domingo, 8 de março de 2009

O prazer de um simples conto

O mundo dos quadrinhos se tornou muito paradoxal ultimamente, principalmente no Brasil. Existe um esforço tão grande das editoras para tentar conquistar um público mais adulto, que às vezes simplesmente esquecemos daquelas histórias simples, divertidas, despretensiosas. No entanto, elas nos proporcionam um ótimo passatempo. Um exemplo é O Curioso Caso de Benjamin Button, que chegou as livrarias no último mês. Aproveitando o impulso proporcionado pela superprodução estrelada por Brad Pitt, a Ediouro lançou a adaptação que Nunzio DeFillips e Cristina Weir (com arte de Kevin Cornell) realizaram do conto de F.Scott Fitzgerald no fim do ano passado nos EUA.

A HQ conta com o texto original de Fitzgerald, apenas com algumas pequenas adaptações, proporcionando um número maior de diálogos. Mesmo assim a origem acaba sendo a minoria, priorizando até a narração em off feita pelo autor. Desta forma, a HQ acaba se tornando a única chance que os brasileiros tem de adquirir o conto original, já que este nunca foi lançado oficialmente no Brasil. E vale a pena ser lido, já que tem muito pouco haver com o filme de David Fincher.

Os desenhos de Cornell são feitos em aquarela, com cores pasteis que acabam proporcionando ao leitor uma experiência leve. É possível passar por suas 128 páginas em menos de 1 hora, sem perder nenhum ponto importante e desfrutando de cada quadro. No fim, temos um posfácio que explica toda a jornada pela qual Fitzgerald passou até ter seu conto publicado. Ele dizia que seu conto era “o mais engraçado já escrito”. De fato, risadas não faltam, principalmente na primeira metade da obra, em que vemos a relação entre o bebê-ancião Benjamin e seu pai, que se esforçava para que ele agisse como uma criança. De fato, até ficamos sem entender muito bem por que o roteiro do filme alterou tanto o conto original, com o pai de Benjamin abandonando a própria criança. Enfim, um ótimo passatempo, sem um preço muito salgado (R$ 29,90), em uma edição muito bem cuidada pela Ediouro, que serve até para arejarmos nossa cabeça depois da overdose de Watchmen e Batman nos últimos tempos.

9 comentários:

jorge telles disse...

Seria interessante escolher uma imagem menor ou diagramar de forma mais inteligente.

Pedro Zambarda disse...

Jorginho, calma criança.

Esqueceu de chupar o pirulito? ;]

Thiago Dias disse...

Realmente a diagramação não foi das melhores não. Acontece que por ser uma HQ Jorge, a arte é fundamental. Dai o tamanho da imagem.

Pedro Zambarda disse...

Ele tá com saudades de chupar pirulito, Thiago. Nem leva a sério um cara que só sabe ver ERROS e não LER textos.

Pedro Zambarda disse...

Cara, terminei de revisar agora, que texto ótimo!

Quadrinhos assim não deveriam ser tão injustiçados.

André Sollitto disse...

Estou querendo comprar essa hq, pois é realmente muito bacana! Quanto ao conto, Thiago, só um toque: ele foi lançado sim, em duas coletâneas do Fitzgerald. Uma delas foi feita pela Casa Jorge e chama apenas "Contos". Já a outra, "Seis Contos da Era do Jazz", da Editora José Olympio, acabou de ser relançada depois de alguns anos fora de catálogo.

Thiago Dias disse...

Fui traido pela fonte então huahua
valeu pela correção

André Sollitto disse...

Huahuaha relaxa. Os editores tem que se ajudar, certo?

Pedro Zambarda disse...

Thiago, corta a informação errada?

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