quinta-feira, 28 de abril de 2011

O primeiro sucesso de dois milhões de cópias do Black Sabbath


Soe pesado, algumas vezes rápido e algumas vezes com certa lentidão. Coloque algumas baladas para fazer o ouvinte respirar sua musicalidade. Não faça músicas que ultrapassem seis minutos. Este é o Black Sabbath em Master of Reality, álbum que estreou em julho de 1971. Fará 40 anos no mesmo mês deste ano.

O material foi responsável por jogar a banda no oitavo lugar das paradas britânicas e o quinto nos Estados Unidos. Conseguiu nota máxima no Allmusic, reconhecidamente por fazer canções acessíveis mesmo com todo o peso e seus temas sombrios. O primeiro encarte do vinil era curioso: Era todo preto, com as palavras Black Sabbath na cor roxa. A palavra Master of Reality era visualizável apenas por seus contornos e as letras eram onduladas. No CD, o nome do álbum foi colorido de cinza.

Lester Bangs, notório crítico da Rolling Stone, disse que o Sabbath não cresceu nesse material como fizeram os proto-punks do MC5. Se ele estava certo, não dá pra saber, mas que o quarteto liderado por Ozzy Osbourne acertou em criar um material curto e saboroso para o ouvinte é um fato reconhecido em dois milhões de cópias vendidas.


Sweet Leaf abre o CD com a tosse de Geezer Butler ao usar maconha, jogando, de cara, o tema das drogas, que é uma temática tão cotidiana e polêmica quanto a letra de Paranoid. No entanto, os assuntos sombrios não iam ficar de fora do CD. Apesar da mensagem cristã de Geezer sobre salvação, After Forever já mostra que a religião volta a ser uma abordagem comum para o novo material da banda.

Tony Iommi reduziu três semitons da afinação de sua guitarra e toca de maneira mais suja e obscura nesse CD, acompanhado pelo mesmo ajuste no contrabaixo de Geezer Butler. Embryo é uma pequena peça instrumental que antecede Children of the Grave, uma das músicas que mais mostra o ritmo forte de Bill Ward na bateria. Falando sobre inocentes que se voltam contra as guerras, como em War Pigs, a letra faz uma alegoria da situação com crianças que são enterradas vivas.

Iommi não fica satisfeito e, dessa vez, ataca em uma peça acústica com ares de música erudita. Orchid é outra das criações do guitarrista antes da fabulosa Lord of This World. Mais travada, a música retoma os temas demoníacos sobre possessão de pessoas inocentes, como as letras do primeiro CD Black Sabbath.

Em uma letra inovadora para a banda, Solitude abandona a sujeira das guitarras e os berros de Ozzy Osbourne para falar, serenamente, sobre solidão. Para fechar o material, sem tons cinzentos e mornos, Into The Void fala sobre poluição e sobre o homem se matando com suas criações, rodeado por fraseados bem pesados do instrumental do grupo de heavy metal.

Um disco direto, sujo e curto, mas com variações. Este é o Master of Reality do Sabbath.

Um comentário:

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