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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dificuldade de escrever em final de faculdade

Acumulam os trabalhos. O mercado profissional pensa em te efetivar para, enfim, tratá-lo como um trabalhador qualificado. Quem não está empregado se desespera na busca por um ofício. Acumulam-se todas as expectativas que você tinha antes de entrar em uma carreira. As decepções devem ser ultrapassadas. Os orgulhos devem ser revertidos em alguma motivação prática. É um período de acumulação excessiva.

E você não é duas pessoas, não é capaz de dar conta de tudo. Trabalho de Conclusão de Curso. Não é o terror que muitos dos seus ex-veteranos universitários diziam, mas não é uma criação mole. É uma chance de experimentação que não permite muita preguiça. Requer um apego que nem todas as pessoas estão prontas ou dispostas.

Final de faculdade é tortuoso para escrever, é difícil de descrever. Mal consigo ler poucas folhas de um diário impresso inteiras. Mal consigo prender atenção em páginas que saltam no meu navegador web. Estou focando em tirar notas, em fazer um bom experimento, em responder corretamente no trabalho. E, mesmo assim, não basta.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Qual o verdadeiro peso de uma universidade pública?

No Brasil, o segundo semestre é marcado pelos maiores vestibulares do país, resultando em aulas extras e correria nos cursinhos pré-vestibulares. Também não é nenhuma novidade que os professores incentivam os estudantes sempre com o intuito de vê-los sendo aprovados em uma universidade pública, seja pela crença de que as mesmas sejam melhores que as particulares ou pela propaganda criada com as aprovações. A realidade, porém, às vezes se encontra muito distante do sonho da boa educação gratuita, principalmente nos cursos de Comunicação Social.

A Universidade Estadual de Londrina, a qual eu frequento, não foge disso. O CECA (Centro de Educação, Comunicação e Artes) sofre por falta de equipamentos, salas adequadas e, infelizmente, professores. Contratações tardias e concursos públicos que nem sempre selecionam os mais bem preparados são problemas que aparecem com frequência no dia-a-dia dos estudantes, que perdem aulas por falta de professores. Em algumas matérias, os alunos são obrigados a se dirigir a outros centros por falta de salas.

O descaso com os cursos de Comunicação Social, porém, não se restringe ao Paraná. A Universidade Estadual Paulista, por exemplo, abriga o curso de Jornalismo na cidade de Bauru, interior do estado, que é o maior campus da universitário do local. Infelizmente, o departamento não conta com computadores sequer razoáveis e a carência de professores é ainda maior, o que causa revolta no estudantes que se prendem a greves constantes como tentativa de resolver o problema.

Deixar na mãos dos estudantes e Centros Acadêmicos a responsabilidade de buscar melhorias em seus cursos é uma realidade no mínimo irônica. Após enfrentar a concorrência elevada, provas de assuntos que nada inteferem no desenvolvimento acadêmico da comunicação em si e gastos muitas vezes maiores do que a mensalidade de uma Universidade particular, ainda é necessário brigar por uma formação de qualidade? Teoricamente, essa obrigação não estaria nas mãos do Ministério da Educação agora? Será que já não basta o não reconhecimento do nosso diploma? O revoltante aqui é a diferença de tratamento entre os cursos, principalmente se compararmos com os mais tradicionais, como Direito e Medicina, que contam com maior parcela de rescursos e atenção das reitorias responsáveis.

Assim, fica difícil encontrar o verdadeiro peso e valor a ser pago por uma formação acadêmica satisfatória, que divide e afasta ainda mais a educação pública e particular, causando um claro déficit na qualidade dos profissionais da área.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Um Teto para o Brasil

Um rádio. Foi o que Rita de Cássia Batista pagou pela sua atual moradia. Quando ex-proprietária do barraco, a baiana Beatriz, resolveu retornar para seu estado de origem, trocou o local pelo rádio do filho de Rita, Felipe. Depois de seis anos morando em condições precárias, Rita e seus três filhos irão receber uma nova casa da ONG Um Teto para meu País.

"Eu tinha acabado de ver esse pessoal na televisão quando eles apareceram aqui", conta ela. A ONG fora divulgada pela TV Globo no dia em que ela preencheu o formulário para candidatura ao benefício. E deu certo. No dia 28 de Junho, domingo, os voluntários da organização foram até sua moradia, em Suzano - SP, anunciar à família que ela havia sido selecionada entre outras 40 para ter sua casa reconstruída.


A nova moradia, feita de madeira e elevada do solo, evitará a entrada da chuva, de insetos e o contato direto com o barro. Em dois dias de Julho, por volta de 80 membros da ONG vão construir outras 9 residências emergenciais no Jardim Gardênia, bairro de Rita.

As casas não são definitivas, porém. A previsão é de que durem 5 anos, em média. “As casas são uma medida emergencial para ajudar de imediato as famílias que mais precisam”, conta a estudante de arquitetura da USP Julia Nogueira. A intenção, diz, não é somente solucionar o problema da moradia, mas estimular a família a sair da condição de extrema pobreza.

Da casa, cujo valor é cerca de 2500 reais, os futuros moradores pagarão uma taxa simbólica de 120 reais, “para sentirem que a conquistaram, que é deles”, contou a voluntária. O valor padrão, de 250 reais, foi reduzido em virtude da dificuldade dos moradores de Suzano com o pagamento. O dinheiro vem, principalmente, de doações. Cada casa é erguida em cerca dois dias com materiais cedidos por empresas de construção, na maioria da própria cidade.

Constituída basicamente de universitários e recém-formados, a ONG atua principalmente no período de férias escolares, quando os voluntários têm mais tempo livre. Embora a ação nas favelas seja planejada o ano todo, ela se concretiza em apenas três dias, que é quando os "pedreiros" acampam em escolas municipais da cidade escolhida e erguem as casas."Mas no último mês de Janeiro ficamos 6 dias construindo 24 casas", conta com orgulho Felipe Mello, estudante de Psicologia da P
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Construção de uma das casas emergenciais, no Brasil.

Em três anos de Brasil, a Um Teto para meu País já contou com a participação de pelo menos 530 voluntários na construção de 112 casas nos municípios de São Paulo, Guarulhos e Itapeva. Agora será a vez de Suzano, o décimo sexto PIB mais pobre do Estado de São Paulo. Mas a ação da ONG no Brasil, chamada carinhosamente de “Teto”, ainda tem muito a melhorar em relação ao Chile, seu país de origem. Lá, a Teto existe desde 1997 e conta com apoio oficial do governo da presidente Michele Bachelet. Com a ambição de erradicar a pobreza na América Latina, os chilenos já exportaram a ONG para outros 14 países.

No Brasil, a ONG ainda está no que os voluntários chamam de Fase I: a construção de casas emergenciais. Além da ajuda imediata às famílias, a Fase I coloca os participantes universitários da organização em contato com uma realidade diferente e tocante. “Quando se constrói uma casa, todos da comunidade ficam animados, querem ajudar e querem aquilo para eles também, e aí a habilitação social vai evoluindo” relata Julia.

As fases intermediárias envolvem o estímulo da cooperação entre os moradores e a capacitação para o trabalho. "Depois, vamos tentar descobrir o que cada comunidade precisa: esgoto, escola, creche, plantar árvores, catar lixo, microcrédito, ir atrás do governo para reivindicar infra-estrutura, cada lugar é diferente", conta ela, que com 8 meses de Teto já viajou para o Paraguai e construiu duas casas, uma delas em uma aldeia guarani.

A fase final, alcançada apenas no Chile, é simbolizada pela construção da moradia definitiva e o desenvolvimento de soluções habitacionais, em parceria com o governo, a sociedade e as empresas. A comunidade, nessa etapa, é chamada de auto-sustentável, pois os moradores se emancipam do intermédio da ONG e já podem reivindicar seus direitos junto à sociedade. Espera-se que, assim, a favela se integre à malha urbana da cidade.

Como no Brasil a última etapa ainda está um pouco distante, os planos imediatos da Teto são fortalecer a atuação e a imagem da ONG, conta Lucas, estudante de Ciências Econômicas da PUC. “Queremos que a Teto seja a primeira opção das pessoas que querem fazer trabalho voluntário. Que seja uma referência no voluntarismo universitário no Brasil”.

O crescimento do terceiro setor no Brasil é cada vez maior, mas isso não implica na sua independência em relação aos outros setores. Daniela, graduanda em Arquitetura pela USP, ressalta que o sucesso do projeto no Brasil só é possível com o apoio do governo. "Não podemos passar sem o poder público de maneira nenhuma. O que fazemos é ajudá-los a se organizarem, se associarem, para poderem reivindicar seus direitos de posse de terra, de cidadania junto ao governo". Por fim, solicitou: "A prefeitura tem que cooperar com a regulamentação fundiária e prover as famílias de infra-estrutura".


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São Paulo, Junho de 2009


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