terça-feira, 17 de novembro de 2009

O maestro da brasilidade


Meio século depois do falecimento de Heitor Villa-Lobos, em 1959, o Brasil de hoje continua enfrentando problemas com sua formação cultural própria. O maestro fluminense, destoando de toda a problemática brasileira, foi um dos poucos a reunir ritmos e melodias populares com a obra erudita mais influente do mundo ocidental, do alemão Johann Sebastian Bach. Outras influências, como Stravinsky, Lizst e Rachmaninov, são detectáveis nessa miscigenação musical. O grande feito de Villa-Lobos, em vida, foi a criação, nessa fusão, das chamadas "bachianas".

O maestro Heitor Villa-Lobos nasceu em 5 de março de 1887, na capital nacional carioca da época. Viveu, na virada do século XIX para o XX, a transição da música erudita romântica para as composições mais modernas e experimentais, influência fundamental na sua formação como compositor. Interessou-se, antes de sua apresentação com músicas próprias em 1915, pelo chorinho, música das ruas do Rio de Janeiro. Na semana de arte moderna de 1922, ao lado de artistas como Tarsila do Amaral e Mário de Andrade, ele pode exibir toda sua impetuosidade ao vivo, no Teatro Municipal de São Paulo.

Suas músicas utilizam instrumentos de percurssão incomuns em peças eruditas. Também há uma larga utilização do violão erudito para a execução de melodias populares. Villa-Lobos também investe em instrumentos de sopro que simulam o som de pássaros, dando toda uma atmosfera diversa para sua obra, composta essencialmente por nove grandes bachianas (feitas entre 1930 e 1945), peças para piano, violão, música coral, vocal e até dramática.

O jornal New York Times dedicou-lhe uma matéria um dia após a morte, dia 18 de novembro de 1959. Faleceu desiludido com o Brasil, alegando que a "mediocridade dominou o país". A junção entre o erudito e o popular foi novamente fonte contraditória para uma obra musical própria no caso de Antônio Carlos Jobim, um dos criadores da Bossa Nova e contemporâneo de Villa-Lobos na juventude. Essa interação de sonoridades foi um passo definitivo do maestro no século XX rumo a uma identidade nacional, uma brasilidade, ao contrário do medíocre que ele alegou em seus últimos dias.

3 comentários:

Thiago Dias disse...

Todo ano na Alemanha é celebrado o Festival Wagner. Orquestras de todo o país tocam durante uma semana obras do maior compositor alemão de todos os tempos.
Nem preciso fala que não existe nada parecido no Brasil né?

Pedro Zambarda disse...

Villa-Lobos é só nosso, Thiago.

Pedro Zambarda disse...

E é injusta a comparação. Johnny Cage é muito diferente de Strauss, que não é nada semelhante a Wagner, que nem de longe soa como Beethoven.

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