segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pain of Salvation em São Paulo

Tudo, menos normal

O Pain of Salvation não é uma banda de heavy metal qualquer. Talvez o Pain of Salvation nem seja uma banda de heavy metal, ou heavy metal progressivo. Talvez o Pain of Salvation seja simplesmente irrotulável. A verdade é que a banda sueca não se parece com nada, e o seu show é um retrato disso.

Não pude ficar mais surpreso quando cheguei ao Carioca Club no último domingo, em São Paulo. A começar pelo público que, se não lotou a casa de show completamente, se aproximou de ótimos 80%. Se em um show comum de heavy metal se espera ver uma maioria esmagadora masculina, vestida de preto, o que se viu foi uma audiência muito bem divida, com pessoas vestidas como sempre deveriam se vestir em qualquer show: normalmente. Homens, mulheres, casais, jovens, meia idade... todo mundo. Era um público tão eclético quanto o de um U2, por exemplo, com a diferença que ninguém estava lá pelo evento, e todos pela música. E que música.


As composições de Daniel Gildenlow são tão complexas que sempre me questionei como seriam executadas ao vivo, não que eu questionasse a capacidade da banda. E só posso dizer uma coisa: o Pain of Salvation ao vivo é mais espetacular do que em um álbum. Todos os músicos beiram a perfeição tocando as músicas da banda. Os integrantes mais novos, Daniel Karssom no baixo e Leo Margarit na bateria não apenas dão conta das faixas mais antigas, mas nos fazem esquecer que são membros recentes, tamanho seu entrosamento com o resto. Margarit, em particular, é espantoso para um leigo. Rápido, preciso, pesado e suave, quando necessário, com direito a um longo e bem executado solo.

Fredrik Hermansson no teclado e Johan Halgreen na banda são os opostos. Enquanto o primeiro é calmo e sereno, se escondendo atrás de seu instrumento e executando com perfeição tudo aquilo que compôs, Halgreen, sem camisa e com seus longos dreads transparece cada energia das músicas, quase entrando em transe em seus momentos mais pesados. Por fim, ganhou destaque o frontman, vocalista, compositor, produtor e dono do Pain of Salvation, que é Daniel Gildenlow.

Talvez ele tenha ido bem porque o show foi realizado justamente na data de seu aniversário de 38 anos, mas eu duvido. Daniel Gildenlow se mostra um frontman fantástico, levando-se em conta o tamanho de sua banda. Foi um guitarrista espetacular e energético (quebrou três cordas durante o show) e um vocalista versátil e único. Se ele desafinou em algum momento, não percebi. Mas, acima de tudo, ele estava extremamente carismático. Esqueça a pose das grandes bandas de heavy metal. Gildenlow e o Pain of Salvation deixaram transparecer aquilo que no fundo todo fã quer perceber: eles estavam incrivelmente felizes por fazer aquele show.

De novo...o Pain of Salvation é tudo, menos um banda de heavy metal comum. Em quantos shows podemos rir das piadas do frontman? Em quantos shows podemos balançar a cabeça loucamente em um momento e, alguns minutos depois, estamos ouvindo uma balada tão romântica e boa quanto qualquer música de...sei la, um Bon Jovi ou um Bryan Adams? Em quantos shows podemos ter momentos de rap, disco e blues? E tudo dentro do rótulo de heavy metal? O Pain of Salvation ao vivo rejeita rótulos da mesma forma que o faz no estúdio. A banda só aceita um: o de uma puta banda que, por ser tão pequena no cenário mundial (como um todo), só retrata o quanto o mundo da música é injusto.


SET LIST

· Remedy Lane

· Of Two Beginnings

· Ending Theme

· America

(with drum solo)

· Handful of Nothing

· Of Dust

· Kingdom of Loss

· Black Hills

· Idioglossia

· Her Voices

· Second Love

· Diffidentia

· No Way

· Ashes

· Linoleum

· Road Salt

· Falling

· The Perfect Element

· Encore:

· Tell Me You Don't Know

· Disco Queen

· Nightmist


ps: imagens do blog Heavy Nation, do show da banda no Rio de Janeiro.

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