Amanhã, o STF discute a exigência da formação superior específica e o registro na Delegacia Regional do Trabalho para o exercício da profissão de jornalista.
De um lado, encontramos aqueles que defendem fielmente a exigência do diploma. Seja pelo fato de ter freqüentado durante 4 anos um curso superior, seja pela crença de que é necessário o mínimo de embasamento teórico, técnico e ético para o exercício da profissão.
Do outro, quem acredita que um bom jornalista não depende de um canudo na mão, mas sim de uma aptidão natural, quase um dom. Usam até dos bons exemplos que temos de jornalistas sem formação acadêmica que são tão bons ou até melhores do que aqueles que a tem.
Em meio a tanta discussão e questionamentos, o protagonista de tudo deixa de ser apenas o diploma, mas sim a desintegração e desvalorização da profissão. Medidas como esta, que talvez nem devessem existir, apenas expõe um grande problema e uma necessidade antiga: a discussão do exercício e do papel do jornalista no Brasil.



12 comentários:
acho desnecessário quem diz que jornalismo pode ser feito por outras pessoas.
Não é porque crianças aprendem informática aos 13 anos que programadores formados deixaram de existir.
Pessoal questionar educação no Brasil é o cúmulo da piada pronta. Um país com problemas profundos no ensino, no mínimo, deve exigir diploma pra evitar a falência.
Extremamente revolvante e indica falta do que fazer. Muito difícil não sair por aí xingando alguém. Não é à toa que todos nós passamos horas, meses e anos na Cásper nos matando de estudar. Realmente porco.
=/
É algo tão absurdo e revoltante, que cheguei a me enrolar enquanto escrevia este post, tamanha a minha indignação. É mesmo difícil não sair revoltado com meio mundo depois de saber de coisas como essas.
Essa é uma questão muito mais complexa do que parece. Ela exige uma análise fria, não apenas indignação.
Impedir uma pessoa de escrever em um jornal pela ausência do diploma é interferir na liberdade de imprensa. Teoricamente, uma pessoa teria o direito de escrever o que quisesse, mesmo que fosse uma bobagem.
Claro que temos que considerar que uma bobagem escrita em um jornal pode ter conseqüências muito graves. Mas isso apenas nos leva a outra questão: será que o ensino superior de Jornalismo impede que sejam escritas bobagens? Será que ele é capaz de prover “o mínimo de embasamento teórico, técnico e ético para o exercício da profissão”?
Se analisarmos o nível atual da maior parte das faculdades e observamos os graves erros e problemas éticos de jornalistas formados, concluiremos que a grande questão não é se o diploma deveria ser obrigatório, e sim se os atuais cursos de Jornalismo valem a pena.
PS: Alguns dos mais respeitados jornalistas brasileiros, como Cláudio Abramo, nunca tiveram diploma. Compará-los “a crianças que aprendem informática aos 13 anos” é um insulto a estes profissionais e ao próprio Jornalismo.
Mas desmerecer quem faz faculdade de jornalismo não vai desviar ou aliviar do problema central: o Brasil é o eterno país do futuro, e a educação é uma merda.
Concordo com a Mariana, Diego.
Cláudio Abramo, Aloisio Biondi e muitos outros foram éticos, críticos e sem diploma. Mas os tempos eram outros.
Eu acho que deve ser permitida a participação e colaboração de especialistas e pessoas comuns no jornal, em prol de uma informação comunitária. Mas o exercício do JORNALISMO - e sabemos que órgãos de comunicação não são apenas jornalismo - deveria ser obrigação de diplomados.
Não porque é exemplo lá fora, mas porque quem está aqui dentro prefere matar aula.
O dia que o Brasil tiver uma Universidade como Havard, com a licença poética pra puxar saco dos ianques agora, a gente pensa em abolir qualquer obrigatoriedade. Não tô falando em cultivar acadêmicos de anos anteriores, mas tem que haver o mínimo de estimulo sobre PENSAR o JORNALISMO. E ninguém se dispõe a isso.
tem q haver o mínimo estímulo sobre pensar o PAÍS, e quem é a favor desse lixo não faz isso.
Pra que melhorar a educação e a infra quando se pode economizar tempo e dinheiro e retroceder a sociedade? Adoro.
achei bacana o Diego destrinchar a discussão, sem nenhuma ressalva. Mas acho que não dá pra colocar as emoções de lado quando a imensa massa dos seus "colegas" de sala não dão a mínima pra muita coisa.
tenso
É incrível como muita gente não está dando a mínima para o assunto. como existem mentes pequenas que hoje já estão anunciando que largarão a faculdade ou trocarão de opção no vestibular.
Não desmereço excelentes profissionais sem diploma, apenas acho que em um país como o Brasil, com tantos problemas de educação, cortar diplomas não me parece a solução ideal. Isso é retrocesso para a sociedade em geral e um desestímulo para todos da área de comunicação.
Educação precisa começar a ser discutida com seriedade, como por exemplo questionando a qualidade das faculdades e dos cursos oferecidos atualmente, não com atitudes como essa do STF.
Ana Carolina, concordo completamente com você. É triste. Eu realmente não culpo quem diz que quer sair do país. É ótimo morar aqui, São Paulo é paixão, mas o país não tem infra e respeito próprio pra ser levado a sério.
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