seu Abaporu.

2) Dilma não fez alarde durante seu almoço com o vocalista do U2, Bono Vox, na sexta-feira. Órgãos de comunicação do governo não transformaram o evento em uma "festa", como seria na gestão de Lula. Eventos similares, especialmente solenidades, foram tratados da mesma maneira. Alguns acusam o governo de estar vetando o acesso da imprensa para determinadas decisões.

3) O governo ficou com imagem de austero durante a sucessão da presidência da mineradora Vale. Segundo reportagens de O Estado de S.Paulo e da Folha de S.Paulo, o ministro Guido Mantega tentou intervir para que a saída de Roger Agnelli diminuíssem as exportações de recursos para a China. Na visão dos analistas de Dilma, a força da Vale internacionalmente enfraquece o mercado nacional.

4) O ministro da Fazenda, Guido Mantega, decepcionou em tentar conter a constante desvalorização do dólar, que chegou na faixa de R$ 1,65 neste semana. A ausência de medidas econômicas por parte do governo pode fazer explodir a inflação no país.

5) José Sarney, novamente presidente do Senado, suspende concursos públicos e benefícios de horas extras, tentando tirar sua imagem de patriarcalista como autoridade política. Os cortes estão em sintonia com a contenção de gastos do governo.

6) Henrique Meirelles aceitou o cargo de responsável pela Autoridade Pública Olímpica (APO). Seu trabalho, depois de sair do Banco Central, será organizar toda a estrutura do país para eventos esportivos internacionais. Até o momento, isso permanece uma incógnita.

7) Dilma mostrou envergadura, diante da visita de Obama no Brasil, para tratar de assuntos delicados sem desrespeitar o presidente americano. Dilma quer garantir um local no Conselho de Segurança da ONU e está insistindo com Barack Obama para melhorar as relações entre os dois países. Ponto muito positivo para um começo de mandato.

8) A postura do governo se tornou mais crítica em relação ao Irã. Ao contrário de Lula, os ministros de Dilma criticam o autoritarismo de Mahmoud Ahmadinejad e seus constantes desrespeitos aos Direitos Humanos.

9) O governo Dilma criticou a intervenção americana na Líbia, mantendo coerência diplomática.

10) Dilma reforça a estratégia de Lula com o aumento do Bolsa Família, mas traz um enfoque para as donas de casa, tendo um diferencial. O objetivo, desde o governo anterior, é aumentar a entrada de pessoas para a classe média.

Com informações da Agência Estado e do site Exame.com.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Revolução Jasmim segundo Ferreira Gullar


"O assunto é complexo por muitas razões e, particularmente, porque cada um daqueles países tem composição social, histórica, cultural e política diversa, mas, às vezes, com fatores idênticos, indo desde os fatores religiosos até as divergências tribais. Essa interpretação parece pertinente pelo fato mesmo de que a maioria dos promotores da revolta é constituída de jovens que, graças à internet, tomaram conhecimento que uma sociedade mais aberta e mais moderna é possível", afirmou o escritor vencedor do Camões de 2010, Ferreira Gullar, em sua coluna no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo de ontem, dia 13 de março.

O texto, batizado com o nome de Se a História tem lógica..., mostra que as análises políticas e econômicas sobre as revoluções na Tunísia, Egito e Líbia não conseguem conclusões sólidas sobre os eventos pelo frescor dos envolvidos. Muitos são jovens que, tanto pela força do mundo online quanto pela ocupação de praças e a utilização de armas, estão mudando a configuração do Oriente Médio e do Norte da África.

Gullar nos convida a uma análise mais complexa do evento, incluindo seus riscos. Ele relembra que Muammer Gaddafi já foi um revolucionário contra um regime monárquico repressor. Hoje, o estadista está há 40 anos no poder, eliminando seus opositores. Mas será que podemos ser otimistas quanto aos jovens de hoje? Talvez sim, eles possuem o benefício da internet, que é a informação dada e refletida.

Temos que ser céticos ao constatar que, seja quem assumir o poder, o governo não será perfeito. Mas temos que admitir que lutar por uma sociedade democrática e aberta a outras influências é, sim, uma vitória no oriente. E talvez seja uma mudança que o ocidente ainda não tenha entendido por completo.

E ele ainda debocha: "Gaddafi, por exemplo, veste-se como um personagem mítico que ora é um imperador, ora um beduíno, ora um marechal, dando-nos a impressão de que está prestes a desfilar na Marquês do Sapucaí".

segunda-feira, 7 de março de 2011

O que você precisa saber sobre Crise no Oriente Médio e Revolução Jasmim


O preço do barril do petróleo foi para as alturas, em cerca de 104 dólares o barril. Uma onda de protestos de jovens tomou as ruas de países como Tunísia, Iraque, Líbia, Egito e outros. Se você quiser saber detalhes desse fenômeno que foi chamado de Revolução Jasmim, leia os itens abaixo:

- Os eventos começaram contra o presidente tunísio Zine El Abidine Ben Ali, no dia 18 de dezembro de 2010. Problemas de corrupção, qualidade de vida e inflação foram os fatores que desencadearam uma fúria popular. Ben Ali abandonou o governo em 14 de janeiro do ano seguinte.

- Fouad Mebazaa assumiu o governo da Tunísia para cumprimento da constituição. Ben Ali estava ilegalmente no poder desde 1987. Protestos continuam no país para convocação de eleições.

- O governo de Ali recebeu apoio da França e dos Estados Unidos mesmo com suas políticas contra opositores.

- A Revolução Jasmim se desdobrou principalmente pelo Twitter e pelo Facebook, que contribuiu para articular a população contra o governante pela internet.

- O nome Jasmim é equivalente à Revolução dos Cravos em Portugal, que depôs António Salazar do poder depois de 41 anos.

- Os movimentos na Tunísia impulsionaram jovens no Egito, que depuseram Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011. O presidente fez um discurso defendendo seu poder até setembro deste ano, mas fugiu do país no dia seguinte.

- Atualmente, as revoluções se desdobraram para uma revolta armada na Líbia. Os revoltosos são acusados de ligação com a Al-Qaeda pelo ditador Muammar Gaddafi.

- No Irã, o Movimento Verde, contra o governante Mahmoud Ahmadinejad, assumiu os ideais da Revolução Jasmim. O presidente é acusado de violação dos direitos humanos para se manter no poder.

- No Iraque, território que foi invadido pelos Estados Unidos no começo dos anos 2000, a população também luta por melhorias na qualidade de vida.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Os elementos do Jornalismo: Para entender a década passada

Para quem está no primeiro ano de faculdade, há um livro bom para se interar sobre as principais discussões sobre jornalismo dos últimos anos. Bill Kovach foi editor do The Atlanta Journal-Constitution e fundou um grupo chamado "Comitê dos Jornalistas Preocupados", que passou a fiscalizar a imprensa norte-americana diante de seu público de leitores e espectadores. Tom Rosenstiel é diretor do "Projeto Excelência no Jornalismo" (PEJ). Os dois escreveram junto um clássico chamado Os elementos do Jornalismo: O que os jornalistas devem saber e o público exigir, lançado em 2003.

A obra literária é resultado de discussões sobre as coberturas do Watergate - polêmicas da administração Nixon - e do Whitewater - controvérsias da presidência de Bill Clinton. Para os autores e os profissionais consultados, a imprensa americana estava se transformando em uma rede de publicidade, em que os jornalistas estavam perdendo sua credibilidade com o crescimento da internet e da voz da população.

Foram realizados 21 fóruns com 3.000 pessoas presentes nesses comitês formados. Também foram consultados 300 jornalistas. O livro concluí que, na conduta ética de nossa profissão, devemos adquirir muito mais uma responsabilidade do que convicções sem discussões sobre o ofício de jornalista. E a imprensa, além de livre de governos e corporações, deve ser objeto de debate durante todo o tempo.

Hoje, jornalistas norte-americanos sobrevivem em blogs e em formatos cada vez mais digitais, a mídia impressa tenta se adaptar nesse novo contexto e a TV sofre metamorfoses constantes. Se você está ingressando hoje nessa carreira, não deixe de conferir o livro, que sintetiza muitas das questões polêmicas entre os anos 2001 e 2010, um período já superado na história do jornalismo. E uma volta ao passado é sempre recomendável.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Obama e seu primeiro ano: 2009

Poster de Obama por David Choe.

Em 2008, ele foi a sensação do twitter, com uma campanha antenada com a internet até ser eleito presidente dos EUA. É o primeiro negro a ocupar o maior cargo na maior potência econômica, política e militar do mundo. Seu mote de marketing - Change - trouxe, de fato, uma experança para o mundo, além de ser uma experiência que muitos querem repetir na comunicação.

No mês de outubro deste ano, ele foi premiado com o Nobel da Paz, um título inesperado para ele, defensor do reforço de atividades militares no Afeganistão. O motivo desse reconhecimento foram suas visitas e atuações diplomáticas no Oriente Médio e em países que estavam contra os Estados Unidos. Mesmo assim, ele destacou um reforço de 30.000 homens para as terras afegãs no começo de dezembro. Além dessa ação claramente política, nenhum acordo foi fechado na Conferência Climática de Copenhague, a COP15, mesmo com Barack Obama apoiando a formalização do controle de emissões.

Esses pontos paradoxais, somados aos conflitos de sua gestão interna, especialmente no setor público, mostram que ele não é mais o representante pacífico da presidência americana, mas um gestor em uma crise. Não podíamos esperar menos dele, mas um ar de decepção paira no ar, mesmo para não-americanos. Esperamos demais dele? Esperamos demais da política? Esse sempre foi um debate que deveríamos fazer com mais frequência, mas que não fazemos. Depositamos na eleição norte-americana uma esperança sem nos dar conta que questões climáticas e políticas também dependem da cidadania de cada um de nós.

Honestamente, não esperava menos da administração de Barack Obama. Continuo contra suas ações militares no Afeganistão, mas concordo que há mais lógica lá do que o Iraque, por ser base terrorista do grupo Al-Qaeda. As questões são quando nós vamos ver sempre as mesmas coisas de um governo com tamanha influência e se vamos longe agindo apenas como observadores deste cenário, hoje. A esperança não (pode) deveria morrer.

Posts mais lidos