É notório que os filmes de Lars Von Trier conseguem aflorar sensações bastante adversas em seus telespectadores. Segundo uma das milhares de comunidades do site Orkut que celebram o talento do cineasta dinamarquês, quem assiste um de seus filmes tem vontade de agredi-lo e de abraçá-lo. Com o seu novo filme, essas “sensações adversativas” ficam à flor da pele.Criado em uma crise depressiva do cineastra, "Anticristo" é a sua mais nova obra. E, logo em sua primeira exibição no Festival de Cannes, gerou, como já era de se esperar, muita polêmica. Cenas de sexo e de mutilação, dois atores em cena, um cenário bucólico, câmera lenta e uma raposa falante se misturam em um universo paralelo chamado Lars Von Trier.
A história do filme é a seguinte: depois da morte do filho pequeno, uma jovem escritora (Charlotte Gainsbourg) entra em profundo luto. O seu marido (Willem Dafoe), que trabalha como terapeuta, começa a tratar a esposa. Em uma viagem a uma cabana, chamada ironicamente de Éden, fatos estranhos começam a ocorrer. Sinopse de filme de terror, não? Mas o filme é muito mais que um simples filme de terror, pois trata do medo e do mal como forças supremas e muito maiores do que podemos controlar.
O filme é dividido em 6 partes. Na sequência inicial, o "Prólogo", é apresentada uma cena de sexo estilizada em preto-e-branco, que contrasta com a cena da morte do filho. Esse contraste é constante em todo o filme. Drama, terror e sangue se misturam com sensações de nojo, repulsa, ódio e prazer. Enquanto Lars brinca com os sentimentos dos expectadores, os expectadores brincam de gostar e de odiar os seus filmes.












