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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Conferência de Comunicação e o Diploma de Jornalismo

Desde a metade de 2009, fizeram muitas piadas com seu diploma de Comunicação Social - Jornalismo? Disseram, com os recentes escândalos envolvendo o âncora Boris Casoy, que seu estudo universitário vale menos do que o de um gari?

Então vou refrescar a memória de alguns e trazer notícias velhas que outros não viram. Entre os dias 14 e 17 de dezembro do ano passado, foi realizada em Brasília a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM). Com a participação de 1,6 mil representantes do Poder Público, o empresariado e movimentos sociais, a conferência aprovou 700 propostas feitas pela sociedade civil para aprovação no legislativo. Entre as propostas aprovadas, adivinhem, é a volta da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, diminuição de redes internacionais no Brasil e programas que representem minorias étnicas e culturais.

A última vez que o setor sofreu uma alteração em seu regimento, mesmo que muitas propostas tenham sido recusadas hoje, foi há cerca de 50 anos. Então, se alguém vier tirar sarro da sua carreira profissional como comunicador, entenda que o processo é mais complicado do que parece e colabore para sua melhoria, seja pela Conferência ou por outros meios.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sobre a I Conferência Nacional de Comunicação

Post interessante para as pessoas que querem discutir jornalismo e mídia de uma maneira aberta para a população, sem domínio de opiniões, empresas ou qualquer tipo de controle.

Informações e texto de Bia Barbosa

Do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social


Em janeiro deste ano, após muita pressão da sociedade civil organizada, o presidente Lula anunciou a disposição do governo em convocar a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Em abril, um decreto presidencial oficializou a iniciativa, definindo o seu tema: Comunicação: meios para a construção de direitos e cidadania na era digital. Sua etapa nacional está agendada para o período de 14 a 17 de dezembro, em Brasília.

O que é?

As Conferências Nacionais vêm consolidando-se como instrumentos fundamentais para garantir a participação da população organizada na discussão e definição de diretrizes para um determinado setor do Estado. O exemplo sempre citado é o da área da saúde. As conferências são convocadas pelo Poder Executivo Nacional e dela são convidados a participar todos os setores da sociedade civil brasileira. São processos com etapas municipais, estaduais e nacionale funcionam com base num regimento que estabelece temas e metodologias de discussão. Este regimento é construído por uma comissão organizadora, que conta com representantes do poder público e da sociedade civil.

Em cada uma das etapas da Conferência, são aprovadas propostas e eleitos delegados e delegadas para defendê-las no âmbito da federação imediatamente superior. Tudo isso até se chegar à etapa nacional, que aprova das diretrizes para as políticas públicas daquele setor. No Brasil, mais de 100 Conferências Nacionais já foram realizadas, a maioria delas depois de 2003.

Seguindo o mesmo princípio, a Confecom será um espaço em que os cidadãos e cidadãs brasileiros poderão, pela primeira vez, apresentar suas demandas e propostas para políticas públicas de comunicação. Será um momento para toda a sociedade definir as diretrizes e ações que o poder público (prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, ministros, presidente, juízes, promotores, etc) deve ter como prioridade no setor de Comunicação. Ou seja, a Conferência vai inaugurar um espaço público de debate sobre os temas da comunicação, historicamente tratados a portas fechadas entre governo e empresariado. Nesse sentido, será o momento tanto de afirmar objetivos gerais para um sistema de comunicações no Brasil quanto de apontar diretrizes para regulação e políticas públicas para o setor, estabelecendo referências para a construção de um novo modelo institucional para as comunicações no país.

A Conferência é presidida pelo Ministério das Comunicações, com a colaboração direta da Secretaria Geral da Presidência e da Secretaria de Comunicação Social. Na Portaria 185, de 20 de abril de 2009, foram instituídos os órgãos do poder público e as instituições da sociedade civil que compõem a Comissão Organizadora, responsável por regular todos os aspectos da Conferência, entre eles, os temas a serem debatidos.

Neste sentido, os temas da Confecom – que envolvem assuntos como concentração da mídia; produção independente e regional; políticos donos de rádios e TVs; rádios e TVs comunitárias; sistema público de comunicação; controle social; universalização da banda larga; TV digital, etc – estão divididos em três eixos estruturantes: Produção de Conteúdo; Meios de Distribuição; e Cidadania: Direitos e Deveres.

E o que tudo isso tem a ver com você?

Você está satisfeito e satisfeita com a programação da sua TV? Sabia que as concessões de rádio e TV são públicas e que você poderia participar e opinar sobre o conteúdo que elas veiculam? Acha justo e democrático que a liberdade de expressão seja um direito de oito famílias? Como ficam as emissoras públicas, educativas e comunitárias se quase 60% das verbas publicitárias são destinadas a apenas uma emissora de televisão? Você sabia que estão querendo acabar com a liberdade na internet?

Em um momento como esse, de convocação da população brasileira para participar da I Confecom, os setores progressistas da sociedade têm o papel de apresentar uma agenda e um conjunto de propostas para a Conferência que reflita essa luta pela transformação do modelo concentrado e excludente de comunicações no país, sem temer conflitos com aqueles que historicamente ajudaram a consolidar este modelo. Não há dúvidas de que os desafios são muitos e de que o tempo é curto, mas esse processo de Conferência vai mostrar a capacidade da sociedade em se organizar para defender a transformação do atual modelo de comunicações.

Esta é uma iniciativa e bandeira histórica dos movimentos que lutam pela democratização da comunicação e pela afirmação da comunicação como um direito humano – portanto, que deve ser exercido por toda a sociedade. Por isso, movimentos sociais e organizações da sociedade civil estão articuladas em todos os estados para participar deste processo. , reuniões, seminários e conferências livres se multiplicam pelo país.

Aqui em São Paulo, diversas cidades já realizaram suas etapas municipais e outras dezenas estão agendadas para as próximas semanas, em todas as regiões do estado. Nossa etapa estadual deve acontecer entre os dias 30 de outubro e 1 de novembro, mas a data ainda precisa ser confirmada pela Comissão Organizadora Estadual.

Esperamos que esta seja apenas a primeira de muitas conferências e que ela represente o início do fortalecimento definitivo do movimento pelo direito à comunicação no Brasil. Temos pela frente a tarefa histórica de retirar os cidadãos e cidadãs da posição de simples espectadores de meios e consumidores de serviços e elevá-los de fato à condição de sujeitos. Sem isso, falar em liberdade de expressão ou em sociedade democrática continuará soando como um discurso vazio.
Como acompanhar o processo no Brasil e em São Paulo

Todas as informações sobre o processo da Conferência de Comunicação podem ser obtidas no site da Comissão Nacional Pró-Conferência (www.proconferencia.org.br) e no site da Comissão Paulista Pró-Conferência (www.proconferenciasp.org). A Comissão Paulista Pró-Conferência se reúne semanalmente às quartas-feiras, às 19h, em São Paulo, e possui uma lista de discussão e organização das atividades. Para cadastrar-se, envie mensagem para contato@proconferenciasp.org.

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