segunda-feira, 17 de junho de 2013

O protesto de todos os protestos

No dia 9 de março de 2013, escrevi um texto afirmando que as manifestações contra o deputado Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos era o protesto de todos os protestos. Eu estava errado. Esse grande protesto, que pode movimentar o Brasil novamente nesta segunda-feira, aconteceu no dia 13 de junho de 2013.



Resumirei os fatos daquela quinta-feira.

Foram aproximadamente 250 presos, a maioria liberados até o dia seguinte, sem provas. 15 jornalistas detidos. O jornalista da Carta Capital, Piero Locatelli, foi detido por porte de vinagre, utilizado por manifestantes para amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo disparado pela polícia contra manifestantes que pedem a redução de R$ 0,20 do aumento das passagens de ônibus (R$ 3,20). Foram diversas pessoas agredidas. A manifestação começo aproximadamente às 15h do dia 13 na frente do Theatro Municipal. No local, já eram realizadas detenções só na averiguação. O protesto foi organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) que defende até algo mais radical: A passagem gratuita.

vídeos de pessoas em seus apartamento tirando fotografias e recebendo, em troca, balas de borracha da Polícia Militar. A repressão invadiu a propriedade privada.

Os manifestantes caminharam pacificamente até a Rua Augusta e a Bela Cintra, tentando chegar na Avenida Paulista. Os relatos postados na internet mostram que apenas um vidro de uma residência e um ônibus foram pichados pelos manifestantes. O lixo queimado e os vidros de viaturas quebrados foram obras da Polícia Militar de São Paulo, com agentes infiltrados e a Tropa de Choque.

Fala-se em repressão contra estudantes, trabalhadores, militantes de partidos políticos e civis comuns. Um casal chegou a ser agredido em um bar quando a PM de São Paulo decidiu interditar a Avenida Paulista para afastar protestos.

Um amigo meu recebeu bomba de gás lacrimogêneo na Avenida Nove de Julho, buscando uma rota alternativa para chegar ao metrô.

Hoje está marcado outro protesto para as 17h. A pauta já não é mais R$ 0,20, mas sim melhorias no transporte público, combate à corrupção e aos males da política brasileira, como a sobrecarga de impostos. O prefeito petista Fernando Haddad e o governador tucano Geraldo Alckmin afirmaram em coletivas que não vão abaixar o preço, mas agora estão dispostos a conversar pela pressão popular.

Quer saber mais, quer lembrar alguma coisa? Leia o texto do Melhor que Bacon e seja feliz. Todas as fontes são confiáveis.

Veja também a entrevista de Giuliana Vallone, repórter da Folha que levou um tiro de bala de borracha no olho, mas não ficou cega porque estava de óculos. Ela é um retrato dos excessos dos governos e da repressão policial em protestos pacíficos.


Este é o protesto de todos os protestos. Sem uma causa única, mas com a maioria das pautas da chamada Reforma Polícia. Rendeu, inclusive, vaias à presidente Dilma na abertura da Copa das Confederações.

PS: Sábado, dia 15, ocorreu outro protesto pacífico, mas sem repressão da polícia ou repercussão gigantesca. Trata-se do Ato contra o Estatuto do Nasciturno, projeto que pretende conceder uma pensão de estupradores às suas vítimas como um direito ao feto, se a mulher engravidar. O processo foi interpretado como mais um projeto de lei que não legaliza o aborto e mantém a criminalização, tirando o direito da mulher de cuidar do próprio corpo se a gravidez trouxer riscos à sua saúde. A foto é minha, logo abaixo.


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