domingo, 8 de março de 2009

Igualdade, mas nem tanto

24 de fevereiro de 1932. Foi esse o dia em que as mulheres brasileiras adquiriram o direito ao voto, com um decreto presidencial de Getúlio Vargas. Na Constituinte de 1891, o sufrágio feminino foi negado, com o argumento de que seria "um estímulo ao fim das famílias".

Hoje, no Dia da Mulher, em pleno século XXI, ainda estamos debatendo questões de igualdade entre os sexos. As brasileiras, apesar de terem conquistado prestígio na área de trabalho, e ascendido socialmente, ainda sofrem muitos preconceitos. Apenas 30% dos lares possui uma mulher como principal provedora, o que é quase nada quando se leva em consideração a fatia do mercado nacional sob poder feminino.

A Nova Zelândia, em 1893, já garantia o direito de voto a suas cidadãs, e em 1907, uma mulher foi eleita para o Parlamento, na Finlândia. Ainda assim, o Brasil, como tantos outros países, não abre espaço para a participação feminina efetiva na política. Apesar do direito ao voto, as mulheres têm conseguido pouco lugar no governo do país, ainda que a lei nº 9.504/97 reserve 30% das vagas para o sexo feminino, o que não é cumprido pelos partidos.

Infelizmente, os critétios de escolha para que uma mulher alcance cargos públicos não tem muito a ver com mérito, mas sim com a lógica hereditária do partido. As mulheres conseguem cargos na base, mas nunca alcançam os mesmos direitos de ascensão de um colega masculino.

No Vaticano, apenas os homens têm direito ao voto na Conclave, reunião que define quem será o próximo Papa, posição também ocupada pelo sexo masculino. A Igreja Católica ainda intervém em assuntos como o aborto (a exemplo do arcebispo de Olinda), apesar de a sociedade atual considerar esse um assunto restrito ao poder que a mulher tem sobre seu próprio corpo. Mulheres também não podem celebrar missas, e possuem pouco ou quase nenhum poder de veto em decisões tomadas pela Igreja a qual servem. A sharia, lei islâmica, continua em vigor em diversos países, permitindo que mulheres sejam apedrejadas, recusando-lhes direito à educação e obrigando-as a viver totalmente sob as ordens dos líderes masculinos, pais, maridos e irmãos.

O sufrágio feminino americano - tema do filme Iron Jawed Angels, de Katja von Garnier (indispensável à qualquer feminista) - foi conquistado em 1920 após muita luta, polêmica, protestos e até prisões e maus tratos por parte da polícia. No filme, a atriz Hilary Swank, que interpreta Alice Paul, líder do Partido Feminino Nacional, diz que é injusto que mulheres tenham que sofrer numa luta que nem ao menos deveria ser uma luta. Afinal, onde está a igualdade?

Enfim, apenas um dia ao ano para fazer evoluir todas essas questões é pouco. Todo dia deveria ser o Dia da Mulher.

27 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Feliz Dia Internacional das Mulheres

Não só para as mulheres, para as feministas ou para as mulheres delegadas a condições subhumanas sob o domínio dos homens e da sociedade (mas que estão sendo ajudadas ou lutando contra isso). Meu agradecimento vai ao lado feminino de todo o ser humano, incluindo o homem.

O homem só vai tratar a mulher como gente quando soube e aceitar sua sensibilidade, sua versatilidade e passividade. Se ele continuar coordenando suas cidades como uma república dos macacos, a coisa só tende a ser brutal mesmo.

E quem acha isso bicha, deve mesmo tomar (muito) no cu.

Postei isso aqui: http://www.fotolog.com/livrodomorto/67994580

zymboo disse...

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Mariana Bruno disse...

eu achei a parte sobre a Igreja meio off. E o aborto não é sobre a mulher tendo controle sobre seu corpo, e sim sobre o direito de vida de qualquer ser humano.

Cecília do Lago disse...

O direito ao voto feminino só foi instituído em 1934, junto com os analfabetos. Antes disso só com autorização do marido.

O voto em igualdade de condições para todos os brasileiros só veio em 1946, após uma ditadura que acabou com os direitos políticos.

Esse número, 30% de famílias chefiadas por mulheres, é pouco, até pode ser, mas também é alarmante. Grande parte desses 30% são de famílias carentes, as quais só têm uma única mulher como adulto responsável.

O Dia da Mulher seria muito mais igualitário e justo se o feminismo não fosse tão superficial.

Cecília do Lago disse...

Pedro, acho que você quis usar a palavra pacificidade ao invés de passividade na frase:

"O homem só vai tratar a mulher como gente quando soube e aceitar sua sensibilidade, sua versatilidade e passividade."

Por que, já sendo o Dia da Mulher um dia que se baseia na morte de muitas operárias nos Estados Unidos, passividade não seria a maior palavra para homenagear este dia.

Pedro Zambarda disse...

Ciça, é passividade mesmo.

Homem reprime, mas depende da mulher pra comer o feijão em casa. É uma hipocrisia sem tamanho.

Nina disse...

não entendi como a parte da igreja pode ser off O.o quer dizer, é fato, religiões são machistas....e isso é algo q tem q mudar.
a data do voto..ok, realmente, eu não estava sabendo, mas culpem a Folha, que divulgou essa como a data do voto feminino no brasil.
e quanto ao aborto, é sim sobre o poder da mulher sobre o proprio corpo. afinal, como podem homens fazerem leis sobre o que apenas a mulher pode decidir? a gravidez é um processo no corpo feminino, é fato, é escolha da mulher. e sim, também é sobre o direito a vida, se encararmos apenas o lado religioso...

Cecília do Lago disse...

Então se você usou mesmo de propósito a palavra "passividade", foi então muito infeliz.

Se uma mulher é humilhada e se mantém passiva frente a isso, a passividade já é muito bem aceita no mundo de hoje, não acha??

A sociedade tem uma relação de poder muito mais complexa do que o maniqueísmo de homens x mulheres.

"Homem reprime, mas depende da mulher pra comer o feijão em casa. É uma hipocrisia sem tamanho."

A segunda frase explica a primeira.
Em qual você se encaixa?

Sem mais.

Diego disse...

Pedro, não entendi o que você quis dizer com os seus comentários. Principalmente em "O homem só vai tratar a mulher como gente quando soube e aceitar sua sensibilidade, sua versatilidade e PASSIVIDADE." e "Homem reprime, mas DEPENDE DA MULHER PARA COMER O FEIJÃO EM CASA. É uma hipocrisia sem tamanho".

Achei que essas frases demonstram uma forma de machismo. Espero que você tenha apenas se expressado mal.

E Nina, você não pode se livrar da culpa por ter dado uma informação imprecisa dizendo que o erro foi da Folha. Sendo assim, você está repercutindo uma informação errada. Seu dever como jornalista era ter checado.

A desculpa de "O erro não foi meu, só repeti o que o outro jornal havia dito" já foi usada muitas vezes, em casos como o da Escola Base e, mais recentemente, no incêndio na fábrica de colchões que foi noticiado como uma queda de avião. Mas não é justificativa digna de um bom jornalista.

Você faria melhor simplesmente admitindo o erro, se desculpando e corrigindo a informação no post.

Nina disse...

É verdade Diego, eu deveria ter checado. Mas a coisa é que eu confirmei essa informação, e ela está correta. Eu deveria, talvez, ter explicado que as mulheres podiam votar, porém com a autorização de seus maridos, e que seus votos não eram obrigatórios, mas mesmo assim, já tinham o direto ao voto.

Pedro Zambarda disse...

Diego, que forma de machismo?

Eu tô falando sobre o que acontece na maioria das famílias. O homem diz que é o dominador, mas depende sim da mulher. Não entendi qualé o absurdo nisso.

Não basta somente emancipar a mulher, mas revelar as fraquezas do homem.

Pedro Zambarda disse...

cecília, eu gostaria de não me encaixar em nenhum dos dois perfis.


E gente, pelamor, leiam direito. Eu não tô falando que apoio tais coisas, tô falando o que falta ao homem e o que acontece de fato.

E "sem mais" o caramba, k?

Thiago Dias disse...

Como uma frase que fala que o homem depende da mulher pode ser machista? To tentano entende isso ate agora e não consigo, pq todo esse post comentário que vc fez ai Diego, não faz mto sentido.
E outra, que lição de moral na Nina foi essa? É jornalista formado já por acaso? Nunca cometeu erros? Se a resposta pra alguma das dois for sim, ai quem sabe, vc ta certo, mas não dexa de ter sido grosso.

A passividade ai foi usada em outro sentido, acredito eu. Passividade no sentido de que a mulher deseja cuidar do homem, por livre e espontanea vontade. E não já nada de humilhante e depreciativo nisso, apenas demonstra como muitas mulheres estão muito mais bem desenvolvidas socialmente que a maioria dos homens. por favor, me corriga se eu estiver errado.

Thiago Dias disse...

Ah, só uma coisinha que esqueci: Aborto não tem nada a ver com a mulher????
Porra, o corpo é de quem? Quem é a mãe? Quem vai ter que cuidar e amar aquela criança??

Pedro Zambarda disse...

Gente, é pro HOMEM ASSUMIR A PASSIVIDADE DELE, NÃO DA MULHER.

Não é pra ele ser submisso que nem a mulher, é pra ele assumir a culpa dele no cartório. O termo não foi infeliz, foi falta de releitura mesmo. E eu ainda deixei claro o significado na segunda frase.

Mariana Bruno disse...

A religião é machista? COMO? Só pq a mulher não pode celebrar missas? Aborto é ultimo recurso, mesmo. Tipo a menina que engravidou do padrasto fdp. Se vc nao quer, nao precisa matar e esquartejar (pq é assim que o aborto ocorre), é só dar pra adoção. Sabe, Juno?

Mariana Bruno disse...

Eu nunca vi mulher clamar pelo direito de celebrar missas. Nada contra, acontece que a Igreja é uma das (se não for A) instituições mais antigas do mundo. Quando ela começou, o mundo ERA machista. Como nós conseguimos direitos? Brigando. Se ninguém clamar pelo direito de celebrar missas, não se mexe em time que está ganhando né?
Primeiro interesse, depois mudança.

Mariana Bruno disse...

Só falta falar que é machista porque Jesus é homem.

Anônimo disse...

Muito bem, Pedro. Uma opinião lúcida acerca das mulheres. Nós é que mandamos mesmo. O feijão é nosso! E acabou. Sem mais

Anônimo disse...

Muito bem, Pedro. Uma opinião lúcida acerca das mulheres. Nós é que mandamos mesmo. O feijão é nosso! E acabou. Sem mais

Luis Carrasco disse...

fui eu que comentei.

Nina disse...

Como o mundo é lindo, é só por pra adoção, tipo filme =D (E aborto acontece nos meses de gestação em que o feto ainda não tem sistema nervoso, então não sente dor.)
A Igreja é uma das instituições mais antigas do mundo, e, logicamente, ultrapassada. Não condeno a fé, nem um pouco, acho de extrema importânica, mas com licença, dizer que a Igreja não é machista é absurdo! A Igreja não acompanha a evolução da ciência, leis e sociedade, todos os cargos principais são ocupados por homens. Se a Igreja não fosse machista, tenho certeza que arranjaria um jeito de ter mulheres em posições importantes. Mulher não pode celebrar missa, não pode votar em nada, o líder máximo da Igreja só pode ser homem. A Inquisição queimou várias mulheres sob a acusação de bruxaria (!!!), e, a master, EVA trouxe o pecado ao mundo \o/
E sim, Jesus é homem, sem problmas, e Deus é sempre no masculino ...
A Bíblia tem diversas passagens machistas - poligamia, estupro por culpa da mulher, criação do mundo, deveres da esposa. Se a Igreja crê na inerrância desse livro, como é que se luta contra esse tipo de lei?
O mundo evoluiu, a Igreja deveria evoluir também. Não é porque é uma instituição de 2 mil anos que pode simplesmente impor suas razões para a sociedade, e basear a lógica num livro que não acredita em dinossauros (!!). Se é pra ser contra o aborto, que seja por motivos acessíveis para todos, inclusives os ateus.

Mariana Bruno disse...

A Igreja não impõe, Nina, parte-se do princípio de que quem adere, concorda. E só porque o feto não sente dor tá tudo bem? Não é questão de o mundo ser lindo ou deixar de ser. Eu não posso nem imaginar a dor que deve ser ter que carregar um filho que foi gerado em um estupro. Mas isso não quer dizer que matar o seu filho vai fazer a lembrança desaparecer. Ela só vai ficar invisível. Ok, metade do seu filho é de um fdp, e a outra metade? a sua? Não deixa de ser seu também, não deixa de carregar seus genes e, provavelmente gostar das mesmas coisas que você. Pra mim, raros são os casos justificáveis.

Diego disse...

Pedro e Thiago, fiquem calmos, não precisam se irritar tanto por um simples comentário. Eu disse (e continuo achando) que posso ter entendido errado, mas achei que vocês passaram (inconscientemente) um pouco de machismo em alguns comentários.

Exemplos: as afirmações “Não é pra ele ser submisso que nem a mulher”, de Pedro Zambarda, e “Passividade no sentido de que a mulher deseja cuidar do homem, por livre e espontanea vontade [sic]”, de Thiago Dias.

Mas acredito que a discussão só tomou esse tamanho devido à ambigüidade presente na frase: “O homem só vai tratar a mulher como gente quando soube e aceitar sua sensibilidade, sua versatilidade e passividade”. Pedro, basta fazer a análise sintática para observar que o termo “sua” pode se referir tanto a “homem” quanto a “mulher”. A maioria dos leitores com quem conversei entendeu que se referia a “mulher”. Você esclareceu a questão depois, mas acho que demorou muito.

Sim, isso significa que entendi errado, Pedro, mas a culpa disso não pode ser sempre jogado no leitor. Como bom jornalista que você é, deve saber que devemos sempre evitar ambigüidades e tornar o nosso texto o mais claro possível para os receptores. Uma má-compreensão da mensagem pode levar a polêmicas artificiais, como esta.

E Thiago, quanto à “lição de moral na Nina”, acredito que ela entendeu muito melhor do que você, pela resposta que me deu. Não foi uma lição de moral, apenas uma crítica que acreditava poder ser construtiva para ela. E também não estava criticando-a por ter dado a informação incompleta , apenas reclamei do fato dela usar a divulgação da informação na Folha de S. Paulo como desculpa. Ela esclareceu bem a questão na resposta ao meu comentário, sem ser ignorante. Mas desculpem se passei a impressão de ter sido grosso, não foi minha intenção.

E Thiago, desculpe por ter feito mais um “post comentário”. Mas é divertido irritar vocês.

Sem mais.

Pedro Zambarda disse...

sua não é ambiguo. É pronome que se refere ao "homem" da frase.


O post não era jornalístico. Tanto que eu não botei no main do Bola.

Cecília do Lago disse...

Em rádio aprendemos a nunca usar o termo seu/sua. Por muito tempo eu fiquei teimando com o Solano, agora eu tenho certeza mais do que nunca, inclusive para textos impressos.

Pedro, até a minha mãe entendeu que o termo sua se referia à mulher, e ficou muita irritada com o seu comentário. E olha que ela disse que tem 50 anos e já escutou muita ladainha nessa vida.

Mostra o texto pra qualquer professor que ele vai te explicar a ambiguidade da frase. Larga de ser orgulhoso.

E os homens não são passivos, são muito legais, se você quer saber, viu. Pare de ofendê-los. O Dia da Mulher é uma data para se celebrar a igualdade, não é uma inversão de desrespeito só para compensar erros do passado.

Aliás, 1 de novembro é o Dia Internacional do Homem.

Bjmeliguem.

Lin Liu disse...

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