quarta-feira, 14 de março de 2012

Drive: Um thriller, um western, um noir e um romance


Um thriller, um western, um noir e um romance. Drive é tudo isto ao mesmo tempo em que não é nenhum desses gêneros. O filme de Nicolas Winding Refn é a trilha de um personagem sem nome que é levado por seus instintos sintetiza os grandes anti-heróis do cinema americano: Um homem que, tentando lutar contra a própria violência através da esperança de uma vida normal, sucumbe a ela e perde o controle de seus atos.
Ryan Gosling interpreta um dublê de carros e mecânico que faz bicos como motorista de assaltos, seguindo uma cartilha precisa: Durante 5 minutos ele estará a disposição dos assaltantes, um minuto a mais e eles estarão por conta própria, sem trocas de nomes, telefones ou parcerias. As coisas mudam quando seu amigo e dono da oficina onde trabalha, Shannon, faz um acordo com dois mafiosos para colocá-lo no mundo das corridas, e quando também, encontra Irene e Benicio, mãe e filho vizinhos de seu apartamento. O Motorista se encanta por eles e, bom, a coisa desanda.
A primeira coisa que chama atenção em Drive é sua ambientação, fazendo com que a cidade de Los Angeles, especialmente nas cenas noturnas, deixe de ser apenas um cenário, mas também um recurso narrativo do filme. Neste ponto, Drive se aproxima das obras de Michael Mann, como Colateral e Fogo Contra Fogo. Junte isto com uma trilha sonora propositalmente marcante e retrô, e temos um clima noir perfeitamente estabelecido, casando com outro recurso, que serve como metáfora para o personagem principal: O carro.
Em determinado momento, quando Irene pergunta ao Motorista o que ele faz, ele apenas responde “eu dirijo”. Sem nome e sem passado, isto resume sua personalidade em uma metáfora que se perde na tradução (drive, em inglês, também é uma expressão "para seguir seus instintos"). Desta forma o filme cria uma versão moderna do Homem Sem Nome de Clint Eastwood, da Trilogia dos Dólares. E o paralelo vai além. Com exceção de Irene e seu filho, todos os personagens do filme giram em torno de si, em uma espécie de “rota para a morte”, com a consciência de que dificilmente escaparão de seu destino. Uma relação que é a base dos grandes Westerns.
Com um elenco que beira o espetacular (Ron Perlman e Bryan Cranston valem qualquer ingresso), a direção não fica atrás e consegue entregar algo que, ao mesmo tempo que não é novo, soa como diferente. Com cenas de violência regadas com (muito) sangue e escolhas de câmera que fogem do obvio, Refn consegue manter a tensão do inicio ao fim. E se a conclusão talvez seja previsível por conta de sua estrutura, mas não nos importamos em saber o que irá acontecer e sim como irá acontecer. Drive talvez não seja para todos, mas é a prova de que arriscar no cinema ainda vale a pena. E isso quer dizer muito mais do que homenagens vazias criando algo anacrônico, mas sim mesclando o que é bom, proporcionando uma experiência que se não é nova, é única.

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