sábado, 9 de março de 2013

Um protesto com vários protestos contra Feliciano

No dia 7 de março de 2013, o pastor Marco Feliciano foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmera dos Deputados. Feliciano protagonizou uma polêmica em um vídeo, pedindo a senha do cartão de crédito de um fiel de sua igreja evangélica, Assembleia de Deus Capital do Avivamento, de forma forçada. Marco Feliciano também disse que africanos e pessoas negras são uma descendência "amaldiçoada por Noé".

Ativistas sociais e diversos deputados eram contra a eleição de Feliciano para essa presidência, mas seu cargo foi barganhado junto ao governo Dilma.

Hoje, às 14h, 26 mil pessoas confirmaram no Facebook uma manifestação de repúdio ao novo cargo dado pelo governo Dilma ao deputado Feliciano na Avenida Paulista com a Consolação, em São Paulo. Segundo o jornal O Globo, entre 600 e 800 pessoas se mobilizaram em SP. Os manifestantes acreditam que o número foi muito maior, chegando em 2 mil pessoas, informação que foi dada pelo portal UOL. No Rio de Janeiro, 400 pessoas se reuniram contra o pastor. O que se viu em São Paulo, e eu pude lá presenciar, foram centenas de pessoas que fecharam parte da Paulista e parte da Consolação até a praça Roosevelt, no centro, perto da estação República de metrô. O mesmo grupo voltou para a Paulista pela Augusta, na parte final do evento.


E por que isso aconteceu?

Porque o absurdo da eleição às portas fechadas de Marco Feliciano reuniu outros protestos. Um grupo que se autodenomina Anonymous Brasil fez protestos contra a corrupção. Outro grupo, que participou de um abaixo-assinado contra o novo presidente do Senado, Renan Calheiros, também estava presente. Até partidos políticos de esquerda, como o PSOL e o PSTU, estavam misturados entre pessoas que gritavam em plenos pulmões: "Sou apartidário!".

O protesto contra Marco Feliciano virou uma mobilização com vários protestos dentro. Foi um momento de empolgação coletiva, com várias palavras de ordem. Até a Polícia Militar não se intimidou com a quantidade de manifestantes e apenas assegurou que a passeata ocorresse com segurança. Não houve conflito entre pessoas e a PM.

Casais gays, militantes de esquerda, pais, mães e filhos estavam todos juntos, gritando contra a homofobia e o preconceito que o governo permitiu ganhar força na Câmera dos Deputados.


Algumas palavras de ordem que eram gritadas na rua:

"São Paulo, vem pra rua! Essa luta também é sua!"

"Eu gosto de homem! Eu gosto de mulher! Eu amo quem eu quiser!"

"Ô Feliciano, seu racista! Até o Papa renuncia!"

Um jovem brincava entre os manifestantes, usando a Bíblia como se fosse uma arma de fogo, como se ele fosse uma autoridade, criticando Marco Feliciano. O protesto ficou muito parecido com um que participei em 2007, com 40 amigos meus da Cásper Líbero. Não éramos muitas pessoas na Paulista, mas conseguimos fazer muitas pessoas buzinarem, indignadas com a falta de punição contra Renan Calheiros, que já era acusado de corrupção naquela época.


É ótimo que um protesto de seis anos atrás continue acontecendo. Sinal que ainda estamos inconformados.


Muitos motoristas de carros e motos ficaram transtornados com as ruas cheias de gente protestando. No entanto, alguns carros solidarizaram com a mobilização e buzinaram alto.


Grupos cristãos e alguns evangélicos manifestaram repúdio à Marco Feliciano, mostrando que o problema não é religioso, mas ético. Outros manifestantes também protestaram contra a eleição de Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja no Brasil e representante da bancada ruralista, para o cargo de presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle.


São Paulo e Rio de Janeiro não foram as únicas cidades com mobilizações. De acordo com o portal Terra, pessoas foram às ruas no Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina. O cartunista Laerte esteve presente no protesto de São Paulo.

Veja mais fotos da mobilização e pense: As pessoas estão aliando ferramentas eletrônicas (Facebook) com engajamento político de fato? Estão tornando efetivos seus direitos de protesto contra o que não consideram correto no governo?



Fotos: Pedro Zambarda

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