segunda-feira, 26 de julho de 2010

Red Read Redemption e a crítica do gênese

E um dos melhores Westerns de todos os tempos é um game.


Se existiu um gênero no cinema que sempre falou por si próprio, foi o Western. Foram aproximadamente 50 anos, entre 1880 até 1920, retratados exaustivamente por grandes diretores como Sérgio Leone e John Ford. Anti-heróis encarnados por atores como John Wayner, Henry Fonda, Clint Eastwood e até Kevin Costner. Mas por fim o Velho Oeste consegue ter seu grande representante em outra mídia. Com Red Dead Redemption, da Rockstar, os games não ganham mais apenas um jogo de mundo aberto, ganham um dos mais fiéis retratos do Velho Oeste que já se viu.

Red Dead Redemption conta a história de John Marston. Um ex-fora-da-lei, deixado à morte por sua antiga gangue, que tem sua família seqüestrada pelo governo e é forçado a matar seus antigos companheiros. No meio do caminho, Marston vaga por cidades onde a lei é apenas uma sombra exercida por xerifes corruptos, cruzando com mulheres que precisam sobreviver em um mundo de homens, e ainda participando da formação da democracia em um México que nada mais era do que um rabisco do país que conhecemos hoje.

Indo direto ao ponto: Red Dead Redemption é, até aqui, o melhor game do ano. E sim, ainda me lembro que este ano foram lançadas obras como God of War III, Heavy Rain e Final Fantasy XIII, apenas para citar alguns. E também acho muito difícil surgir ao menos três games este ano que o superem. Talvez, e provavelmente, isto até aconteça quando falamos de aspectos técnicos, como gráficos e jogabilidade, mas poucos roteiros até hoje nos games vão tão fundo e cutucam tanto uma ferida quanto o de Red Dead.

Os Westerns sempre tiveram a capacidade de jogar com os extremos no cinema. São capazes de mostrar a faceta mais heróica do ser humano, como a mais podre. Os melhores, e são muitos, fazem ambos. E é este o primeiro e principal mérito de Red Dead. John Marston não é um anti-herói típico dos dias atuais. É o retrato de uma época, e talvez até mesmo o de um país. John cresceu órfão, foi adotado por uma gangue, cometeu crimes para beneficiar os mais pobres, e junto com sua gangue, acabou se perdendo. Agora Marston procura a própria redenção, sendo obrigado a caçar e matar seus antigos companheiros para salvar sua família, seqüestrada por agentes do governo. Sempre caminha no linear entre a lei e o crime, entre a honra e a má-fé, e atitudes como tirar uma vida ou queimar uma vila acabam tendo o mesmo propósito que resgatar uma família inocente ou salvar um rancho da destruição.

Para historiadores, a Colonização do Oeste foi a segunda gênese dos EUA. Assim como a primeira, foi conseguida com balas, pólvora e muito sangue. O governo abriu as portas e criou uma terra sem lei, habita tanto por cidadãos honestos quanto por bandidos. Todos a procura do mesmo: Sobrevivência. Situar Red Dead em 1911 não é uma escolha ao acaso. A década de 10 foi o início do fim do Velho Oeste. O governo americano demorou para perceber que estava na hora de limpar a bagunça que ele próprio havia criado. Estava na hora de “civilizar” o oeste selvagem. Uma civilização mais selvagem que os 50 anos que a precederam.

Red Dead Redemption é arte. Um novo tipo de arte nos games, que não se limite a um tipo de conceito visual ou de jogabilidade, como vimos em Shadown of Colossus ou Ico. Red Dead Redemption traz para os games a arte que constrói grandes personagens. É a arte que critica o modo como as coisas foram feitas. É a arte que te pergunta: O que você faria? Se eu vi algo parecido com isso recentemente, talvez tenha sido a conclusão da saga Metal Gear, com Guns of Patriots. Mas ainda assim, no máximo parecido. Red Dead Redemption não critica o modo como as coisas estão caminhando hoje. Não critica o governo x, y ou z. Red Dead Redemption critica a própria gênese dos EUA. E assim, questiona tudo o que o país é.

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