domingo, 1 de novembro de 2009

Nunca pare de filmar



Filme de terror é sempre uma surpresa. Podemos nos deparar com um dos futuros ícones do gênero ou com um lixo manchado com tinta vermelha e groselha. Diferentemente dos filmes que precisam de shows tecnológicos para se tornar plausíveis, os filmes de terror nunca precisaram muito disso, mas apenas de um pouco da imaginação do espectador. Sendo assim, é difícil um filme hollywoodiano de terror-trash ganhar os corações. Desse vazio por sangue-falso e zumbis, nasceu o amor dos fãs do gênero pelos chamados “pólos alternativos do cinema mundial”.

Toda essa “referência histórica” é para falar sobre “[REC]”, de Jaume Balagueró e Paco Plaza. O filme conta a história da repórter Ângela e do cinegrafista Pablo, que fazem um programa sobre a rotina dos profissionais que trabalham de madrugada. Durante a gravação de uma matéria acompanhando a rotina de um corpo de bombeiros, eles acabam indo atender um chamado em um prédio residencial, mas o que seria uma simples reportagem acaba virando um pesadelo.

Interessou? Sim, a história é simples e o filme segue a lógica do famoso “A Bruxa de Blair”: câmera na mão, “nunca parar de filmar” e sustos repentinos. Usar handycam tem se tornado quase uma obrigação em um filme de terror moderno, começando com o já citado “Bruxa de Blair” e indo até “Cloverfield”. A filosofia de incluir o espectador na trama tem sido uma forma de lidar com os roteiros não-críveis das histórias de terror.

“[REC]” dá realmente muito medo e também aqueles sustos óbvios nas horas mais oportunas, mas que sempre fazem todo mundo pular na poltrona. Não é preciso falar que o filme foi um sucesso na Europa e, como todo o sucesso internacional com pegada independente, teve o seu remake hollywoodiano. “Quarentena” é mais bem feito, bem mais acabado e bem mais mal atuado. Mesmo assim, não chega nem aos pés do terror causado por “[REC]”, que ganhará uma seqüência em 2010. Tomara que não queiram fazer o mesmo com o remake.

2 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Thrash é uma coisa necessária, eu acho. Arte que se leva sempre muito a sério tende a cair na mesmice ou em crise.

Acho legal o padrão zoado que Hollywood muitas vezes autentica. E é sempre bom existir um cinema B.

Thiago Dias disse...

REC é simplesmente genial. Uma das melhores surpresas que tive no ano passado. Só espero que a sequencia, que não me parece totalmente desnecessária, seja tão boa quanto.

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