domingo, 29 de janeiro de 2012

A espionagem sem glamour: Traição, burocracia e tensão


Você provavelmente cresceu com James Bond, o 007, e Ethan Hunt, de Missão Impossível, como referências de um espião, mesmo que eles sejam apenas personagens de ficção. O filme Tinker Tailor Soldier Spy, traduzido aqui com o nome péssimo de O Espião que sabia demais, chegou ao circuito internacional mostrando que agentes secretos tem muito pouco de tiroteios, explosões e charme. Ou seja, ao contrário do glamour de Bond, esses homens mexem muito mais com papéis, lidam com burocracias, realizam torturas físicas e são traídos a todo momento.

Inspirado em um romance de mesmo nome de 1974, escrito por John le Carré, ele mostra um núcleo de espionagem no Reino Unido chamado "O Circo" (que é, aparentemente, o famoso MI6). No local, liderado por Control (John Hurt), surge a suspeita que um dos principais diretores estaria fornecendo informações para a União Soviética. O chefão então envia Jim Prideaux para negociar a veracidade desse dado com um espião húngaro que quer sair do lado leste do globo, se tornando um agente duplo. Estamos na Guerra Fria, na década de 70.

A operação é um fiasco: Prideaux é baleado nas costas por agentes húngaros. O fracasso custa os cargos de Control, que morre sozinho e doente, e de George Smiley (Gary Oldman), seu braço direito na organização. Do outro lado da diretoria, Percy Alleline (Toby Jones), consegue informações dos soviéticos importantes (Witchcraft) o suficiente para estreitar as relações entre o Reino Unido e os Estados Unidos contra os russos, comunistas. Alleline sobe ao cargo de chefia com esse feito, apoiado pelos diretores Bill Haydon (Colin Firth), Roy Bland (Ciarán Hinds) e Toby Esterhase (David Dencik).

Com essas promoções e afastamentos, Smiley resolve investigar as informações que Control possuía sobre o provável traidor dentro do Circo. O filme então assume uma narrativa lenta, mas repleta de suspense, que coloca sempre o espectador em busca de quem está contando a verdade dentro da trama.

Alguns recursos sutis, como a troca de óculos de grau de Smiley no começo da trama, ajudam na narração, que lida constantemente com flashbacks. Sem contar spoilers desse suspense dirigido por Tomas Alfredson, o filme mostra como espiões lidam relativamente pouco com tiroteios e muito mais com cruzamento de informações e promessas. O longa também mostra que a desilusão dos homens com o capitalismo e com o comunismo eram convites para eles se tornarem agentes duplos.

Colin Firth e Gary Oldman ainda recheiam o filme com atuações diretamente opostas: Firth representa o charme e a superficialidade dos agentes britânicos, enquanto Oldman é um diretor repleto de informações, mas quieto e aparentemente apagado. Só essas duas interpretações valem o longa, que é para aqueles que desejam ver um espião muito além de James Bond.

PS: Veja o trailer do filme.



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