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domingo, 23 de junho de 2013

Nem todo nacionalismo dos protestos no Brasil é (necessariamente) ruim

Há reclamações nas redes sociais como Facebook e Twitter, e com razão, que o nacionalismo e o ufanismo recente nos protestos lembra o período da Ditadura Militar e/ou esvazia as pautas dos protestos em São Paulo e no Brasil todo. A maior parte dessas reclamações partem da esquerda política, que estava antes nas manifestações e acredita (com razão) que suas pautas foram tomadas. Mas gostaria de convidá-los a uma reflexão rápida: Talvez não seja bem assim.


Há relatos de jovens da periferia do Capão Redondo, próximo ao Morumbi, que utilizaram bandeiras brasileiras e cantaram hinos por melhoras na infraestrutura e no acesso do bairro, que é muito marginalizado. Fecharam, inclusive, a ponte João Dias. Nos trens vindos do Grajaú, na CPTM, idosos e adultos pintaram os rostos e foram, em clima de festa, ver o que estava acontecendo no centro de São Paulo, além da Avenida Paulista. Na estrada do M'Boi Mirim, a bandeira brasileira foi levada ao fechar uma das principais vias para o Jardim Ângela, na zona sul da cidade paulistana.

Nada descarta que estes moradores de periferia sejam conservadores e estejam pensando apenas em suas causas regionais, mas, considerando que eles são o elo mais frágil da sociedade, a bandeira deles pode ser digna.

Bandeira brasileira não está diretamente ligada ao fascismo, às doutrinas repressoras ou ao esvaziamento do discurso. Pode ser, sim, o símbolo da vez. E quem está incomodado com os discursos equivocados e com os abusos recentes, incluindo a queimada de bandeiras de partidos políticos, deve aprender a agregar e unir brasileiros de diferentes segmentos. A onda de nacionalismo pode ser uma onda de união realmente popular, independente  dos defeitos dos discursos englobados nas mobilizações.

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