
Masagão não insere nenhuma fala de personagem, apenas joga com imagens seguidas por uma explicação escrita e uma trilha sonora abundante em piano e composta pelo músico belga Wim Mertens. A escolha por esse formato de filme contribui para que o espectador reveja cenas do nazismo, do stalinismo e detalhes do cotidiano sob um viés muito mais distante do clichê, do que normalmente é tachado nesses períodos polêmicos.

As cenas discutem os progressos científicos, industriais, sociais e suas conseqüências, muitas vezes, desastrosas: incluindo duas bombas atômicas que dizimaram cidades, experimentos cruéis e instauração de políticas econômicas corrosivas ao ser humano. A inspiração do longa-metragem é o livro A Era dos Extremos, do historiador marxista Eric Hobsbaun, que traz uma perspectiva crítica tanto do capitalismo quanto do socialismo que se formaram das duas Guerras Mundiais. O documentário se estende inclusive nas obras de arte desse período, do expressionismo de Edvard Munch até o experimentalismo surreal de Marcel Duchamp.
Por fim, o título do filme foi retirado do cemitério que é mostrado como um símbolo final do século XX, localizado na cidade de Paraibuna, interior de São Paulo. O significado da frase “Nós que aqui estamos por vós esperamos” é de sepultamento dos avanços e absurdos do período controverso mostrado em fotos, pequenos filmes e sons. No entanto, apesar de estar enterradas, essas imagens do homem instável ainda nos chamam para aprender sobre o que aconteceu e ainda faz parte deste novo milênio.