sexta-feira, 22 de junho de 2012

Prometheus: Uma boa proposta com roteiro questionável [OPINIÃO COM SPOILERS]



Prometheus foi uma grande surpresa de Ridley Scott em 2012: Assim como outros diretores de grandes franquias do cinema, ele decidiu criar uma nova obra tentando colocar uma origem para a Saga Alien, lançada em 1979. Com esse projeto, que estava na gaveta desde 2003, Scott traz novo destaque para a ficção científica cinematográfica. O resultado dessa experiência era arriscado, considerando a quantidade de fãs dos filmes Alien.

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E de fato foi. Os spoilers sobre o filme começam aqui. Ridley Scott acerta em propor um roteiro simples. A história consiste no projeto Prometheus, uma nave que segue uma coordenada descoberta pelos cientistas antropólogos Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green). Eles encontraram padrões em escavações arqueológicas que mostram um caminho nas estrelas.

A tripulação da nave é composta por especialistas e é financiada pelo empresário Peter Weyland (Guy Pearce). Os cientistas acreditam que esse caminho os levará para a origem da humanidade. Junto de todos eles está David (Michael Fassbender), um ser artificial que consegue simular todas as características humanas e que monitora toda a viagem.

Com essa proposta interessante, a história começa a degringolar. Shaw e Holloway descobrem um planeta na mesma rota das estrelas. Nesse local, seres com DNA idêntico ao humano foram exterminados por uma espécie de praga. Durante a exploração da Prometheus, Charlie Holloway é contaminado por essa espécie de vírus. Por ter relações sexuais com Elizabeth Shaw, ele engravida a pesquisadora e morre.

Ela, que era estéril, dá vida a um ser com tentáculos. Esse ser dá origem aos aliens. Dai para frente, o roteiro deixa de abordar as atitudes do androide David, que obedece secretamente ao empresário Peter Weyland (com uma doença terminal), e a missão de entender a origem da raça humana. O filme dá a entender que os criadores dos homens foram destruídos por uma praga e os heróis do filme parecem compreender que eles queriam levar essa infecção para o nosso mundo.

Essa é justamente a falha de Prometheus. Da metade do filme para frente, ele parece exatamente o mesmo roteiro de Alien 3, escrito em 1992, com a militar Ellen Ripley tentando se livrar de um ser de dentro dela. A diferença é que Shaw está no lugar de Ripley. E os tripulantes vão sendo eliminados, exatamente como foi em outros episódios de Alien.

Ridley Scott caprichou nos efeitos visuais, que tiram o chapéu de qualquer pessoa que aprecie filmes com naves e seres extraterrestres. Ele só poderia, como parecia no começo da história, executar um enredo diferente. Não foi o que aconteceu.

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