sexta-feira, 20 de junho de 2014

A barrigada de Mario Sergio Conti e a importância do jornalismo de esportes

Mario Sergio Conti dirigiu a revista Veja, trabalhou no Jornal do Brasil, no programa da TV Cultura Roda Viva e na revista Piauí. Atualmente, tem duas colunas, uma no jornal O Globo e outra na Folha de S.Paulo. Além dos dois espaços, tem um programa de entrevistas na Globonews, o Diálogos. Tem 60 anos, não é foca de redação e nem jornalista jovem. Tem uma carreira marcada por brigas profissionais, boas reportagens, principalmente em seu livro Notícias do Planalto: A imprensa e Fernando Collor, e influência no noticiário político do Brasil.

Este mesmo Mario Sergio cometeu um erro básico de checagem de informações em sua coluna ontem (19), publicada simultaneamente em O Globo e na Folha.


Conti embarcou num voo Rio-São Paulo e acreditou, segundo o jornal Zero Hora, ter entrevistado o técnico Felipão, Luiz Felipe Scolari, durante o trajeto. O problema é que não era o técnico brasileiro, mas sim um sósia chamado Vladimir Palomo, que entregou um cartão ao colunista se identificando e dizendo que estava indo gravar o programa Zorra Total, na TV Globo. O colunista ainda assim acreditou e colocou no título:  "Felipão sobre Neymar: ‘Se tivéssemos três como ele, a Copa seria uma tranquilidade'".

O texto foi tirado do ar e duas erratas foram publicadas nos veículos. Como a informação de Vladimir Palomo estava no texto, no qual Conti menciona seu cartão de visitas, acreditou-se por algum tempo que o erro tivesse sido de edição da Folha ou de O Globo, e que a coluna seria, na verdade, uma ironia.

Mario Sergio Conti desmentiu e disse que achava que Vladimir era de fato o Felipão.

Disse que sabia, pela mídia impressa, que aquele era o dia de folga da seleção. E que achou factível que o técnico estivesse viajando naquela quarta-feira (18). A questão é que o último jogo da seleção foi em Fortaleza e o próximo seria em Brasília. Havia uma baixa possibilidade do técnico de fato estar naquele voo.

Conti não é um jornalista de esportes, provavelmente não consultou editores e goza de uma independência editorial para publicar suas próprias entrevistas, que quase sempre envolvem personalidades e figuras políticas importantes. Jornalisticamente, Conti foi formado por Elio Gaspari, um mito da imprensa na Veja e na Folha de S.Paulo. Não se esperava que ele cometesse a falha de entrevistar um sósia, provando não ter muito conhecimento sobre futebol.

Mas a derrapada do colunista levanta uma questão importante: A importância do jornalismo de esportes. Frequentemente os repórteres deste segmento são tratados como se fossem torcedores ou como se o trabalho deles não fosse sério.

Não é verdade. A Copa do Mundo do Brasil está acontecendo, chamando atenção para o nosso país. E a barrigada de Mario Sergio Conti também ocorreu. Estes fatos atestam que esporte é uma pauta importante, e que você está suscetível aos maiores erros se não der a devida importância.

Todo o jornalismo, na realidade, é importante. Mas ainda se conserva a mentalidade de que política, economia e algumas determinadas pautas são mais fundamentais do que outras. E não parece ser a verdade.

2 comentários:

Cecília do Lago disse...

O melhor legado desta Copa será o jornalismo esportivo. Está batendo recordes de qualidade.

Pedro Zambarda disse...

E este erro mostra que o jornalismo esportivo é sim importante.

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