sábado, 8 de dezembro de 2012

Europa em cinco países - França, Reino Unido, Itália, Alemanha e Finlândia

O irmão está fazendo um intercâmbio no exterior. Foi como um sonho: Aproveitando que irei visitá-lo, decidi fazer um tour por mais quatro países. Eram as primeiras férias dos trabalhos de jornalismo e de imprensa em três anos. E foi a minha primeira oportunidade para viajar fora e conhecer o continente europeu.



O desembarque em Paris ocorreu com uma brisa cinza, com uma chuva "quase londrina" e uma temperatura nem tão fria, mas nada quente. Era dia 4 de novembro deste ano. O aeroporto Charles de Gaulle tem um movimento tímido na parte da manhã e quase inexistente após as 22h, sem muitas burocracias ou lentidões na verificação dos passaportes. O caminho até o Roissy Bus mostra que é possível ir até a capital francesa sem gastar uma fortuna de táxi, mas uma quantia razoável de 10 euros por pessoa em um ônibus espaçoso.

Para quem imagina que Paris é uma cidade com quarteirões repletos de artistas e várias pessoas com semblante prepotente, a metrópole surpreende. A estrada até a cidade exibe pichações, prédios residenciais e uma Paris mais pobre que traduz a intensa imigração que afeta o país. Mais ao centro da cidade, outra realidade é mostrada: Uma cidade onde prédios históricos conseguem se misturar com um comércio que, certamente, não é 100% composto pelos franceses.



O metrô é espaço para pessoas locais, negros africanos, muçulmanos e árabes. O chão do metrô parisiense, mais do que São Paulo, é ocupado por bitucas de cigarro e sujeiras de um povo que não tem muita higiene. As ruas contrastam, pois a comida é cheirosa e os monumentos são grandiosos. O Arco do Triunfo se mistura com as inúmeras lojas que formam um shopping a céu aberto. Como a fala de Vincent Vega em Pulp Fiction, filme de Quentin Tarantino, o famoso sanduíche quarteirão é "Royale with Cheese". Todos os queijos são gostosos na frança e o pão, de tão mole e crocante, pode ser aberto na mão.


A Torre Eiffel não é um monumento apenas à França, mas sim à própria Europa. Na gigantesca torre estão grafados nomes de filósofos contemporâneos e importantes de físicos e engenheiros grafados. Eu achei que os sobrenomes Foucault e Morin eram em homenagem aos filósofos Michel Foucault e Edgar Morin. Mas, na verdade, eles eram referência a Jean Bernard Léon Foucault (físico) e a Arthur Morin (matemático e físico).


Se Paris respira arte e contradição, o Louvre é o seu coração cultural. As galerias de pinturas mostram muito mais do que o pequeno quadro de Mona Lisa: Exibem a grandiosidade de artistas franceses em auto-retratos, cenas históricas da modernidade, antiguidades egípcias e a evolução da sociedade greco-romana. O Louvre não é um patrimônio francês, é um patrimônio de quem aprecia arte, do mundo artístico. Sua entrada em forma de pirâmide mostra que ele é muito mais do que uma simples galeria de quadros.

Da estação Gare du Nord, o Eurostar é o trem que faz a conexão entre a capital da França e a capital do Reino Unido. Encostado em seus assentos estofados, o viajante pode saborear uma paisagem que varia da metrópole parisiense até a ausência de cidades, estradas com carros Peugeot e Citröen, cataventos de energia eólica, fazendas, vacas e grandes bosques.



Depois do túnel submerso, a Inglaterra começa a surgir com seus carros com mãos trocadas, seu cheiro de chá e de cidade grande. Gare du Nord é conectada, pelo Eurostar, com a estação St. Pancreas. É neste lugar que também está a King's Cross, a famosa estação de trem da série de livros infanto-juvenis do bruxo Harry Potter.

A Londres que eu conheci tem pessoas fechadas em suas vidas concentradas em smartphones, em músicas de fones de ouvido. O rock'n'roll de David Bowie e dos Beatles combina com o parlamento inglês repleto de guardas, com as casas residenciais na área periférica, na zona sul. A pizza afegã dos imigrantes combinam, estranhamente, com o fish and chips londrino. O chá é mais doce do que em outros locais. O London Eye, a roda gigante, mostra como Londres é iluminada e imponente na noite europeia.


O rush do metrô londrino é tão lotado quanto o horário de pico no transporte público no Brasil, mas o transporte é mais rápido e eficiente. Empresas disponibilizam, por publicidade em e-mail, um Wi-Fi de qualidade dentro dos transportes.



Diante do Palácio de Buckingham, da realeza da atual rainha, está uma escultura de Elizabeth, a primeira. O Green Park, perto dali, concentrava as folhas caídas do outono, juntamente com os esquilos, sempre imprevisíveis, diante de corredores e fotógrafos.


Nenhum dos dias em que estive na capital da rainha choveu, exceto no último, no dia da partida. O taxista indiano quase bateu duas vezes o carro, antes de chegar no aeroporto. Deixamos uma Londres que, no começo, estava com céu limpo. Na partida, fazia um tempo cinza, com chuva insistente.


Florença é uma cidade do interior da Itália, preenchida por arte e boa comida. As feiras de rua concentram vendedores insistentes, que querem provar que o couro de suas malas e carteiras é legítimo. Entre os comerciantes, árabes e imigrantes da América do Sul tentam conquistar clientes viajantes que estão conhecendo as terras italianas. Os vinhos da Toscana davam um perfume único às massas.


As vielas de Florença escondem catedrais, fortes e museus que impressionam pelo seu tamanho e pela beleza em cores. O Palácio Vecchio dá impressão de estar em contato com o assassino Hannibal, em seus filmes de terror e suspense. Nos museus, além das artes italianas, você vê a história da formação de uma nação que foi composta por várias regiões separadas entre si.


Existem três Davis de Michelangelo na cidade, além da escultura de Donatello, responsável pelas igrejas da cidade. O Davi original está na Galleria Della Academia e não pode ser fotografado pelos turistas, devido ao seu complexo trabalho de preservação. Na frente do Palácio Vecchio, há uma miniatura de Davi semelhante ao de mármore da Academia. Um terceiro, de bronze, está na Piazzale Michelangelo, onde é possível ver Florença inteira, após uma longa escadaria.

Bruschettas, spaghettis e diversas massas nos deixaram à vontade para experimentar uma variedade de molhos e combinações. A pizza florentina não tem muito sabor, foi a única decepção da viagem. Falta recheio e sobra massa. Os museus italianos cobram impostos, além da taxa para entrar.

Com mais um avião, seguimos de Florença até Frankfurt, outra cidade no interior, mas, desta vez, na Alemanha. Em Römer e Paulsplatz, você descobre, através dos museus locais, que foi o local de fundação do Sacro Império Romano-Germânico. O império era dos francos, a civilização que fundou tanto a França quanto parte da Alemanha. A viagem serviu para compreender uma conexão entre a história francófona com o passado germânico.


Frankfurt é rodeada por casas e tem, em sua costa, o rio Main. O centro, destoando do resto da composição da cidade, é preenchida por prédios gigantescos que guardam grandes bancos europeus. É nesse local que fica o Banco Central Europeu, o centro financeiro da União Europeia.




A casa de Johann Wolfgang Von Goethe foi transformada em um museu, com a escrivaninha preservada, onde ele escreveu a primeira parte do livro Fausto e outras obras. No subsolo do mesmo museu, uma exposição especial mostra a vida de Goethe fora de Frankfurt, como político e leitor curioso por economia alemã. O poeta alemão é um patrimônio da cidade e da nação. E seu museu é uma inspiração para qualquer um que faz literatura ou se sensibiliza por livros.

Outro dado peculiar de Frankfurt é a concentração de árabes no centro da cidade, administrando hotéis e restaurantes. As ruas com mais botecos fica no sul da cidade, em Sachsenhausen, bem alemã.

Berlim é distinta, muito diferente de Frankfurt. Sem o apelo de um centro financeiro, os centro político da cidade é forte, com um enorme parlamento próximo da estação central de trens, a Hauptbahnhof. O Portão de Brandemburgo, próximo do centro parlamentar, não é gigantesco, mas é um marco histórico tanto do povo alemão quanto de seus conquistadores.



O Muro de Berlim, que percorre toda a cidade, traz um misto de depressão e arte libertadora. No memorial do norte da cidade, na Bernauer Strasse, as histórias tristes de pessoas que tentavam pular de um lado para o outro, tentando reunir suas famílias, é deprimente. Em Ostbahnhof, na galeria do muro no leste, grafites baseados no álbum The Wall, da banda de rock Pink Floyd, inspiram uma libertação que certamente tomou os habitantes de Berlim durante a queda do muro.



O Portão de Brandemburgo também reúne jovens em festa. Um peruano vestido de Darth Vader tira foto com turistas. No dia que fui visitar o local, uma limusine chegou ao local tocando, em volume alto, Gangnam Style, do rapper coreano Psy. De dentro do carro, mulheres e um homem vestido de gorila faziam uma performance da música. Além de toda essa festa, dois homens estavam fantasiados de Mario & Luigi, personagens dos videogames.


Esse clima festeiro de Berlim foi impactado pela frieza e eficiência de Helsinki, outro ponto de minha viagem, a capital da Finlândia. Sede da Nokia, o país respira rock'n'roll e desfruta de poucas horas de sol quando se aproxima do inverno. Quando estávamos lá, anoitecia entre 14h e 15h, com lua cheia. O corpo começava a reclamar de sono quando o sol se punha, quase imediatamente. Você sentia um cansaço acima do normal e uma vontade de dormir que é bizarra para quem vive nos trópicos, ainda mais no Brasil, que tem um tempo regular de sol.


O inglês falado pelo finlandês é invejável e sua língua é diferente dos russos e dos suecos que dominaram o país por muitos anos. O salmão, os peixes salgados, o tender e a carne de rena (sim, eles comem o Rudolf do Papai Noel) são saborosos, bem temperados e conservados. Mas há comidas estranhas lá, como o Salmiakki, que é vendido em barras de chocolate, que são salgadas, ou em forma de bebida.

Lá comecei a sentir as temperaturas negativas. Entre 0 e -10ºC, há uma possibilidade de nevar, mas é um frio ainda ameno, onde o vento pode fazer sua pele sentir uma temperatura intensa. Quando a temperatura cai para abaixo dos -10ºC, o vento começa a machucar a pele, partes descobertas congelam e a necessidade de casacos (ou acessórios como luvas, cachecol e gorros) se torna mais urgente.

Helsinki possui um enorme Parlamento, bares de rock'n'roll e um museu nacional que aceita visitantes de graça entre 16h e 18h todas as sextas-feiras. Parti da capital finlandesa para Oulu, considerada a capital do Norte da Escandinávia. É uma cidade vazia, ocupada por prédios baixos e casas. Mas há um segredo lá: Uma enorme universidade que é bem servida de laboratórios de tecnologia e de centros de pesquisas em internet. O centro da cidade conta com um Wi-Fi público, diferente do de Londres, sem cobranças de publicidade.



Oulu tem vastos bosques, que ficam brancos com a neve, iluminando a noite. Oulu tem criminalidade zero e um monumento de um policial rechonchudo no centro da cidade. Oulu tem kebaberias chefiadas por árabes, mesmo sendo um país da escadinávia. Heavy metal, em Oulu, é a música popular comum.


Cheguei a encarar -16 ou -17ºC naquelas terras, minha memória não recorda ao certo. Dessa temperatura baixíssima, peguei três aviões até o Brasil. Da Finlândia até as terras brasileiras, o termômetro foi de -15 até 25ºC. Depois, aqui no Brasil, só esquentou mais, passando dos 30. E, Paris, uma das pontes aéreas na volta, fazia a temperatura amena de 5ºC. Eu tinha me habituado ao frio comum após um frio baixo. E voltei suportando melhor o nosso calor tropical.

Fotos de Andréa Corrêa Lagareiro, minha companheira de viagem.

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