quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Qual o verdadeiro peso de uma universidade pública?

No Brasil, o segundo semestre é marcado pelos maiores vestibulares do país, resultando em aulas extras e correria nos cursinhos pré-vestibulares. Também não é nenhuma novidade que os professores incentivam os estudantes sempre com o intuito de vê-los sendo aprovados em uma universidade pública, seja pela crença de que as mesmas sejam melhores que as particulares ou pela propaganda criada com as aprovações. A realidade, porém, às vezes se encontra muito distante do sonho da boa educação gratuita, principalmente nos cursos de Comunicação Social.

A Universidade Estadual de Londrina, a qual eu frequento, não foge disso. O CECA (Centro de Educação, Comunicação e Artes) sofre por falta de equipamentos, salas adequadas e, infelizmente, professores. Contratações tardias e concursos públicos que nem sempre selecionam os mais bem preparados são problemas que aparecem com frequência no dia-a-dia dos estudantes, que perdem aulas por falta de professores. Em algumas matérias, os alunos são obrigados a se dirigir a outros centros por falta de salas.

O descaso com os cursos de Comunicação Social, porém, não se restringe ao Paraná. A Universidade Estadual Paulista, por exemplo, abriga o curso de Jornalismo na cidade de Bauru, interior do estado, que é o maior campus da universitário do local. Infelizmente, o departamento não conta com computadores sequer razoáveis e a carência de professores é ainda maior, o que causa revolta no estudantes que se prendem a greves constantes como tentativa de resolver o problema.

Deixar na mãos dos estudantes e Centros Acadêmicos a responsabilidade de buscar melhorias em seus cursos é uma realidade no mínimo irônica. Após enfrentar a concorrência elevada, provas de assuntos que nada inteferem no desenvolvimento acadêmico da comunicação em si e gastos muitas vezes maiores do que a mensalidade de uma Universidade particular, ainda é necessário brigar por uma formação de qualidade? Teoricamente, essa obrigação não estaria nas mãos do Ministério da Educação agora? Será que já não basta o não reconhecimento do nosso diploma? O revoltante aqui é a diferença de tratamento entre os cursos, principalmente se compararmos com os mais tradicionais, como Direito e Medicina, que contam com maior parcela de rescursos e atenção das reitorias responsáveis.

Assim, fica difícil encontrar o verdadeiro peso e valor a ser pago por uma formação acadêmica satisfatória, que divide e afasta ainda mais a educação pública e particular, causando um claro déficit na qualidade dos profissionais da área.

8 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Excelente argumentação, Mônica. Só algumas ressalvas.

Medicina e Direito não são cursos exatamente privilegiados. Tenho amigos da São Francisco e da Escola Paulista de Medicina, exemplos de formação de profissionais. Problemas semelhantes: falta estrutura, professores, aulas cativantes, etc.

Sabe o que eles realmente tem de diferencial? Influência política.

A São Francisco foi a primeira faculdade do Brasil. Muitos dos políticos são formados lá, assim como o topo das carreiras no judiciário. Você acha que eles não se beneficiariam salarialmente dizendo?

E sabe por que estudante de comunicação se ferra?

Veja os líderes de órgãos de imprensa. Roberto Marinho não era formado. Sílvio Santos era camelô. A família Mesquita também não tem diploma pra coordenar o Estadão, assim como os Frias de Oliveira.

Há um nítido choque entre a classe intelectualizada e a elite de fato. Nesse conflito, só se ferra o espectador e nós mesmos. Precisamos encontrar meios de unir conhecimentos sem assumir posturas extremas, eu acho.

E valorizar, sempre, a educação. Mesmo quando o governo não valoriza. (mas isso não significa ser do Centro Acadêmico, necessariamente)

Mônica Alves disse...

O problema pra mim está no desinteresse de quem realmente pode mudar alguma coisa. De nada adianta meia dúzia de estudantes se juntarem pra reclamar sobre falta de computadores à reitoria, porque eles sabem muito bem disso e não fazem nada.

A diferença em relação a cursos como Direito é que, se esses estudantes reclamarem, a coisa pode mudar. É como se cada curso tivesse um peso, e esses pesassem mais, entende?

A influência política é óbvia, concordo com você. Mas eu não acho que nossa voz vale muito - de forma desorganizada - a ponto de mudar alguma coisa...

Pedro Zambarda disse...

Como você mesma diz: resta a nós organização e força para ganhar poder político também.

Não menosprezo a política nesse caso, de forma alguma. Especialmente se sei que pode melhorar a profissão.

Thiago Dias disse...

Diferença basica de um curso de jornalismo pra um exatas ou biologica: Incentivo privado. Empresas que colocam dinheiro la pq sabe que o profissional vai retornar. na boa..jornalista so da trabalho pra empresa, eles não querem mais da gnt.
Incentivo privado eh sim o futuro da universidade no Brasil.

Bola disse...

Discordo, Thiago.

Explique-me, então, porque Havard é a segunda melhor faculdade do mundo. É de Humanas.

A primeira é o MIT, exatas.

Biológicas abaixo.

Pedro Zambarda disse...

Deu erro acima. Sou eu ;P

Thiago Dias disse...

Harvard tem pesado investimento privado Pedro. A questão não cabe a faculdade de humanas em si, mas no incentivo privado e, atualmente, o setor privado no Brasil não tem interesse em investir em faculdades de humanas, diferentemente dos EUA. Isto que precisa mudar. A tal ponto que inumeras faculdades corporativas tem surgido nos ultimos anos

Pedro Zambarda disse...

Nesse caso, sim.

A questão é reconhecer que jornalismo é rentável e tem um retorno sim, ao contrário do senso comum que "requentamos" notícias.

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