quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O fim da revista INFO impressa não deve ser comemorado

Por Pedro Zambarda
Originalmente escrito para o Diário do Centro do Mundo (DCM)

Trabalhei por um pouco mais de dois anos na editora Abril. Entrei lá com 21 anos. Queria trabalhar com tecnologia desde o início. Sonhava em ingressar na revista INFO, mas acabaram me levando ao site da EXAME, emprego no qual aprendi muito sobre economia e negócios.


Tive contato com muitos ex-jornalistas da INFO. Pessoas brilhantes, com enorme capacidade de compreender tecnologia e ciência.

Nunca fui assinante, mas comprei e li freneticamente entre 2006 e 2011. E já era seu leitor antes disso, quando a internet começou a ganhar popularidade em nosso país.

Alguns de meus textos e contribuições foram reproduzidos no site da INFO, e são matérias de que me orgulho. Por este motivo, fiquei triste ao deparar com a notícia do fim da edição impressa.

A revista sai de circulação em fevereiro do ano que vem e passa a existir apenas em sua versão digital e no site. É um fim melancólico.

INFO surgiu em março de 1986, há 28 anos, com o nome de EXAME Informática. Tornou-se INFO EXAME e, depois, apenas INFO. Sempre esteve antenada com a internet.

Com a INFO, aprendi a configurar programas de computador, a desmontar máquinas, a fotografar e a gostar de tecnologia. Houve um tempo em minha vida em que pensei em cursar engenharia ao invés de jornalismo, e a publicação me ajudou muito nessa busca.

Ela reunia tanto jornalistas quanto programadores e designers competentes. Em 1997, foi criado o INFOLab, um espaço para testes de produtos tecnológicos. O primeiro iPhone e o primeiro iPad passaram por ali, além de muitos outros PCs, videogames e diferentes aparelhos.

Os jornalistas da INFO não iam apenas atrás de fatos corriqueiros, mas pesquisavam sobre a qualidade da internet brasileira, apuravam sobre o real funcionamento dos aparelhos e tinham uma equipe de técnicos que ajudava a trazer as informações mais precisas.

Nos últimos anos, houve problemas com o próprio público. A maioria dos leitores consome sites. Desta forma, a INFO tentou diversificar suas pautas, considerando até mesmo a cultura pop e a ciência.

O problema da Abril transformar a INFO em uma “revista digital” é deixá-la como uma mera extensão de sua página na internet, que já dá certo sozinha.

A internet é o futuro e a revista é um produto obsoleto. No entanto, foi a INFO que ajudou inúmeros brasileiros a usarem os recursos do mundo online.

A INFO foi uma escola de jornalismo para quem trabalha seriamente com tecnologia no Brasil, com suas resenhas, análises e entrevistas. Foram eles que entrevistaram Bill Gates e vários nomes do setor que mudaram o mundo da computação, das redes sociais e da internet.

Eu discordo profundamente de alguns jornalistas que acham que não existirá editoria de tecnologia num futuro próximo. Esses assuntos prosseguem como importantes, sobretudo para brasileiros que querem aprender a criar inovações para seu próprio país.

A revista INFO sobreviverá em novos formatos e nas edições velhas que guardo aqui em casa, além da gratidão que tenho com os profissionais de lá nos meus anos de Abril.

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