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sábado, 22 de maio de 2010

Crítica sobre opiniões e coberturas da morte de Dio

Em sua maioria, as notícias desta semana sobre a morte do vocalista Ronnie James Dio trouxeram homenagens escritas muito comoventes de fãs e músicos internacionais para relatar a importância do rockstar. No entanto, entre tantas informações, resgato dois exemplos que, claramente, desqualificaram a carreira de Dio e foram, mesmo dentro do campo da opinião, um desrespeito com o falecimento do artista.

O primeiro que destaco é o jornalista, editor e blogueiro André Forastieri, que tem uma carreira brilhante, com passagens na Folha de S.Paulo até a consagrada revista de música Bizz. No entanto, currículo nunca é tudo. O profissional fez um texto claramente difamando Dio em seu blog no portal R7, um dia depois do falecimento. Não sei se ele quis apenas expôr um ponto de vista que a Igreja Universal tem contra o heavy metal e o rock em geral, tachando-os de música demoníaca e medieval, não rebelde, como é de fato. Com uma redação lamentável, André diz que a música de Dio está ultrapassada e que suas temáticas são infantis, além de dizer que o vocalista é ridículo simplesmente por ser feio, o que é não parece ser um assunto pertinente no momento. "Esse mundo de fantasia pseudocelta estilo Senhor dos Anéis/RPG/Harry Potter é coisa de pré-adolescente" afirma o jornalista, num exercício de retórica pobre, com argumentações vazias. Opinião não é tudo, sem uma base bem fincada.

A segunda, e última (ainda bem), gafe foi cometida pela imprensa televisiva. A Rede TV! colocou uma nota no ar, dia 18, sobre a morte de Dio. No entanto, as gravações inclusas no TP são de shows de Ozzy Osbourne, demonstrando um total desleixo dos editores e revisores do material. Você pode conferir o vídeo da falha logo abaixo.

Que fique claro: este não é um texto rabujento dizendo que essas reações são condenáveis. São apenas algumas críticas saudáveis sobre a própria imprensa, contendo opiniões com o mínimo de embasamento que a situação requer. Considerando a trajetória do metal na grande mídia, carregada de preconceitos falsos, essas respostas negativas foram poucas, principalmente comparando com a morte do guitarrista Dimebag Darrell, em 2004, por exemplo.

domingo, 14 de março de 2010

Falecimento de Glauco Vilas Boas e repercussão

Quatro tiros dados em cada uma das duas pessoas em Osasco fragilizaram uma família e acabaram com a carreira de um cartunista famoso. Glauco Vilas Boas e seu filho Raoni foram brutalmente assassinados por sequestradores às 0h do dia 12 de março. Na manhã seguinte, o sistema de microblogs Twitter divulgou amplamente a notícia, que foi foco de telejornais como Jornal Hoje, da Globo. No dia seguinte, a Folha de S.Paulo, periódico no qual Glauco publicou muitas de suas charges, incluindo personagens como Geraldão, Geraldinho e Dona Marta, prestou uma homenagem com um especial de seis páginas com a história do desenhista.

Sua carreira foi marcada tanto pela transgressão nos anos 1970 e 80 ao lado de nomes como Angeli e Laerte, que rendeu uma edição especial do quadrinho Chiclete com Banana com a expressão "Los tres amigos". O título faz referência a amizade entre os cartunistas, que floresceu no período da ditadura militar no Brasil. O papel que a arte de Glauco tinha não era apenas de entreter, mas criticar sobriamente nosso país, mesmo através de personagens bizarros e caricatos que marcaram a cultura nacional.

Segundo o texto do jornalista Matias Suzuki Jr, no especial da Folha de S.Paulo, além da ligação de Glauco com o seguidores do Santo Daime, era notória sua anarquia dentro dos jornais, chegando em cima do horário do fechamento e refletindo muitos fatos de seu próprio cotidiano em desenhos simples e extremamente caricatos, em histórias absurdas. Glauco estreou na Folha Ilustrada em 1983. Quase trinta anos totalmente dedicados ao humor na imprensa brasileira.

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