segunda-feira, 8 de junho de 2009

Cidadão Boilesen


O documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski, fala sobre a vida e os feitos de um dos empresários mais famosos do Brasil, o presidente do Grupo Ultra (da Ultragás) nos anos 50-70, Henning Albert Boilensen. Dinamarquês naturalizado brasileiro, Boilesen era uma figura popular da época, frequentemente citado em jornais e revistas.

Litewski inicia o filme com uma série de entrevistas com pessoas que passam no logradouro Henning Boilesen, no bairro do Jaguaré, em São Paulo. Embora alguns morem nessa rua, nenhum soube explicar quem foi Boilesen exatamente. Depois, vemos uma série de entrevistas com amigos, parentes, professores e conhecidos do empresário, que ressaltam o quanto ele era carismático, bonito e mulherengo.

Em determinado momento do filme, é apresentado o papel que Boilesen teve na ditadura militar brasileira, arrecadando dinheiro para a OBAN – a Operação Bandeirante -, que eliminava militantes de esquerda, e qualquer opositor do governo, mas principalmente os do MRT e da ALN. As entrevistas passam a ser mais fortes, com ex-militantes, ex-torturados, e observadores ávidos da época, como o próprio ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso.

Somos apresentados, então, à outra figura de Boilesen: a de frio, sanguinário, calculista e monstro. Segundo um dos responsáveis pelo assassinato do empresário, o link entre a repressão e a Ultragás foi feito quando várias pessoas sumiam, eram raptadas, e até executadas quando havia um furgão da companhia por perto.

Ninguém imaginaria que o garanhão Henning, criador da CIEE (Centro de Integração Empresa Escola, empresa que até hoje é responsável por contratos de estágio), era o principal “caixinha” da OBAN e, posteriormente, da DOI-Codi de São Paulo, o centro de torturas. Além de colaborar ativamente com a causa, Boilesen assistia às sessões de tortura – até participava de algumas -, e foi o responsável por trazer dos Estados Unidos a técnica de tortura que levou o seu nome, a “pianola Boilesen”.

Além de explorar com infinitos recursos a vida do empresário, o documentário cita outros nomes de famosos colaboradores da ditadura: a Folha de S. Paulo, que cedia furgões, a Camargo Correia, que fingia reformas e construções como fachada, e a Ford e a General Motors, que cediam carros. Porém, o filme deixa claro que houve exceções importantes, como Antonio Ermínio de Moraes, da Votorantim, e José Midlin.

Boilesen tornou-se o número 1 da lista de execuções dos militantes opositores, seguido por Peri Igel e Sebastião Camargo (da Camargo Correia). Finalmente, em janeiro de 1971, Henning Boilesen foi executado a tiros na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Os outros nomes da lista não foram riscados.

No final do filme, fica o que seu filho disse: “Mataram o meu pai (...), e até hoje eu não sei o que ele fez.”

Fontes:
RodrigoViana.com.br, Guia da Folha, Cinequanon, Blogdaunr, JBOnline, Estadão, PalavraSinistra

3 comentários:

Thiago Dias disse...

O documentário tem seus méritos, mas na minha opinião pecou muito em aspectos fundamentais. Um documentários usar trechos de obras ficcionais de qualidade duvidosa como Batismo de Sangue e Lamarca é algo que vai contra a propria credibilidade, é algo que tem que ser feio com maior cuidado. Ele se perde um pouco na tentativa de explicar a dupla personalidade de Boilensen.
Fora que achei de extrema má fé a edição do comentário final do filho. Não é nenhum erro acreditar piamente na inocencia do próprio pai.

Pedro Zambarda disse...

Eu gostei de Cidadão Boilesen. Acho que conseguiu narrar algo pesado e paradoxal de uma maneira leve e prática.

Anônimo disse...

Olhar o www.docverdade.blogspot.com
Lá há um post sobre esse documentário

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